Comprou calcinhas fio-dental — dez, de todas as cores. Abandonou o sutiã. Passou a usar blusas transparentes, vestidos colados, saias curtas. Saía de casa sabendo exatamente o efeito que fazia.
E o Rafael ia atrás, de cachorro, vendo os homens virarem o pescoço.
— Tá vendo aquele ali? — ela dizia, apontando com o queixo. — Olhou pra mim. Olhou pra minha bunda.
— Vi, senhora.
— E ele não sabe que tem um corno atrás de mim. — Ela ria. — Coitado. Acha que eu sou casada com um homem.
No mercado, o moço do caixa não conseguiu disfarçar. A Marina, de blusa transparente e sem sutiã, se inclinou pra pegar o troco devagar, de propósito. O moço travou.
— Boa tarde, senhora.
— Boa tarde. — Ela sorriu. — Casada, viu? — Pausa. — Mas não muito.
O Rafael, atrás, com as sacolas, sentiu o pau pulsar preso. Ele sabia o que aquilo significava. Significava que, mais cedo ou mais tarde, o moço do caixa ia aparecer. E ele ia limpar de novo.