Eu Gustavo estava no meio do campo, meu irmão Edu passa a bola para mim e eu disparo em direção ao gol, Romário com o uniforme preto colado no corpo suado, os músculos definidos marcando cada movimento. Ele tentou me fechar, mas eu com uma habilidade digna de jogador profissional levantei a bola com a ponta do pé num chapéu perfeito, passando por cima dele dominando a bola do outro lado. Driblo mais quatro jogadores sendo o último o Kenji que quase me rouba a bola, com seu corpo esguio, o que lhe dava mais agilidade, mas eu consigo desviar chuto forte e marco. Gooooooolllllll a arquibancada vai ao delírio. Manu grita e vibra ao lado do campo, meu irmão se ajoelha no chão vibrando com os braços no ar e Luiz Felipe vem correndo ao meu encontro, seus olhos mel brilhando, seu corpo suado com seu uniforme branco quase transparente, me abraça com seus braços fortes e como se eu não pesasse nada me ergue do chão.
Estou tão feliz, tão alegre. Meu corpo inteiro colado no dele, senti cada músculo, cada gota de suor, o volume evidente da sua excitação pressionando minha coxa. Luiz Felipe vai me abaixando e eu como se estivesse em câmera lenta vou descendo encarando aqueles olhos lindos, seu sorriso, seus lábios entreabertos, o hálito quente, o cheiro de homem, grama e vitória. Então ele me beija. Que beijo bom, quente, molhado, faminto cheio de desejo. Sua língua invadindo minha boca sem pedir licença, chupando minha língua como se quisesse me devorar inteiro. Suas mãos grandes apertavam minha nuca, minha cintura, descendo até agarrar minha bunda com força, me puxando mais contra ele. Eu gemia dentro da boca dele, o pau endurecendo dolorosamente dentro do short.
Mas então me dei conta do que estava acontecendo e o afasto rápido.
_ Aqui não, meu irmão Eduardo!
Digo empurrando Luiz Felipe com as duas mãos em seu peito. Luiz Felipe riu baixo, rouco, aquele riso que fazia amolecer.
_ Que irmão, Tavinho? Olha em volta, só estamos nós dois aqui. Todos já foram embora, fique tranquilo — ele encostou a boca no meu ouvido, voz grave e molhada e completou — Meu amor.
_ Amor?
È isso mesmo que eu estou ouvindo o Luiz Felipe está me chamando de “meu amor”? Olho para os lados e estamos dentro do vestiário do poliesportivo sozinhos. Luiz Felipe e eu sem camisa.
Luiz Felipe me prensou contra os azulejos frios. Eu apenas fechei os olhos e me permiti sentir aqueles lábios macios percorrendo meu corpo, sua boca atacou meu pescoço, chupando com força, deixando marcas vermelhas. Desceu pelo queixo, pela clavícula, até encontrar meu peito. Quando sua língua circulou meu mamilo e depois puxou com os dentes, eu soltei um gemido alto, quase um grito. Ele sugou com vontade, alternando mordidas leves e chupadas profundas enquanto sua mão livre descia pelo meu abdômen, apertava meu pau duro por cima do tecido, massageando devagar, com pressão.
_ Eu te amo… — murmurava ele entre uma chupada e outra — eu te amo pra caralho, Gustavo… te amo muito, meu amor…
Ele me virou de costas com uma facilidade assustadora. Meu rosto contra a parede fria. Seu peito colado nas minhas costas, o pau duro pressionando entre minhas nádegas por cima do short. Ele mordeu minha orelha, lambeu o lóbulo, e falou com aquela voz rouca que parecia sair direto do fundo da alma:
_ Finalmente vou ter você!
Senti sua mão descendo pela minha cintura, entrando dentro do short, os dedos quentes envolvendo meu pau, masturbando devagar enquanto a outra mão apertava meu mamilo com força.
Mas de repente sua voz mudou, parecia… o Eduardo me chamando e um apito de fundo ficando cada vez mais alto…
_ ACORDA, GUSTAVO! PORRA, DESLIGA ESSA MERDA!
