[REBOT] ENTRE CAMINHOS E SEGREDOS ~ 05 ~ FOGO, SEXO E PAIXÃO



Caio não respondeu, continuou parado diante de mim, com o rosto pálido e as mãos fechadas ao lado do corpo. Bernardo, ao contrário, parecia aliviado. Como se tivesse passado tempo demais esperando por aquele momento.
— Vocês tiveram alguma coisa? — perguntei.
Caio desviou os olhos.
— Não é tão simples.
— É uma pergunta simples.
— A resposta não é.
Bernardo soltou uma risada amarga.
— A gente ficou junto quase três anos.
Caio olhou para ele.
— Você não tinha o direito de contar.
— Por quê? Vai dizer que não aconteceu?
— Não aqui.
— Nunca pode ser aqui. Nem lá. Nem em lugar nenhum onde exista outra pessoa olhando.
— Você sabe como as coisas funcionam em Caicó.
— Sei. Funcionam exatamente do jeito que você deixa.
Caio aproximou-se dele novamente.
— Você foi embora.
— Fui estudar.
— E esqueceu que eu existia.
— Você parou de responder às minhas mensagens.
— Porque você já tinha arrumado outros amigos.
— Amigos — Bernardo repetiu, encarando-o. — É sempre essa palavra que você usa quando está com medo.

Eu observava os dois tentando descobrir onde terminava a raiva e começava a mágoa. Não era uma discussão nova. Aquelas frases tinham sido repetidas muitas vezes, mesmo quando eles estavam separados. Caio havia ensaiado suas acusações em silêncio; Bernardo carregava respostas prontas.

— Vocês ainda gostam um do outro? — perguntei.
Os dois olharam para mim, nenhum respondeu, a ausência da resposta disse mais do que qualquer confissão. Caio passou por nós e voltou em direção à festa, Bernardo respirou fundo.
— Eu não queria que você descobrisse assim.
— Mas queria que eu descobrisse.
— Queria que ele parasse de controlar o que você sabe.
— Você está fazendo isso por mim ou para atingir Caio?
A pergunta o incomodou.
— Talvez tenha começado por causa dele.
— E agora?
Bernardo se aproximou.
— Agora eu quero descobrir por que ele ficou tão interessado em você.
Seus olhos desceram rapidamente para minha boca.
— Nos encontramos depois — disse.

Ele voltou para a festa, deixando-me sozinho na rua. Durante alguns segundos, considerei ir embora. Minha cabeça já estava cheia demais: o passado dos dois, o olhar de Alyson, os toques de Caio, as mensagens de Bernardo. Mas a música continuava alta.
Eu tinha vinte anos, uma cidade nova diante de mim e uma vida inteira de cautela acumulada no corpo, acabei voltando para nossa rodinha. Encontrei Caio perto de uma barraca, bebendo como se quisesse apagar a conversa que acabara de acontecer. Ele não perguntou onde Bernardo estava. Também não me deu oportunidade de falar.

— Vamos beber — disse, entregando-me uma lata.
— Caio…
— Hoje não, Rafael.
— Você não pode simplesmente fingir que nada aconteceu.
— Posso tentar.

Abriu outra cerveja e bebeu quase metade de uma vez, a festa já havia retomado o controle da multidão. A cantora puxava um refrão conhecido, e o trio avançava lentamente pela avenida. Corpos suados se apertavam, pessoas cantavam e vendedores atravessavam a rua carregando caixas de bebida. Larissa surgiu acompanhada por uma mulher que eu ainda não conhecia. Ela devia ter pouco mais de vinte anos. Tinha cabelos ruivos, sardas discretas e um vestido preto curto que valorizava as curvas do corpo. Seus olhos passaram por Caio e pararam em mim.
— Finalmente encontrei vocês — Larissa disse. — Essa é Letícia, minha prima.
— A famosa equipe da fábrica — Letícia comentou.
— Famosa? — perguntei.
— Larissa falou de vocês durante toda a semana.
— Não falei nada demais — Larissa se defendeu.
— Só disse que Caio se acha irresistível e que Rafael chegou há pouco tempo, mas já virou assunto.
Caio abriu os braços.
— Ela mentiu sobre mim. Eu não me acho irresistível. Tenho certeza.
Letícia riu.
— Convencido.
— Realista.

