Meu nome é Gustavo e está é a minha história.
O sol da tarde de sábado batia forte no campo do poliesportivo do bairro, aquele campinho onde o futebol de fim de semana reunia todo mundo. Eu, Gustavo, jovem, corpo magro deveria me exercitar, mas confesso ser sedentário, cabelo castanho claro, olhos castanhos, 1,73 de altura, com 19 anos, estava ali como sempre: câmera na mão, posicionado na lateral, atrás do gol. Eu não jogava. Nunca joguei de verdade. Meu lugar era esse, registrando os lances, os gols, os rostos suados, os momentos que renderia muita resenha depois.
Mas hoje eu mal conseguia focar na lente. Meu coração disparava toda vez que Luiz Felipe pegava na bola. Ele estava no time vermelho, o mesmo do meu irmão Edu. Cada clique do obturador era uma desculpa para enquadrá-lo mais uma vez. O uniforme colava no corpo dele como uma segunda pele, o tecido branco do short quase transparente de tanto suor, delineando cada músculo de suas grossas coxas e glúteos que ele construiu com tanto cuidado na academia. Os cabelos castanhos encaracolados grudavam na testa, pingando gotas que escorriam pelo pescoço moreno claro até desaparecer dentro da gola em v da camisa vermelha do uniforme. Os olhos mel de Luiz Felipe brilhavam quando ele corria, concentrado, poderoso, perfeito.
Eu tentava disfarçar, ajustava o zoom, clicava fotos de todo mundo, mas inevitavelmente voltava pra ele. Um clique no drible, outro no passe, outro só no sorriso rápido que ele deu pro companheiro depois de uma tabela.
Do outro lado do campo, meu irmão Eduardo, o macho alfa da família, gritava como sempre. Camisa vermelha do uniforme, escolhida devido a paixão pelo Flamengo, short branco apertado mostrando as coxas grossas de quem levanta peso todo dia. Loiro suado, cavanhaque molhado, ele corria como um touro, mas o time dele estava levando uma surra de 4 a 2. E quando Edu fica puto, o mundo sente.
_ Porra, Romário, acorda, viado! Tá dançando balé aí no meio-campo?
Berrou Edu para o companheiro de time e melhor amigo, mas isso nunca importava para Edu. Romário respondeu com um gesto de dedo médio, mas Edu continuou:
_ Se continuar jogando que nem bichinha assustada, a gente vai perder feio, caralho!
Romário entrou na pilha, criticando Breno que caiu ao receber uma entrada mais bruta do time adversario:
_ É isso aí, Du! Esses frescos aí do nosso time não aguentam uma entrada de homem!
Mas Breno nervoso, levantou rápido balançando os braços e gritando:
_ Juiz, ô juiz filho da puta, tá vendo isso e não marca nada?
Os xingamentos voavam pesados, homofóbicos, cruéis, sem filtro. “Bicha”, “viadinho”, “frutinha”, tudo misturado com “preguiçoso”, “moleque”, “sem vergonha”. Nem os adversários escapavam, muito menos os próprios companheiros. Edu e Romário eram assim: competitivos até o osso, incapazes de perder sem culpar alguém — de preferência com as palavras mais baixas possíveis.
Eu sentia cada palavra como uma facada. Não era só porque eu era gay — e ninguém sabia, nem eu mesmo eu admitia em voz alta ainda —, mas porque aquelas palavras eram sobre mim. Sobre o que eu sentia quando olhava para Luiz Felipe. Sobre o desejo que queimava no meu peito toda vez que ele passava perto, o cheiro de suor masculino me invadindo.
Manu, minha cunhada Maria Eduarda, estava sentada ao meu lado no banco improvisado de madeira. Short jeans curtinho, top branco, pernas bronzeadas cruzadas. Ela era linda, minha amiga desde criança, namorada do meu irmão há dois anos. Percebeu meu silêncio, o jeito que eu apertava a câmera com força demais.
_ Ei, Tavinho… - Ela pôs a mão no meu ombro, voz baixa, carinhosa. - Não liga pro seu irmão, tá? Ele fica assim quando tá perdendo. É burro, fala merda, mas é só raiva do jogo.”
