Por alguns minutos só se ouviu a respiração dos dois se acalmando. Lá fora, São Paulo continuava barulhenta, distante. A vinda para assistir a corrida de Fórmula 1 tinha sido só o pretexto. Como sempre.
Otávio quebrou o silêncio primeiro, a voz rouca, quase um murmúrio:
— Às vezes eu fico pensando… o que a gente tá fazendo, Ricardo.
Ricardo virou o rosto, o cabelo bagunçado caindo sobre os olhos. — Do que você tá falando agora?
— Disso. De tudo. Dez anos, cara. Dez anos se escondendo. Mentindo pra Alice. Mentindo pra Telma, pros meninos, os meus e os teus. Mentindo pra todo mundo… e mentindo um pouco pra gente mesmo.
Ele passou a mão pelo próprio peito, entrelaçando seus dedos nos de Ricardo, sentindo o coração ainda acelerado.
— Hoje de novo… naquele dark room… a gente fodeu com não sei quantos caras. Foi intenso, foi foda de bom. Mas depois… eu olho pra você e sei que não é só putaria. Nunca foi. E isso me deixa louco.
Ricardo ficou em silêncio por alguns segundos, depois se apoiou no cotovelo, olhando pra ele de verdade.
— Gatão, o que você tá querendo falar exatamente?
Otávio soltou o ar devagar, como se estivesse confessando algo perigoso.
— Ah, Tutu… nossa vida dupla nunca foi confortável. Nunca. Eu acordo, beijo a Alice, levo o Matheus pra escola, brinco com a Lelê (Letícia)… meu casamento entrou numa tediosa zona de conforto e o fato de Alice parecer não gostar de foder, ela nem me procura mais, eu que insisto da gente transar, faz com que parte de mim esteja sempre em outro lugar…
Otávio hesita mas fala como quem despeja pra fora tudo que tá guardad:
- Com você. E quanto mais o tempo passa, mais eu sinto que tô construindo algo muito doido. Casa, filhos, estabilidade… tudo isso que devia me acalmar tá me sufocando. Faço quarenta em breve e me pergunto: é isso que eu quero pro resto da vida? Continuar fingindo que a gente é só “os melhores amigos que fazem coisas juntos, que viajam juntos, que estão sempre juntos,” como se a gente fosse irmãos?
A voz dele baixou ainda mais.
— Tem noite que eu fico deitado do lado da Alice e quase abro o jogo. Quase falo: “eu amo a família que a gente construiu, mas eu também amo um homem. E a gente se fode há dez anos. E não é só sexo”. Quase. Mas eu travo. Porque tenho medo de destruir tudo. Os meninos… ela… minha imagem… essa coisa babaca do policial federal casado e “normal”.
Ricardo estendeu a mão e tocou o ombro dele, firme.
— Você acha que eu não penso nisso? Que eu não olho pra Telma e sinto a mesma culpa? Não sei se porque eu e ela somos casados a mais tempo, quase 20 anos, mas a diferença é que já aceitei que a gente vive no meio-termo. Importa eu e você. Nem hétero de verdade, nem gay assumido. Só… nós dois.
Otávio virou o rosto, os olhos cansados, mas intensos.
— E se um dia eu não aguentar mais o meio-termo? Se eu quiser parar de fingir?
O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado de tudo que os dois nunca tinham ousado nomear em voz alta. Ricardo não respondeu de imediato. Só puxou Otávio mais perto, até o peito do outro colar nas costas dele, e murmurou baixo, quase contra a pele:
— Então a gente vai ter que decidir juntos. Porque eu também não sei quanto tempo ainda consigo viver só de mentira… tendo você pela metade.
Ricardo ficou quieto por um tempo, sentindo o corpo de Otávio quente contra o seu. A mão dele deslizou devagar pela lateral do tronco do amante, parando bem na curva da cintura, como se precisasse se ancorar em algo físico antes de falar.
Quando finalmente abriu a boca, a voz saiu baixa, rouca, quase sem ar:
— Eu também quase falo, Otávio. Quase toda semana. Tem dia que eu olho pra minha mulher e penso: “ela merece saber”. Que eu saio com você não só pra beber e assistir corrida. Que eu te chupo no banheiro da academia, desde aquela primeira vez, há dez anos. Que a gente já fez de tudo um com o outro… e com outros. Que quando eu te fodo, ou quando você me fode, eu sinto uma coisa que nunca senti com ela.
