Eliana apareceu no vão da porta, descalça, usando apenas uma camiseta larga cinza que mal cobria o topo das coxas grossas e um shortinho jeans desfiado, daqueles que parecem prestes a rasgar a qualquer movimento. O cabelo preto, longo e pesado, caía solto sobre os ombros morenos, brilhando sob a luz dourada da tarde. Ela sorriu daquele jeito lento, preguiçoso, quase felino — o sorriso que sempre me desmontava por completo. Os seios fartos, pesados, marcavam o tecido fino da camiseta, os contornos dos mamilos escuros visíveis mesmo à distância, endurecidos pelo ar fresco. A bunda enorme, redonda e empinada, esticava o shortinho de forma indecente, obrigando meu olhar a deslizar por ela antes que eu conseguisse desviar.
Eu estava parada na calçada, coração martelando no peito, chaves do carro ainda apertadas na mão suada. Sabia que não deveria estar ali. Era a primeira vez que pisava na casa dela. Até então, nosso mundo se limitava aos plantões noturnos da casa de apoio: só nós duas, enfermeira e técnica de enfermagem, no silêncio pesado das madrugadas. Beijos roubados no depósito de materiais, mãos ágeis por baixo dos uniformes azul-marinho, gemidos abafados contra a parede fria enquanto o mundo dormia. Tudo discreto. Tudo proibido. Tudo nosso.
Mas agora eu estava ali, sabendo que o marido dela estava viajando a trabalho e que eu estava prestes a cruzar uma linha que, até então, existia apenas nas minhas fantasias mais secretas.
— Você veio — disse ela, a voz baixa, rouca, carregada de satisfação.
Eu assenti, incapaz de sorrir. A culpa já pesava como chumbo no peito. Eu era a Ana. A católica praticante. A que rezava o terço depois de cada encontro escondido, pedindo perdão enquanto ainda sentia o gosto dela na boca. A hipocrisia tinha nome e sobrenome: o meu. Fazia mais de um ano que eu não namorava ninguém. A solidão dos plantões, a cama vazia, a carência que se transformara num buraco fundo no peito — tudo isso me trouxera até ali. E Eliana preenchia aquele vazio com uma intensidade que me assustava e me viciava na mesma medida.
Ela estendeu a mão, dedos longos e quentes envolvendo os meus, e me puxou para dentro. O portão se fechou atrás de nós com um clique suave, quase definitivo.
Assim que entramos na sala ampla e bem iluminada, ela me apresentou com naturalidade:
— Júlia, a Aninha chegou.
A filha dela estava sentada no sofá de couro claro, notebook aberto no colo. Júlia tinha acabado de completar 18 anos. Pele clara, quase porcelana, cabelos lisos com mechas azuladas caindo suavemente sobre os ombros delicados. Óculos finos escorregando levemente no nariz pequeno. O sorriso que ela me deu foi doce, quase ingênuo — o tipo de sorriso que desarma qualquer defesa. Usava uma camiseta larga branca e um shortinho curto de algodão cinza, as pernas longas e lisas cruzadas com elegância.
— Oi, tia Ana — disse ela, voz suave e educada. — Tudo bem?
— Oi, Ju… — respondi, a voz saindo mais fraca do que eu pretendia. Meu olhar demorou um segundo a mais do que o permitido. Ela era linda de um jeito natural, quase etéreo. E isso me incomodava profundamente. Porque eu não deveria olhar. Não deveria sentir nada.
Eliana percebeu, como sempre. Assim como na última vez, quando Júlia passou tarde da noite pelo corredor da casa de apoio, voltando do cursinho pré-vestibular de medicina. Senti o olhar dela sobre mim — pesado, insatisfeito, possessivo. Ela não disse nada na hora, mas o canto da boca se curvou numa expressão quase imperceptível de descontentamento.
Júlia fechou o notebook devagar, com delicadeza.
— Vou subir um pouquinho. Se precisar de alguma coisa, é só chamar.
Ela se levantou, passou por nós com passos leves e subiu as escadas. O shortinho curto deixou à mostra a curva suave das coxas jovens e firmes. Eu desviei o olhar rapidamente, sentindo o rosto queimar. Eliana não comentou nada. Apenas me puxou para o sofá grande, sentando-se primeiro e me fazendo sentar ao seu lado.
Serviu duas taças de vinho tinto. O líquido escuro girava dentro do cristal, refletindo a luz amarelada do abajur. Ficamos em silêncio por alguns instantes, apenas bebendo, nossos joelhos se tocando de leve. O ar entre nós estava carregado, elétrico.
