Ao escutar Alice falando que tinha achado a camisinha, Otávio congelou. Foram longos cinco segundos que pareceram cinco séculos sem conseguir esboçar qualquer reação. Ele olhava para a mão dela, reconhecia a embalagem da camisinha, compreendia o que ela falou, sobretudo o modo como ela, sutilmente sublinhou “Castelão”, mas o tsunami de pânico, susto, pavor que aquela simples frase fez romper dentro do seu peito paralisou ele. Otávio morreu embora continuasse vivo, repassando aquela cena como um filme dando loop dentro da cabeça dele, enquanto olhava para Alice recostada na cabeceira da cama impassível. Seu rosto, indecifrável. A barriga grande das últimas semanas de gravidez fazia com que ela respirasse com um pouco de esforço, mas nem isso imprimia qualquer emoção possível de ser lida. O tom quase coloquial com que a frase foi dita não oferecia a Otávio nenhum sinal sobre como ele podia reagir. Ela colocou a embalagem da camisinha em cima do travesseiro, um tanto amarrotada pois estivera no bolso, e voltou a olhar pra ele. À espera de resposta.
O que dizer? Ele simplesmente não sabia. Otávio ficou parado no meio do quarto, olhar cabisbaixo na direção de Alice. O coração batia tão forte que podia sentir a pulsação no pescoço. O rosto esquentou. Ondas de frio e calor percorreram seu corpo como choque. Ele estava em choque e foi assim, trêmulo, que conseguiu balbuciar…
— Alice…
Ela não gritou. Não chorou. Apenas olhou para ele com um misto de cansaço e clareza que doía mais do que qualquer acusação.
— Você disse que tinha ido ao estádio. Estava na bermuda que você vestiu. Dona Francineide veio hoje, fui pegar a roupa no cesto do banheiro pra botar pra lavar e achei isso no bolso.
A descrição didática do fato por Alice era quase mecânica. Parecia fria, mas era mais que isso. Bem mais, porque não expressava raiva, mágoa, ou qualquer tipo de emoção, o que a reação de Alice queria dizer estava na prateleira do mistério. O silêncio ficou pesado. Otávio abriu a boca, mas conseguiu esboçar nenhuma mentira. Aliás, ele não queria mais mentir, mas também não sabia dizer a verdade. Alice suspirou, passando a mão sobre a barriga.
— Eu sei que estamos afastados nos últimos meses. Sei que não consigo mais te dar o que você precisa. Acho que nunca consegui e entendo suas necessidades. (Alice fez uma breve pausa, enquanto desviava o olhar para a parede. Voltou a encarar Otávio e completou) Só… não minta na minha cara. Por favor!!!
A frase final dita de modo enfático o atravessou. Alívio e vergonha se misturaram, abalando Otávio profundamente, fazendo ele desmoronar de vez. Ele deu dois passos na direção dela e se ajoelhou aos pés da cama, apoiou sua testa nas pernas de Alice, e murmurou um pedido de desculpas rouco:
- Me perdoa…
Ela passou a mão no cabelo dele. Não estava claro se aquilo era uma forma de perdão. Ele só sabia que ela não estava expulsando ele. Quando ele enfim levantou o rosto banhado em lágrimas e quis falar, Alice tocou delicadamente seus lábios fazendo ele silenciar:
- Não precisa falar nada. Não quero saber de nada. Eu te entendo. Juro que entendo e… (após breve hesitação, pegou o envelope amarrotado com a camisinha continuou), fico até aliviada que você se cuida, se protege, não me coloca em risco, com tanta doença por aí...
Antes que ele pudesse reagir à insinuação sobre doenças sexualmente transmissíveis, Alice puxou delicadamente a cabeça dele para seu colo e Otávio se deixou acolher por ela enquanto desabrochava em choro e ele chorou muito, um choro manso mas convulsivo, um choro de desabafo, de alívio, desaguando em lágrimas toda a dor e culpa acumuladas pela vida dupla que levava desde que começou a namorar com ela, enquanto Alice tocava seus cabelos com carinho. Era um acalanto, acolhimento, um tipo de perdão. De alguma forma se estabelecia ali uma conversa, um entendimento sem palavras. Ficaram por mais de uma hora em silêncio, até que as lágrimassecaram, ele se levantou, falou que ia tomar banho e ela lhe deu um sorriso tímido, celebrando uma espécie de acordo.