Ele virou o rosto um pouco, o queixo encostando no ombro de Otávio.
— Mas eu não falo. Porque tenho medo. Medo de perder meus filhos. Medo de virar o “viado casado” que todo mundo aponta. Medo de você… de você recuar e me deixar sozinho com essa merda toda na cabeça. A gente inventou essa história de que somos só parceiros de putaria, de que é só pegação, menage, sauna, suruba, dark room… pra não ter que encarar o que a gente realmente é. Mas eu sei. Você sabe. A gente se ama. E essa palavra me apavora tanto quanto me acalma.
Ricardo soltou uma risada amarga, quase sem som.
— Hoje, aqui na sauna… enquanto aqueles caras estavam em cima de nós, mesmo na penumbra eu só conseguia olhar pra você a ponto de que tudo que eu queria era que todo mundo saísse e ficasse só a gente. Queria te beijar de verdade, sem pressa, sem precisar disfarçar. Queria te dizer que quando a gente volta pra Fortaleza e eu te vejo com a Alice e os meninos, parte de mim morre um pouco. Porque eu queria ser… não sei. Queria ter o direito de te tocar na frente de todo mundo. De te chamar de meu.
Ele apertou o corpo de Otávio com mais força, a boca quase colada na orelha dele.
— Então não vem me dizer que só você tá em crise. Eu também tô. Eu também acordo no meio da noite pensando se vale a pena continuar mentindo pra sempre. Se um dia a gente vai ter coragem de quebrar tudo… ou se a gente vai envelhecer assim: dois maridos, dois pais, dois homens que se comem escondido e fingem que é só tesão. Porque se for só tesão, Otávio… a gente não precisava se olhar do jeito que a gente se olha depois que todo mundo já gozou e foi embora.
Ricardo respirou fundo, a voz falhando um pouco no final:
— Eu te amo. Pronto. Falei. E agora me diz… o que a gente faz com isso?
Otávio ficou em silêncio por um longo momento, o corpo ainda colado ao de Ricardo. A declaração pairava no ar quente do quarto como algo pesado demais para ser absorvido de uma vez. Ele piscou devagar, processando não só as palavras “eu te amo”, mas principalmente a parte sobre Telma.
— Você… pensa nisso com a Telma também? — perguntou por fim, a voz baixa, genuinamente surpreso. — Eu sempre achei que você lidava melhor. Que conseguia separar as coisas. Ver ela como… a mãe dos seus filhos, a esposa, e a gente como outra coisa. Mas você fala como se também sentisse essa rachadura o tempo todo.
Ele se virou um pouco, ficando de frente para Ricardo, os olhos escuros buscando os dele.
— É diferente pra você, né? O Júnior já tem dezessete, a Laura tá com quinze… estão crescendo rápido. Daqui a pouco começam a sair de casa, fazer faculdade, vão construir a própria vida e de certa forma, você já passou pela fase mais delicada com eles. Só o Pedrinho, meu afilhado que acabou de fazer oito é que ainda precisa muito de vocês. Igual a mim com o Matheus, o pirralho já tem dez e já é esperto demais pro meu gosto. Observa tudo. Faz perguntas que me deixam gelado. A Letícia ainda é pequena, mas logo vem a adolescência dos dois… e eu fico pensando em como vou continuar lidando com tudo isso. E sim, eu também te amo. E esse amo é parte do que me sustenta de pé todos os dias. Te ligar no celular quando saio de casa pra ir trabalhar. Te ouvir me dizendo “bom dia gatão”…
Otávio passou a mão pelo rosto, como se quisesse apagar uma imagem antiga que voltava com força.
— Mas tem algo que me assombra. As loucuras que a gente tem feito. Os riscos que a gente corre por tesão. Aquele dia na casa de vocês, na Praia do Presídio, lembra? A gente tava lá curtindo o feriadão com nossas famílias, Alice, Telma e as crianças desceram pra praia… e a gente não aguentou segurar o tesão. Fomos pro banheiro do quarto que eu tava com Alice. Você me empurrou contra a parede, eu ajoelhei, te chupei ali mesmo, depois você me virou e me comeu em silêncio, rapidinho, pra não fazer barulho, mas porta não estava trancada direito…
A voz dele baixou ainda mais, quase um sussurro carregado de culpa.
