A faculdade, que no começo parecia um sonho de liberdade, logo mostrou seus dentes. O segundo ano chegou atropelando tudo. A minha rotina na Veterinária era pesada, cheia de aulas práticas, cheiro de formol e botas sujas de lama. Mas o Direito... o Direito estava engolindo o Lucas vivo. Eram pilhas de livros com linguajar arcaico, estágios não remunerados que sugavam a alma e grupos de estudo intermináveis. Nós viramos dois estranhos que dividiam a mesma cama nos finais de semana (quando dava). O sexo, que antes era nossa religião, virou um compromisso na agenda. Era aquela "rapidinha" de domingo à noite, cansados, com a cabeça já na prova de segunda-feira. Beijo, penetração, gozo, dormir. Mecânico. Frio. Eu sentia falta do Lucas que me olhava nos olhos, do Lucas que perdia tempo explorando meu corpo. Eu me sentia ressecada, carente de toque, carente de ser vista. E para piorar, tinha a Fernanda. Ela era tudo o que eu não era naquele momento: aluna de Direito, sempre impecável com seus terninhos e scarpins, cabelo escovado e aquele perfume caro que parecia impregnar as roupas do Lucas quando eles estudavam juntos. — Clara, você tá viajando — Lucas dizia, sem tirar os olhos do Vade Mecum, quando eu reclamava. — A Fernanda é só minha dupla no TCC. Ela é gente boa. Mas eu via. Eu via o jeito que ela colocava a mão no braço dele quando ria de uma piada sem graça sobre leis. Eu via os comentários dela nas fotos dele. "Estudando com o melhor!". Aquilo me corroía. O Lucas fingia demência, ou talvez estivesse tão exausto que realmente não percebia a malícia, mas eu sou mulher. Eu sabia. Ela estava cercando. O estresse acumulado virou uma bola de neve. Eu brigava por toalha molhada, ele brigava por eu ter esquecido de comprar café. O ar na kitnet ficava pesado. Até que chegou a tarde qualquer. Uma aula minha foi cancelada de última hora. O estágio do Lucas dispensou ele mais cedo. Nos encontramos na kitnet às quatro da tarde, um horário em que o sol batia forte na janela, iluminando a poeira que flutuava no quarto. Eu cheguei estressada, pronta para reclamar da louça na pia. Lucas estava sentado na beirada da cama, com a cabeça entre as mãos, parecendo derrotado. Quando me viu, ele não disse "oi". Ele levantou, caminhou até mim e me abraçou. Não foi um abraço comum. Ele me apertou com uma força que quase machucou minhas costelas. Ele enterrou o rosto no meu pescoço e respirou fundo, como se estivesse se afogando e eu fosse o único balão de oxigênio disponível. — Eu não aguento mais, Clara — ele sussurrou contra a minha pele. — Eu tô cansado de tudo. Menos de você. Aquela frase desarmou minha raiva. A Fernanda, a louça, as provas... tudo sumiu. — Eu também, Lucas. Eu tô com saudade de você. De nós. Ele me beijou. E ali eu senti a mudança. Não havia a gentileza habitual. Havia desespero. Havia uma fome bruta. Ele mordeu meu lábio inferior, puxou meu cabelo para trás para expor minha garganta, beijando e chupando a pele ali até eu saber que ficaria marca. Ele me empurrou para a cama sem cerimônia. Não tiramos a roupa com calma. Foi um rasgar de botões e zíperes. Ele arrancou minha calça jeans com pressa, quase tropeçando, e jogou a dele longe. Quando fiquei de calcinha e sutiã na frente dele, ele me olhou com uma intensidade que eu não via há meses. — Você é minha — ele disse, e a possessividade na voz dele me fez tremer. Parecia uma resposta silenciosa à Fernanda e ao mundo lá fora. Ele arrancou minha calcinha e se jogou entre as minhas pernas. O que ele fez a seguir foi assustadoramente bom. Lucas não começou devagar. Ele abriu minhas coxas com violência e afundou o rosto na minha buceta com uma voracidade animal. — Lucas! — eu gritei, surpresa pelo contato repentino e úmido. Ele me chupou com desespero. A língua dele era firme, forte, varrendo tudo. Ele chupava