Durante aquela semana inteira, Jaqueline trabalhou fino. Todos os dias chegava sorridente, puxava cadeira perto de Camila e conversava como se fossem amigas de longa data. Falava baixo, com carinho, elogiava o cabelo ruivo, as sardas, o jeito quieto. Camila, sozinha na cidade e desesperada para se manter no emprego, se apegou rápido. Em poucos dias já via Jaqueline como a única pessoa que realmente queria seu bem dentro daquele prédio. Mas por baixo da doçura, Jaqueline nunca parava de plantar medo. — Cuidado com a postura, Camila… o Sr. Ramos comentou ontem que estava de olho em você. — Ontem o Veiga perguntou se você já estava se adaptando. Eles reparam em tudo, viu? — Se você não mostrar mais disposição, eles podem achar que você não serve. E aí… Cada frase era dita com um sorrisinho preocupado, uma mão leve no ombro, um olhar de quem só queria ajudar. Camila empalidecia, mordia o lábio, balançava a cabeça com aflição. E Jaqueline sentia um prazer frio e delicioso subindo pela barriga cada vez que via aquele medo nos olhos verdes da ruivinha. Ela fazia questão de repetir, quase todos os dias: — Você precisa muito desse emprego, né? Sozinha, sem os pais, com o namorado que não te ajuda… não pode perder essa chance. Eu estou aqui para te proteger, mas você tem que me escutar. Camila sempre respondia baixo, quase um sussurro agradecido: — Eu escuto… eu faço o que você mandar. Só não quero ser mandada embora. À noite, em casa, Jaqueline se esparramava no colo de André e contava tudo com detalhes exagerados, a voz embriagada de poder e excitação. — Hoje ela quase chorou quando eu falei que o Ramos estava de olho, amor. Ficou branca, a voz tremendo. Eu tive vontade de beijar aquela carinha assustada ali mesmo. Ela me vê como amiga… a única amiga. E eu vou usar isso até o fim. Semana que vem eu começo de verdade. Vou mudar a roupa dela, a postura, o jeito de falar… e depois, quando ela estiver bem dependente, aí eu mostro o que a empresa realmente espera de uma mulher bonita. André a fodia enquanto ela falava, e Jaqueline gemia misturando prazer e vaidade, já imaginando o momento em que a freirinha ruiva quebraria. Na segunda-feira seguinte, assim que chegou ao escritório, Jaqueline olhou para Camila sentada retinha na recepção, ainda de blusa fechada e saia longa, e sentiu que o momento tinha chegado. Ela se aproximou devagar, o sorriso doce e decidido no rosto, e falou baixo, só para a ruivinha ouvir: — Camila… a partir de hoje a gente começa o treinamento de verdade. Você confia em mim, né? A jovem ergueu os olhos cheios de gratidão e medo misturados. — Confio… você é a única que me ajuda. Jaqueline passou a mão de leve nos cabelos acobreados, sentindo o corpo da outra tremer de leve. — Então prepara o coração, linda. Porque a partir de agora… você vai fazer exatamente o que eu mandar.
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