— Você tá nervosa — observou ela, voz baixa e íntima, inclinando-se um pouco mais para perto.
Eu tomei um gole maior.
— É a primeira vez que venho aqui… na sua casa. Na casa do seu marido... da sua filha!
Eliana sorriu, inclinando a cabeça, os olhos escuros brilhando de malícia.
— E mesmo assim você veio.
Não respondi. Porque era verdade. A culpa estava lá, pesada como uma pedra, mas o desejo era maior. Muito maior.
Ela se aproximou devagar e me beijou. Não foi um beijo suave. Foi faminto, como se quisesse me engolir viva. Seus lábios quentes pressionaram os meus com urgência, a língua invadindo minha boca com possessividade. Eu tentei me afastar um centímetro, murmurando contra ela:
— Sua louca… Sua filha está lá em cima! Ela pode…
Eliana não me deixou terminar. Avançou novamente, boca quente e exigente, mãos firmes segurando minha cintura com força. O beijo ficou mais profundo, mais molhado, mais desesperado. Senti minhas pernas fraquejarem. A culpa gritava dentro de mim, mas o desejo gritava mais alto. Eu me rendi. Entreguei-me por inteiro àquela boca, ao corpo quente e macio contra o meu, ao cheiro familiar de pele morena e perfume suave que me viciava.
Ela me guiou até o sofá. Sentou-se primeiro e me puxou para o colo dela, minhas costas contra seu peito farto. Senti o calor do corpo dela através da camiseta fina. As mãos grandes e experientes subiram por baixo da minha blusa de viscose, acariciando minha barriga trêmula antes de subir até os seios. Apertou-os devagar, com possessividade deliciosa, os polegares roçando os bicos já endurecidos em círculos lentos.
Eu mordi o lábio inferior com força, tentando segurar o gemido que ameaçava escapar.
— Você tá tremendo — murmurou ela no meu ouvido, voz baixa, quente, carregada de prazer.
Não respondi com palavras. Meu corpo respondeu por mim: uma onda de calor desceu direto para entre as pernas, a calcinha ficando encharcada. Eliana sentiu. Um sorrisinho satisfeito curvou seus lábios enquanto ela continuava massageando meus seios, apertando-os com as palmas, pesado e gostoso, sentindo o peso deles nas mãos.
— Calma… — sussurrou, como se estivesse me acalentando, mas o tom tinha um fundo de puro deleite. — Ela tá com fone de ouvido. Provavelmente nem vai perceber.
Mesmo assim, a possibilidade pairava no ar como uma ameaça deliciosa. Eliana desabotoou minha blusa com calma torturante, um botão de cada vez. Desceu as alças do sutiã e deixou meus seios pequenos e sensíveis à mostra. O ar condicionado frio fez os mamilos endurecerem ainda mais. Ela os apertou entre os dedos, depois massageou com as palmas quentes, sentindo a textura macia da pele.
Meu quadril se mexeu sozinho contra o dela, buscando fricção.
Eliana deslizou a mão pelo meu ventre, abriu o botão do meu jeans com habilidade, desceu o zíper e enfiou os dedos por dentro da minha calcinha. Dois dedos grossos deslizaram fácil entre meus lábios molhados, circulando meu clitóris inchado com movimentos lentos e precisos.
— Olha como você tá… — gemeu baixinho no meu ouvido, voz rouca de desejo. — Mais molhadinha do que de costume… por quê, hein?
Eu gemi baixinho, incapaz de responder. Ela tirou os dedos, levou-os até a própria boca e chupou devagar, olhando nos meus olhos com intensidade. Depois me fez levantar. Tirou meu jeans e minha calcinha com calma deliberada, me deixando completamente nua da cintura para baixo. Me posicionou de pé na frente dela, abriu minhas pernas e, sem pressa nenhuma, encostou a boca quente na minha buceta.
A língua dela era pesada, experiente, gulosa. Lambeu devagar do cuzinho até o clitóris, depois sugou o botão inchado com força, fazendo meus joelhos tremerem. Eu segurei na cabeça dela, dedos entrelaçados nos cabelos pretos, gemendo baixo, tentando desesperadamente não fazer barulho. O som molhado da boca dela ecoava na sala silenciosa, obsceno e irresistível.
