Jaqueline chegou ao escritório ainda com o cheiro de sexo e suor da academia grudado na pele. O short colava entre as coxas, o cabelo estava meio bagunçado e o sorriso no rosto era o de quem tinha acabado de levar um castigo delicioso. O andar executivo estava silencioso. Ninguém na recepção, nenhuma porta aberta. Ramos e os diretores ainda não tinham chegado. Ela parou na frente do cabideiro novo, os olhos brilhando de safadeza. — Já que tô sozinha… — murmurou para si mesma. Tirou o conjunto de academia ali mesmo no corredor. Tomou um banho rápido, no pequeno espaço que continha uma ducha e escolheu a peça mais escandalosa que encontrou: um vestidinho vermelho de tecido tão fino e justo que parecia pintura no corpo. Sem sutiã, sem calcinha, o decote profundo quase mostrava os mamilos e a barra mal cobria a curva da bunda. Completou com saltos altos e os brincos que tinham ganhado no dia anterior. Quando se olhou no espelho do banheiro, soltou uma risadinha satisfeita. — Perfeita. Passou o resto da manhã no papel que mais gostava de interpretar: a secretária burrinha e prestativa. Quando Ramos e Veiga finalmente chegaram, ela os recebeu de pé, peito estufado, voz doce e um pouco infantil: — Bom dia, patrões… a senhora… digo, eu já deixei o café pronto e os documentos organizadinhos. Se precisar de qualquer coisinha, é só chamar a Jaqueline, tá? Ramos trocou um olhar cúmplice com Veiga e sorriu de canto. — Que secretária diligente… e tão bem vestida hoje. Ao longo do dia ela manteve a personagem. Toda vez que um diretor pedia algo, ela respondia com um “sim, senhor” meigo, se inclinava mais do que o necessário, deixava o vestido subir e ainda perguntava, com cara de quem não entendia nada de trabalho: — É pra eu anotar isso… ou pra eu ajoelhar agora? Os homens adoraram. Usaram ela no meio da tarde em cima da mesa de reuniões, sem nem fechar a porta direito. Jaqueline gemia alto, pedia desculpas por ser “tão burra e tão puta”, e ainda agradecia depois de cada gozo. Quando Leo apareceu para “consertar o computador”, ela já estava de quatro no sofá, o vestido erguido na cintura, e só virou o rosto com um sorrisinho: — O senhor do TI também precisa de ajuda da secretária? Ele a fodeu ali mesmo enquanto os outros assistiam, e ela continuou no personagem o tempo todo, gemendo “desculpa se eu for muito apertadinha, senhor… a secretária ainda está aprendendo”. No final do expediente, a sala cheirava a sexo e o vestido vermelho estava destruído. Jaqueline estava sentada no colo de Ramos, ofegante, o cabelo colado na testa, o batom borrado, mas o sorriso era o de uma mulher completamente realizada. Tinha feito todos felizes. Cada um deles. E se sentia valorizada até a última célula do corpo. Ramos passou a mão nos cabelos dela com um carinho quase paternal e falou baixo, perto do ouvido: — Você foi muito boa hoje, Jaqueline. Boa demais. Amanhã a gente tem uma surpresa especial pra você. Aparece mais cedo. Ela sentiu um arrepio delicioso subir pela espinha. Os olhos brilharam de antecipação e vaidade. — Surpresa, chefunho? — perguntou, a voz ainda doce e meio burrinha. — A secretária mal pode esperar… Quando saiu do prédio, já era quase noite. O vestido transparente e rasgado estava escondido sob o casaco longo, mas o corpo ainda latejava de prazer. Jaqueline caminhava com um sorrisinho sapeca no rosto, imaginando o que poderia ser a surpresa do dia seguinte. E, pela primeira vez em muito tempo, se sentia exatamente onde queria estar: desejada, usada, elogiada e cada vez mais feliz.
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