— Ouvimos barulho. Era o Juninho. Chegou a tocar a maçaneta da porta mas não abriu. Perguntou por ti que respondeu apressado: - já vou, filhão. Me lembro perfeitamente da sua mão apertando minha boca e do meu coração batendo tão forte que eu achei que ele ia ouvir. Ele ficou dois segundos ali… disse que ia voltar pra praia e se afastou. Ouvimos os passos dele indo embora. Você fala que é paranóia minha mas desde aquele dia… eu sinto. Toda vez que a gente se encontra e o Juninho está por perto, ele olha diferente. Não é mais o olhar de quem me reconhece como o “amigo do pai”. É desconfiança. Como se ele soubesse, ou pelo menos suspeitasse, e estivesse só esperando a confirmação.
Otávio engoliu em seco, a mão apertando o antebraço de Ricardo.
— E isso me aterroriza mais do que qualquer coisa. Porque se teu filho desconfia… quanto tempo até o Matheus, que é precoce pra caralho, começar a notar as mesmas coisas? As viagens, os “churrascos só de homem”, o jeito que a gente se olha quando acha que ninguém está vendo…
Ele respirou fundo, se virou e ficou de frente pra Ricardo, as testas quase se tocando.
— Você fala que me ama. Eu também sinto isso. Mas cada vez que penso em abrir o jogo, lembro do Júnior naquela porta que quase foi aberta… e do olhar dele depois. E me pergunto se a gente já não está condenado de qualquer jeito. Se a gente vai ter um jeito de sair dessa sem ferir tanta gente, sem causar escândalo. Já pensou se ele entra no banheiro e nos pega trepando…?
Otávio fechou os olhos por um instante, como se estivesse voltando daquele dia na Praia do Presídio. A voz dele saiu mais baixa, carregada de desejo e culpa ao mesmo tempo, enquanto reconstituía a cena com detalhes que nunca tinha falado em voz alta.
— A casa estava quieta. Telma e Alice com as crianças na praia. A gente inventou que queria “descansar”. Mas mal fechou a porta do quarto de hóspedes e você já estava em cima de mim. Me beijou com aquela fome de sempre, a língua fundo na minha boca, a mão descendo direto pro meu pau, que já estava duro só de sentir o cheiro da sua pele.
Ele engoliu em seco, a respiração um pouco mais ofegante só de lembrar.
— A gente foi pro banheiro porque a cama rangia. Você fechou a porta… achou que tinha trancado. Me empurrou contra a pia. Eu vi nosso reflexo no espelho: você atrás de mim, a boca no meu pescoço, a mão abrindo meu short e puxando meu pau pra fora. Você ajoelhou ali mesmo no piso frio, me olhou de baixo pra cima com esse teu sorrisinho safado de puta e engoliu tudo de uma vez. Me segurei na borda da pia com as duas mãos enquanto você me chupava com vontade, a língua rodando na cabeça da minha rola, tua boca engolindo minha chibata com fome, seu puto guloso. Eu quase gozei só com isso.
Otávio saiu do transe da memória, olhando fixo para Ricardo, a voz agora mais rouca.
— Mas você não deixou. Levantou-se, virou meu corpo de frente pro espelho, abaixou meu short de vez e cuspiu na mão. Passou os dedos lambuzados de saliva no meu cu, devagar no começo, depois dois dedos, me abrindo enquanto me beijava na nuca. Eu gemia baixo, pedindo pra você parar de provocar. Aí você tirou o próprio short, passou o pau grosso entre minhas nádegas e foi entrando. Devagar no início… depois fundo. Me fodeu ali mesmo, em pé, uma mão na minha cintura e a outra no meu pau, me macetando com aquelas estocadas curtas e fortes que você sabe que me deixam louco. O espelho embaçava com o nosso bafo. Eu via sua cara de tesão, via meu pau pingando na sua mão, sentia teu saco batendo nas minhas coxas.
A narrativa dele ficou ainda mais crua, quase um sussurro sujo:
— Você murmurou no meu ouvido: “Aperta esse cuzinho pra mim, gatão… isso, vai, pisca na pica do teu Tutu, vai… toma tudo”. E eu apertei. Me senti todo preenchido, teu pauzão gostoso batendo lá dentro a cada investida, me arregaçando. A gente estava suado, o cheiro de sexo subindo forte no banheiro fechado. Você acelerou, me fodeu mais fundo, a mão no meu pau apertando no ritmo das estocadas. Eu já estava prestes a gozar quando a gente ouviu os passos no corredor…
Otávio parou por um segundo, o peito subindo e descendo mais rápido.
