A Saga de Otávio 13 – Nem tudo que é sólido se desmancha no ar…



Cinco anos se passaram desde aquele período de tensão e castidade forçada que precedeu o nascimento do filho. Uma pausa na putaria que foi rompida quando Otávio encontrou Ricardo no banheiro da academia, uma situação fortuita que descambou para uma trepada alucinante com o colega de academia que, até então, ele mal sabia o nome e sequer trocava mais que duas ou três palavras. A explosão de prazer reprimido deu sequência a novos encontros e, sem que tivessem planejado, começaram a se relacionar, ainda que não tivesse nomeado o que eles passaram a ter como uma relação. Tanto prazer compartilhado e cumplicidade estabelecida deu feição a um caso sólido, estável, constante e contínuo.

Aos 34 anos, Otávio seguia com seu trabalho de agente da Polícia Federal em Fortaleza, participando de operações e treinamentos que eventualmente o levavam a viajar com certa constância. Nesses afastamentos de dias, as vezes semanas, ele sentia falta do filho e de Ricardo. Alice também entrava no rol das coisas para as quais queria voltar mas em muito menor intensidade que o filho e o amante. A palavra amante fazia o tremer corpo ainda mais definido e o rosto um pouco mais marcado pelo sol e pela rotina pesada.

Matheus com cinco anos, era um menino esperto e barulhento que corria pela casa. A vitalidade dele era algo que preenchia a vida dele de um tipo de felicidade inigualável. Alice esperava o segundo filho. Algo que ela quis e com o qual ele concordou. Não queria que Matheus fosse filho único. Muita responsabilidade sobre os ombros de alguém ser o endereçamento de todos os sonhos, esperanças, desejos e cobranças dos pais. A barriguinha discreta da esposa era a marca aparente da estabilidade do casamento. Na intimidade do casal, o sexo continuava burocrático e episódico. Alice nem se dava mais ao trabalho de demonstrar que o prazer do sexo não estava em seus planos. Quem a via, tão feminina, linda e dedicada, uma professora e pesquisadora conceituada, uma mãe dedicada e amorosa, não imaginava que a frigidez lhe definia na cama.

Por outro lado, a amizade dela com a esposa de Ricardo seguiu os planos dos maridos que as aproximou, se firmou e se fortaleceu. As duas se falavam quase todo dia, marcavam almoços, levavam as crianças juntas à praia. Telma, mulher de Ricardo, mais experiente no papel de mãe, se tornou uma espécie de tutora de Alice. O enlace estabelecido pelos casais criou a fachada perfeita, nenhuma delas suspeitava de nada. Os dois sempre juntos era coisa de héteros parceiros, Telma chegou a sugerir que Otávio era capaz de dar cobertura a alguma escapada de Ricardo com outro mulher. “Eles se protegem, Alice” ela disse certa vez em tom de brincadeira, num dia que os casais saíram para jantar. O tipo de suspeita de Telma ia na direção oposta à realidade. O segredo dos “héteros” discretos e fora do meio estava protegido.

Ricardo, agora com 42, continuava o mesmo homem forte, parrudo, carismático, de ombros largos e sorriso fácil que Otávio conheceu na academia. O caso entre os dois passou de algo esporádico para se tornar uma segunda vida sólida, bem encaixada nas frestas da rotina familiar. Eles se viam com frequência: depois do treino, numa “cervejinha depois de um dia de trabalho”, em finais de semana em que inventam desculpas para “jogar bola com os amigos”. E quando não conseguiam ficar a sós, saiam juntos, faziam programas de casal. Eram momentos em que um beijo era roubado no banheiro do restaurante, um sarro rápido na barraca de praia, carícias furtivas no escurinho do cinema quando conseguiam sentar lado a lado, o que era raro, normalmente Alice e Telma sentavam juntas ladeadas pelos maridos.

A dinâmica deles era bem definida. Entre si, o sexo era intenso, quase ritualístico. Ambos se alternavam nos papeis de ativo e de passivo, os dois gostavam de dominar e de se entregar. Muitas vezes começavam no carro, no estacionamento da academia ou num motel discreto da BR-116. Outras vezes, quando o desejo apertava de verdade, iam direto para a sauna gay mais discreta da cidade — aquela do corredor escuro, das cabines à meia luz, do vapor quente e difuso que criava um ambiente indefinido. Lá, os dois se soltavam. Já dividiram mais de um cara, já assistiram um ao outro sendo comido, já se beijaram na frente de desconhecidos enquanto mãos estranhas os tocavam. E eles gostavam disso, dessa escalada de tesão em direção a uma libido solta, de sexo pesado, sem limites e inibições, o contrário do que performavam na vida pública em sociedade.