Otávio tomou a decisão de se fechar para o mundo da putaria e, nas semanas seguintes, passou a viver de casa para o trabalho, fora disso apenas academia todo dia e as eventualidades de ir ao mercado, farmácia, etc. Sublimou radicalmente o desejo e evitou pensar em tudo que estava associado à putaria gay: sauna, cinemão, espigão da praia de Iracema, Sabiaguaba, banheiro de shopping, barracas da praia do futuro, enfim, em todo e qualquer lugar onde pudesse haver um cu, um pau, uma foda gay disponível. Quando a vontade latejava vendo algum corpo que chamava a atenção, uma bunda, um par de coxas, um peitoral, um volume de rola mais evidente, no banheiro da academia, no calçadão da Beira-Mar ou em qualquer outro lugar, ele sacudia a cabeça, desfazia a imagem. Ele sabia que estava vivendo tudo que, alguns anos antes, Ricardo, o cara com quem ele se relacionou na época da faculdade, havia advertido sobre ter uma vida dupla, sobre a encruzilhada entre viver sua orientação sexual de forma plena ou manter oculta a parte dele gostar de homens também, de sentir tesão por eles, de afirmar sua bissexualidade como o que definia seu desejo ou ser o cara hetero para a sociedade que trepa com outros caras no sigilo.
Para se aliviar, afinal, um homem com quase 30 anos não deixa de sentir tesão, quando a vontade alucinava, ele buscava se gratificar com a memória de tudo que já tinha feito. Era com o acervo das lembranças das putarias já feitas que abastecia suas punhetas durante o banho ou, quando Alice dormia mais cedo, caçando vídeos e contos eróticos em sites gays como MixBrasil, hábito que começara a se tornar parte do seu dia a dia. Internet discada, depois de meia noite era mais barato, pagava só um pulso e ele usava isso como desculpa para ficar acordado até mais tarde. Desfrutava também das salas de bate papo, Terra, Uol, Zaz, uma espécie de retomada da vida oculta de quem é gay enrustido, só que sob outro formato, ele até lembrou das conversas cheias de putaria que teve no tempo do Disque Amizade.
Aproveitou a necessidade de Alice de ter mais espaço na cama e passou a dormir na cama de solteiro do quarto que tinham preparado para a chegada do filho. Mesmo assim, o tesão acumulado era tanto que Otávio passou a viver com o corpo tenso, o desejo acumulando como uma febre baixa e constante. O conflito psíquico era diário: o marido que prometia controle versus o homem que já sabia o gosto de liberdade total.
Duas semanas antes de Alice parir, Peixoto, seu antigo mentor, veio de Brasília para uma instrução de novos procedimentos para o combate ao tráfico internacional de drogas na DPF em Fortaleza. Se encontraram no auditório, o dia inteiro juntos no treinamento, vários colegas em volta, nenhuma menção ao passado de amantes ou qualquer coisa que sugerisse o sexo tórrido que tantas vezes fizeram. Peixoto era a própria discrição e isso ele tinha ensinado a Otávio. Depois do primeiro dia de curso, logo após a aula a turma do curso foi curtir o happy hour numa pizzaria badalada da cidade. Alice estava ciente que ele iria chegar mais tarde. No restaurante, ele e Peixoto não se sentaram perto, interagiam normalmente com todos os colegas até que uma hora Otávio foi ao banheiro, mijou e quanto estava lavando as mãos, Peixoto entrou e disse:
- Tô no Praiano, quarto 1105. Me encontra lá depois daqui, quando chegar vai direto pro elevador, nem para na recepção.
Terminaram o jantar ainda cedo, pagaram a conta, a turma se despediu e Otávio ainda deu carona para um colega enquanto Peixoto foi de carona com um delegado. Após deixar o colega em casa, tomou o rumo da Beira-Mar, estacionou nas imediações do Náutico e caminhou apressado a curta distância que o separava do hotel. O lobby estava cheio e nem notaram quando ele passou direto para os elevadores. Apertou o 17, subiu, chegou no andar, achou o quarto pelo número na porta e bateu suavemente. Segundos depois, Peixoto abriu o suficiente para ele entrar. O recebeu apenas de cueca e logo se atracaram num beijo cheio de tesão e saudade.
Peixoto se ajoelhou, abrindo sua calça e arrancando sua rolona de dentro da cueca. Ele aspirou o leve cheiro de suor e mijo, Otávio estava o dia inteiro na rua, mas sabia que ele gostava, por isso nem pediu para tomar um banho antes. Ao ver a boca de Peixoto engolir a cabeça da sua pica com aquela umidade morna e aveludada tão conhecida, Otávio gemeu, se desmanchando de tesão enquanto a rola terminava de endurecer e ficar feito pedra.
O fato de serem parceiros antigos dava uma espécie de chancela, de autorização prévia. Estar ali fodendo com seu antigo instrutor não entrava na conta da traição à Alice. Tudo isso passava pela cabeça de Otávio enquanto Peixoto mamava sua rola, intercalando chupadas e linguadas com frases aleatórias:
- Que saudade que eu tava desse pauzão… sonhei tantas vezes em mamar essa pomba, como vocês chamam aqui no Ceará… adoro ficar com a boca cheia do teu cacete… que pica deliciosa… hummm…
Peixoto seguiu seu rito de devoção engolindo a rola, mamando só a cabeça da pica, alternando com lambidas no saco que ia até o períneo, a costurinha perto do cu, até que Otávio cansou de ficar em pé e o afastou delicadamente para tirar a roupa de vez. Pelados, foram para a cama e ele se deitou de pernas abertas dando espaço para Peixoto voltar a adorar sua rola com a boca. Após uma nova série de mamadas, Tavinho o puxou pelo pau e se ajeitaram num 69. A rola de Peixoto era perfeita para sua boca, conseguia engolir ela toda, sentir o sacão caindo sobre sua cara, os pentelhos macios roçando em seu nariz.