Ele estendeu uma cerveja para ela. Letícia aceitou e permaneceu ao seu lado.A conversa fluiu facilmente. Letícia tinha vindo de outra cidade para passar a Festa de Sant’Ana com Larissa e não parecia intimidada por ninguém. Respondia às provocações de Caio na mesma intensidade e, sempre que eu falava, dedicava atenção demais às minhas palavras. Depois de alguns minutos, ela se aproximou para falar ao meu ouvido:

— Você é mais quieto que seu amigo.
— Alguém precisa compensar.
— Quieto não significa inocente.
— E como você sabe que não sou?
Letícia olhou para Caio.
— Porque ele não para de olhar para você.

Afastou-se antes que eu pudesse responder. Caio estava conversando com Larissa, mas seus olhos encontraram os meus. Letícia percebeu novamente. Quando a cantora começou uma música mais lenta, ela puxou Caio pela camisa e o beijou. Ele correspondeu. Eu deveria ter olhado para outro lugar, não olhei, Caio segurou a cintura dela, mas manteve os olhos abertos. Encarava-me por cima do ombro de Letícia, como se aquele beijo fosse uma pergunta. Ela interrompeu primeiro.
— Você beija bem — disse.
— Posso melhorar.
— Talvez eu queira comparar.
Letícia veio até mim e segurou minha camisa.
— Posso?
Assenti, seu beijo era seguro e divertido, sem qualquer hesitação. Ela mordeu meu lábio antes de se afastar. Caio nos observava.
— E aí? — perguntou.
— Ainda não decidi — Letícia respondeu. — Acho que preciso de mais informações.
Ela passou um braço pelo meu e outro pelo de Caio, Larissa arregalou os olhos.
— Letícia…
— Que foi?
— Nada. Só estou tentando acompanhar.
Letícia sorriu.
— Não precisa. Acho que essa parte da festa vai ser para três pessoas.
Caio olhou para mim, não havia mais brincadeira em sua expressão.
— Minha casa está vazia — disse.
O coração acelerou dentro do meu peito.
— Então estamos perdendo tempo — Letícia respondeu.

A caminhada até a casa de Caio aconteceu entre risos baixos, provocações e silêncios pesados de desejo. Embora Letícia estivesse no meio de nós, eu sentia cada movimento dele, o ombro que roçava o meu, o olhar que demorava um segundo a mais do que o necessário. Quando entramos, Caio fechou a porta e o barulho da festa morreu de uma vez. O ar ficou denso. Por alguns segundos ninguém soube como começar, então Letícia resolveu, segurou a camisa de Caio e o beijou fundo, molhado, com a língua lenta. Depois, ainda colada nele, estendeu a mão para mim sem tirar os olhos do dele. Eu me aproximei. Ela me puxou para um beijo quente, demorado, mas antes que eu pudesse me perder de verdade, afastou o rosto só o suficiente para olhar para os dois.

— Vocês vão continuar fingindo que não querem?
Caio riu, nervoso, a voz um pouco rouca.
— Querem o quê?
— Beijar um ao outro.
O silêncio engrossou na sala, Caio me olhou. Sem o barulho da festa, sem piada para se esconder, ele parecia mais jovem. Dezenove anos, desejo acumulado e um medo delicioso que fazia o peito subir e descer mais rápido.
— E se a gente quiser? — perguntei, a voz mais baixa do que eu pretendia.
Letícia recuou um passo, os olhos brilhando.
— Então eu quero ver. Bem de perto.
Caio se aproximou devagar. Não houve provocação, nem riso, nem toque “acidental”. Ele segurou minha nuca com a mão firme e me beijou. O primeiro contato foi cuidadoso, quase uma pergunta. Quando eu correspondi, língua encontrando a dele, lábios se abrindo e a insegurança sumiu. Caio aprofundou o beijo, puxando meu corpo contra o dele com força. Eu senti o peito dele, o calor, o cheiro de pele e álcool. Era diferente de beijar Letícia. Diferente de tudo. Semanas de desejo que eu nem sabia que carregávamos encontraram uma saída quente e úmida. As mãos de Caio desceram pelas minhas costas, apertaram minha cintura, puxaram minha bunda para frente até eu sentir o volume duro dele roçando na minha coxa. Letícia nos observava sorrindo, a respiração já mais pesada. Depois se aproximou, passou os braços pelos nossos ombros e voltou a participar, beijando um, depois o outro, a mão escorregando entre os nossos corpos, conduzindo tudo como se soubesse exatamente o que queria ver. Fomos para o quarto e antes que avançássemos de verdade, Letícia nos fez parar no meio do corredor, ainda de mãos dadas.