Os locais de pegação também faziam parte dessa rotina. Banheiros de shopping em horários mortos, cinemas pornôs no centro, a praia mais afastada da zona turística. Nessas horas, Otávio, que por fora era o agente federal sério e casado, se transformava. Às vezes era ele quem engolia o pau de um desconhecido enquanto Ricardo observava e batia punheta louco de tesão em ver seu Tutu chupar outra pica ao invés da sua. Outras vezes era Otávio que segurava a cabeça de Ricardo, administrando o boquete que o amante lhe fazia, enquanto um terceiro metia fundo no rabão do seu gatão. O tempo e a notícia de novas drogas tornando o tratamento da AIDS mais promissor, afastando a sentença de morte da década anterior, eles conversaram e decidiram estabelecer um novo acordo: continuariam se cuidando, camisinha sempre com os parceiros eventuais, testes periódicos, regras claras sobre o que podia e o que não podia, mas nas horas de intimidade do casal, começaram a foder no pelo e isso tornou a intimidade entre a dupla ainda mais forte. Como se a porra de um leitada no rabo do outro fosse a liga que os unia irremediavelmente.

Numa sexta-feira específica, os dois combinaram de se ver depois das dez da noite. Otávio disse em casa que ia “participar de uma missão”, algo que, de fato, fazia parte de sua rotina e Alice sabia. Ricardo inventou pra Telma que precisava buscar um material numa obra em um município perto de Fortaleza. As esposas nem questionaram, eram desculpas plausíveis e compatíveis com o estilo de vida deles.

Eles se encontraram no estacionamento de um posto de gasolina perto da Beira Mar. Otávio deixou seu carro e entrou no de Ricardo, que o esperava de camisa polo escura e bermuda. Quando Otávio sentou no banco do passageiro, sentiu o cheiro do perfume que ambos escolheram usar para evitar problemas com esposa sentindo alguma fragrância desconhecida assim como a energia de desejo que impregnava o ar.

— Sumiu esses dias — murmurou Ricardo, passando a mão pela coxa de Otávio.

— Matheus tá de férias da escola e Alice tendo enjoos da gravidez, ficou mais difícil sair, tive que dar assistência com o capetinha. Mas tô aqui agora.

Ricardo não perdeu tempo. Puxou Otávio pelo pescoço e o beijou fundo, língua grossa, mão apertando a virilha já dura por cima da calça jeans. Otávio gemeu baixo contra a boca do outro.

— Bora pro cinemão hoje? — perguntou Ricardo, a voz rouca.

Otávio sorriu de lado, aquele sorriso que só aparecia quando estava com ele.

— Bora. Quero ver você mamando um monte de rola enquanto te como na poltrona do fundo.

Ricardo riu, baixo e sujo.

— Então bora. Se não rolar uma putaria gostosa, a gente vai pra um motel.

O carro arrancou em direção ao centro. Dois homens casados, pais de família, com as esposas conversando sobre as crianças em intermináveis papos por telefone ou por chats do MSN a poucos quilômetros dali… e eles a caminho de mais uma noite em que as máscaras eram deixadas de lado.
Escolheram um cinema pornô do centro, na verdade uma sala de vídeo com outros ambientes como cabines e bar para os caras interagirem e treparem. Era um lugar que já nasceu decadente, com poltronas velhas, cheiro de mofo e esperma, cortinas gastas e luzes vermelhas fracas. Para decepção da dupla, era uma sexta fraca, tinha pouca gente: meia dúzia de homens mais velhos circulando, uns novinhos afeminados ávidos por pica e um cara sozinho sentado no fundo, com jeito de poucos amigos, alto, magro, cerca de 30 e poucos anos, camiseta preta justa, que já estava com a mão dentro do jeans.