Seguiram se chupando até que Peixoto desceu com a língua na direção da região abaixo do saco, perto do cu e Otávio, por reflexo, se abriu, dando acesso, oferecendo o rabo para Peixoto cair de boca, caprichando no cunete. A língua de Peixoto passeou pelas pregas de Tavinho sentindo cada fibra, como quem interpreta a fome de cu daquele rabo e Peixoto, que sempre preferiu ser mais passivo, sabia que seu pupilo tava querendo levar rola.
Com a agilidade de um ninja, levantou-se, pegou camisinha e lubrificante, besuntou o rabo de Otávio que já ficou de frango assado esperando a enrabada, encapou a pica, passou gel nela e acomodou a cabeça rombuda da pica nas pregas do parceiro. Fez pressão, sentiu a resistência, recuou, colocou mais gel e voltou a empurrar. O rabo de Otávio, há alguns meses sem dar, involuntariamente recusou a invasão da piroca do parceiro, mas Peixoto sabia que charminho de prega se vence com jeitinho e sedução, voltou a beijar Otávio, a lhe dizer obscenidades ao pé do ouvido e seu cuzinho foi se abrindo, oferecido, desejoso de ser penetrado.
O fato do pau de Peixoto ser bem normal, apenas a cabeça ser maior que o resto, permitiu a Otávio o gozo de ser penetrado sem desconforto. Só o ardor gostoso de quem tá levando rola. Quando os pentelhos de Peixoto encontraram as beiradas do cuzinho de Otávio, ambos suspiraram de tesão. Uma comunhão de dois machos se comendo. Cu e pica, juntos, acoplados, o engate perfeito.
Engatados seguiram embalados, Peixoto metendo e Otávio se arreganhando, se abrindo para receber as socadas de rola em seu cu guloso, há tantas semanas sem levar pau. Os beijos silenciavam os gemidos que vinha da alma. O som da pélvis de Peixoto batendo contra o períneo de Otávio, pau-no-cu pau-no-cu pau-no-cu pau-no-cu pau-no-cu, era o som da percussão do prazer da foda bem encaixada.
Peixoto aumentou o ritmo, Otavio sabia que o parceiro ia gozar e pediu por isso:
- Goza, goza dentro do meu cuzinho, quero sentir teu pau pulsando no meu rabo, goza… goza gostoso, meu macho…
E Peixoto deu o que Tavinho tanto pediu e que ele também queria. Gozou gostoso, gemendo alto enquanto enchia de porra a camisinha. Ficaram engatados até a respiração acalmar. Não havia pressa em se separar, a intimidade de amantes que se conheciam há tantos anos sustentava a cumplicidade comungada que o gozo liberta.
A rola de Peixoto amoleceu e foi naturalmente expelida do rabo de Otávio que ainda não havia gozado. Peixoto pegou outra camisinha, vestiu o pauzão dele e pediu:
- Come meu cu, Tavinho, tô com saudade de sentir você montado em mim.
E se pôs de bruços à espera. Era assim que ele gostava de ser comido ou de quatro, o que importava era sentir o macho em cima dele, fazendo ele de puta, uma égua, uma vadia dominada e a pica no rabo era a essência da dominação. Mas antes de meter, Otavio caiu de boca no cuzinho de Peixoto, saboreou aquelas pregas que sua língua conhecia tão bem a textura. Demorou-se na degustação, sentindo cada fibra daquele cuzinho que ia arregaçar em seguida, como fez tantas vezes em Brasília, em Manaus, em Natal. Fez um cunete tão caprichado que o pau de Peixoto nem chegou a amolecer, voltou a ficar duro.
Otávio ajeitou a cabeça da pica nas pregas do parceiro e empurrou, entrando reto e direto, alargando aquele cu numa enfiada só, como o seu mestre gostava. Peixoto dizia que preferia sentir dor logo de uma vez pra depois relaxar. Uma vez o cacete enfiado, ficou parado, dando beijinhos e lambidas na nuca e no cangote de Peixoto, sussurrando baixarias…
- Que saudade que eu tava desse cuzinho guloso, mais de um ano sem socar meu pau no professor… ahhhhh… como eu gosto de te comer, Peixe, te sentir agasalhando minha chibata. Pisca no meu pau, pisca, mostra pro teu macho que você tá feliz, que tô te dando o que você queria. Toma rola, seu puto, rebola na minha vara pra eu saber que você está pronto pra ser arrombado, vai…
Um dos elementos que trazia fetiche ao caso com Peixoto era Otavio chamar o colega de professor, uma tara que ficou da época da formação na academia de polícia. Peixoto delirava com aquela rola imensa, grossona, arregaçando seu rabo, sentindo as fibras do seu cu levadas ao limite. Doía, doía pra caralho, mas era gostoso, um ardor que pouco a pouco ia diminuindo. Ele se sentia um herói em dar para um pau daquele tamanho.
