Caminhei por algum tempo, sentindo a brisa noturna arrepiar cada centímetro do meu corpo. Procurei por abrigo e encontrei um prédio comercial deserto. Com o coração disparado, deslizei pelo vão de um portão de ferro e me escondi em um pequeno depósito de manutenção. O lugar cheirava a ferro e poeira. Encontrei alguns panos velhos e pedaços de carpete amontoados num canto. Me encolhi naqueles trapos, sentindo a textura áspera contra a minha pele nua, enquanto meus óculos, que eu nunca tirava, descansavam sobre o meu rosto.
Quando acordei, o sol já entrava por frestas no telhado. O pânico foi imediato. Tentei me levantar silenciosamente, mas o lugar era cheio de entulho. A cada movimento, eu batia em algo, fazendo um barulho metálico que ecoava no silêncio da manhã. Eu queria sair dali sem ser vista, mas a pressa me traiu. Ao tentar abrir a porta, ela rangeu violentamente e eu, no susto, tropecei, caindo de bunda no chão com um baque seco.
— Mas que diabos... Quem está aí? — a voz de um homem ecoou.
A porta foi aberta abruptamente. O zelador do prédio entrou. Ele parou bruscamente. Seus olhos desceram lentamente: dos meus óculos, para as minhas tetas com bicos eretos de susto, para a minha buceta totalmente exposta no chão, e finalmente para os meus tênis e meias. O silêncio foi devastador.
— Eu sabia que o prédio tinha problemas de infiltração, mas não sabia que as infiltrações vinham de óculos e tênis — ele disse, com um tom de voz terrivelmente neutro.
Ele não pareceu chocado; pareceu entediado, como se encontrar uma mulher peladona no seu depósito fosse apenas mais uma tarefa do dia. Ele se aproximou e, com a naturalidade de quem confere um quadro elétrico, ajoelhou-se ao meu lado. Sem pedir permissão, ele deslizou a mão grossa e calejada por entre as minhas pernas, abrindo minha buceta com os dedos de forma mecânica e cínica.
— Estranho... — comentou ele, enquanto começava a me masturbar com movimentos lentos e indiferentes, como se estivesse apenas limpando uma peça de maquinário. — Você invadiu meu depósito, mas sua buceta parece estar me dando as boas-vindas. Por que está tão quente e molhada?
O contraste do toque bruto e desinteressado dele com a minha vulnerabilidade total me causou um choque elétrico. Enquanto ele continuava a me penetrar com dois dedos, mantendo aquele olhar neutro, ele usou a outra mão para apertar meus bicos com força, rotacionando-os com desdém. Eu tentei protestar, mas minha voz saiu como um gemido rendido.
— Eu... eu... — tentei falar, mas a sensação de ser masturbada cinicamente, como se eu fosse um objeto sem valor, me levou ao limite.
— Não precisa falar — ele disse, aumentando a velocidade dos dedos na minha buceta, sem mudar a expressão do rosto. — Apenas goze e saia logo daqui.
Eu gozei violentamente, sentindo meu clitóris pulsar contra a mão dele, enquanto ele assistia ao meu ápice com a mesma indiferença de quem olha para uma parede descascada. Logo após, ele retirou a mão, limpou os dedos no próprio uniforme e me expulsou com um gesto seco, dizendo que "não tinha tempo para loucuras".
Saí por onde entrei, sentindo o vento bater na minha bunda enquanto eu caminhava, ainda trêmula. A jornada de volta foi um ciclo de tortura e prazer. Cada bloco que eu atravessava, cada olhar de estranho que eu capturava, alimentava meu tesão. Ao passar por um parque movimentado, a sensação de estar "exposta mas vestida nos pés" me causou outro orgasmo. Eu parei, com as mãos nos bicos, sentindo a buceta pulsar e molhar as coxas enquanto as pessoas passavam por mim, confusas e cínicas.
No entanto, ao chegar a um ponto de referência, o horror me atingiu. Eu tinha pegado a direção oposta. Eu estava entrando em um bairro desconhecido, muito mais afastado e isolado do que onde tudo começou.
Naquele momento, a onda de vergonha me engoliu. Olhei para baixo, para meus tênis e meias, e depois para o meu corpo completamente nu, exposto ao nada. Senti a culpa me esmagar por ter sido tão imprudente, o arrependimento por ter jogado longe qualquer chance de dignidade. Eu era a criatura mais ridícula do mundo: uma mulher de óculos e tênis, peladona no meio do nada, sem dinheiro e sem rumo.
Mas então, algo terrível e maravilhoso aconteceu. A magnitude daquela vergonha, a percepção de que eu estava irremediavelmente perdida e exposta, transformou-se no tesão mais profundo que eu já senti. A culpa não me afastou do prazer; ela o incendiou. Senti minha buceta inundar instantaneamente, molhando as coxas, enquanto um sorriso involuntário surgia em meus lábios.
No fundo, eu estava contente. Eu estava excitada por estar naquela situação desesperadora. A ideia de que eu estava agora, mais do que nunca, entregue ao risco, sem qualquer caminho de volta imediato, fazia meu coração disparar.
Eu estava peladona, desgarrada e bem longe de casa. E, enquanto eu dava o primeiro passo em direção ao desconhecido, senti que a verdadeira jornada de exposição estava apenas começando. Tudo isso me fez começar uma nova siririca descarada, na frente de todo mundo, morrendo de vergonha e lutando bravamente contra meus instintos que gritavam implorando para eu me vestir, me esconder e desviar o olhar de quem me olhasse nos olhos.
Valéria, vamos sair fazendo loucuras por aí?