Eu forcei um sorriso. Será que a Manu percebeu algo? Sera que alem dela mais alguem percebeu? Mas antes que esses pensamentos pudessem me atormentar mais meus olhos voltaram imediatamente para o campo. Luiz Felipe acabara de receber a bola na ponta esquerda. Ele driblou um, dois, o corpo girando com graça atlética, músculos das costas se contraindo sob o tecido molhado. O short subiu um pouco na coxa, revelando a curva perfeita da nádega. Meu coração disparou. Quis estar lá, perto, sentindo aquele calor, aquele corpo contra o meu.
Quando finalmente Luiz Felipe chutou forte marcando mais um gol, ergueu os braços e o uniforme subiu um pouco, revelando a linha dura do abdômen, o V que descia para dentro do short enquanto era abraçado e erguido por meu irmão e Romario... Eu vendo aquela cena, sentia a boca secar. Apontei minha câmera e capturando cada detalhe sem perder um segundo nem parei para respirar. Só depois me dei conta que o calor que subia pelo meu corpo magro, vestido com uma camiseta azul clara e um short bege não era suficiente para disfarçar minha excitação o que tentei disfarçar.
_ Ele é lindo, né?
Manu sussurrou de repente, me pegando no flagra. Eu congelei. Ela sorriu de canto, sem julgamento.
_ O Lance realmente foi e peguei tudinho.
Disse tentando em vão disfarçar.
_ O Luiz Felipe. Dá pra ver que você não tira os olhos dele.”
Eu engoli em seco, o rosto pegando fogo.
_ Eu... só tô fotografando o jogo todo, Manu.
_ Sei.
Ela riu baixinho, apertando meu ombro.
_ Relaxa, Gusta. Seu segredo tá seguro comigo. E olha... ele também te olha às vezes, sabia?
Meu coração quase parou. Olhei para o campo no exato momento em que Luiz Felipe marcou o terceiro gol do time dele. Ele correu para a lateral, comemorando, e por um segundo — juro — os olhos mel dele encontraram os meus. Ele sorriu. Um sorriso doce, educado, mas com algo mais ali, algo que fez meu corpo inteiro reagir.
Cada vez que Luiz Felipe corria, o tecido molhado de suor marcando cada contorno do corpo que eu sonhava tocar há meses. Quando ele parava para respirar, mãos nos joelhos, o peito subia e descia rápido, o uniforme colado nos peitorais duros, os mamilos marcados sob o pano fino. Eu sentia um aperto no meu peito, uma pulsação insistente que me obrigava a cruzar as pernas disfarçadamente, rezando para que ninguém notasse o volume crescendo no meu short bege claro.
Mesmo com o gol de Luiz Felipe o placar ainda era desfavorável e marcava 4 a 3 pros Azuis. E isso estava deixando Edu e Romário completamente fora de si, pois logo apos o gol o time adversario em uma arrancada quase fez mais um gol o que fez Edu gritar:
_ Porra, time de bichona! Acorda, caralho!
Edu, meu irmão mais velho, sempre foi assim: competitivo até o osso. E Romário, o amigo dele de infância, era o espelho perfeito. Os dois jogavam no ataque do time Vermelho e não aceitavam perder nem uma pelada de bairro.
_ Porra, viado! Tu corre ou finge que tá correndo?!” Edu gritou pro lateral esquerdo do próprio time, que tinha perdido uma bola fácil na defesa. O garoto, um moleque de uns 18 anos, só abaixou a cabeça e voltou correndo.
Romário não ficava atrás.
_ Ô bicha mole! Se não vai marcar direito, vai pra casa bordar, caralho!
Berrou pro volante, que tinha deixado o atacante adversário passar livre. O juiz, um tiozinho do bairro que apitava de favor, levou uma também:
_ Ô seu veado velho, isso aí foi falta clara, tá cego ou tá se fazendo?!
Nessa quase que meu irmão foi expulso levando um cartão amarelo do Juiz.
Autor: Mrpr2