- me fode meu macho, come teu professor putinho, vai, soca gostoso… tanta punheta já bati em Brasília lembrando de você, da gente fudendo na academia, que gostoso, Tavinho… me dá pica, vai…
Otávio atendeu ao desejo de Peixoto que também era dele. Começou a socar aquela bunda devagar, fundo e foi acelerando, a intensidade e a velocidade das metidas foram crescendo. O som do seu ventre batendo contra as nádegas de Peixoto encheram o quarto num ritmo crescente, entremeado pelos gemidos de ambos. Otávio foi virando o corpo de Peixoto pra continuar metendo de lado, ele gostava de poder abraçar o corpo do parceiro enquanto comia seu cu. Peixoto adorou a mudança de posição, levantou a coxa e empurrou a bunda em direção ao pauzão de Otávio, pedindo ainda mais pica.
E nesse crescendo a vontade de gozar foi chegando e Otávio não se conteve, deixou rolar e pouco depois explodiu em gozo, o pau totalmente enfiado no rabo de Peixoto. Aos poucos ele foi relaxando o abraço enquanto Peixoto prendia sua coxa para ele não tirar o pau de dentro do seu cu, ele acelerou a punheta e minutos depois seu cu mastigava a rola de Otávio enquanto ele gozava:
- Ah, Tavinho, ahhhhhh…
Ficaram abraçados, conversando, ainda engatados, trocando carícias e conversando sobre a vida de cada um. Otávio contou pro amigo sobre o flagrante da camisinha e a reação de Alice, o que deixou Peixoto intrigado. Aquilo fugia ao padrão feminino de lidar com traição. Depois de um bom tempo de conversa íntima, Peixoto chamou Otávio pra tomar banho e só aí seu pau saiu do rabo dele, a camisinha lotada de porra. Ambos riram admirados com aquela imagem e Peixoto fez uma confidência para Otávio:
- Sinto saudade de quando os caras podiam gozar dentro da gente. Adorava quando eu era mais jovem e podia sentir a porra quentinha do meu primo, meu primeiro macho, me inundando por dentro. Tive muita sorte em não pegar AIDS (nessa época, era essa a forma de se falar sobre contrair o HIV), levei um tempo até entender os riscos que eu corri… no dia que descobrirem a vacina pra essa desgraça, a primeira coisa que vou fazer após me vacinar vai ser dar o cu sem camisinha, sentir a gala do macho dentro de mim.
Nesse clima de camaradagem tomaram banho juntos, namoraram mais um pouco e pouco depois das 11 da noite Otávio foi embora, o treinamento continuava no dia seguinte e Peixoto também precisava descansar, dormir, ainda mais depois da surra de piroca que tinha levado. Quando Otávio chegou em casa, Alice estava dormindo, mas ele não se preocupou. Alice conhecia Peixoto e essa ligação eliminava qualquer desconforto ou mal-estar. Ele sabia que para Alice a figura de Peixoto estava acima do bem e do mal, tanto que quando conversaram durante o café da manhã no dia seguinte, ela não fez nenhuma pergunta sugestiva de qualquer tipo de desconfiança enquanto ele contava como tinha sido a saída com a galera do trabalho. Pelo contrário, ela se antecipou deduzindo que, provavelmente, eles iriam sair de novo após o segundo dia de treinamento. Alice sabia que Peixoto, além de ter sido instrutor de Otávio, era uma espécie de tutor de seu marido, o colega mais velho que tinha ajudado Tavinho nas articulações internas da PF e que teve o dedo dele na transferência de Otávio para Fortaleza, então era alguém que tinha um enorme crédito de gratidão e prestígio. Com esse escudo de benefício, Otávio e Peixoto puderam aproveitar os dois dias que o colega de Brasília esteve em Fortaleza. Foderam muito, a rola de Otávio ficou cansada de tanto arregaçar o rabo peludinho daquele coroa gostoso. Rabo que voltou pra Brasília largo de tanto levar pomba, três dias aguentando o pau grande e grosso de Tavinho. Se despediram com saudade antecipada pois sabe-se lá quando teriam uma nova oportunidade.
Duas semanas depois desses dias de alívio, Alice entrou em trabalho de parto e no meio de uma tarde de sábado, o filho de Otávio veio ao mundo. Matheus nasceu forte e saudável, um meninão, 55 cm, 3,5 kg. Ter o filho em seus braços foi a maior emoção que Otávio já sentiu na vida, aquele corpo pequeno, parecendo frágil como todo bebê e, ao mesmo, trazendo a força da vida. O milagre da perpetuação da espécie. A continuidade…
Ao redor deles no hospital, seus pais, os pais de Alice, irmãs, cunhados. Depois, em casa, vieram os tios, primos, a família toda se revezando, semanas de maratona de visitas com noites mal dormidas, ajudando Alice e a babá contratada nos cuidados com o bebê, tarefa facilitada por ele ter deixado dois períodos de férias guardados para aquele momento. Então, os três primeiros meses de Matheus tomaram conta de sua vida de forma tal que um belo dia ele acordou com o pijama todo melado, tinha tido uma polução noturna, tanto tempo sem sequer bater uma punheta.