Ricardo puxou Otávio para a última fileira, a mesma do magrelão. Assim que sentaram, a mão dele já foi direto para a rola de Tavinho, apertando até ficar completamente duro. Otávio abriu o zíper liberando o pauzão grosso e veiúdo, que saiu com dificuldade e Ricardo se curvou na hora, engolindo quase tudo num movimento só, molhado e barulhento. O barulho da garganta dele mamando Tavinho se misturava com os gemidos do pornô ordinário das Brasileirinhas exibido no telão daquele arremedo de cinema.
O cara de camiseta preta percebeu. Levantou-se devagar mas determinado e veio até eles. Sem falar nada, parou ao lado de Otávio, abriu a calça e tirou um pau torto, grossura média, circuncidado, a cabeça já pingando. Otávio olhou para Ricardo — que tirou a boca do pau dele só o suficiente para acenar com a cabeça — e então abriu a boca. O desconhecido enfiou fundo, segurando o cabelo curto de Otávio enquanto metia a pica em sua boca. Ricardo, ajoelhado entre as pernas do marido de Alice, voltou a chupar com vontade, maravilhado em ver seu humano fazendo boquete num estranho.

Após alguns minutos de chupação, Ricardo se levantou, puxou Otávio para ficar de quatro na poltrona e cuspiu na própria mão antes de enfiar o pau grosso no cu já acostumado do amigo. Otávio gemeu alto, abafado pelo pau que fodia sua boca. O ritmo era bruto: Ricardo metendo fundo, batendo as bolas na bunda do agente, enquanto o cara de camiseta preta usava a garganta dele como se fosse uma buceta, metendo e tirando de sua boca sem parar. Em algum momento o desconhecido gozou, grosso e quente, direto na língua de Otávio, que esperou o cara parar de gozar pra cuspir tudo no chão do cinema. Ricardo não parou. Continuou metendo até gozar também, fundo, enchendo o cu do outro enquanto segurava os quadris dele com força. Só então Otávio gozou, sentindo as últimas jatadas de porra quente inundando seu rabo. Se recompuseram rapidamente e saíram dali suados, com cheiro de sexo e sorriso nos rostos, direto para um motel onde ficaram fodendo até meia noite.

Duas semanas depois foi a vez da sauna. Inaugurada em 2004, a Dragon era um ambiente acima da média, com um padrão elevado de arquitetura e ambientação, além de ser bem discreta, sem nada na fachada que indicasse o que funcionava ali. O problema era lá dentro, sempre havia o risco de se bater com alguém conhecido que poderia não saber ainda dos dois, mas o risco fazia parte da empreitada.

Dessa vez, eles chegaram separados e como foram cedo, conseguiram estacionar na garagem interna da sauna, o que era uma vantagem para quem vivia na encolha como eles. Quando Ricardo entrou na sauna a vapor, Otávio já estava encostado na parede, pauzão duro na mão, curtindo uma punheta enquanto atiçava um turista goiano que, por timidez, ainda não tinha se ajoelhado para adorar aquela chibata. Ricardo reconheceu o parceiro, observou a dinâmica de flerte que estava rolando e não perdeu tempo, tratou de mostrar pro tímido como é que se trata uma das maiores rolas de Fortaleza. Ele se ajoelhou ali mesmo e começou a chupar, molhado, barulhento, enquanto outro homem — bem mais velho, grisalho, barriga de cerveja, pau comprido e fino com um sacão enorme, ovos pesados balançando — que estava sentado em frente se aproximou, se curvou e começou a acariciar a bunda de Ricardo com os dedos.
Viraram um trio rapidamente. Ricardo apoiou uma das pernas na bancada empinando a raba pra Otávio que montou sem demora, enfiando o pau no cu do amigo só com cuspe, o que levou Ricardo a gemer alto:

- Porra, Tutu, tá me lascando, caralh…

Não terminou a frase porque o homem mais velho enfiou seu pau na boca de Ricardo. Ficaram engatados por alguns minutos quando o goiano finalmente se aproximou e começou a acariciar o saco de Otávio enquanto ele enrabava Ricardo. Desengataram e foram para o chuveiro que ficava dentro da sauna pra dar uma aliviada no calor. Sem demora, Ricardo empurrou Otávio para se curvar ali mesmo de pé e meteu com força enquanto o carinha de Goiás se ajoelhava e tentava sem muito sucesso, engolir a jeba de Tavinho. O coroa gozou batendo punheta e foi embora, quando um quarto cara chegou, mais novo, corpo de academia, e se juntou. Virou uma pequena suruba no meio do vapor daquele casulo dos chuveiros. Otávio no meio, sendo comido por Ricardo enquanto era chupado pelo goiano e masturbava o saradinho que propôs sair dali em busca de mais conforto:

- Bora pra uma cabine?!

