Continuamos até o fim. E como era bom aquilo — eu ali, no meu canto, ela enrolada nas cobertas, só me olhando, e eu exposto. Que ridículo, um marmanjo daquele, se satisfazendo sozinho com a mulher deitada do lado. É uma humilhação que só quem é corno sabe o quanto é boa.
Quanto mais excitado eu ficava, mais corno a gente quer ser e se rebaixar. Eu ia beijando ela, ofegante, meio desengonçado, dizendo que amava ela, que ela era linda, perfeita, maravilhosa e gozava loucamente…
E aí, vinha aquela vergonha. A vontade de se comportar como homem de respeito, de ser o marido dela, e naturalmente ia ficando sem graça, meio sem jeito. Só abracei ela, puxei a coberta, e ficamos ali juntinhos.
Falei: "Amor, você é muito maravilhosa, sabia?"
Ela me olhou, me beijou. E pronto.
Agora era rotina. Eu satisfazia ela e já vinha ansioso pro meu papel de corno.
Na hora em que eu era o negro, na hora de satisfazê-la, eu fantasiava tudo o que eu, como corno, queria sofrer. Então eu dizia: "Sentiu minha falta? Sei que agora, depois que você experimentou coisa melhor, não sente mais nada com o seu marido, né? Você agora é minha. Minha puta, minha vadia."
E ela foi obedecendo, foi se empolgando — e eu me esforçava pra dar conta, pra satisfazê-la por completo.
Depois que terminava, eu vinha pro meu cantinho. Deitava ao lado dela, todo mansinho — tão manso que chegava a ser infantil.
"Oi, amor."
Ela se acomodava, se cobria e dizia: "Oi." E ficava me olhando nos olhos, parecia até de propósito. Eu naquela situação constrangedora, no meu canto, quase implorando um olhar dela, esperando que agora fosse a minha vez.
Ela me olhava nos olhos e, sem pressa nenhuma, dizia: "Vai, amor. Começa a bater a sua punhetinha." Falar assim, no diminutivo, já me deixava doido.
Então eu começava, e ela, tranquila: "É, amor… a sua esposinha tá acabada."
Eu ali, doido, aguardando ansioso qual seria a próxima fala dela. Ela demorava de propósito, me olhando nos olhos, com um sorrisinho de canto de boca, um olhar superior, e dizia: "O que é que você quer saber?"
Ela falava de um jeito que me dava palpitação — porque era uma situação humilhante. Eu dizia: "Quero saber tudo." Ela forçava: "Tudo o quê?" "Tudo, ué." Ela demorava: "Tudo o quê, amor?" "Tudo o que o negão fez com você."
"Aaah, entendi", ela dizia. "Você quer saber como a sua esposinha foi tratada hoje. Sabe, amor… ele não tem dó de mim. Ele me trata como homem de verdade. Disse que agora eu sou dele, que vou ter que obedecer. Que vai me usar sempre que quiser, e que não adianta eu inventar desculpa — vai ser na hora que ELE quiser."
Eu disse: "Sério, amor? E você quer isso? Você quer que ele seja seu dono?"
Ela, calma, respondia: "Amor, eu não tenho escolha. Ele não pede, ele manda, lembra? Ele é macho." E sorria, meio debochada.
Eu ficava ali, querendo que ela falasse mais, que ela gritasse, que soltasse tudo. Mas não — ela era calma. E era angustiante de tão bom, um negócio que só corno entende: você quer mais, você quer que ela diga logo "pronto, vou dar pra todo mundo". Mas ela estava ali, tranquila, simplesmente dizendo que um homem era dono dela. Um homem qualquer. Não o marido — outro homem, um negro.
Eu tentava ouvir mais, implorava: "Amor, eu quero detalhes. Do que ele fez com você."
Ela sorria com aquele deboche: "Ah, amor… é como se eu fosse só um pedaço de carne. Ele faz o que quiser comigo, simplesmente me usa. E, como você mesmo disse, ele me estragou. Bom, pelo menos pra você, né? Pro seu tamanho, sabe?"
Eu disse, você acha isso? Você me acha pequeno? Sério? Hein?... e gozei sem nem dar tempo dela responder. Não preciso dizer que logo depois, bateu a vergonha. Meu Deus, que vergonha. Que ridículo… Abracei ela sem graça.
Mas, aos poucos, o tesão vinha batendo de novo. Porque aquilo era maravilhoso, era tudo o que eu queria. Queria tanto que eu queria que fosse real, de verdade, eu quero viver isso, eu quero experimentar isso. Então eu comecei a pensar: preciso dar um jeito da gente conversar sério sobre isso, não só na hora do sexo.
Será que ela teria coragem de sair com outro cara de verdade? Será que ela ia aceitar? Como é que eu proponho uma coisa dessas? Melhor arrumar um garoto de programa, ou alguém pela internet?
Ela dormia tranquila, como se nada daquilo pesasse. E eu, ali acordado, com uma pergunta martelando: será que ela teria coragem de fazer de verdade?