— Todo mundo sabe o que está fazendo?
— Sei — respondi, a voz já grossa.
Caio só assentiu, os olhos escuros.
— E se alguém quiser parar?
— A gente para — ele disse, sem hesitar.
— Ótimo. Agora podem voltar a se pegar.
As roupas foram ficando pelo caminho. Camisa de Caio no chão, minha calça aberta, o sutiã de Letícia jogado na cadeira. Havia desejo, curiosidade e álcool suficiente para tirar o freio, mas nenhum de nós estava fora de si. Letícia alternava a atenção entre nós, mas insistia em aproximar nossos corpos. Gostava de nos ver beijando. Parecia sentir que, por trás daquela noite, existia uma história que os dois ainda não tinham coragem de nomear. Caio me tocava enquanto beijava o pescoço dela. Eu o observava quando a língua dele descia entre os seios de Letícia. Em determinado momento ela perguntou sobre proteção. Caio abriu a gaveta, mas Letícia segurou o pulso dele.
— Eu tomo anticoncepcional.
Aquela frase foi suficiente. Três pessoas jovens, excitadas, convencidas de que consequências só aconteciam na vida dos outros. Nenhum de nós insistiu, ela se ajoelhou na frente da cama e olhou para os dois.
— Agora eu quero ver vocês dois. Bem de perto.
Caio tirou a cueca. Eu também. O pau dele era exatamente como eu tinha imaginado nas noites em que pensava nele: curto, uns quinze centímetros, mas grosso pra caralho. Muito grosso. A grossura quase absurda, veias saltadas, a cabeça já brilhando de pré-gozo. Eu engoli em seco só de olhar. Letícia deu um sorrisinho safado e puxou os dois paus para perto do rosto.
— Olha isso… — murmurou, passando a língua primeiro no meu, depois no dele, bem devagar, saboreando a diferença. — O seu é grande, Rafael… mas o do Caio… caralho, que grossura.
Ela chupou o pau grosso de Caio com dificuldade, a boca se abrindo ao máximo, a salinha escorrendo pelo queixo enquanto tentava engolir o máximo possível. Depois passou para o meu, mais fácil, mais fundo, até a garganta. Alternava entre os dois, gemendo, babando, estimulando a cabeça de um com a mão enquanto chupava o outro. Caio e eu nos beijávamos por cima da cabeça dela, as línguas molhadas, os gemidos se misturando.
Quando ela se levantou, já estava encharcada. Deitou de costas, abriu as pernas e nos puxou.
— Quero os dois. Agora.
Caio entrou primeiro. O pau grosso dele abriu ela com dificuldade, ela arquejou alto, as unhas cravando nas costas dele.
— Porra… é tão grosso…
Eu me posicionei na frente dela e enfiei o meu pau na boca dela ao mesmo tempo. Ela chupava com vontade, os olhos semicerrados de prazer, enquanto Caio fodia devagar, sentindo cada centímetro daquela grossura invadir. Depois trocamos. Eu entrei nela, fundo, e Caio se ajoelhou perto da boca dela. Ela chupava o pau grosso dele com dificuldade, gemendo em volta dele cada vez que eu enfiava forte. Aí veio o momento que ela pediu.
— Os dois… quero os dois dentro.
