— Cheguei — disse ela.
— Sim, senhora.
Ela jogou a bolsa no sofá. Passou por ele. Foi direto para o quarto. Ele foi atrás, de cabeça baixa, igual cachorro.
Ela tirou o vestido. Tirou o sutiã. Ficou só de calcinha. A calcinha estava — ele percebeu na hora — molhada. Marcada. Com um cheiro que não era dela.
Ela não tomou banho. Deitou na cama. Abriu as pernas. Olhou para ele, que estava parado na porta, olhando.
— Vem cá.
Ele veio.
— Ajoelha.
Ele ajoelhou.
— Cheira.
Ele aproximou o nariz. Cheirou. O rosto dele mudou. A boca abriu um pouco. Ela viu os olhos dele brilharem.
— O que você tá cheirando? — perguntou ela, com um sorriso de quem sabia tudo.
— Cheiro de... de outro, senhora.
— De outro o quê?
— De outro homem, senhora.
— E o que você é?
Ele travou. A resposta estava presa. Ele nunca tinha dito em voz alta para ela. Nunca. Cinco anos.
— Fala — disse ela.
— Eu sou... corno, senhora.
Ela riu. Alto. Para o apartamento todo ouvir.
— VOCÊ OUVIU ISSO? — gritou ela, como se o mundo estivesse escutando. — ELE FALOU! ELE É CORNO!
E ele ali, de joelhos, vermelho, mas com o pau duro como pedra dentro da cueca.
— E o que corno faz? — perguntou ela.
— L... limpa, senhora.
— Fala direito.
— Limpa a senhora, senhora.
— Então limpa. Limpa a buceta gozada do comedor. Limpa tudo, seu corno manso.
Ele abaixou a cabeça. Enfiou o rosto. E lambeu.
Lambeu a buceta dela ainda melada de outro. Sentiu o gosto. Salgado. Diferente. Cheio. E gozou — sem tocar, sem mão, só com o rosto ali, o nariz afundado, a boca trabalhando.
Ela segurou a cabeça dele pelos cabelos. Empurrou. Humilhou.
— ISSO! LIMPA! LIMPA TUDO, SEU CORNO! LIMPA A BUCETA QUE OUTRO COMEU! PROVA! PROVA QUE VOCÊ É MANSO!
Ela gozou também. Na boca dele. Em cima do gosto de outro. Misturou tudo. Ele engoliu.
Depois ela olhou para baixo, para o rosto melado dele, para a cueca molhada dele, e riu.
— Você gozou só de lamber, seu corno.
— Sim, senhora.
— Sem tocar.
— Sem tocar, senhora.
— Vem cá. Pega.
Ela pegou a porra dele com a mão. Com os dedos. Levou à boca dele.
— Abre.
Ele abriu. Ela enfiou os dedos. Ele lambeu os próprios dedos sujos da própria porra.
— Toma. Toma tudo. Você é corno. Corno come a própria porra. Fala.
— Eu como a minha porra, senhora.
— Fala alto.
— EU COMO A MINHA PORRA, SENHORA!
— E por que?
— Porque eu sou corno e a senhora manda.
Ela sorriu. Puxou o rosto dele pelo queixo. Olhou nos olhos.
— Isso. Guarda bem isso. Você é corno. E eu mando.
E ele não sabia. Não sabia que ela tinha lido o caderno. Não sabia que ela sabia de tudo. Ele só sentia. E sentia uma felicidade absurda.