Jaqueline não perdeu tempo. Assim que Camila foi levada até a mesa da recepção, ela se virou e entrou direto na sala da diretoria, fechando a porta atrás de si com um clique suave. Ramos, Veiga e Silveira já estavam acomodados, como se esperassem exatamente aquela visita. Ela parou na frente da mesa grande, o vestido preto curto marcando cada curva, e falou com a voz mansa de sempre, mas os olhos afiados: — Patrão… posso saber o que está acontecendo? Essa menina… a Camila. Ela é só uma recepcionista mesmo ou tem mais alguma coisa por trás? Ramos se reclinou na cadeira, os dedos tamborilando na madeira, sorriu daquele jeito calmo e dominador que ela já conhecia bem. — Direto ao ponto, como sempre. Gosto disso em você, Jaqueline. Ele fez um gesto para que ela se aproximasse. Ela obedeceu, parando ao lado da mesa. Ramos continuou, sem pressa: — A Camila foi contratada porque o corpo dela chamou atenção. Simples assim. Mas ela é tímida demais. Travada. Não sabe se portar, não sabe se oferecer, não sabe o que a gente espera de uma mulher aqui dentro. Por isso decidimos que você vai ser a supervisora dela. Jaqueline piscou, surpresa de verdade pela primeira vez em dias. — Eu? — Você. — Ramos confirmou. — Vai treiná-la. Ensinar o básico e o avançado. Como se vestir, como se comportar, como atender os diretores… e, se for o caso, como se entregar. Você conhece o padrão que a gente exige melhor do que ninguém. Veiga, sentado ao lado, completou com um sorrisinho: — E tem mais. Se você der conta do recado… se conseguir transformar essa ruivinha certinha em algo útil e gostoso para a empresa… aí sim. Aí você ganha o direito de mandar nela. Do jeito que quiser. Horário, roupa, postura, e o que mais a sua cabecinha inventar. Silveira riu baixo. — Lembra do pedido que você fez ontem por mensagem, Jaqueline? Sobre querer mandar em alguém? Pois é. A gente resolveu te dar a chance. Mas nada de homens, uma mulher e só se você provar que consegue. Jaqueline sentiu um calor subir pelo peito. Não era só excitação. Era poder. Aquele pedido que ela tinha feito na noite anterior, ainda trêmula e gozada, agora voltava para ela de uma forma inesperada e deliciosa. Camila, a menina tímida de pele alva e cabelos de fogo, seria o primeiro brinquedo oficialmente sob seu comando… se ela quisesse. Ela passou a língua nos lábios, o sorriso lento e safado se formando. — Entendi perfeitamente, patrões. Vou treinar ela com o maior carinho… e a maior exigência. E quando eu achar que está pronta, vocês me avisam se posso começar a mandar de verdade. Ramos ergueu a taça de uísque em um brinde informal. — Exato. Agora sai e começa o trabalho. A Camila já está na recepção, toda perdida. Vai lá, supervisora. Jaqueline saiu da sala com o coração batendo mais forte. No corredor, antes de chegar até a ruivinha, parou um segundo e se olhou no reflexo da porta de vidro. O sorriso que viu no próprio rosto era de desejo, tesão, emoção, era um sorriso de pura satisfação. Poder. Controle. E uma novinha tímida para moldar do jeito que quisesse. O dia, de repente, tinha ficado ainda mais interessante.
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