Com as coisas do novo cotidiano se encaixando e ganhando ritmo próprio, Otávio pode voltar ao trabalho e retomar sua rotina, agora condicionada pelos cuidados com o filho que tomava boa parte de seu tempo livre. Mesmo assim, ele manteve a rotina de treinos porque a condição física era parte essencial do seu trabalho, então ir para a academia era parte compulsória de sua agenda, afinal, numa operação, ele podia ser exigido a ter respostas ágeis ou fazer uso da força física. Por outro lado, o ambiente da academia era parte dos riscos e das tentações, que ele resistia e evitava ao máximo qualquer situação de flerte, paquera, pegação, até que um dia, no vestiário…
O treino tinha sido pesado e, nesse dia, ele não ia direto para casa após o treino como vinha fazendo desde o nascimento do filho. Naquele dia, tinha a festa de aniversário de uma das tias. Alice não ia por causa do bebê, mas insistiu que ele fosse representando a família, então, para facilitar, ele organizou a mochila para tomar banho na academia e se arrumar após o treino. Otávio entrou no vestiário e agradeceu por estar vazio, rapidamente pegou suas coisas e foi tomar banho. No meio da chuveirada, ouviu barulho de porta batendo, som de gente falando, mas se manteve desconectado da movimentação. Quando saiu tinha três caras conversando, cada um em diferente estágio de nudez, um parcialmente vestido, outro metendo a cueca e o terceiro de toalha na cintura, eles falavam de futebol com a típica passionalidade de conversa de torcedor e esse clima papo de hetero ajudou Otávio a relaxar porque lhe parecia óbvio que nenhum deles representava risco de alguma pegação gay.
Ledo engano para Otávio que os cumprimentou e foi direto pro seu armário colocar suas coisas sem imaginar o que ia rolar em alguns minutos. Pouco depois ouvi eles se despedindo, mas estava de costas enxugando o cabelo e não deu importância, até que sentiu o olhar. Do cara só de toalha. Assim que se virou, o viu, parado, armário aberto do outro lado, olhando para ele, como quem procura alguma coisa pelo olhar. Um cara que ele conhecia, colega de treino, casado também, aliança grossa na mão esquerda, com quem já tinha trocado dez centavos de conversa fiada — Ricardo, trinta e poucos, a mulher grávida de novo, corpo forte, peito peludo, pau grosso mesmo mole — e agora estava ali, pelado, enxugando as partes íntimas e olhando pra ele de uma forma um tanto insinuante. Uma provocação completamente inesperada e improvável.
Os olhos seguiram se cruzando. Demorando um segundo a mais. Otávio desviou o olhar, nervoso. Ricardo passou a mão no próprio pau, sem pressa, deixando-o engrossar enquanto o encobria e o revelava nos movimentos que fazia com a toalha, se secando d-e-m-o-r-a-d-a-m-e-n-t-e... Em resposta, Otávio sentiu o seu endurecer imediatamente, fazendo volume na cueca. Nenhum dos dois falou. Mantiveram a troca de olhares, já não tão furtivos assim, a provocação ficando cada vez mais aberta. Nada disseram, apenas se secaram, se vestiram e, num acordo não verbalizado, saíram, quase ao mesmo tempo, em direção ao estacionamento e seguiram juntos, na direção do carro de Ricardo, por sorte estacionado num canto mais escondido do estacionamento. A coisa explodiu assim que as portas fecharam, Ricardo puxou Otávio pelo cabelo e beijou-o com violência, língua grossa invadindo, dentes arranhando. As mãos desceram, abriram o zíper, puxaram o pau já duro de Otávio. Ricardo gemeu ao sentir o volume.
— Porra… sabia que era grande.
Ele se abaixou e engoliu o máximo que conseguiu. A boca quente, úmida, apertada. Otávio jogou a cabeça para trás, gemendo baixo, os dedos enfiados nos cabelos curtos do outro. Ricardo chupava com fome de quem também estava há semanas se controlando: língua girando na cabeça, mão apertando as bolas, saliva escorrendo pelo queixo. O cheiro de banho tomado com suor novo impregnava os dois. O dedo safado procurou o cuzinho de Otávio e logo achou, trabalho facilitado porque Tavinho abriu as pernas. A mamada com dedada escalou ainda mais o tesão.