Caio deitou de costas. Ela montou nele, descendo devagar sobre aquele pau grosso, gemendo alto, a boca aberta. Eu me posicionei atrás, passei saliva no meu pau e no cu dela, e fui entrando. Lento. Ela tremeu inteira quando a cabeça passou, depois quando eu fui afundando até o fundo. Ficamos os três parados um segundo, respirando pesado. Depois começamos a nos mover.
Dupla penetração. Eu e Caio fudendo ela ao mesmo tempo, o pau grosso dele esticando a buceta, o meu abrindo o cu. Ela gemia sem parar, a voz rouca, pedindo mais, pedindo mais forte. Eu conseguia sentir o pau de Caio por dentro dela, a grossura quase absurda roçando no meu a cada estocada. Ele me olhava por cima do ombro dela, os olhos escuros de prazer, e eu retribuía o olhar enquanto fodia.
Letícia gozou primeiro, apertando os dois paus ao mesmo tempo, o corpo inteiro tremendo. Eu e Caio não aguentamos muito depois. Ele gozou dentro dela, o pau grosso latejando. E eu gozei dentro dela sentindo toda a porra do Caio. Depois ela se virou, ainda ofegante, e chupou os dois paus sujos, um depois do outro, limpando tudo com a língua, o olhar safado, satisfeito. Naquela noite o futuro não existia, só o quarto quente, os corpos molhados, o gosto de pele e a descoberta de que Caio me desejava tanto quanto eu havia imaginado, e que o pau dele, curto e absurdamente grosso, cabia perfeitamente na boca dela… e na minha imaginação dali pra frente. Letícia foi a primeira a levantar.
— Vocês dois são perigosos juntos.
— Isso é reclamação? — Caio perguntou.
— É um elogio.
Ela recolheu as roupas e começou a se vestir.
— Já vai? — perguntei.
— Vou dormir na casa de Larissa. Se eu não aparecer, ela chama a polícia.
Caio riu. Letícia se aproximou da cama e nos beijou, um de cada vez.
— Podemos repetir quando eu voltar.
— Você vai embora? — perguntei.
— Depois da festa.
Ela caminhou até a porta do quarto e parou, Letícia saiu. A porta da frente se fechou pouco depois. O silêncio deixado por ela era diferente. Agora não existia uma mulher entre nós. Nenhuma testemunha, nenhuma desculpa. Caio permaneceu sentado na cama, olhando para as próprias mãos.
— Está arrependido? — perguntei.
— Não.
— Parece.
— Estou tentando entender.
— O quê?
Ele olhou para mim.
— Por que esperei tanto.
Meu coração bateu mais rápido.
— Você queria?
— Desde que começou na fábrica.
— E por que não fez nada?
— Eu não sabia se você curtia.
— Apertar meu pau na caminhonete foi uma maneira interessante de perguntar.
Caio sorriu.
— Você podia ter reclamado.
— Eu quase retribuí.
— Devia ter feito.
Aproximei-me.
— Ainda posso.
Caio segurou meu rosto e me beijou novamente, sem Letícia, o beijo teve outro peso. Não havia ninguém para transformar aquilo em brincadeira ou fantasia. Éramos apenas nós dois, conscientes do que estávamos escolhendo. Ele me deitou devagar.
— Se eu fizer alguma coisa que você não goste, fale.
— Eu falo.
— Estou falando sério.
— Eu também.
Caio me encarou.
— O que você quer?
Passei a mão por seu peito.
— Quero descobrir quem você é quando para de fingir.

