Déb — Parte VII: A Noite de Déb

Depois do que haviam vivido durante outubro, alguma coisa havia mudado entre Thomás e Katia.
Déb já não era apenas uma fantasia que acontecia entre quatro paredes.
Era uma parte daquela relação que os dois haviam aprendido a conhecer, explorar e, principalmente, aceitar.
Foi por isso que, numa noite qualquer, Katia chegou em casa com uma expressão diferente.
Ela parecia ter descoberto alguma coisa.
Thomás percebeu imediatamente.
— O que foi?
Katia colocou a bolsa sobre a mesa e sorriu.
— Descobri um lugar.
— Que lugar?
Ela se aproximou dele.
— Um bar.
Thomás esperou que ela continuasse.
— É um bar diferente. Pelo que descobri, eles trabalham com um público bem específico. Entram casais, mulheres e pessoas crossdressers. Homens sozinhos não entram.
Thomás ficou curioso.
— E por que você está me contando isso?
Katia sorriu.
— Porque nós vamos.
Thomás piscou.
— Nós?
— Nós.
Ela abriu a bolsa e colocou uma sacola sobre a mesa.
— E você vai como Déb.
Ele olhou para a sacola.
— Você já comprou as roupas?
— Claro.
Thomás riu.
— Você já tinha decidido tudo antes de falar comigo?
Katia inclinou a cabeça.
— Evidentemente.
Ela abriu a primeira embalagem.
Dentro havia um vestido que combinava perfeitamente com a ideia que ela tinha para aquela noite.
Depois vieram os acessórios.
Sapatos.
Meias.
Uma bolsa pequena.
Brincos.
E até alguns detalhes de maquiagem que ela havia escolhido especialmente.
Thomás ficou olhando para tudo.
— Você planejou mesmo isso.
— Planejei.
— E se eu disser que não quero?
Katia o encarou por alguns segundos.
Então sorriu.
— Você pode dizer.
Thomás esperou.
— Mas eu já conheço você o suficiente para saber que vai querer.
Ele riu.
— Isso é uma ordem?
Katia se aproximou.
— Considere uma convocação.
Thomás balançou a cabeça, divertido.
— Você está ficando cada vez mais mandona.
— E você está demorando cada vez mais para perceber que gosta disso.
Ele não respondeu.
Katia apenas apontou para as roupas.
— Temos pouco tempo. Vá se arrumar.
Algum tempo depois, Déb apareceu diante do espelho.
Katia havia escolhido tudo.
O vestido tinha um corte elegante, sem exageros. Os acessórios completavam o visual e a maquiagem destacava os olhos e os lábios.
Katia observou em silêncio.
— Vire-se.
Déb obedeceu.
Ela analisou cada detalhe.
— Perfeito.
Déb olhou para ela pelo espelho.
— Você realmente acha que eu consigo sair assim?
— Não acho.
Katia pegou a bolsa.
— Eu tenho certeza.
O bar ficava em uma região movimentada da cidade.
Quando chegaram, Thomás sentiu imediatamente aquela mistura de ansiedade e curiosidade.
Havia pessoas diferentes na entrada.
Casais.
Mulheres.
Algumas pessoas completamente caracterizadas.
Outras com roupas discretas, como se aquele ambiente fosse simplesmente mais um lugar onde podiam ser quem eram.
Katia segurou a mão de Déb.
— Vamos.
Assim que entraram, a tensão inicial começou a desaparecer.
O lugar era muito mais acolhedor do que Thomás havia imaginado.
A música estava alta.
Havia pessoas dançando.
Garçons circulavam entre as mesas.
Grupos conversavam e riam.
Ninguém parecia particularmente interessado em julgá-los.
Pelo contrário.
Déb começou a relaxar.
Depois de alguns minutos, Katia percebeu.
— Está gostando?
— Muito.
— Eu sabia.
Eles começaram a conversar com algumas pessoas.
Foi assim que conheceram outro casal.
Eles também tinham uma dinâmica semelhante à deles, e uma das pessoas do casal também se apresentava daquela maneira em determinadas ocasiões.
A conversa fluiu naturalmente.
Primeiro falaram sobre o bar.
Depois sobre roupas.
Depois sobre as experiências que cada um já havia vivido.
E, quando perceberam, já estavam conversando havia bastante tempo.
Foi então que surgiu o convite.
— Vocês já foram a uma balada assim?
Katia olhou para Thomás.
— Não.
— Tem uma aqui perto. Hoje está tendo uma festa especial. O público é bem parecido com o daqui.
Thomás ficou imediatamente mais cauteloso.
— Uma balada?
— Sim.
O casal explicou que costumava frequentar aquele lugar e que, naquela noite, seria uma experiência interessante para quem quisesse sair caracterizado.
Katia parecia animada.
Thomás, nem tanto.
— Não sei se é uma boa ideia — disse ele.
Katia olhou para ele.
Dessa vez, porém, não tentou simplesmente convencê-lo.
— A gente pode ir embora a qualquer momento.
Thomás pensou por alguns segundos.
— E se alguma coisa ficar estranha?
— Nós vamos embora.
A resposta foi simples.
E aquilo foi suficiente.
Depois de alguns minutos, os quatro deixaram o bar juntos.
A balada era diferente.
Mais escura.
Mais cheia.
A música vibrava pelo ambiente.
Luzes se movimentavam pelo salão e as pessoas dançavam sem prestar muita atenção umas às outras.