— A maçaneta girou mas a porta não abriu. A gente congelou. Teu pau enterrado até o fundo dentro de mim, minha mão segurando a pia. Juninho ficou ali, só um instante. Deve ter ouvido nossa respiração ofegante… não sei. Ele murmurou “pai, você tá aí?”. Você me cobriu a boca com a mão, respondeu “Vou já, filhão…” e nem esperou ele sair, voltou a me foder. Logo em seguida, meteu bem fundo e gozou dentro de mim, colado nas minhas costas, o corpo inteiro tremendo contra o meu. Eu gozei logo depois, na sua mão, tentando não fazer barulho, o gozo escorrendo entre os seus dedos enquanto a gente escutava os passos do Juninho se afastando.
Ele respirou fundo, o olhar pesado de desejo e medo misturados.
— Desde aquele dia eu nunca mais consegui olhar pro Juninho sem lembrar da porta que quase foi aberta… e do fato de que a gente poderia ter sido pego com teu pau pulsando dentro do meu cu. Tutu, você foi muito filho da puta, cara. Teu filho ali… pertinho da gente, podia ter visto tudo.
Ricardo ouviu Otávio em silêncio. O olhar carregado de desejo trouxe uma revelação que os fez tremer:
- Eu queria que ele tivesse aberto a porta, que me visse te fodendo, assim ele ia saber logo de uma vez que o paizão dele gosta de comer e dar o cu pro seu melhor amigo, pro seu amante, pro seu namorado… pro seu amor, meu amor, você.
Ricardo foi falando e subindo em cima de Otávio, empinando aquela rolona imensa, dura, a cabeça melada de tanto tesão até se sentar nela. Desceu se empalando na chibata do seu macho e rebolou nela, cavalgou como uma puta. Nada disseram. Ricardo cavalgava e Otávio respondia jogando o quadril pra cima pra entrar mais fundo. Pouco antes de gozar, Ricardo se debruçou sobre Otávio e colocou sua boca a dele, se beijaram profunda e apaixonadamente. Um beijo onde línguas e lábios se chupavam com sofreguidão, o gozo veio, Otávio inundando o rabo de Ricardo enquanto ele lambuzava as barrigas dos dois.
Após o gozo, ficaram em silêncio ruminando a intensidade dos segredos, medos e desejos revelados. Foram embora da sauna quase duas horas depois mantendo o clima de poucas palavras e olhares evitados. Dormiram abraçados e enamorados como sempre quando ficavam juntos, sabendo que, uma vez ditas, palavras não voltam à boca e a partir daquele dia teriam que lidar com o fato que reconheciam o amor que sentiam e que a situação chegava a um limite difícil de ser sustentado. Algo tinha que ser feito, mas nenhum dos dois sabiam como e o que fazer.
A ida ao autódromo de Interlagos no dia seguinte e toda a excitação que envolveu assistir a corrida diluiu a tensão entre eles e mudou o foco. Ainda no domingo à noite, voltaram para Fortaleza após terem passado o resto da tarde / início da noite comprando presentes pras esposas e pros filhos num shopping perto do hotel na Paulista. Durante um café no aeroporto, aguardando o embarque, falaram do final de semana de farras e trepadas gays em Sampa evitando a conversa da sauna. Chegaram até a falar dos planos para os próximos dias em que tudo parecia se encaixar na rotina de dois homens bissexuais enrustidos de volta ao convívio com suas esposas e filhos.
E assim foi, continuaram se encontrando toda semana, as vezes mais de uma vez, saindo para transar depois da academia ou de uma corrida na beira mar, ou inventando que iam a um suposto jogo de futebol, com o mesmo tesão de sempre, até que três meses depois juntaram as famílias e foram para uma casa enorme, 6 quartos, que alugaram na serra de Guaramiranga para curtir o carnaval, as duas famílias completas (Otavio, Alice e filhos, Ricardo, Telma e filhos) e mais alguns amigos adolescentes dos filhos de Ricardo. No final da tarde do segundo dia, enquanto a maioria (Ricardo, Telma, Alice e as crianças) foi para a pracinha da cidade serrana curtir o festival de Jazz, Otavio decidiu ficar. Estava exausto, ainda não tinha se recuperado de uma operação muito cansativa na semana anterior no sertão do Piauí, vários dias dormindo pouco e enfrentando o calor da caatinga. Os filhos adolescentes de Ricardo e seus amigos também não foram. Preferiram ficar curtindo o salão de jogos e a piscina do condomínio.