Otávio quis retribuir. Puxou a cabeça de Ricardo pra cima, fez ele se encostar no banco do motorista, abaixou sua cueca com a bermuda até o meio das coxas, segurou aquela rola grossa por um segundo a mais e se debruçou sobre o colo de Ricardo engolindo a cabeça da rola dele ao primeiro contato. Saboreou a bela chapeleta da pica do parceiro, se deliciou com a firmeza aveludada, uma rigidez macia. Tentou engolir o mais que pode, mas a grossura não dava pra ir muito além, ele não queria arranhar o pau do parceiro com os dentes. Sabia por experiência própria que uma mamada ruim era broxante. Mamou aquela tora com gosto e tesão acumulado. Desde a passagem de Peixoto por Fortaleza que não tinha tido gozado com outra pessoa, só na punheta e mesmo assim, em casa sempre tinha alguém da família de Alice ajudando nos cuidados com Matheus, então a privacidade estava muito escassa por aqueles tempos.
Otávio mamou gostoso, mas queria mais, bem mais, tava no tesão de meter e por mera intuição sentiu que Ricardo liberava o cuzinho sem muito lero lero. Tinha dedilhado as pregas dele enquanto chupava e sentiu que estava diante de um cuzinho experiente.
- Bora pro banco de trás?
Otávio convidou e Ricardo, após olhar em volta e ver que estava num lugar escuro e sem ninguém por perto, pulou para trás, seguido por Otavio, tarefa complicada porque eram dois homens altos dentro de um Kadett. Logo voltaram a se beijar enquanto Otávio catava uma camisinha para se preparar para foda. O olhar de Ricardo ao ver ele se preparando para meter mostrou que estava a fim de ser enrabado, então Otávio o virou de costas no banco do passageiro, abaixou a bermuda e a cueca de uma vez. A bunda firme e peluda ficou exposta. Otávio cuspiu duas vezes no cu dele, espalhou com o polegar e enfiou o pau sem parar, devagar, mas direto, até sentir os pentelhos encostarem nas pregas dele. Ricardo gritou abafado contra o banco.
— Caralho… tá me arrombando, porra…
Otávio deu um tempo pra Ricardo se acostumar. Quando ele começou a piscar o cuzinho na rola dele, Otávio começou a meter com força. O carro balançava. O som molhado de pele batendo em pele, o cu apertado e quente engolindo cada centímetro, o suor escorrendo pelas costas de ambos. A luz de um farol de um carro passando os fez parar, ficaram engatados em silêncio. O carro seguiu e eles voltaram a foder. Otávio segurou a cintura de Ricardo com as duas mãos e meteu como quem estava se libertando de tesão guardado tantos dias. Cada estocada era profunda, quase brutal. Ricardo masturbava o próprio pau no mesmo ritmo, gemendo:
— Me come… me arromba… tô precisando…
Otávio gozou primeiro, enfiado até o talo, a camisinha se enchendo de fartos jatos de porra quente enquanto o corpo inteiro tremia. Ricardo gozou logo depois, porra espirrando no banco e no próprio abdômen.
Levaram um tempo para se recuperar, a respiração desacelerando aos poucos. A rola começando a amolecer e foi sendo expulsa pelo cu arregaçado de Ricardo que, ao se dar conta, saiu da letargia pós gozo e tratou logo de segurar o pau de Otávio para tirar a camisinha pra não melar o banco do carro. Em seguida, ele pegou a toalha úmida na mochila, se limpou enquanto Otávio fazia o mesmo com a sua.
Só então começaram a conversar de verdade, Otávio perguntou como Ricardo percebeu que ele curtia e o ele respondeu que o jeito de olhar, o mesmo jeito dele, ele sentiu que Otávio estava na mesma situação dele, e foi falando sobre a vida dele, Otávio reconhecendo pontos em comum, falaram de como a trajetória de ambos os levou até aquele encontro cheio de adrenalina e tesão pelo perigo e pelo desconhecido, e foram se dando conta da extensa lista de coincidências: bissexuais, presos a um casamento que satisfazia parte de seus desejos mas não dava conta a ponto de sublimar a vontade de foder com outros homens, a vida de segredos vividos no armário, o bloqueio, por puro medo, de se envolver emocionalmente com outros homens, o sentimento - muitas vezes amargo - de parecer que está condenado a viver uma vida dupla, o estresse emocional de ter que se dividir e se equilibrar entre meias verdades e muitas mentiras, desculpas e dissimulações, entre narrativas que camuflavam as incursões pelo submundo do proibido, as mesmas desculpas de usarem família, sociedade e trabalho para continuarem fugindo do encontro com a própria verdade: de que eram homens que gostavam de fazer sexo com homens, mais até do que com mulheres.
Tanta cumplicidade e tanta intimidade os fez perder a noção da hora, ficaram mais de hora conversando dentro do carro, ar condicionado ligado, motor funcionando, vidros embaçados, até que o celular de Ricardo tocou e Otávio se deu conta de que estava muito atrasado pro aniversário, perigava chegar lá e a festa da tia estar acabando. Rapidamente, se ajeitaram, Otávio ficou apreensivo porque sua roupa tinha ficado amarrotada, mas agora não tinha outra saída senão correr pro salão de festa do prédio do primo e fazer o papel de sobrinho casado e recém pai do qual todos se orgulhavam.