A travesseirada veio com força. O sonho se estilhaçou.
Abri os olhos atordoado, pau latejando dentro da cueca, o corpo inteiro quente e tenso. Edu estava de pé ao lado da cama, cara de quem já tinha perdido a paciência.
_ Que sono pesado do caralho é esse, mano?
_ Eu…-Bocejei - Estava sonhando, deve ter sido o remédio para dor que tomei ontem antes de dormir.
_ Sua sorte é que hoje vou pegar mais tarde na fábrica. A mãe e o pai já foram trabalhar, vai querer café?
_ Não, já estou atrasado.
Respondi conferindo a hora no celular e correndo para o banheiro escovar os dentes.
_ E com quem você estava sonhando, hem? Gemendo baixinho daquele jeito…
_ Quem eu?
_ È, você mesmo, Luiz… Luiza? Aquela amiga da Milena? Até que ela é gostosinha. O Romário estava de amasso com a Pam e a Milena só na pressão em cima do Luiz Felipe, mas ainda não entendi porque ele ainda não pegou ela.
Um misto de pavor quando Edu começou a falar o nome, mas alivio quando ele concluiu ser a tal amiga da Milena e um ciúmes enfurecido quando ele me lembrou dessa puta dando em cima do meu homem, acabei explodindo.
_ Porque ela é uma vagabunda, será?
_ Essas é que são boas, se eu não estivesse com a Manu eu pegava sem dó.
Disse Eduardo com a linha de fora, fazendo movimentos com os quadris e dando tapas no ar simulando estar transando e batendo na bunda de Milena.
_ Você é podre Edu!
_ Eu sou homem Gustavo e você abre o olho, porque se não vai acabar perdendo antes de levar.
_ Do que esta falando?
_ Do novo vizinho que chegou.
_ O Kenji?
_ Não o gringo la, o grandão, loiro. A Luiza estava toda de conversinha com ele, so porque ele é estrangeiro certeza. Aquele japa? sei não com aquele ali viu, ele tem um jeitinho…
_ Como assim?
Perguntei sem entender, terminando de vestir a camisa.
_ Nossa, mas é devagar mesmo em mano? O cara tem mó jeito de viado. o Romario esta todo desconfiado.
_ E o que o Romario tem haver com isso?
_ Ue o Miguel é primo dele, né? Ai do nada o cara volta da gringa com dois macho estrangeiro e vão morar juntos, do nada? E ao menos um deles com aquele jeitinho de fresco.
_ Mas, vocês são um bando de preconceituosos desocupados mesmo, viu?
_ Você esta falando isso por conta do seu amiguinho fresco né?
_ Não sei do que você esta falando e não vou ficar aqui ouvindo essas baboseiras. Estou indo trabalhar tchau.
Sempre fui apaixonado por fotografia. Ainda moleque, saindo da escola, passei em frente ao estúdio do Seu Oswaldo e vi o cartaz: “Procura-se auxiliar – experiência não necessária, disposição sim”. Entrei na mesma hora, coração na boca, achando que ia ser mais um “não” na lista. Seu Oswaldo me olhou de cima a baixo, coçou a barba grisalha e disse:
— Menino, você tem cara de quem vai quebrar minha câmera no primeiro dia.
Mas eu insisti, mostrei meu celular cheio de fotos que eu havia tirado foi então que ele viu meu potencial, falei dos meus sonhos. Ele riu, conversou com meus pais e, me deu a vaga. Fato que eu agradeço todo santo dia.
Trabalhar ali era um sonho acordado. Aprendi a montar cenários que pareciam capa de revista, a conversar com noiva nervosa que chorava porque o vestido apertava na barriga, a consertar luz que pifava no meio da sessão, a usar Photoshop pra transformar espinha em pele de bebê. Era outro mundo. Eu vivia babando nos equipamentos, nas lentes, na magia de capturar um instante e eternizá-lo.
Naquela manhã, cheguei mancando um pouco por causa da queda feia no Toba's bar na noite anterior
— Bom dia, Gustavo! Tá tudo bem, menino? Fiquei sabendo da briga no bar. Quase virou UFC.