A frase provocou alguma coisa nele. O olhar mudou. Caio segurou meus pulsos acima da cabeça com força e voltou a me beijar, um beijo sujo, profundo, com dentes e saliva. Havia firmeza nos gestos dele, mas também uma atenção quase cruel: a cada avanço, ele esperava minha resposta. Quando percebia que eu gostava, ficava mais bruto.

— Vai dar pra mim sem capa — murmurou contra minha boca. — Quero sentir você.
Eu só consegui gemer, descobri que desejava aquela entrega. Durante toda a vida precisei ser forte, controlar tudo, esconder. Com Caio, pela primeira vez, deixei outra pessoa conduzir. Ele me provocava, dizia coisas que me faziam arder de vergonha e tesão:
— Olha pra mim enquanto eu te fodo…


— Você tá tremendo só de sentir a cabeça…


— Nunca pegou um pau assim, né?
Ele se posicionou entre minhas pernas, espalhou saliva no pau grosso e no meu cu. Aquele pau de quinze centímetros era absurdo de grosso. A cabeça já brilhava, as veias saltadas. Eu engoli em seco só de olhar.
— Porra, Caio… é muito grosso…
— Relaxa. Vou te abrir devagar… e depois te foder igual um puto.
Ele empurrou. A cabeça entrou e eu soltei um gemido alto, as unhas cravando nos lençóis. Nunca tinha dado pra um pau assim. A grossura esticava tudo, queimava gostoso, invadia sem pedir licença. Caio parou um segundo, respirando pesado, me observando.
— Aguenta… — ele rosnou. — Quero ver você engolindo tudo.
Foi entrando centímetro por centímetro. Eu tremia, a boca aberta, o corpo tentando se adaptar àquela invasão absurda. Quando ele enfiou até o fundo, eu gritei baixo. Ele começou a meter, primeiro devagar, depois mais forte, cada estocada fazendo o pau grosso abrir e fechar minha entrada com um barulho molhado e sujo.
— Caralho… nunca dei pra um pau assim… tão grosso… tá me destruindo…
Caio riu baixo, suado, e começou a bater na minha bunda. Palmadas secas, fortes, que faziam a carne tremer. Cada tapa vinha junto com uma estocada mais funda.
— Fala de novo. Fala que nunca deu pra um pau grosso assim.
— Nunca… porra… nunca dei pra um pau tão grosso… tá me arrebentando…
Ele aumentou o ritmo. Metendo forte, sujo, sem dó. A cama batendo na parede, o som da pele batendo na pele, o barulho molhado do pau dele entrando e saindo coberto de saliva e pré-gozo. Eu gemia sem parar, a voz rouca, pedindo mais mesmo quando doía gostoso.
— Mais forte… me fode… me usa…
Caio segurou minha cintura com as duas mãos e começou a meter de verdade, fundo, rápido, bruto. Eu sentia cada veia, cada centímetro daquela grossura me abrindo. Quando ele gozou, gozou dentro. Quente, forte, enchendo. Eu senti o jato quente espalhando lá no fundo e soltei um gemido longo, quase um choro de prazer, ele não tirou. Ficou parado, o pau grosso ainda latejando dentro de mim, o leite escorrendo pelos meus ovos. Respirou fundo, me olhou nos olhos e começou a meter de novo, agora batendo no próprio leite, o barulho ainda mais sujo, mais molhado, o gozo escorrendo enquanto ele enfiava com força.
— Sente… tô te fodendo no meu próprio leite…
Eu só conseguia gemer, a bunda já vermelha das palmadas, o cu aberto e sujo, engolindo aquele pau grosso de novo. Caio meteu mais um pouco, mais rápido, mais bruto, até gozar outra vez — ainda dentro, ainda fundo, enchendo ainda mais. O segundo jato veio quente, misturando com o primeiro, escorrendo enquanto ele continuava metendo devagar, aproveitando cada segundo. Quando finalmente parou, o pau ainda dentro, latejando, ele se inclinou e me beijou, sujo, ofegante.
— Você aguenta tudo, hein…

Eu só conseguia respirar pesado, o corpo tremendo, o cu latejando, cheio do leite dele. Naquele momento não existia mais ninguém, só Caio e o pau absurdo dele. E a maneira como ele transformava desejo reprimido em algo urgente, sujo e real, Caio virou-se para mim e afastou o cabelo grudado em minha testa.

— Está bem?
— Estou.
— Não passei do ponto?
— Não.
— Tem certeza?
— Se tivesse passado, eu teria mandado parar.
Um sorriso satisfeito surgiu no rosto dele.
— Gostou de perder o controle, mineiro?
— Não se ache tanto.
— Isso não foi resposta.
Encostei a cabeça em seu peito.
— Gostei.
Caio me abraçou, o homem que, poucos minutos antes, parecia querer me dominar por inteiro agora passava os dedos lentamente pelo meu cabelo
.
— Não precisa ficar estranho entre a gente — murmurou.
— Você acha possível?
— A gente continua amigo.
— Amigos fazem isso?
— Os interessantes fazem.
Ri.
— E Bernardo?
O corpo de Caio ficou tenso.
— O que tem ele?
— Você ainda gosta dele?
— Não quero falar sobre Bernardo agora.
— Ele acha que você gosta.
— Bernardo acha que o mundo inteiro gira ao redor dele.
— E não gira?
Caio beliscou meu braço.
— Durma.
Fechei os olhos, ainda havia perguntas entre nós, mas o cansaço venceu antes que eu encontrasse coragem para fazê-las, adormeci sobre o peito de Caio, ouvindo o coração dele bater.
Quando acordei, o quarto estava claro, durante alguns segundos, não me lembrei de onde estava. Depois vi minhas roupas espalhadas pelo chão e todas as memórias da noite retornaram de uma vez Caio não estava na cama, o medo surgiu imediatamente. Talvez tivesse se arrependido. Talvez a bebida tivesse passado e ele não soubesse como olhar para mim. Vesti a cueca e segui pelo corredor. Encontrei-o na cozinha, preparando café, Caio olhou para mim e sorriu.