Nos primeiros minutos, Thomás ficou próximo de Katia.
Mas, aos poucos, começou a se soltar.
Déb dançou.
Katia dançou com ela.
Os quatro se divertiram.
E aquela sensação de estar em público, caracterizado daquela maneira, que inicialmente parecia tão estranha, começou a se tornar libertadora.
Até que uma mulher se aproximou de Katia.
Ela sorriu e começou a conversar.
Katia respondeu.
Thomás observou.
A conversa continuou.
A mulher parecia claramente interessada em Katia.
E Katia percebeu.
Mesmo assim, não encerrou a conversa.
Continuou sorrindo.
Perguntando coisas.
Respondendo.
Dando atenção.
Thomás sentiu uma pontada de ciúme.
Não era exatamente ciúme de Déb.
Era ciúme de Katia.
Da maneira como aquela mulher olhava para ela.
Da naturalidade com que se aproximava.
E, principalmente, do fato de Katia não estar colocando um limite imediato.
Depois de alguns minutos, Thomás se aproximou.
Katia percebeu a expressão dele.
— Está tudo bem?
Ele hesitou.
— Está.
Ela sorriu.
— Não parece.
Thomás olhou para a mulher, depois para Katia.
— Ela está flertando com você.
Katia segurou o sorriso.
— Eu sei.
— E você está dando conversa.
— Também sei.
Thomás ficou em silêncio.
Katia aproximou-se dele.
— Está com ciúmes?
Ele respirou fundo.
— Um pouco.
Ela sorriu.
Não havia provocação naquele sorriso.
Havia curiosidade.
Porque, pela primeira vez, Katia estava percebendo que a experiência de sair com Déb não mexia apenas com a forma como Thomás era visto pelos outros.
Também mexia com a forma como ele enxergava Katia.
Ela segurou sua mão.
— Então fica comigo.
Thomás entrelaçou os dedos nos dela.
A mulher percebeu o gesto e sorriu, entendendo que os dois estavam juntos.
Katia continuou conversando por mais alguns minutos, mas agora Thomás estava ao seu lado.
E aquela noite, que havia começado como uma experiência para Déb, tinha acabado se transformando em algo muito maior.
Thomás descobriu que ser Déb em público era diferente de ser Déb em casa.
Katia descobriu que gostava de apresentar aquela versão dele ao mundo.
E os dois descobriram que, quando outras pessoas entravam naquela equação, sentimentos que pareciam simples entre quatro paredes podiam ganhar novas formas.
Quando saíram da balada, já era tarde.
Os quatro se despediram na calçada, prometendo marcar outra noite.
Como já era muito tarde para voltar para casa — e a energia daquela noite pedia um encerramento à altura —, Katia decidiu mudar o trajeto. Em vez de pegar a avenida rumo ao apartamento, seguiu com o próprio carro até a entrada de um motel discreto e elegante na zona sul da cidade.
Ao pararem na guarita de entrada para fazer o check-in no formato drive-thru, o funcionário do guichê abriu a janela com uma expressão formal e profissional:
— Boa noite. Documento de identificação do casal, por favor.
Déb, no banco do passageiro, ajeitou a franja da peruca, abriu a pequena bolsa elegante e pegou a carteira de habilitação de Thomás. Com toda a postura, as unhas postiças impecáveis e o batom retocado, estendeu a mão e entregou o documento ao rapaz.
O recepcionista pegou o cartão de plástico, olhou para a foto de um homem de barba e cabelo curto, olhou para a mulher loira de salto alto no banco do passageiro, olhou de volta para o documento e piscou duas vezes, visivelmente confuso.
Katia, no volante, olhou para a cara do rapaz e não aguentou: soltou uma gargalhada gostosa que ecoou por dentro do carro. Déb tentou manter a pose elegante por meio segundo, mas acabou caindo na risada junto com ela, meio sem graça e meio divertida com a situação.
— É ele mesmo, moço — disse Katia, enxugando uma lágrima de riso no canto do olho. — Prometo que a foto só está meio desatualizada.
O rapaz acabou sorrindo, devolveu a habilitação e liberou o portão.
Quando a porta da garagem da suíte finalmente se fechou atrás do carro, as duas ainda riam do episódio na recepção. Mas bastou o barulho da trava da porta do quarto para que a risada se transformasse num suspiro profundo. A noite em público, o ciúme na balada e a piada do documento agora se dissolviam numa urgência quente e familiar.
Déb jogou a bolsa sobre a poltrona e virou-se para Katia. A partir dali, entre quatro paredes e com a porta trancada, o mundo lá fora já não importava mais. Katia pegou a chave que guardava na bolsa, olhou para Déb e sorriu com um toque de cumplicidade e desejo. A noite de estreia de Déb no mundo estava pronta para o seu capítulo mais íntimo.

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Ficha do conto

Foto Perfil Conto Erotico secretossegredos

Nome do conto:
Déb — Parte VII: A Noite de Déb

Codigo do conto:
273894

Categoria:
Fantasias

Data da Publicação:
04/10/2026

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