— Bom dia, Seu Oswaldo. Tô inteiro, só um pouco dolorido. Caí de mau jeito tentando me proteger da briga.
— Hum… que bom que não quebrou nada. Hoje de manhã tá tranquilo, sem cliente. Pode ir editando as fotos do Caio, ele quer tudo pra tarde. Quando terminar, manda mensagem pra ele, por favor.
— Pode deixar, Seu Oswaldo. Bom dia!
Mal terminei de falar e ouvi o furacão chegando da padaria.
— OSVALDO! — berrou Valquíria da porta, segurando a sacola de pão como se fosse uma granada prestes a explodir. — Que show de comédia era esse aqui na porta agora há pouco, hein? Eu quero saber TUDO!
Seu Osvaldo levantou as mãos em rendição, já com cara de quem sabia que o dia ia ser longo.
— Show de piada? Val, não teve nada disso não, mulher. Pelo amor de Deus…
— Não vem com essa! — ela avançou dois passos, dedo em riste apontado pro peito dele como se fosse uma pistola. — Eu vi! Vi com esses olhos que a terra há de comer! Aquele cardume de piranhas liderado pela Milena acabou de sair daqui, rindo que nem hiena! O que aquelas quengas tavam fazendo na porta do MEU estúdio, Osvaldo?
— Valquíria, pelo amor… elas só passaram, pararam pra cumprimentar, educação, uai! Eu tava varrendo a calçada!
Eu, lá dentro na sala de edição, já me encolhendo na cadeira giratória, pensando: É agora que o bicho pega… e eu fingindo editar as fotos, mas estava era prestando atenção na discussão.
— Cumprimentar? — Valquíria deu uma gargalhada seca, daquelas que não têm humor nenhum. — Você acha que eu nasci ontem, Osvaldo? Acha que eu sou trouxa? Aquelas meninas de shortinho curtinho e batom vermelho não param pra “bom dia” de velho de barba branca não, meu filho! Elas querem é outra coisa!
— Meu amor, olha pra mim… — Oswaldo tentou se aproximar, voz de cordeirinho. — Umas meninas novinhas daquelas… você acha mesmo que elas iam querer um coroa que já tá quase pedindo cadeira de balanço?
— DINHEIRO, OSVALDO! — ela gritou, batendo a sacola de pão na bancada com tanta força que dois pãezinhos voaram. — QUENGA QUER DINHEIRO! Elas veem você de carro bonitinho, estúdio, casa própria, “fotógrafo famoso da cidade”… acham que você é milionário!
— Que dinheiro, mulher? Eu mal pago as contas em dia!
— Elas não sabem disso! — retrucou Valquíria, agora andando em círculos como leoa enjaulada. — Pra elas qualquer nota de vinte é fortuna! E você ainda fica aí todo sorrisinho, “oi meninas, bom dia meninas, que saudades meninas”… rirrirri, hahaha… TÁ ACHANDO GRAÇA É?
— Val, eu juro por Deus…
— NÃO JURA NADA! — ela apontou o dedo pro nariz dele, quase encostando. — Eu não quero ver você dando risadinha com piranha nenhuma na porta do MEU estabelecimento, entendeu? NENHUMA! Nem “bom dia”, nem “tchau”, nem “ah que moças simpáticas”. NADA! Tá avisado, Osvaldo. Se eu pegar você mais uma vez fazendo esse teatro de bom moço com cardume de Milena, eu boto fogo nessa vassoura e nessa barba inteira!
Seu Osvaldo abaixou a cabeça, derrotado, murmurando baixinho:
— Tá bom, meu amor… tá bom…
Valquíria bufou, jogou a sacola de pão em cima da mesa e saiu pisando duro em direção à cozinha, resmungando:
— Velho safado… acha que eu sou cega… ainda vou pegar esse coroa no pulo…
Eu, quietinho na saleta, voltei a editar as fotos, tentando não rir alto.
Autor: Mrpr2