Jaqueline chegou ao escritório radiando. O cabelo solto, o vestido azul-claro quase transparente que Ramos tinha escolhido no dia anterior, o batom vermelho vivo e um sorriso largo demais para alguém que só vinha trabalhar. Ela se sentia linda, desejada e, pela primeira vez, no controle de alguém além do próprio corpo. Camila já estava na recepção, sentada reta demais na cadeira, a blusa social fechada até o último botão e a saia longuinha cobrindo os joelhos. Quando viu Jaqueline se aproximar, corou na hora e baixou os olhos. — Bom dia, Camila — disse Jaqueline, a voz doce e animada, puxando uma cadeira para sentar bem pertinho. — Vamos conversar um pouco? Quero te conhecer melhor, já que agora sou sua supervisora. A ruivinha engoliu em seco e acenou, tímida. Jaqueline começou devagar, como quem só queria puxar assunto. Perguntou da família, da cidade onde tinha crescido, se tinha irmãos. Camila, aos poucos, foi abrindo. Contou que os pais tinham se mudado para outro estado seis meses atrás, que ela tinha ficado sozinha na capital, que não tinha quase nenhum amigo. A voz era baixa, quase infantil. — E namorado? — perguntou Jaqueline, inclinando-se um pouco, o sorriso encorajador. — Uma menina tão bonita assim com certeza tem alguém. Camila ficou vermelha até as orelhas. Hesitou longos segundos antes de responder: — T-tenho… há cinco anos. É meu primeiro namorado. A gente… a gente quer se casar. Mas ele é muito religioso. Não deixa eu morar com ele antes do casamento. E eu… eu quero chegar virgem no altar. Sempre quis. Jaqueline sentiu um arrepio gostoso na espinha, mas manteve o rosto sereno e compreensivo. — Que fofo… — murmurou. — E como você está se virando sozinha? Aluguel, contas… A ruivinha baixou ainda mais a cabeça. — Está difícil. Meus pais ajudavam um pouco, mas agora não conseguem mais. Eu precisei desse emprego. Era… era minha última esperança. Se eu perder, não sei o que faço. Ali. Jaqueline encontrou exatamente o que precisava. Ela pousou a mão delicada sobre a de Camila, acariciando os dedos frios com falsidade carinhosa. — Então você precisa muito desse trabalho, né? Precisa fazer de tudo para se manter aqui. Eu entendo perfeitamente. E por isso mesmo eu vou te ajudar. Vou te ensinar tudo o que é necessário para você agradar os chefes e garantir sua vaga. Pode confiar em mim. Camila ergueu os olhos cheios de gratidão e alívio. — Sério? Você… você ia me ajudar de verdade? — Claro, linda. — Jaqueline sorriu, o olhar já calculando cada próximo passo. — A partir de hoje você me escuta, faz o que eu mandar e não questiona. Eu sei exatamente o que eles gostam. E se você for uma boa menina… eu garanto que você não vai perder o emprego. Por dentro, Jaqueline estava eufórica. Virgem. Namorado religioso. Sozinha na cidade. Desesperada por dinheiro. Sem amigos. Aquele corpo delicioso trancado atrás de uma timidez de freira e de uma moral que só precisava da pressão certa para rachar. Ela já sabia exatamente como ia fazer. Primeiro o vestuário. Depois a postura. Depois o toque. E, quando a ruivinha estivesse o bastante dependente e assustada de perder o emprego… aí sim viria o resto. Jaqueline se levantou, passou a mão de leve nos cabelos acobreados de Camila e falou com doçura quase maternal: — Agora fica aqui quietinha. Eu já volto com a primeira lição. Enquanto caminhava em direção à sala dos diretores, o sorriso dela era largo e satisfeito. O poder nunca tinha tido um gosto tão doce.
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