Sem dizer palavra, se lavaram rapidamente e foram. Na primeira cabine vazia entraram, Otávio ficou de quatro e Ricardo voltou a meter nele, enquanto o goiano se enfiou por baixo para mamar a rolona de Otávio enquanto o jovem musculado começou a meter nele. Ele largou a rola de Otávio para gemer de dor:

- ai, ai, cara, devagar, tá doendo, ai ai…

Otávio sugeriu que eles fizessem um 69, ele por baixo, o goiano por cima enquanto o sarado e Ricardo voltavam a meter nele. Ficaram nessa pegada até que Ricardo pediu pica e Otávio trocou de lugar, passando a meter nele enquanto Ricardo mamava a rola do goiano que seguia sendo comido pelo sarado que, após uns dois minutos, propôs a troca de parceiros. Otávio pegou as camisinhas, vestia uma na sua rola e deu outra pro sarado. O goiano fez charminho:

- Não sei se aguento esse pauzão...

A rola entrou fácil enquanto Ricardo passou a ser comido com vigor pelo jovem musculoso. A enrabada do carinha mais novo era tão forte que ele gozou sem sequer tocar no próprio pau, só com a pressão e a submissão gostosa de ser usado na frente de seu amante. Tão logo gozou, Ricardo rolou pro lado e o jovem tirou a camisinha e deu pro goiano mamar enquanto Otávio acelerava as estocadas. Pouco depois os três gozavam em sequência. Saíram da cabine saciados e foram pro chuveiro se lavar, de lá desceram pro bar onde ficaram conversando enquanto se hidratavam, cada um com a bebida de sua preferência.

A intimidade sexual recém desfrutada deu espaço para uma conversa trivial cheia de confissões. Tanto o goiano quanto o jovem musculoso que souberam ali ser do interior, Baturité, e vinha de vez em quando, no dizer dele, aprontar em Fortaleza, ficaram impressionados com a história de Ricardo e Otávio, seus casamentos, seu caso, etc mas o jovem, que se chamava Epaminondas Neto, logo disse que entendia porque se via no mesmo caminho, família de políticos, lideranças na região da Serra, ele não via como se assumir gay, ele teria que casar e sustentar um casamento que, para ele, seria de fachada. Essa fala repercutiu entre Otávio e Ricardo, a ponto de que falaram sobre isso assim que sentaram no restaurante onde foram comer uma pizza depois da sauna. Aquela frase de Neto trouxe a sombra da melancolia da vida dupla que eles levavam.

Aos poucos a conversa foi ficando densa, falaram dos sentimentos de uma forma que nunca tinham feito. Otávio e Ricardo concordaram que não viviam “dois relacionamentos” ao mesmo tempo de forma integrada. Eles criaram duas vidas quase autônomas: em casa: o marido, o pai, o profissional responsável e na rua: o amante, o homem sexualmente livres, o que se permitia desejos que a vida oficial proibia. Essa divisão mental permitia que eles funcionassem sem colapsar emocionalmente no curto e médio prazo. O cérebro tratava as duas realidades como “gavetas” separadas. Enquanto estavam com as esposas e filhos, a gaveta do caso fica fechada. Quando se encontravam, a gaveta da família era temporariamente trancada. Isso reduzia a culpa imediata, mas tinha um custo: quanto mais o tempo passava, mais difícil fica manter as gavetas separadas e alternadamente vedadas.

Otávio se preocupava com isso, a imagem mental da vida como uma cômoda cheia de gavetas tinha um preço. Ele sabia que o segredo não era apenas uma necessidade prática. Ia além disso, havia se tornado parte do erotismo. O risco de ser descoberto, a necessidade de códigos, mentiras bem elaboradas, encontros em lugares públicos ou semipúblicos (saunas, cinemas, banheiros) geravam um estado de alerta constante que o cérebro interpretava como excitação. A adrenalina do “podemos ser pegos” se misturava com o desejo sexual, criando um reforço poderoso. Aquilo viciava e ele falou desse medo com Ricardo que concordava com a excitação do risco mas se sentia menos medroso, há tempo levando a vida dupla lhe dava quase que uma confiança cheia de certeza que jamais seria flagrado ou pego na mentira.

