Jaqueline acordou com o cheiro de café fresco invadindo o quarto. O apartamento pequeno, mas bem cuidado, ainda guardava o silêncio da manhã. Ao seu lado, André dormia profundamente, o braço jogado sobre o travesseiro. Ela observou o marido por um instante, sentindo aquela mistura familiar de carinho e preocupação. O salário dele como analista cobria o básico, mas as contas apertavam cada vez mais. O emprego dela como secretária executiva na empresa de consultoria era o que mantinha as coisas de pé, até o mês passado, quando o Sr. Ramos começara a fazer comentários cada vez mais ousados. Na noite anterior, Ramos a chamara para uma conversa reservada após o expediente. Não foi uma reunião comum. Ele foi direto: a empresa passava por “reestruturação” e vários cargos administrativos seriam cortados. O dela estava na lista. Porém, havia uma alternativa. Os diretores e alguns parceiros importantes vinham reclamando da rotina estressante. Queriam “um ambiente mais leve, mais acolhedor”. Ramos deixou claro o que isso significava. Jaqueline seria a “nova disposição” da diretoria. Quanto mais acessível e disposta ela fosse, maior seria o bônus mensal, um valor que triplicaria seu salário atual. — Pense com carinho, Jaqueline — dissera ele, olhando-a de cima a baixo. — Você é casada, eu sei. Mas também é inteligente. Sabe que um corpo bonito e uma atitude sem frescuras valem mais que qualquer diploma aqui dentro. Ela voltara para casa atordoada, sem coragem de contar tudo de uma vez. Agora, enquanto preparava o café, a decisão pesava. Quando André acordou e sentou à mesa, ela finalmente falou. Contou cada palavra, sem omitir os detalhes. Esperava choque, raiva, talvez o fim da conversa. Em vez disso, André ficou em silêncio por quase um minuto, a colher parada no ar. Quando ergueu os olhos, havia algo diferente neles, uma mistura de ciúme, incredulidade e, para surpresa dela, excitação. — Você… consideraria isso? — perguntou ele, a voz rouca. Jaqueline mordeu o lábio inferior. Sentiu um calor inesperado subir pelo ventre ao ver a reação do marido. — Eu não quero perder o emprego, amor. E o dinheiro… você sabe como estamos. Mas eu não faria nada sem você saber. Se for para acontecer, quero que seja algo nosso. Quero voltar para casa e te contar tudo. André respirou fundo. A ideia de outros homens tocando sua esposa deveria revoltá-lo. Em vez disso, a imagem se formava em sua mente e o deixava inquieto de uma forma que não conseguia explicar. Depois de quase meia hora de conversa tensa e estranhamente íntima, eles chegaram a um acordo. Ela aceitaria a proposta de Ramos, mas com limites claros, e André queria saber de cada detalhe. Naquela mesma tarde, Jaqueline enviou uma mensagem curta para o chefe: “Estou dentro. Quando começo?” A resposta veio em menos de um minuto: “Amanhã. Venha sem calcinha. E sorria bastante.” Quando ela leu a mensagem em voz alta para André, sentiu as mãos dele apertarem sua cintura com força. O beijo que veio em seguida foi diferente de todos os outros, urgente, quase desesperado. Pela primeira vez em anos, os dois fizeram amor com uma intensidade que parecia nova. Enquanto André a penetrava, Jaqueline sussurrava no ouvido dele o que imaginava que fariam com ela no dia seguinte. E, para sua própria surpresa, percebeu que a ideia não a assustava mais. Ela estava molhada só de imaginar.
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