meu clitóris como se quisesse extrair algum néctar dali, como se a vida dele dependesse do meu prazer. Ele usava as mãos para apertar minha bunda, cravando as unhas, me mantendo presa contra a boca dele. Era sôfrego. Era sujo. Era tudo o que eu precisava. Eu sentia a barba dele roçando na parte interna da minha coxa, arranhando, e a língua quente trabalhando sem parar. Ele gemia contra a minha pele, sons abafados de quem estava faminto. — Isso... me come... tira tudo de mim... — eu implorava, jogando a cabeça de um lado para o outro no travesseiro. Eu gozei na boca dele em tempo recorde. Foi um orgasmo convulsivo, daqueles que fazem os dedos dos pés retorcerem. Mas ele não parou. Ele nem me deu tempo de respirar. Ele subiu, o rosto molhado do meu prazer, os olhos escuros dilatados ele se posicionou. — Olha pra mim — ele mandou. Eu olhei. E vi um homem que precisava marcar território. Ele entrou com uma ferocidade que me fez arquear o corpo inteiro. Não teve preliminar de penetração. Ele estocou fundo, forte, de uma vez só. — Aaaahh! — O gemido saiu alto, rasgando o silêncio do prédio. Eu sempre me preocupei com os vizinhos. As paredes eram finas. Eu sempre mordia o travesseiro ou a mão. Mas hoje? Foda-se a Fernanda. Foda-se os vizinhos. Fodam-se as leis. Lucas me fodeu com raiva. Com paixão. Com saudade. Ele batia o quadril contra o meu com tanta força que a cabeceira da cama batia na parede num ritmo frenético. Tum-tum-tum. — Você é minha mulher, Clara! Só minha! — ele dizia entre dentes, beijando meu pescoço, mordendo meu ombro. — Sou sua! Toda sua! Me arrebenta, Lucas! A cada estocada, eu gemia mais alto. Eram gritos de libertação. Eu arranhei as costas dele, deixando trilhas vermelhas. Eu enlacei minhas pernas na cintura dele e puxei ele mais para mim, querendo que ele fundisse o osso dele no meu. A tensão dos últimos meses, o ciúme da Fernanda, o cansaço dos estudos... tudo estava sendo expurgado naquele suor, naqueles gritos, naquela fricção violenta. Lucas segurou meus pulsos e os prendeu contra o colchão. Ele olhou no fundo dos meus olhos enquanto bombeava rápido, sem piedade. — Goza pra mim. Grita meu nome. Deixa todo mundo ouvir. E eu obedeci. O segundo orgasmo veio como uma avalanche. Eu gritei o nome dele tão alto que minha garganta ardeu. — Lucas!!! Ele veio logo em seguida. Ele soltou meus pulsos, agarrou meus cabelos e enterrou o rosto na curva do meu pescoço, soltando um urro abafado enquanto o corpo dele tinha espasmos violentos dentro do meu. Ele caiu sobre mim, peso morto. Ficamos ali, imóveis, apenas com o som das nossas respirações irregulares preenchendo o quarto. O cheiro de sexo era forte, pungente. Eu sentia meu corpo latejar, dolorido e maravilhosamente vivo. Alguns minutos depois, ouvimos uma batida na parede do vizinho ao lado. Toc-toc-toc. — Eita! Haja saúde, hein vizinho? — uma voz abafada gritou, seguida de risadas. Lucas levantou o rosto do meu pescoço. Ele me olhou, o cabelo grudado na testa, e começou a rir. Eu ri junto. Rimos até a barriga doer. Ele me beijou, um selinho demorado e carinhoso, o "velho Lucas" voltando aos poucos, mas agora mais leve. — Acho que a gente precisava disso — ele disse, passando a mão no meu rosto. — É... a gente precisava — concordei. — E se a Fernanda tiver alguma dúvida de quem é a dona do pedaço, manda ela vir aqui perguntar pros vizinhos. Lucas sorriu e me abraçou forte. — Não existe Fernanda, Clara. Só existe você. Sempre foi você. Naquela tarde, a gente não resolveu todos os problemas do mundo. As provas ainda estavam lá, o cansaço ainda existia. Mas a certeza de que a nossa conexão era mais forte do que qualquer rotina ou qualquer "amiguinha" de sala... ah, essa certeza estava renovada, carimbada e assinada com suor e gritos.
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