Para ambos, o casamento era uma combinação de hábito, afeto residual, pressão social e medo de perder a estrutura familiar. Ambos viviam uma forma de dissonância cognitiva: “Eu sou um bom marido e pai” versus “Eu traio sistematicamente minha esposa com outro homem e com desconhecidos”. Para reduzir o desconforto psicológico, eles constroem narrativas internas de que “É só sexo!” ou “Eu nunca faria isso com uma mulher” e ainda tinha “O que os olhos não veem, o coração não sente” com o reforço do “Eu cumpro muito bem meu papel em casa.”

Essas justificativas poderiam funcionar por anos, às vezes décadas. O fato é que depois de cinco anos, o que começou como alívio sexual e exploração se transformou em um vínculo afetivo-sexual sólido. Eles já não eram apenas “colegas de foda”. Havia ciúme sutil, cuidado mútuo, rituais, memórias compartilhadas. O fato de as esposas serem amigas adiciona uma camada extra de perversão psicológica e de risco: o segredo fica ainda mais excitante e, ao mesmo tempo, mais perigoso. Eles viviam num equilíbrio precário entre o desejo de continuar e o medo de perder tudo. E, como acontece com a maioria dos casais secretos de longa duração, a pergunta que eventualmente surgia — mesmo que ainda não tivessem verbalizado — é: “Até quando isso vai durar… e o que acontece quando uma das gavetas finalmente se abrir?”

Enquanto isso não acontecia, as aventuras continuavam. Teve a noite no banheiro de um shopping, horário morto, onde um segurança corrompido os deixou usar o boxe do fundo. Ricardo sentado no vaso, Otávio cavalgando o pau dele de costas, enquanto um cara de terno, provavelmente saindo do trabalho — enfiava o pau na boca do agente até gozar. Teve também o encontro num motel barato com dois caras que conheceram numa sala de bate papo do canal gay do MirC: programa uma noite inteira de troca de casais, Otávio comendo um e Ricardo sendo comido pelo outro, depois trocaram e trocaram e trocaram até que todo mundo comeu e deu pra todo mundo. Houve ainda uma vez em que levaram um boy novinho (mas maior de idade) que paquerou com eles descaradamente na quadra de voley da Volta da Jurema e que puxou papo na barraca de água de côco. Um rapazinho safado, ousado, foi direto ao ponto: - quero dar pros dois. Foram para o carro e se revezaram nele numa rua escuro nas dunas, perto da praia do Futuro, Otávio metendo seu pauzão naquele cuzinho que não ia mais voltar a ser apertadinho depois daquela foda, enquanto Ricardo fazia o boy engolir sua rola grossa até sufocar e as lágrimas bordejarem os olhos. E sempre, no final, quando o outro já tinha ido embora, sobravam só os dois. Ricardo puxava Otávio para um beijo sujo, com gosto de porra alheia, segurando sua rola melada e dizendo em um sussurro:

— Ainda é meu, né?

Otávio, exausto, com o pau ainda semi-duro, só sorria e respondia:

— Sempre.

As esposas continuavam amigas. As crianças brincavam juntas. E os dois maridos seguiam construindo, dia após dia, noite após noite, uma segunda vida feita de suor, gemidos abafados e aventuras que ninguém mais podia saber.

Naquela noite de terça, depois de quase duas semanas sem conseguir se ver direito, Otávio e Ricardo marcaram de se encontrar num hotel simples e simpático no final da avenida Beira Mar. Não era um daqueles lugares de luxo. Era o tipo de hotel que aceitava hóspedes pagando em dinheiro vivo, não pedia documento para conferir com a ficha de hóspedes e tinha garagem fechada. Perfeito.

Otávio chegou primeiro. Fez o checkin, pegou a chave, avisou o número a Ricardo e entrou no quarto, tirou a camisa da Polícia Federal que ainda vestia por baixo do casaco e ficou só de cueca. Olhou o próprio reflexo no espelho do banheiro enquanto lavava o rosto.

(Quase trinta e cinco anos. Pai de um menino de cinco. Casado. Respeitado no trabalho. E aqui estou de novo. Esperando outro homem me foder).

A porta se abriu. Ricardo entrou com aquela calma dele, trancou por dentro e já veio direto. Não houve conversa fiada. Os dois se beijaram com fome, mãos puxando roupa, bocas molhadas. Ricardo empurrou Otávio contra a parede e ajoelhou, puxando a bermuda dele junto com a cueca.

