Quando o amor incomoda - 6

Olá a todos aqui é o Gustavo e como eu estava contando, eu fui convidado para o churrasco na casa dos novos vizinhos. De início eu não queria ir, mas decidi que não podia ficar ali parado, assistindo de longe como um idiota. Meu corpo ainda doía um pouco, mas o ciúme que apertava no peito era pior que qualquer torção muscular. "Só vou dar uma passada rápida", pensei, enquanto vestia uma camiseta velha e um short. Não queria parecer que estava me arrumando para impressionar ninguém, especialmente não o Luiz Felipe. Meu irmão Edu já me zoava o suficiente por ser "fresco", imagine se ele percebesse que eu estava de olho no amigo dele? Não, eu tinha que disfarçar. Ser o Gustavo de sempre: o irmão mais novo, o cara quieto que só observa.
Cruzei a rua em direção à casa alugada, onde o cheiro de carvão já se misturava com o barulho de risadas e latas de cerveja sendo abertas. O quintal era pequeno, mas cabia todo mundo: Romário virando a carne na churrasqueira de roda de caminhão, Brian tentando ajudar com gestos exagerados, e Miguel distribuindo copos descartáveis. Luiz Felipe estava lá dentro, na sala, ajudando a montar uma estante com o japonês baixinho Kenji, pelo que eu ouvi alguém dizer. Eles riam de algo, e o jeito como Luiz inclinava a cabeça para explicar uma peça me fez parar na porta por um segundo. "Calma, Gustavo, é só uma ajuda na mudança", me convenci. Mas por que ele tinha que sorrir tanto? Aquele sorriso branco perfeito, seus olhos mel brilhavam como um farol e aqueles músculos… nossa! Porque ele estava sem camisa?
Entrei tentando parecer casual.
_ E aí, galera? Vim ver se precisam de mais uma mão.
Edu, que acabara de chegar com Manu e Miguel com as sacolas de carne do açougue, me viu e deu um tapa nas minhas costas.
_ Olha o Tavinho aí! Achou que ia escapar do churrasco, né?
_ Kenji, vem cá, ajuda a arrumar as cadeiras, onde foi que colocamos?
Miguel Chamou Kenji que deixou Luiz Felipe montando a estante e aproveitei para ir ajuda lo já que seu braço estava machucado.
_ Vou levar a carne para a churrasqueira.
Manu sorriu para mim, toda carinhosa como sempre, e deu um beijo no rosto do Edu. Eles eram assim: grudados, se olhando com aqueles olhos de quem tá no auge do namoro.
_ Vem dançar comigo depois, Edu?
Manu pediu, e ele já a puxou para um abraço, sussurrando algo no ouvido dela que a fez rir.
Enquanto isso, notei os três novos vizinhos trocando olhares rápidos. Miguel pigarreou e chamou Brian e Kenji para um canto da sala, longe dos outros. Eu fingi que estava arrumando uma caixa, mas ouvi pedaços da conversa baixinho.
_ Galera, a gente combina: aqui no bairro, somos só roommates, tá? Amigos morando juntos pra dividir aluguel. Nada de trisal, nada de beijos em público. Meu primo Romário é daqueles conservadores, vai ficar no pé se souber.
Brian assentiu, com seu sotaque engraçado:
_ Yes, roommates! Like in the movies.
Kenji, mais quieto, só mordiscou o lábio e concordou com a cabeça, parecendo aliviado.
_ Tá bom, mas e se perguntarem por que viemos juntos? Como nos conhecemos? Essas coisas?
Miguel deu de ombros:
_ Diz que a gente se conheceu na Inglaterra, trabalhando. Simples assim. Qualquer coisa muda de assunto vai pegar algo ou vai ao banheiro.
Romário, do lado de fora, não parecia convencido da história que seu primo havia lhe contado e desconfiado, ele cutucava a carne com o garfo, olhando de canto de olho para Miguel.
_ Primo, esses teus amigos... sei não, hein? O loiro aí parece daqueles gringos que vêm pro Brasil atrás de aventura. E o japonês? Tímido demais, fica olhando pros cantos como se escondesse algo.
Miguel riu forçado:
_ Ah, para com isso, Romário. São gente boa, só isso. Brian é da Inglaterra, Kenji é brasileiro filho de japonesa... a gente se trombou lá fora e resolveu voltar juntos. Economia, sabe?
Romário resmungou algo, mas não insistiu, pelo menos não na frente de todo mundo. Eu via nos olhos dele que a desconfiança tava plantada, especialmente com Miguel, que ele conhecia desde moleque.
O churrasco pegou fogo rapidinho. A carne chiava na grelha, as cervejas geladas e o refrigerante para os que não bebiam álcool circulavam. Manu ligou uma playlist de sertanejo e funk no celular dela. Ela e Edu eram o centro das atenções: dançando coladinhos, ele a girando no ar, os dois rindo e se beijando entre um passo e outro.
_ Vem cá, amor, me mostra aquele passinho novo!
Edu pedia, e Manu ensinava com paciência, os corpos se movendo no ritmo. Era bonito de ver, tipo um casal de comercial de TV. Eu sorria por fora, mas por dentro invejava um pouco, não o romance deles, mas a liberdade de serem assim, sem medo.
Então, Edu chamou os outros para entrar na dança.
_ Vem, Brian! Vamos te ensinar a dançar como brasileiro de verdade!
Miguel e Romário se juntaram, rindo do gringo que tropeçava nos pés.
_ Olha, assim: um pra frente, dois pro lado, gira!
Explicava Edu, demonstrando uma coreografia simples de funk. Brian tentava imitar, os braços musculosos balançando desajeitados, e todo mundo caía na gargalhada.
_ No, no! Like this? Ah, shit, difficult!
Romário, apesar da desconfiança, entrou na brincadeira:
_ Primo, ajuda aí! Ensina pro teu roommate.
Miguel ria, corrigindo os passos de Brian com toques leves nos ombros, nada que desse na vista, mas o suficiente pra Romário franzir a testa de novo.
_ Já sei porque o gringo não está conseguindo, falta motivação, tem problema se eu chamar umas amigas primo?
_ Por mim não, mas acho que a comida não será suficiente.
Respondeu Miguel.
Relaxa, vou resolver o problema.
Disse Romário pegando o celular e fazendo algumas ligações.
Kenji, por outro lado, ficou mais afastado, sentado numa cadeira com um copo de refrigerante na mão, só observando. Ele era tímido mesmo, os olhos pretos desviando quando alguém olhava direto. Luiz Felipe, que tinha terminado de montar a estante, se aproximou dele com um prato de carne.
_ E aí, Kenji? Não vai dançar não? Esses passinhos aí parecem até golpe de jiu-jitsu, ó: esse giro aqui é tipo uma queda lateral. Manja de luta?
Kenji ergueu as sobrancelhas, surpreso, e sorriu pela primeira vez de verdade.
_ Sério? Eu fiz um pouco de karatê e Muay thai no Japão, quando morei lá... mas jiu-jitsu? Nunca tentei.
Luiz se animou:
_ Ah, então você entende de luta! Olha, esse passo aqui:
Ele demonstrou devagar, imitando um movimento de grapling, e Kenji riu, imitando de volta com gestos tímidos.
_ É isso aí, você aprende rápido.
_ Acho que é o professor que explica bem.
Eu tava do outro lado do quintal, fingindo ajudar Romário na churrasqueira, mas não tirava os olhos deles. Cada riso de Kenji, cada gesto amigável de Luiz, fazia meu estômago revirar. "Por que ele tá rindo tanto? É só uma conversa boba de luta", pensei, apertando o garfo com mais força que o necessário. Edu passou por mim e deu um empurrão de brincadeira:
_ Ei, Tavinho, tá com cara de quem comeu e não gostou. Relaxa, cara! Pega uma cerveja e vem dançar.
_ Você sabe muito bem que eu não bebo cerveja Edu.
_ Eita mal humor do cão.
Disse rindo Romário.
_ Aí tá vendo? Depois reclama quando eu falo que você é frouxo, tá vendo algum homem tomando refrigerante aqui? Até a Manu tá bebendo cerveja. Aquele seu “amiguinho” te mudou mesmo hem?
Eu forcei um sorriso e sai de perto:
_ Tô bem, irmão. Só... cansado do corpo dolorido ainda, valeu por se preocupar.
Mas por dentro, raiva do meu irmão e o ciúme queimava. Luiz nunca tinha conversado assim comigo, com esses gestos, esses risos. E agora, com um cara novo que mal conhecia? Eu me sentia invisível, e pior: tinha que esconder tudo, porque se Edu percebesse... aí sim seria o fim.
A tarde seguiu assim, com dança, carne e cerveja.
Milena surgiu do nada, ou melhor convidada por Romário com mais três piriguetes de roupa curta e provocantes ao menos trouxeram carne, linguiça e um feijão tropeiro a mãe de uma delas tinha um self service.
Manu deu logo um beliscão em Edu, mas logo se resolveram e voltaram a dançar sem parar, um casal perfeito no meio da bagunça. Brian aprendia os passos aos trancos e barrancos agora com duas prost… quer dizer professoras animadas, Romário ficava cada vez mais desconfiado do primo, mas agora tinha outra distração Pamela. Já Kenji e Luiz continuavam conversando sobre lutas, viagens e sei lá mais o quê, porém agora tinha mais uma para disputar sua atenção, a rainha das piriguetes Milena. Eu? Eu só observava, disfarçando o ciúme atrás de um copo de refrigerante, torcendo pra que ninguém notasse o quanto aquilo me doía. Mas no fundo, eu sabia: esse crush por Luiz tava virando algo maior, e esconder isso em uma cidade pequena como Serra Verde ia ser um desafio e tanto.
O sol batia forte, o suor escorria pelos corpos, e o ar estava carregado de cheiro de carne assando, cerveja gelada e algo mais...
Eu tinha acabado de me afastar do Romário e do Edu, com aquela zoação idiota sobre eu tomar refrigerante. Meu copo gelado na mão era a única coisa que me mantinha no controle, porque, do outro lado do quintal, Luiz Felipe sem camisa, suado, os músculos do peito e da barriga brilhando com o sol estava cada vez mais perto do Kenji. Aquele japonês da shopee magro, de pele clara e lisa, olhos pretos que pareciam esconder segredos e ao mesmo tempo com um ar quase provocante. Ele ria baixinho piadas e demonstrações de Luiz e as reproduzia, e quando Luiz encostava a mão no ombro dele pra corrigir um "golpe", eu sentia um calor subir pelo meu pescoço. Não era raiva só... era tesão misturado com ciúme puro. Eu imaginava aquelas mãos fortes no meu corpo, em vez de no dele. Imaginava o suor de Luiz pingando na minha pele o calor dele...
_ Mostra de novo, devagar...
Kenji pediu, com aquela voz baixa, quase um sussurro, mordendo o lábio inferior de novo. Luiz sorriu, aquele sorriso perfeito que eu conhecia tão bem de tanto que já tinha fotografado. Meu crush secreto aproximou mais, o corpo quase colando no novo vizinho. Ele pegou no braço magro de Kenji, guiando o movimento.
_ Assim, ó... gira o quadril, desce o peso... sente a força aqui na coxa.
Luiz apertou de leve a coxa de Kenji por cima do short fino, e eu juro que vi o japonês arrepiar, os olhos semicerrando por um segundo. Meu pau deu um pulo dentro do short. Eu cerrei o punho e virei o rosto rápido, fingindo olhar a churrasqueira, mas meu coração batia descontrolado.
Enquanto isso, o churrasco tinha virado uma festa de verdade. Romário, o safado, tinha chamado as amigas Milena, Pamela e mais duas que eu nem sei o nome, todas de shortinho jeans rasgado, top apertado, corpos bronzeados e suados dançando no ritmo do funk. Elas trouxeram mais carne, linguiça grossa e um feijão tropeiro que cheirava deliciosamente. Milena logo grudou em Luiz, rebolando na frente dele, os peitos quase pulando do decote.
_ Vem dançar, Luizão gostoso! Mostra pra gente esse rebolado de lutador!