Na hora de descer do carro, surpreendentemente Ricardo o puxou e lhe deu um beijo cheio de desejo e paixão. Quando enfim se desgrudaram, se despediram fazendo promessas de novos encontros, o fato de serem do mesmo time ajudava a terem pleno conhecimento e domínio do que o outro enfrentava e como vivia. E foi assim que começaram um caso, sem envolvimento emocional porque, afinal, “homem casado com mulher não se apaixona por outro homem”, esse era o modo que encontraram para dissimular o próprio sentimento crescente de quererem estar juntos, fazerem coisas juntos etc.
Nas semanas seguintes, a ciranda começou a girar com regularidade. Otávio abandonou a cautela com que tinha passado a agir após o quase flagra de Alice e passou a investir nos encontros semanais com Ricardo. Descobriu que ele também frequentava a sauna, do mesmo jeito “discreto”, ou seja, saía do carro quase correndo pra entrar na sauna e, ao chegar lá, rezando para não encontrar ninguém conhecido. Foi desse jeito, feito ratos amedrontados, que foram juntos num final da tarde, início da noite. Curioso que o medo se dissipava no vapor denso da sauna, cheirando a eucalipto e macho. Ali, valia a putaria. Ao invés de medo, tesão e foi assim que Otávio se ajoelhou entre as pernas abertas de um homem mais velho e engoliu até a garganta, o pau grosso que o coroa parrudo e gostoso lhe sacudiu, convidando para a mamada, enquanto Ricardo encapava o pau e o comia por trás, sem pressa, metendo fundo e devagar, a mão apertando a cintura e os quadris de Otávio. Depois trocaram: Ricardo de quatro no banco de madeira quente, sendo penetrado pela rola fina e comprida de um cara jovem e magrelo, com jeito de nerd, que tinha parado pra ver a foda enquanto batia punheta e ficou feliz e surpreso quando Ricardo, um macho parrudo casado lhe ofereceu o cu. O nerd gemia baixinho repetidamente “que cu gostoso”, como se só soubesse dizer isso, enquanto Ricardo se engasgava cheio de tesão chupando o pauzão de Otávio. O suor escorria, o vapor grudava na pele, o gosto de pré gozo, suor e sal se misturavam na boca. Otávio gozou sem precisar bater punheta, o corpo inteiro em convulsão enquanto era mamado por Ricardo que bebia seu leite esfomeado. Um comportamento de risco que a paixão relevou.
Outro dia, no mesmo horário de final da tarde, início da noite, foram num matagal que ligava o Cambeba ao Lago Jacareí, lugar que Otávio não conhecia, Ricardo lhe contou e lhe convenceu a ir conhecer. Lá, a coisa foi ainda mais crua, selvagem, a promiscuidade radical dos lugares anônimos de pegação. Ricardo, Otávio e mais três caras se pegando, um mais velho e dois mais jovens, enquanto alguns paravam pra ver, batiam punheta olhando, outros passavam sem se demorar, uma suruba no meio do mato a poucas dezenas de metros da avenida, o som dos carros e das casas da vizinhança chegando até eles como um murmúrio distante e indistinto. Os cinco estavam na mesma vibe, todo mundo chupando e sendo chupado alternadamente, até que o garoto mais novo sacou uma camisinha do bolso, vestiu seu pau e meteu no outro jovem, amparado pelo coroa enquanto se dividia entre chupar Ricardo, Otávio e o próprio coroa. Quando o jovem gozou, o que estava sendo comido pediu pra Otávio meter nele. Caceta devidamente envolvido pelo látex, ele foi entrando devagar no cu sensível. Mãos por todos os lados, bocas, gemidos abafados, o cheiro de terra e porra. O jovem se entregava completamente, o corpo aberto, o pauzão de Otávio arregaçando ainda mais aquele cuzinho faminto, enquanto Ricardo encapou a própria pica e meteu em Otávio sem ele esperar. Fazia tempo que ele não engatava um trenzinho. A sensação de comer e ser comido ao mesmo tempo era um tumulto sensorial. O cuzinho do rapazola envolvia sua rola como uma boca faminta, lhe dando choques de arrepio, tão forte eram as sensações que seu cacete estava desfrutando, enquanto a rola grossa de Ricardo machucava suas pregas e trazia outras camadas de sensação, um ardor gostoso mesclado ao tesão de sentir o peito sarado e peludo do parceiro colado em suas costas. O caleidoscópio sensorial levou Otávio a uma espiral de tesão tão grande que o gozo veio forte de fazer as pernas fraquejaram. Ele se apoiou no corpo do jovem que tava metendo, enquanto Ricardo o abraçava por trás lhe dizendo doces baixarias:
- Vai, Tavinho, isso, goza no meu pau, vai… tô sentindo teu cuzinho piscando, gatão, que delícia… goza, gatão, goza…
Otávio estremeceu ainda mais enquanto gozava quando ouviu seu Tutu lhe chamar de Gatão. A intimidade deu nisso, semanas e semanas se encontrando direto, se falando quase todo dia por telefone e eles já tinham nomes afetivos – Tutu e Gatão - pelos quais passaram a se chamar.
