A Marina percebeu que podia transar com quem quisesse — e que isso não era traição, era poder. O marido tinha um regulamento; ela tinha uma lista.
O moço do caixa. O Seu Jorge, numa quarta. Um cara do bar. Um colega novo do trabalho. Cada um diferente, cada um deixando a marca dele nela — e cada um mandado embora com a mesma frase:
— Goza dentro. Que tem alguém em casa pra limpar.
E o Rafael, sempre, limpava todos. Sem saber de quem era o gosto, sem poder perguntar, humilhado de uma forma nova a cada vez.
Um dia ele perguntou:
— Você... você vai parar de sair?
A Marina riu.
— Parar? Amor, eu tô só começando. — Ela tocou a chave no próprio pescoço. — Eu sou jovem, sou bonita, sou gostosa e tenho um corno em casa que adora limpar. Por que eu ia parar?
Ele ficou quieto. Ela se aproximou, segurou o queixo dele.
— Reclama?
— Não, senhora.
— Bom. — Ela soltou. — Porque semana que vem tem novidade. Vou trazer alguém novo pra você limpar. — Pausa. — E você vai limpar sem nem saber o nome.