Jaqueline não esperou o final da manhã. Assim que os diretores saíram para uma reunião no andar de baixo, ela se aproximou da mesa de Camila, o sorriso doce ainda no rosto, mas os olhos já diferentes. — Vem comigo. Agora. Camila levantou na hora, assustada com o tom. Jaqueline a guiou pelo corredor até o pequeno vestiário dos funcionários, no fundo do andar. Entrou, trancou a porta e se virou para a ruivinha. — Tira a roupa. Tudo. Camila piscou, a boca se abrindo num “o quê?” sem som. As mãos foram automaticamente para o próprio peito, como se já quisesse se proteger. — T-tirar… aqui? Mas… Jaqueline deu um passo à frente, a voz mudando de uma hora para outra. O tom doce desapareceu. Ficou áspero, baixo e cortante. — Eu não estou pedindo. Estou mandando. Tira. Agora. Faz o que eu falo. A ruivinha tremeu. Os olhos encheram de água na mesma hora, mas as mãos hesitantes foram até os botões da blusa social. Um por um. A blusa caiu. Depois a saia longa. Depois a calcinha de algodão e o sutiã reforçado. Em menos de um minuto Camila estava completamente nua no meio do vestiário, os braços cruzados tentando cobrir os seios fartos e a mão direita descendo para esconder o sexo. Jaqueline andou em volta dela devagar, como quem inspeciona uma mercadoria. A pele alva cheia de sardas, os seios pesados, a cintura fina, a bunda redonda, o monte de vênus ainda com pelos claros. Deliciosa. E morta de vergonha. — Tira as mãos da frente — ordenou, a voz dura. — Eu quero ver tudo. Camila obedeceu aos poucos, as lágrimas escorrendo sem fazer barulho. Ficou com os braços caídos, o corpo inteiro exposto, tremendo. Jaqueline parou na frente dela e falou sem nenhuma doçura: — Essas roupas que você usa não servem para este lugar. Parece freira. Parece que está com medo de ser mulher. Aqui dentro os homens esperam outra coisa. Eles esperam que uma funcionária bonita se mostre. Que ande de forma convidativa. Que não tenha pudor. Você quer manter o emprego? Então vai aprender a se vestir e a se comportar do jeito que eles gostam. Camila engoliu em seco, a voz embargada: — Eu… eu preciso do emprego… de verdade… — Eu sei que precisa. — Jaqueline se aproximou mais, quase colando o corpo no dela. — Por isso você vai fazer exatamente o que eu mandar a partir de agora. Sem choro, sem pergunta, sem vergonha. Se eu falar para tirar a roupa, tira. Se eu falar para se vestir de determinada forma, se veste. Se eu falar para sorrir e mostrar o corpo, você mostra. Entendeu? A ruivinha só conseguiu balançar a cabeça, as lágrimas caindo no chão do vestiário. Jaqueline sorriu, satisfeita, e passou a mão de leve no cabelo acobreado da outra, num gesto falso de carinho. — Bom. Agora fica aí parada enquanto eu escolho a primeira roupa nova para você. E não se cubra de novo. Eu quero que você se acostume a ser vista. Enquanto abria a pequena bolsa que tinha trazido com algumas peças prestadas do próprio guarda-roupa, Jaqueline sentia o coração bater forte de prazer. A freirinha estava nua, chorando baixinho e completamente sob seu comando. O treinamento tinha oficialmente começado.
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