Ela ria alto, passando a mão no abdômen definido dele fingindo ser parte da coreografia ou descuido, traçando os gominhos com a unha pintada de vermelho. Luiz ria, mas não tirava, deixava ela encostar, o corpo respondendo ao ritmo. Kenji observava de canto, um sorriso discreto, mas eu via o ciúme algo nele também, sutil, nos olhos que acompanhavam cada toque, cada movimento ou será que eu já estava enlouquecendo?
Miguel se aproximou de Kenji disse algo no ouvido do novato e os dois foram para outro lugar enquanto eu fui descontar minha frustração e ciúmes na comida preparando um pratão com carne, linguiça, vinagrete e feijão tropeiro.
Manu, ciumenta que só, deu outro beliscão forte na cintura do Edu.
_ Tá olhando o quê, hein, namorado?
_ Naaaaada, aí sua louca. Eu não estou fazendo nada mulher, eu hem!
_ Você não se faz que eu não sou cega, mas você vai ficar se não parar de olhar para aquelas piranhas.
_ Hooooo meu amor não estou olhando pra ninguém não minha deusa, só tenho olhos para você!
Disse Edu agarrando e beijando Manu.
Um forró começa a tocar Edu puxa a namorada pela cintura, colou o corpo suado no dela, e os dois começaram a dançar bem agarradinho. Ele com a mão na curva da bunda dela, apertando possessivo, ela rebolando devagar contra o volume que já crescia na bermuda dele. Os beijos vinham quentes, língua, mordidas no pescoço, sussurros safados que faziam ela rir e gemer baixinho. Todo mundo via, mas ninguém ligava, era o tipo de casal que deixava o ar mais pesado, mais carregado de tesão.
Brian, o gringo loiro e peludo, animadíssimo de cerveja se divertia com suas novas amigas "professoras" de dança. Pamela na frente, rebolando o bundão contra a virilha dele, e a outra por trás, ensinando os passos com as mãos nos quadris largos dele.
_ That's it, baby... move your hips like this...
Brian gemia em inglês, o peito peludo suado roçando nas costas dela, o pau marcando claramente no short esportivo. Miguel observava de longe, disfarçando, mas eu via ele mordendo o lábio, ajustando o volume na calça discretamente. Romário, distraído com Milena, não agora ele tinha mudado pra Pamela, ria alto e bebia.
_ Esses gringos são tudo safado mesmo, hein?
Comentava, mas logo voltava a apertar a cintura da menina.
Eu fiquei ali, encostado na parede, comendo e bebendo meu refrigerante. O short apertando porque, apesar do ciúme, eu não conseguia parar de olhar pro Luiz. Ele agora dançava com Milena, mas os olhos dele... às vezes cruzavam com os meus. Um segundo só, mas suficiente pra eu sentir um choque. Ele sorriu de canto, como se soubesse. Como se estivesse provocando. Kenji se levantou devagar, se aproximou deles, e Luiz estendeu a mão pra ele entrar na roda. Os três ali, corpos suados, quadris se movendo no ritmo, Milena no meio rindo e rebolando pros dois lados.
Para minha surpresa Luiz apareceu em minha frente com aquele sorriso lindo, eu respirei fundo, o coração acelerado.
_ Porque não está se divertindo?
Pegou o prato já sem nada dentro e o copo das minhas mãos colocou sobre a mesa e me puxou para a pista, todos gritaram um funk tocou e dançamos e tudo sumiu, meus medos, ciúmes preocupações.
Naquele momento eu só queria dançar, rir, encostar naquele corpo sem camisa, sentir o calor, o suor, o cheiro de homem que o Luiz exalava.
A tarde tava só começando, e o calor... ah, o calor tava subindo pra caralho. Serra Verde nunca tinha sido tão quente

Autor: Mrpr2

Foto 1 do Conto erotico: Quando o amor incomoda - 6


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Quando o amor incomoda - 6

Codigo do conto:
251429

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
08/01/2026

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