Otávio entrou no quarto que estava com Alice, abriu as cortinas e a janela, deitou na cama e desmaiou de sono. Ele dormiu profundamente nem sabe por quanto tempo, o corpo ainda pesado da missão recente e do cansaço acumulado. O ar fresco de Guaramiranga entrava pela janela entreaberta, misturado ao cheiro de eucalipto da pequena floresta que circundava o condomínio e à distância abafada do som do festival de jazz que ecoava da pracinha. Ele estava só de cueca boxer, a coberta jogada até a cintura, a respiração lenta e regular.
No começo, o toque pareceu parte de um sonho. Algo distante, difuso, sutil. Uma mão quente, hesitante, deslizando pela coxa interna, subindo devagar até a virilha. Os dedos apertaram o volume sob o tecido, acariciando o pau que começava a reagir quase automaticamente. Otávio resmungou baixinho, ainda preso ao sono, o corpo respondendo antes da mente. A mão ganhou coragem, puxou a cueca para o lado e envolveu o pau já meio duro, massageando com movimentos lentos, quase reverentes.
Foi quando a boca quente e úmida desceu sobre a rola que ele acordou de vez. Lábios se abriram, a língua quente passou pela cabeça do pau, e de repente ele estava sendo chupado de verdade — uma mamada profunda, molhada, com uma fome ansiosa que tentava engolir sua rola toda. Otávio abriu os olhos num sobressalto, o coração disparando. Ergueu o corpo e a visão o atingiu como um soco:
- Juninho!
O filho mais velho de Ricardo estava ajoelhado entre suas pernas, a cabeça se movendo para cima e para baixo, os olhos semicerrados de concentração, os lábios arregaçados pelo pau do amigo do pai, até que ouviu seu nome e parou a mamada, mas manteve, surpreendetemente, a rola enfiada na boca. O cabelo ainda úmido da piscina, o torso nu, a expressão de alguém que sabia exatamente o que estava fazendo e, ao mesmo tempo, tremia de nervosismo, a espera da reação do “tio!
Otávio congelou. A primeira onda foi de puro pânico enquanto palavras passavam pela sua cabeça sem chegarem à boca: “Porra, Juninho, filho do Ricardo. filho do meu…” A palavra “amante” atravessou sua mente como um fio desencapado. Ricardo. O homem com quem ele se encontrava toda semana, depois da academia, depois do “futebol”, escondido em motéis e carros escuros. O homem cuja esposa, Telma, estava agora na pracinha com Alice e as crianças. O homem a quem, há poucas semanas, ele tinha enfim se declarado que amava. E agora estava ali o filho dele — Junior — que lhe chamava de tio, chupando seu pau com uma dedicação voraz, olhando para ele com um misto de medo e desejo.
A segunda onda, imediata, veio junto com o susto e o pânico. Uma onda muito pior, mais perigosa, completamente canalha: excitação, tesão, a irracionalidade dos instintos mais baixos que o impediu de reagir como deveria, interromper o boquete, dar um esporro em Juninho. Uma excitação densa, proibida, que veio do contato daquela boca aveludada e morna que continuava envolvendo sua rola e o paralisou, subiu pela espinha e apertou a garganta. O corpo de Otávio traiu o choque, a rola pulsou e Juninho percebeu a hesitação, a dúvida, a dificuldade em lhe repelir. Havia um espaço ambíguo de permissiva permissão e, num gesto insolente de atrevimento e petulância juvenil, ele voltou a mamar Otávio com gosto. O pau, já duro, latejou dentro da boca do jovem alto, ombros largos, 18 anos recém completados, mas que ainda carregava aquele ar desprotegido de filho de alguém. A língua quente, a pressão das bochechas, o jeito ansioso como Junior engolia quase até o fundo e depois voltava, babando, a saliva escorrendo pelo pau e lambuzando o saco, ele se esforçando, respirando pelo nariz… tudo isso fazia o raciocínio de Otávio ficar embotado, confuso, pesado de desejo.