— Acordou, dorminhoco?
— Que horas são?
— Quase nove.
— Minha mãe vai me matar.
— Pelo menos vai morrer alimentado.
Ele colocou uma xícara diante de mim.
— Está tudo bem? — perguntei.
— Está.
— Entre nós?
— Você quer que não esteja?
— Não sei o que você quer.
Caio se aproximou.
— Eu quero repetir.
— Isso não explica muita coisa.
— Não precisa explicar tudo hoje.
Ele me beijou, foii um beijo curto, mas suficiente para afastar o medo.
— Continuamos amigos — disse.
— Amigos interessantes?
— Os melhores.
Tomamos café falando sobre qualquer coisa, menos sobre aquilo que realmente importava. Antes de sair, Caio segurou minha cintura e me puxou para outro beijo.
— Vai fazer alguma coisa hoje?
— Dormir.
— Se mudar de ideia, volta.
— Você não cansa?
— De você, ainda não.

Caminhei até a casa de tia Sônia carregando a mochila e um corpo que parecia ter vivido uma semana inteira em uma única noite, minha mãe estava na sala quando entrei. Olhou para o relógio. Depois para minhas roupas amassadas. Por último, para a marca no meu pescoço.

— Bonito.
— Bom dia para a senhora também.
— Essa é a sua nova vida?
— Que vida?
— Festa, bebida e chegar em casa quando o dia já amanheceu.
Sônia apareceu na porta da cozinha com uma xícara.
— Ele tem vinte anos.
— Ter vinte anos não impede ninguém de fazer besteira.
— Eu só fui a uma festa — respondi.
— E dormiu onde?
— Na casa de Caio.
— Só vocês dois?
Sônia engasgou com o café.
— Tinha mais gente — respondi.
Não era exatamente mentira, minha mãe cruzou os braços.
— Você chegou aqui dizendo que queria estudar Medicina. Agora passa a noite bebendo.
— Trabalhei a semana inteira, estudo quase todas as noites e fui à primeira festa desde que cheguei. Isso não apaga meus planos.
— É assim que começa.
— O quê?
— Uma noite de diversão. Uma escolha feita sem pensar. Depois alguém passa a vida inteira pagando pelas consequências.
O peso da frase atingiu nós três. Ela não estava falando apenas de mim.
— Está falando do meu pai? — perguntei.
Minha mãe desviou os olhos.
— Estou falando de responsabilidade.
— Não. Está usando o que aconteceu com a senhora para decidir o que pode acontecer comigo.
— Eu quero evitar que você cometa os mesmos erros.
— Engravidar de mim foi um erro?
Ela ficou em silêncio, arrependeu-se antes mesmo de responder.
— Não foi isso que eu quis dizer.
— Mas foi o que pareceu.
Fui em direção ao quarto.
— Rafael — Sônia chamou.
— Preciso tomar banho.
Fechei a porta e deixei a mochila no chão, antes que pudesse retirar a camisa, meu celular vibrou, era Bernardo.
Bernardo: Está livre?
Olhei para a marca no meu pescoço refletida no espelho.
Pensei em Caio, no que havia acontecido e em todas as perguntas que continuavam sem resposta.
Depois pensei nos olhos de Bernardo.
Rafael: Estou em casa.
Bernardo: Passo aí em quinze minutos.
Rafael: Para onde vamos?
Bernardo: Para algum lugar onde Caio não possa interromper.

