Foi numa quinta-feira. Ele tinha ido trabalhar. Ela ficou em casa. E, arrumando a gaveta de cuecas dele — porque era ela quem arrumava tudo —, encontrou, enfiado no fundo, atrás das meias, um caderninho pequeno, de capa preta.
Ela abriu.
Era um diário. Escrito à mão. Datas, horários, nomes.
"Dia 12. A senhora chegou às 22h40. Cabelo molhado. Cheiro de outro. Ela tomou banho e dormiu de costas pra mim. Eu fiquei acordado até 2h da manhã cheirando o travesseiro dela. Cheiro de homem. Eu gozei na mão. Sem tocar nela. Só de cheiro."
Ela virou a página. Sua respiração mudou.
"Dia 19. A senhora foi no banheiro depois de chegar. Não tomou banho. Deitou do meu lado com a buceta ainda melada. Eu esperei ela dormir. Enfiei o nariz. Lambi. Lambi tudo. Calada. Sem ela saber. Cheiro de esperma. Cheiro de outro homem. Eu gozei lambendo ela enquanto ela dormia. Melado todinho. Ela não sabe até hoje."
Ela sentou na cama. Leu o caderno inteiro. Página por página. Cinco anos de vida. Cinco anos em que ele lambia ela calada, de madrugada, enquanto ela dormia, com a buceta cheia de outro.
E o pior — o melhor — era o que ele escrevia no fim de cada página:
"Eu sou corno. E sou feliz."
"A senhora não sabe, mas eu sou o corno dela."
"Eu amo ser manso."
"Se ela soubesse, me humilharia. Eu queria que ela soubesse."
Ela fechou o caderno. Colocou de volta no lugar. E decidiu: ele não vai saber que eu descobri. Ele vai só sentir. Vou começar a surpreender ele. Vou obrigar ele a limpar e ele vai achar que é ideia minha. Vou fazer ele gozar de humilhação sem ele entender por quê.
E foi o que ela fez.