Assim que ele tirou seu pau de dentro do jovem, Ricardo tomou seu lugar e socou até gozar junto com o carinha que era comido. Pra variar, olhando os dois gozarem e o grupinho de punheteiros ao redor, enquanto se limpava e aguardava Ricardo terminar de gozar para lhe estender o lenço de papel para se limpar, Otávio sentiu a leve náusea que ainda lhe acometia de vez em quando após gozar. Tantas fodas depois e quando a putaria era muito pesada, como o que tinham acabado de fazer, vinha um vestígio de culpa lhe atormentar. Ali, no meio daquele matagal, cheio de camisinha usada largada no chão, cercado de homens buscando alívio sexual com sofreguidão, Otávio teve novamente a intuição de que precisava fazer terapia, precisava tratar esse sentimento torturante de conflito entre o que ele fazia e como que ele achava que devia ser. Falou disso com Ricardo enquanto voltavam pra onde o carro de Otávio tinha sido deixado. Seu parceiro lhe ouviu em silêncio e, ao final, falou a mesma coisa que Otávio dizia pra si: tinha vergonha de contar isso para um terapeuta, de chegar para um desconhecido e se expor, de falar não só do desejo, mas das experiências sexuais, entretanto, concordou que fazer terapia podia ajudar a lidar melhor com seus conflitos internos.
Na semana seguinte, foi a ver de Ricardo ser pai, de novo, e como era o terceiro filho, não tinha novidade, já estava acostumado a lidar com essa experiência. Mesmo assim, diminuíram a quantidade e intensidade dos encontros, mas continuaram se falando. O vínculo crescente começou a lhes colocar diante do inevitável: a relação deles estava evidente demais para ser mantida como casual e fortuita. Tinha algo ali, algo sólido, consistente, constante. Um dia, foram correr na Beira Mar e, no final, enquanto tomavam uma água de côco em frente ao Clube dos Diários que tinha sido vendido e ia ser demolido, Ricardo levantou a questão:
- Gatão, que você acha da gente começar a falar pras nossas respectivas da nossa amizade, assim, aos poucos, um comentário aqui, uma conversa acolá, sei que é um passo arriscado, perigoso mas confesso que tenho pensado nisso, em como aproximar nossas famílias e facilitar nossa convivência, naturalizar da gente se visto juntos, fazer coisas juntos…
Otávio ouviu em silêncio, o coração ficou apreensivo, lembrou da sua história com Murilo, deu-se conta que ele tinha tido um namorado mesmo estando casado com Alice e que sua relação com Ricardo pegava a mesma trilha. Imaginava se a mulher de Ricardo ficaria amiga de Alice como Letícia, ex-mulher de Murilo veio a ser. Mesmo depois de se separar dele, Leti continuou amiga de sua esposa e frequentando sua casa. Aliás, era através dos desabafos dela com Alice que sabia notícias do ex e, dois anos depois, ainda sofria em silêncio uma pontada de decepção de ver como Murilo embarcou na relação com o amante de Natal e de como chutou o pau da barraca, mandou o casamento pras cucuias, uma coragem que ele, Otávio, achava que jamais teria.
Pensou em tudo isso enquanto ouvia Ricardo que o tirou do transe:
- Você ouviu o que eu falei, Gatão? Se não quiser, não tem problema, a gente fica como está, não quero forçar nada.
- Não, né isso não, Tutu, é que eu tava lembrando do Murilo…
E contou pra Ricardo tudo que aconteceu e como as coisas terminaram. Depois da longa conversa, entraram em acordo sobre ir devagar e criar esse espaço onde a relação dos dois, como amigos, fosse naturalizada dentro dos respectivos casamentos. Para Otávio, uma alternativa muito boa, a química dele com Ricardo era excelente, mas não era só na cama, eles tinham humor parecido, gostava de coisas semelhantes, se divertiam mesmo quando discordavam e mantinham a mesma postura cuidadosa em público. Nada de toques ou gestos de maior intimidade.
Hipocrisia? Talvez, mas era o possível e Otávio se sentia privilegiado, ter a estabilidade do vínculo com Ricardo lhe trazia prazer e segurança, prazer que tinha ficado raro em casa. Depois que pariu Matheus, Alice passou a se esquivar de fazer sexo, mesmo depois de passado o resguardo. Em seis meses, tiveram sexo apenas uma vez, todas as outras vezes ele procurou, ela recusou com desculpas das mais variadas até Otávio decidiu parar de insistir. A boca, a pica e o cu de Ricardo lhe davam tudo que precisava e se tivesse vontade de comer uma bucetinha, não faltava mulher disposta a abrir as pernas pra ele mas tendo Ricardo ali à mão, estava bom demais e era de verdade.