Ele deveria empurrá-lo. Deveria gritar, puxa a roupa, vestir a cueca, empurrar o moço pra longe, mandar ele embora, tomar uma atitude, qualquer atitude... Mas a mão que foi até a cabeça de Junior para fazer isso não o afastou. Ficou ali, hesitante, os dedos enterrados nos cachos do cabelo ainda molhado. Junior ergueu os olhos novamente — olhos escuros, iguais aos do pai — e encontrou o olhar de Otávio. Não havia medo neles. Havia desafio, desejo e uma espécie de triunfo quieto. Como se ele soubesse exatamente o peso do que estava fazendo.
Otávio sentiu o conflito se abrir dentro dele como uma ferida.
Por um lado: o terror. Se Ricardo soubesse… se Alice ou Telma descobrissem… se os amigos de Juninho viessem atrás dele e entrassem no quarto, se as crianças voltassem mais cedo… eram tantas as possibilidades de flagrante, de perigo, ameaça, risco… A vida inteira que ele construíra com tanto cuidado — o casamento, os filhos, a fachada de homem hétero e respeitável — poderia desmoronar em segundos. E pior: era o filho do homem com quem ele traía a própria esposa. Havia uma traição em camadas ali, uma sujeira moral que fazia o estômago revirar.
Por outro lado: o calor do tesão. O alucinante, selvagem e proibido tesão de ser desejado assim. Junior não era um estranho qualquer. Era alguém que cresceu vendo Otávio como “tio”, como amigo do pai. E agora estava ajoelhado entre suas pernas, praticamente debruçado sobre suas coxas, chupando-o com uma fome que não tinha nada de inocente. O contraste era viciante. Otávio sentiu o pau latejar mais forte dentro da boca quente, e um gemido baixo escapou de sua garganta antes que ele pudesse conter.
Junior sorriu com a boca cheia e acelerou o ritmo, uma mão mantinha a rola de Otávio empinada enquanto chupava, a outra mão, livre, desceu trilhando o caminho das bolas pesada que foram acariciadas com langor e luxúria. Juninho tratou de lamber o sacão cheio com fome, o pauzão de Otávio pulsando obsceno com mais tesão, até que ele voltou a abocanhar a cabeça da rola enquanto os dedos, atrevidos, acharam as pregas do rabo do tio e, lambuzados de saliva, entraram no cuzinho de Otávio sem cerimônia. Como um raio, a mente de Otávio foi atingida por um clarão de pensamento: não era a primeira vez que Juninho fazia aquilo. Havia experiência, costume e atitude de quem já chupou muita rola. A dedada fez Otávio gemer, por um segundo desejou que o “sobrinho” subisse em cima dele e lhe pegasse de jeito, metesse rola, aquela ainda oculta dentro da sunga. Otávio fechou os olhos por um segundo, tentando respirar, tentando recuperar o controle. Mas o controle já estava escorrendo entre os dedos junto com a saliva de Junior. Quando abriu os olhos de novo, a voz saiu rouca, quase um sussurro:
— Porra, Juninho… o que você tá fazendo, cara…?
Mas a pergunta não tinha força de ordem. Tinha força de confissão. Porque enquanto a boca do filho de Ricardo continuava a trabalhar nele — molhada, dedicada, perigosamente boa — Otávio já sabia que o limite que ele jurava nunca cruzar estava sendo lambido, chupado e engolido, centímetro por centímetro. Junior ergueu os olhos sem tirar a boca do pau. Os mesmos olhos escuros do pai. Ele sorriu em volta da carne dura, a saliva escorrendo pelo queixo, e puxou a boca para cima com um barulho úmido e obsceno.
— Chupando você — respondeu, a voz baixa, rouca de excitação. A mão direita continuava apertando a base do pau de Otávio, subindo e descendo devagar, espalhando a saliva. — Você tava duro… dormindo. Quando entre no quarto e vi, não consegui segurar a vontade de enfim sentir esse pauzão.
A língua de Junior voltou a trabalhar, lambendo a veia grossa na parte de baixo, sugando a cabeça com força enquanto fazia um som molhado de “gluck… gluck…”.