Tomei banho e me arrumei depressa. Quando saí do quarto, minha mãe ainda estava na sala. Não contei aonde iria. Sônia me lançou um olhar curioso, mas não perguntou. Pouco depois, ouvi uma buzina. Bernardo esperava dentro de um carro escuro. Entrei e fechei a porta, ele olhou para mim devagar.

— Bonito até de ressaca.
— Não estou de ressaca.
— Então essa cara é natural?
— Está tentando me conquistar ou me ofender?
— Posso fazer os dois.
Bernardo sorriu e começou a dirigir. Durante alguns minutos, seguimos em silêncio. Quando nos afastamos das ruas mais movimentadas, ele colocou uma das mãos sobre minha coxa. Diferentemente de Caio, não fingiu que havia sido um acidente.

— Pensei em você ontem — disse.
— Mesmo quando estava brigando com seu ex?
— Principalmente depois.
— Então ele é seu ex.
— Agora você acredita?
— Ainda quero ouvir a história.
Os dedos dele apertaram levemente minha perna.
— E eu quero beijar você desde a fazenda. Cada um tem sua prioridade.
— Você é sempre tão direto?
— Quando tenho pouco tempo.
— Vai voltar para a capital?
— Amanhã.
A notícia provocou uma decepção que eu ainda não tinha direito de sentir.
— Então esse passeio é uma despedida?
Bernardo olhou para mim.
— Pode ser um começo.
Ele saiu da estrada principal e seguiu por um caminho que subia uma pequena serra nos arredores da cidade. Depois de alguns minutos, estacionou num mirante improvisado. Dali, era possível ver parte de Caicó cercada pela paisagem seca e pelas formações rochosas. Descemos, o vento era mais fresco naquele ponto. Bernardo encostou-se no capô do carro.

— Eu vinha aqui quando morava em Caicó.
— Com Caio?
Ele riu.
— Você realmente não perde tempo.
— Você me trouxe para um lugar isolado depois de dizer que quer me beijar. Achei que perguntas diretas estavam liberadas.
— Algumas.
Parei diante dele.
— Vocês namoravam?
— Do jeito que era possível.
— Escondidos.
— Sempre.
— E por que terminou?
Bernardo olhou para a cidade.
— Passei na universidade e fui morar na capital. Queria continuar. Caio dizia que também queria, mas começou a desaparecer. Parou de atender, respondia quando tinha vontade e depois contou para todo mundo que eu havia esquecido dele.
— Ele disse que você conheceu outros amigos.
— Conheci. Era isso que eu deveria fazer: mudar de cidade e não falar com ninguém?
— Ele achou que estava sendo substituído.
— Caio queria que eu continuasse sendo dele sem nunca admitir que eu era alguma coisa.
Havia dor em sua voz.
— E agora você quer provocar ciúme usando a mim?
Bernardo voltou a me olhar.
— No início, talvez.
— E agora?
Ele se aproximou.
— Agora eu acho você gostoso demais para ser apenas uma provocação.
— Muito romântico.
— Ainda não chegamos à parte romântica.
Sua mão tocou minha cintura.
— Posso?
— Você pediu permissão para segurar minha coxa?
— Não.
— Então por que está pedindo agora?
Bernardo sorriu.
— Porque agora importa.
Asseti e então ele me beijou, dessa vez, não havia escuridão, pressa ou medo de alguém aparecer no beco. Bernardo segurou meu rosto com as duas mãos e começou devagar, como se quisesse memorizar a resposta do meu corpo. Seu beijo tinha gosto de menta e cerveja. A pele era quente apesar do vento. Passei os braços por sua cintura e o puxei para perto. Bernardo correspondeu, encostando o corpo no meu. O desejo estava ali. Mas havia outra coisa também, calma.
Com Caio, tudo parecia uma disputa contra o tempo, o medo e as palavras que ele não conseguia dizer. Bernardo não escondia que me queria. Tocava-me olhando nos meus olhos, como se não houvesse vergonha naquele desejo. Suas mãos desceram pelas minhas costas. Quando alcançaram minha cintura, ele percebeu a marca em meu pescoço.
— Isso foi ontem?
Não respondi.
— Caio?
— Você disse que não queria falar dele.
— Eu disse que queria contar minha versão.
— Então conte sem transformar minha vida num interrogatório.
Bernardo me observou por alguns segundos.
— Vocês transaram?
— Você ainda gosta dele?
A pergunta devolvida o fez recuar.
— Isso não é resposta.
— A sua também não.
O silêncio entre nós poderia ter encerrado o encontro.
Bernardo se aproximou novamente.
— Não quero discutir com você por causa do Caio antes mesmo de começar alguma coisa.
— Que coisa?
— Ainda não sei.
Ele voltou a me beijar, dessa vez, com mais força. Minhas mãos entraram por baixo de sua camisa. Bernardo arrepiou quando toquei sua pele e soltou uma respiração curta contra minha boca. Ele fez o mesmo comigo, percorrendo meu peito e minhas costas. O beijo ganhou urgência. Em determinado momento, ele abriu a porta traseira do carro. Parei.

