A semana após o retiro na chácara foi um teste constante para os nervos de Thomás. Sob o terno bem cortado e a postura rigorosa de executivo, as marquinhas de biquíni ardiam levemente contra o tecido da camisa social, um lembrete físico e impossível de ignorar de que Déb estava ali, respirando sob a fachada masculina. O mais perturbador de tudo era o cinto de castidade, que continuava trancado. Katia havia confiscado a chave, deixando claro que ele pertencia a ela até nos dias úteis. No sábado de manhã, Katia não sugeriu um passeio; ela deu uma ordem. Avisou que iriam ao shopping mais sofisticado da cidade. Déb precisava de um enxoval próprio, algo muito além do uniforme de servidão. Quando cruzaram as portas de vidro de uma luxuosa butique de lingerie, o coração de Thomás disparou. O ambiente era intensamente feminino. Ele tentou recuar instintivamente, mas Katia entrelaçou o braço no dele, ancorando-o no lugar. Uma vendedora sorridente, chamada Camila, aproximou-se rapidamente. Katia assumiu o controle com a naturalidade de uma predadora. Pediu para ver conjuntos íntimos, bodies transparentes e um corpete de renda estruturado. Como Katia pedia tamanhos visivelmente maiores do que a própria silhueta exigiria, a vendedora hesitou por um segundo. — São lindas, Camila — disse Katia com um sorriso casual, pegando as peças. — Mas, na verdade, não são para mim. São para o meu marido. Ela apontou levemente para Thomás. O sangue dele gelou. O rosto queimou instantaneamente de vergonha, os olhos arregalados enquanto segurava as sacolas, sentindo o chão desaparecer sob os pés. A vendedora piscou, claramente surpresa, mas rapidamente recuperou o sorriso profissional. — Ah... entendi! Vocês gostam de inovar, não é? — Exatamente — Katia respondeu, a voz carregada de uma autoridade perversa. — Ele tem os ombros um pouco mais largos que os meus, então vou usá-lo como manequim. Vamos dar uma olhada no provador para ele experimentar. Antes que Thomás pudesse sequer processar a humilhação de ter sido exposto de forma tão crua para uma estranha, Katia o empurrou para dentro da cabine e fechou a porta. — Tire a roupa. Tudo — ela sussurrou. Com as mãos trêmulas, ele obedeceu. Ao ficar apenas de cueca, a protuberância fria do dispositivo metálico apertando sua virilha ficou evidente. Katia estendeu o corpete de renda preta e uma calcinha minúscula de tiras finas. O contraste no espelho era chocante. Os traços masculinos de Thomás sendo espremidos pela delicadeza da seda e pelas barbatanas do corpete criavam uma imagem que o deixava paralisado. A calcinha mal cobria o cinto de castidade. Katia sorriu, destrancou a porta do provador e a abriu, deixando uma fresta voltada para o corredor. Thomás implorou em pânico para que ela fechasse, encolhendo-se contra o fundo do provador. Quando a vendedora se aproximou para perguntar se estava tudo bem, Katia respondeu em voz alta que a renda havia valorizado até as marquinhas de biquíni recentes do marido. Os olhos de Thomás se encheram de lágrimas de vergonha. A audácia de Katia o esmagava. Quando finalmente saíram da butique, Katia não deu trégua. — Acha que acabamos? Uma sissy maid não limpa a casa descalça. Ela o arrastou para uma loja de calçados finos. Sem qualquer pudor, pediu à atendente que trouxesse um par de saltos agulha altíssimos e sandálias de tiras finas no tamanho 41. Novamente, fez questão de mencionar que eram para ele. Thomás teve que se sentar no pufe da loja, tirar os sapatos masculinos e calçar os saltos vertiginosos sob o olhar curioso e perplexo das funcionárias. Katia o fez dar alguns passos pelo tapete da loja, criticando sua postura até que ele andasse perfeitamente equilibrado. — Vamos levar estes — sentenciou Katia. — Agora sim, estamos prontas para ir para casa. O verdadeiro serviço começou no instante em que a porta do apartamento deles se fechou. Katia jogou as sacolas no sofá e virou-se para ele com uma frieza implacável. — Tire essa roupa de homem. Vista o corpete de renda, a calcinha e os saltos novos. Agora. Thomás obedeceu em silêncio. Em poucos minutos, Déb estava de volta, ofegante, sentindo a renda apertar seu torso e os saltos forçarem sua postura. Katia, por outro lado, foi para o quarto e vestiu um top esportivo e uma calça legging justa. — Eu vou para a academia — anunciou ela, amarrando o cabelo em um rabo de cavalo. — Enquanto eu estiver fora, você vai limpar este apartamento inteiro. Quero o chão brilhando, a louça lavada e o jantar preparado. E você vai fazer tudo isso equilibrada nesses saltos, sem tirá-los por um segundo sequer. Fui clara? — Sim, senhora — sussurrou Déb. A porta bateu, e Déb ficou sozinha. Pelas duas horas seguintes, o apartamento foi preenchido apenas pelo som rítmico e exaustivo dos saltos agulha batendo contra o piso de madeira. Equilibrar-se para limpar os móveis e cozinhar, vestindo apenas a lingerie minúscula e sentindo o peso do cinto de castidade, era uma tortura física e mental. Quando o som da fechadura destrancando ecoou, Déb estava na cozinha, terminando de empratar o jantar. Katia entrou, o peito subindo e descendo, a pele brilhando de suor após um treino pesado. O cheiro almiscarado e forte de suor preencheu o ar. Katia caminhou até a sala de estar e jogou-se no sofá de couro. — Déb. Venha aqui. Imediatamente. Déb apressou-se, os pés latejando dentro dos saltos novos. — O jantar está pronto, senhora... — Não perguntei do jantar — cortou Katia, a voz rouca e dominante. — Ajoelhe-se aos meus pés. Déb obedeceu, descendo com dificuldade até o tapete, os joelhos nus tocando o chão frio. Katia desamarrou os próprios tênis de academia e os chutou para o lado, revelando as meias esportivas úmidas de suor. Em seguida, puxou as meias, expondo os pés descalços, cansados e marcados pelo esforço. — Eu treinei pesado hoje. Meus pés estão sujos e suados — Katia murmurou, olhando para a figura vulnerável de Déb ajoelhada diante dela. — Cheire. Thomás hesitou por uma fração de segundo, os olhos arregalados. Era uma quebra total de qualquer limite que ele achava que ainda possuía. Ele nunca, em toda a sua vida, imaginou que seria submetido a algo tão visceral e degradante. Mas a hesitação durou pouco. A presença de Katia o esmagava. Ele inclinou a cabeça e aproximou o rosto dos pés de sua dona. Inspirou fundo. O cheiro forte e salgado de suor inundou seus sentidos. — Limpe-os — ordenou Katia, encostando a sola do pé suado diretamente contra os lábios de Thomás. — Use a língua. E não ouse parar até que estejam impecáveis, e depois me faça uma massagem. O choque inicial deu lugar a uma obediência cega. Tremendo, Déb abriu a boca e deslizou a língua pela pele salgada e úmida do arco do pé de Katia. Ele limpou os calcanhares, os dedos, saboreando o suor da mulher que agora o possuía por completo. Enquanto massageava e venerava os pés de sua dona, Thomás sentiu uma pontada de choque consigo mesmo: a humilhação era profunda, mas a excitação que pulsava contra as paredes de metal do cinto de castidade era ainda maior. Ele estava perdido, e a pior parte era que ele estava amando cada segundo de sua própria ruína.
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