— Senti falta disso — murmurou, antes de engolir o pau de Otávio até o fundo.

Otávio joga a cabeça para trás, gemendo baixo. Os dedos dele se cravam no cabelo curto de Ricardo.

(Porra… como é que eu consigo viver sem isso durante dias? Em casa eu sou o marido, o pai que brinca de carrinho com o Matheus, que beija a Alice na testa antes de dormir. E aqui… aqui eu sou só isso. Um cara que gosta de ter a boca de outro homem no pau e o cu aberto).

Ricardo chupava com vontade, molhado, barulhento, olhando para cima de vez em quando. Na cabeça dele os pensamentos vinham misturados com o tesão:

(Esse filho da puta continua sendo o melhor que já comi e que já me comeu. Casado, pai de família, agente federal… e aqui de perna aberta pra mim. Alice não faz ideia. Minha mulher não faz ideia. E quanto mais tempo passa, mais eu quero ele só pra mim… mesmo quando a gente divide).

Depois de um tempo, Ricardo se levantou, virou Otávio de frente para a cama e o empurrou. Otávio caiu de quatro, abrindo as pernas sem precisar de pedido. Ricardo cuspiu na própria mão, passou os dedos grossos pelo cu já conhecido do outro e enfiou dois de uma vez. Otávio arquejou.

— Relaxa… hoje eu quero te comer devagar primeiro.

Mas “devagar” não durou muito. Em poucos minutos Ricardo estava metendo fundo, segurando a cintura de Otávio com força, a cada estocada fazendo o corpo do outro tremer. O barulho molhado da pele batendo na pele enchia o quarto.

Otávio enterrou o rosto no travesseiro, gemendo alto.

(Eu devia me sentir mal. Eu tenho uma esposa que confia em mim. Um filho. E mesmo assim… porra, como é bom. Como é bom ser só um cu pra ele. Como é bom não precisar fingir).

Ricardo se curvava sobre ele, beijando a nuca suada, mordendo o ombro.

(Eu gosto quando ele se entrega assim. Quando para de ser o policial certinho e vira só isso… meu. Mesmo que a gente chame outros. No fundo ele é meu).

Eles gozaram quase juntos. Ricardo dentro, fundo, gemendo baixo contra a orelha de Otávio. Otávio gozou sem sequer tocar no próprio pau, só com a pressão e a sensação de ser preenchido. Depois, ainda ofegantes, ficaram deitados lado a lado, suados, o ar-condicionado do hotel tentando em vão refrescar o quarto.

Ricardo passou a mão pesada pelo peito de Otávio, brincando com um mamilo.

— Semana que vem tem um cara que conheci há alguns anos que tá vindo pra Fortaleza. Moreno, corpo gostoso, idade regula com a nossa, casado, fode gostoso, mandou mensagem, falei de você, disse que topa os dois. Quer?

Otávio ficou em silêncio por alguns segundos, olhando para o teto.

(Claro que eu quero. Quero te ver sendo comido por ele enquanto você me chupa. Quero ver você metendo em outro enquanto eu assisto. Quero tudo isso… e depois quero que você me foda de novo, só nós dois, como se os outros não existissem).

— Quero — respondeu, a voz ainda rouca. — Mas depois que ele for embora… você fica. Quero você só.
Ricardo virou o rosto e olhou para ele no escuro. Um sorriso lento, quase carinhoso, apareceu.

— Sempre fico.

Otávio sentiu algo apertar no peito. Não era só tesão. Era aquela mistura perigosa de desejo, afeto e medo que só aparecia nesses momentos.

(Um dia isso vai explodir. Um dia Alice vai descobrir. Ou a mulher dele. Ou alguém vai nos ver. E aí… o que sobra? O casamento? O filho? Ou sobra a gente?)

Ele não disse nada. Apenas se virou e beijou Ricardo de novo, devagar, profundo, com gosto de sexo e de segredo.

Lá fora, Fortaleza seguia sua noite. As esposas provavelmente já estavam em casa, as crianças dormindo. E ali, naquele quarto simples de hotel, dois homens casados continuavam construindo, estocada após estocada, mentira após mentira, uma segunda vida que os consumia por dentro — e que, por enquanto, ainda valia cada risco.


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Ficha do conto

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Nome do conto:
A Saga de Otávio 13 – Nem tudo que é sólido se desmancha no ar…

Codigo do conto:
273564

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
30/09/2026

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