Déb — Parte X: O Segredo Exposto

A rotina no apartamento se estabeleceu com uma precisão sádica. O acordo tácito havia se transformado em uma lei inquebrável: das oito da manhã às seis da tarde, ele era Thomás, o executivo impecável de voz firme. Mas no instante em que a chave girava na fechadura ao final do dia, a farsa masculina era descartada junto com o terno. Katia o aguardava, implacável. Ele tinha exatos dez minutos para despir a roupa de trabalho, vestir a lingerie fina, calçar os saltos altíssimos e assumir seu posto como Déb, limpando a casa e servindo sua dona até a hora de dormir no colchonete.
Mas a submissão não ficava mais restrita às paredes do apartamento. Katia exigia que a essência de Déb o acompanhasse o tempo todo. O cinto de castidade de metal permanecia trancado, e, sob as roupas sociais, ele era obrigado a usar calcinhas minúsculas e corpetes apertados. Nos primeiros dias, o algodão grosso e o corte folgado de seus ternos habituais foram o suficiente para esconder o segredo. Thomás vivia com o coração acelerado, mas sentia-se minimamente protegido.
Katia, no entanto, logo percebeu que o medo dele estava diminuindo. E para ela, a zona de conforto era inaceitável.
Na noite de quarta-feira, enquanto Déb esfregava o chão da cozinha equilibrada nos saltos, Katia entrou no closet dele com um saco de lixo preto. Em poucos minutos, todas as camisas sociais de tecido encorpado e as calças de corte reto foram descartadas. Quando Déb entrou no quarto, ofegante, encontrou Katia segurando cabides com roupas novas.
— Você está muito relaxado durante o dia, Thomás — disse ela, avaliando-o de cima a baixo. — O seu terno largo está escondendo a minha propriedade. Se as pessoas olharem para você na rua, quero que elas saibam que há algo de muito errado por baixo daquela fachada.
Katia jogou as peças novas sobre a cama. Eram camisas sociais brancas de um tecido incrivelmente fino e elástico, quase translúcidas, acompanhadas de calças de alfaiataria ajustadas a ponto de não deixarem nada à imaginação.
Na manhã seguinte, o verdadeiro pesadelo começou. Katia o obrigou a vestir um corpete de renda preta com texturas grossas e uma calcinha de tiras que apertava seus quadris. Quando ele vestiu a calça justa e abotoou a camisa branca colada ao corpo, o reflexo no espelho o fez perder o ar. O relevo desenhado da renda ficava absurdamente visível através do tecido fino da camisa esticada. O contorno do sutiã marcava suas costas e peito, e a calça apertada não apenas evidenciava as linhas da calcinha no quadril, como deixava claro o volume metálico e antinatural do cinto de castidade na virilha.
— Katia... eu não posso sair assim. Meus chefes, meus colegas... todos vão ver. Fica óbvio que estou de lingerie — ele implorou, a voz embargada, o terror real estampando seu rosto.
Katia apenas sorriu, ajeitando a gravata dele com uma calma perversa.
— Então é melhor você não deixar ninguém chegar muito perto, não é? Tenha um bom dia de trabalho, Déb.
O trajeto até o escritório foi uma tortura absoluta. No elevador do prédio comercial, Thomás encolheu-se no canto, suando frio dentro do paletó que ele não ousava tirar. Cada olhar casual de um estranho parecia uma radiografia. Ele cruzava os braços sobre o peito tentando esconder as marcas da renda, sentindo o atrito do corpete contra a pele a cada respiração contida.
Assim que as portas abriram no seu andar, ele caminhou a passos rápidos e robóticos. A secretária deu bom dia, e ele apenas acenou com a cabeça, os olhos cravados no chão, desesperado para chegar à sua mesa no canto da sala. Quando finalmente sentou, puxou a cadeira o mais perto possível do teclado, escondendo o tronco atrás do monitor e cruzando as pernas sob a mesa para ocultar o metal que apertava sua virilha.
Ele passou o dia inteiro assim: paralisado de medo. A cada vez que o telefone tocava ou um colega se aproximava para pedir uma assinatura, o coração de Thomás disparava como se fosse saltar pela boca. Ele dava respostas curtas, mantinha o paletó fechado apesar do calor no escritório, e se recusava a levantar para ir ao banheiro ou buscar café.
A humilhação psicológica era esmagadora. Ele, um homem que antes exalava confiança corporativa, agora estava encolhido em sua própria cadeira, apavorado com a ideia de que qualquer inclinação sob a luz fria do escritório revelasse o desenho da renda preta gravado em seu peito. O terror de ser descoberto consumia cada pensamento seu, mas, ao mesmo tempo, a consciência de que estava ali, no meio do mundo corporativo, marcado, embalado e trancado unicamente para o prazer de Katia, provocava uma excitação vertiginosa que ele não conseguia — e secretamente não queria — combater.

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Ficha do conto

Foto Perfil Conto Erotico secretossegredos

Nome do conto:
Déb — Parte X: O Segredo Exposto

Codigo do conto:
274274

Categoria:
Fetiches

Data da Publicação:
10/10/2026

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