Em algum momento, ouvi passos leves no corredor. Meu corpo inteiro ficou tenso. Eliana também ouviu, mas não parou. Pelo contrário: pareceu chupar com mais ímpeto, língua entrando e saindo, sugando meu clitóris ritmadamente, como se o risco a excitasse ainda mais.
Júlia apareceu na entrada da cozinha. Meu coração quase parou. Tentei empurrar a cabeça de Eliana, cobrir-me com as almofadas, mas era inútil. A menina passou direto para a geladeira, como se fôssemos invisíveis. Parou por um segundo em frente à porta de inox. Os cabelos com mechas azuladas caíam soltos sobre os ombros. Ela abriu a geladeira, pegou uma garrafa de água e serviu um copo, de costas para nós.
Olhei para Eliana enquanto ela continuava, os lábios brilhando do meu prazer. Ela pegou a taça de vinho com as mãos meladas e tomou um gole, saboreando:
— Hmmmm, que delícia… — murmurou baixinho, quase para si mesma.
Júlia se sentou no balcão da cozinha, de costas para a sala, em absoluto silêncio. Neste momento, Eliana colocou o vinho de volta na mesinha e avançou novamente, mordendo os lábios.
— Psiu! Não faz barulho… — sussurrou, sorrindo com malícia enquanto o indicador ia até os próprios lábios.
Meu Deus. Ninguém conseguiria descrever aquela sensação. A boca dela devorando minha bucetinha com fome enquanto a filha dela estava ali, de costas, a poucos metros. O contraste era insuportável. Não resisti. Entreguei-me de vez.
Eu estava prestes a gozar. Meu corpo tremia violentamente, as pernas fraquejavam. Eliana não parou. Continuou chupando com voracidade, língua batendo ritmadamente no meu clitóris inchado. Enquanto isso, eu via Júlia ao fundo, de costas, bebendo água como se fosse um domingo qualquer.
O prazer subiu rápido, violento. Eu estava prestes a gozar olhando para a filha dela.
Júlia se levantou, colocou o copo na pia e caminhou em direção às escadas. Quando passou pela sala, olhou para nós por um breve segundo. Eliana não parou. Continuou com a boca colada na minha buceta, língua trabalhando sem piedade.
Foi demais.
Eu puxei a cabeça dela com força, ofegante, assustada e absurdamente excitada ao mesmo tempo.
Eliana levantou o rosto, lábios inchados e brilhando do meu mel, e riu baixinho ao ver minha expressão. Um riso quente, satisfeito, quase orgulhoso.
— Sua louca… — murmurei, voz tremendo.
Ela apenas sorriu, limpou a boca com as costas da mão e me puxou para um beijo profundo, deixando que eu sentisse meu próprio gosto na língua dela.
Júlia subiu as escadas sem dizer nada.
Assim que o som dos passos dela desapareceu no andar de cima, Eliana me empurrou de volta para o sofá, abriu minhas pernas com urgência e caiu de boca na minha buceta novamente. Desta vez sem qualquer hesitação. Língua forte, voraz, sugando meu clitóris inchado enquanto dois dedos entravam fundo em mim, curvando-se exatamente onde eu precisava.
Eu rebolei gostoso contra a boca dela, no limite entre o prazer e o descontrole total.
— Você é louca… — gemi baixinho, voz entrecortada.
Eliana ajeitou uma mecha de cabelo preto que tinha caído no rosto, olhou para mim com aqueles olhos escuros cheios de fogo e sorriu, ainda com a boca no meu sexo.
Foi o suficiente.
Eu desabei em um orgasmo que arrancou a alma do corpo. O prazer subiu como uma onda violenta, fazendo meu corpo inteiro convulsionar. Gemi alto, sem conseguir me conter desta vez, as mãos agarradas nos cabelos dela, quadril se mexendo desesperadamente contra a boca quente e experiente de Eliana.
Ela continuou chupando até o último espasmo, lambendo devagar, prolongando o prazer até eu ficar mole, ofegante, completamente entregue.
Quando finalmente levantou o rosto, os lábios brilhando, ela sorriu para mim com uma mistura de carinho profundo e triunfo.
— Bem-vinda à minha casa, Aninha. A Ju sabe de tudo... O pai dela também...
Eu não consegui responder. Só fechei os olhos, o coração ainda disparado, o corpo tremendo com as repercussões do orgasmo.
E, no fundo da mente, uma única pergunta insistia em girar, cada vez mais alta:
Até onde eu estava disposta a ir?