— Para… — Otávio tentou, a voz falhando. A mão dele foi até o cabelo de Junior, os dedos se enterrando nos fios úmidos. Tentou empurrar sem convicção. — Porra, Junior… você não pode… isso é…
— É o quê? — Junior puxou a boca só o suficiente para falar, a respiração quente batendo na glande sensível. Ele passou a língua de novo, lenta, provocativa, coletando o fio de saliva e pré-gozo que escorria. — Errado? Eu sei. Por isso que é gostoso, tio.
Otávio soltou um gemido baixo quando Junior engoliu de novo, mais fundo desta vez. A garganta apertou em volta da cabeça do pau, quente e apertada. O som molhado encheu o quarto. O cheiro de sexo ficou mais forte. Otávio sentiu o suor escorrer pela própria nuca, o coração martelando, o conflito explodindo dentro dele. Involuntariamente, o quadril de Otávio se moveu sozinho, empurrando mais fundo naquela garganta jovem. Junior se engasgou, mas não recuou. Lágrimas de esforço apareceram nos cantos dos olhos, e ele só chupou com mais força, a mão livre descendo para apertar o próprio pau duro por dentro do short de banho molhado.
— Porra… — Otávio ofegou, a voz quebrada. Os dedos apertaram o cabelo de Junior com mais força. — Se teu pai souber…
Junior tirou a boca só por um segundo, um fio grosso de saliva ligando os lábios à cabeça do pau latejante. O olhar dele era desafiador, excitado, quase selvagem.
— Ele vai fazer o que? Ficar com ciúmes?... Ah tio, me dá teu leite. Tanto tempo que eu queria fazer isso — sussurrou, a voz rouca. Depois passou a língua de novo, lenta, lambendo cada centímetro.
A confissão de Juninho fez Otávio fechar os olhos com força. O raciocínio estava embotado, afogado no calor, no cheiro, no som molhado daquela boca. Quando abriu de novo, a mão que deveria empurrar Junior só o puxou mais para baixo. Junior sorriu contra o pau dele e obedeceu, engolindo fundo outra vez, o quarto se enchendo só do som molhado de saliva produzida pelo vai e vem da boca gulosa, da respiração ofegante dos dois e do conflito silencioso que Otávio já sabia que não ia vencer, mesmo quando ouviu a confissão tão temida:
— Eu lembro de cada detalhe daquele dia — murmurou Junior contra a carne molhada, a respiração quente fazendo Otávio estremecer. — Escutei por trás da porta vocês transando. O barulho do pai metendo em ti, o cheiro de sexo rescendendo através da porta.
Otávio tremeu. A imagem veio como um soco, nítida demais. Ele e Ricardo se chupando. Depois o amante metendo rola nele, segurando pelo quadril enquanto a rola furava suas carnes com fúria e paixão. De volta ao quarto em Guaramiranga, Otávio abriu os olhos ofegante. O pau latejava duro dentro da boca de Junior, que alternava chupadas e frases entrecortas:
— Eu ouvi tudo… sabia que ele tava metendo fundo em você... Ouvi meu pai gemendo seu nome. Quis tanto abrir a porta e ver… Mas deu medo e tesão ao mesmo tempo… Saí de lá correndo e fui pras dunas bater punheta até gozar… duas vezes, tio, duas vezes, meu pau não abaixava… desde aquele dia que sonho com isso.
Ele parou de falar e sua língua quente girou na cabeça do pau de Tavinho, sugando o pré-gozo que vazava sem parar. O cheiro de sexo no quarto de serra agora se misturava com a memória do cheiro daquele outro quarto. Otávio soltou um gemido rouco, os dedos apertando o cabelo do filho do seu amante.
— Caralho, Juninho… — a voz saiu quebrada. — Você ouvindo a gente… eu sabia, você passou a me olhar estranho… eu disse a teu pai mas ele fez pouco caso… agora tu tá aqui… que loucura isso, Juninho… para com isso, bora parar, isso não tá certo… bora conversar…
Junior puxou a boca só o suficiente para falar, a respiração quente batendo na glande brilhante:
— Quero conversa não, tio. Depois a gente fala. Agora, quero a porra do mesmo pau que fode meu pai. Quero sentir o mesmo gosto. Quero você gozando na minha boca, tio, igual goza dentro dele.