— Achei que não fosse romântico.
— Posso aprender.
Entramos apenas para fugir da possibilidade de algum carro surgir na estrada. O banco do carona ficou pequeno demais para os dois. Assim que a porta fechou, Bernardo me puxou pela nuca e me beijou fundo, a língua quente entrando na minha boca com pressa, como se tivesse segurado aquele beijo há horas. Eu correspondi, gemendo baixo contra os lábios dele, a mão escorregando pela camisa aberta até sentir o peito quente e a respiração acelerada. Ficamos apertados, corpos colados. Eu passei a mão pela cintura dele, desci até a bunda e apertei com força, puxando-o mais contra mim. Bernardo fez o mesmo: a mão dele desceu pelas minhas costas, passou por cima da calça e apertou minha bunda com os dedos firmes, quase arranhando. O beijo ficou mais quente, mais molhado. Ele mordeu meu lábio inferior, eu chupei a língua dele, e o volume duro dele começou a pressionar minha coxa.
Eu desci a mão entre os nossos corpos e senti o pau dele por cima da calça. Grosso, quente, já completamente duro. Apertei devagar, sentindo o formato, a espessura, o jeito como latejava contra a minha palma. Bernardo soltou um gemido rouco contra minha boca e empurrou o quadril para frente, roçando o pau contra a minha mão e contra a minha própria ereção. Eu apertei a bunda dele de novo, mais forte, enquanto ele fazia o mesmo com a minha, os dedos quase entrando por baixo da cintura da calça.
Continuamos assim: beijos profundos, línguas se enrolando, mãos apertando bundas, meus dedos explorando o volume duro dele por cima do tecido enquanto ele roçava o quadril contra o meu. O ar do carro ficou quente, o vidro começou a embaçar. Eu quis. Bernardo também. O desejo estava ali, latejando entre nós, pedindo mais. Mas, quando a minha mão começou a descer para o cós da calça dele, ele segurou meu pulso com firmeza.
— Não hoje.
— Por quê?
— Porque eu volto para a capital amanhã e não quero que você pense que vim atrás de você apenas para isso.


— E veio atrás de quê?
Ele tocou meu rosto.
— Ainda estou descobrindo.
Ficamos juntos por mais algum tempo, na volta, Bernardo dirigiu com uma das mãos no volante e a outra sobre minha perna. Antes de me deixar em casa, puxou-me para um último beijo.
— Vou voltar em breve.
— Promessa?
— Ameaça.

Desci do carro e esperei que ele desaparecesse na esquina, o gosto do beijo permaneceu na minha boca. Caio fazia meu corpo perder o controle, Bernardo fazia o tempo diminuir. Ainda não estava apaixonado. Seria cedo demais, ingênuo demais e talvez perigoso demais admitir aquilo. Mas, enquanto entrava em casa, compreendi que não queria apenas tocar Bernardo, queria conhecê-lo, e talvez fosse assim que uma paixão começava: não como um incêndio, mas como uma chama pequena que encontra, em silêncio, tudo de que precisa para crescer.


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Ficha do conto

Foto Perfil contosdelukas
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Nome do conto:
[REBOT] ENTRE CAMINHOS E SEGREDOS ~ 05 ~ FOGO, SEXO E PAIXÃO

Codigo do conto:
273441

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
29/09/2026

Quant.de Votos:
1

Quant.de Fotos:
0