O cheiro de excitação ficou mais pesado. O ar fresco da serra já não dava conta de esfriar o calor que subia entre os dois. Mesmo assustado com tudo que Juninho dizia, Otávio sentia as bolas retesarem, o prazer subindo pela espinha como fogo e se abandonou ao tesão sem pensar em mais nada.
— Assim… — ele ofegou, a voz quebrada. — Chupa mais fundo… porra… Junior…
Junior obedeceu, engolindo até a base, o nariz quase tocando o osso do quadril de Otávio. A garganta se fechou em volta da cabeça do pau, apertada, quente, pulsando. Otávio jogou a cabeça para trás, um gemido abafado escapando da garganta. Os dedos apertaram o cabelo de Junior com força quase dolorosa.
— Vou gozar… — avisou, a voz rouca de aviso e derrota. — Se continuar assim… vou gozar na sua boca…
Junior não recuou. Pelo contrário: acelerou, a mão livre apertando as bolas de Otávio com carinho sujo enquanto a boca trabalhava sem parar. O som molhado ficou mais rápido, mais obsceno. Otávio sentiu o orgasmo se aproximar como uma onda suja e inevitável.
O conflito ainda queimava — Ricardo, Alice, as crianças, o risco de tudo desmoronar —, mas naquele momento só existia a boca quente do filho do seu amante, o cheiro de sexo, o gosto amargo do próprio pré-gozo e o prazer proibido que já tinha vencido qualquer raciocínio. Otávio segurou a cabeça de Juninho mais fundo pela última vez, o corpo inteiro retesando.
— Junior… porra… toma…
E gozou. Otávio gozou com um gemido rouco e longo, o corpo inteiro retesando. O pau latejou forte dentro da boca quente de Junior, jatos densos e quentes pulsando direto na garganta. O prazer veio sujo, intenso, misturado ao conflito que ainda queimava no peito.
Junior não recuou. Pelo contrário: ele engoliu ainda mais. A boca se fechou em volta da cabeça do pau, sugando cada jato com uma fome voraz. O som molhado ficou mais pesado — glub… glub… — enquanto ele forçava a boca para baixo, o nariz quase colado na base, engolindo tudo. Um pouco de porra escapou pelo canto dos lábios, escorrendo branco e grosso pelo queixo até cair no peito nu, mas Junior não parou. Continuou chupando, a língua trabalhando por baixo, coletando cada gota, como se não quisesse desperdiçar nada.
Quando o último espasmo passou, Otávio soltou o cabelo de Junior e caiu de costas na cama, o peito subindo e descendo rápido, o coração martelando. O pau ainda latejava, sensível, brilhante de saliva e porra.
Junior puxou a boca devagar, um fio grosso de sêmen e saliva ligando os lábios inchados à glande vermelha. Ele ofegava, os olhos escuros brilhando, as bochechas coradas. Com o polegar, limpou o canto da boca e chupou o dedo, saboreando o que restava.
— Porra… — a voz dele saiu rouca, baixa, carregada de excitação. — Então é esse o gosto que meu pai sente quando te chupa.
Junior se ergueu cheio de atitude, se moveu até ficar rente ao rosto de Otávio, abriu o short de banho, tirou a pica dura e começou a bater punheta mirando a boca do tio. Ainda enebriado pelo gozo, Otávio não reagiu quando a rola duríssima de Juninho forçou passagem entre seus lábios e se deixou foder pelo jovem. Em menos de um minuto, uma enxurrada de porra tomava conta de sua boca. O susto da ejaculação o fez reagir querendo tirar a rola invasora da boca, mas Juninho manteve sua cabeça presa com firmeza enquanto disparava jatos e mais jatos de gala morna na boca do titio…
Quando ele finalmente parou de esporrar, desabou do lado de Otário que ainda tentava recuperar o fôlego, enquanto o conflito batia e a culpa voltava com a força de um tsunami: um misto de vergonha, medo, a imagem de Ricardo, o risco absurdo.
Ao seu lado, Junior olhava a procura de respostas, os olhos escuros vidrados, o peito subindo e descendo rápido, um sorriso de triunfo e desejo ainda tremendo nos lábios.
Otávio abriu os lábios trêmulos e a voz saiu rouca, carregada de culpa e pavor, os olhos se enchendo de lágrimas de vergonha:
— Porra… Juninho… que merda a gente acabou de fazer, caralho?