A estrada de volta para a cidade universitária parecia mais escura e mais longa do que na ida. Descemos a serra em silêncio. Não era um silêncio ruim, longe disso. Era aquele silêncio preenchido, saturado de memórias. O cheiro do chalé — madeira queimada, pinheiros e o óleo de amêndoas que tínhamos usado na noite anterior — parecia ter impregnado o estofado do carro e as nossas roupas. Eu estava no banco do passageiro, com os pés descalços apoiados no painel (um hábito que o Lucas tinha desistido de corrigir), observando o perfil dele iluminado pelas luzes verdes do painel e pelos faróis dos carros que vinham no sentido contrário. Ele dirigia com uma mão no volante e a outra entrelaçada na minha, descansando na minha coxa. A realidade estava se aproximando a 100 km/h. Amanhã teríamos que desfazer as malas, limpar a kitnet que devia estar cheia de poeira, ver a grade de horários, comprar livros... A bolha mágica do chalé estava prestes a estourar. — Eu não quero chegar — confessei, quebrando o silêncio, apertando a mão dele. Lucas suspirou e levou minha mão à boca, beijando os nós dos meus dedos. — Nem eu, Clara. Voltar pra aquele apartamento... voltar pra rotina... parece que a gente tá saindo de Nárnia. Ele olhou para mim rápido e depois voltou os olhos para a estrada. — E se a gente adiasse a chegada um pouquinho? — ele sugeriu, e eu vi aquele brilho familiar nos olhos dele. O brilho do Lucas que tinha me fodido na frente do espelho. — Como assim? — Falta uma hora pra chegar. A estrada tá vazia nesse trecho. Tem uns recuos de terra, uns acostamentos largos perto das fazendas... Meu coração disparou. A ideia de fazer sexo no carro, na beira da estrada, era um clássico que ainda não tínhamos riscado da lista. Era perigoso. Era exposto. Era exatamente o que precisávamos para selar a viagem. — Para — eu disse. — Para agora. Lucas sorriu. Ele diminuiu a velocidade, procurando um lugar. Cerca de dois quilômetros depois, ele viu uma entrada de terra batida, um recuo largo protegido por uma fileira de eucaliptos altos que bloqueavam parcialmente a visão da rodovia, mas ainda deixavam a gente exposto aos faróis de quem passasse. Ele girou o volante e o carro saiu do asfalto para a terra e cascalho. O barulho dos pneus mudou. Crunch, crunch, crunch. O carro balançou um pouco e parou na escuridão. Ele desligou o motor. O silêncio da noite no campo nos engoliu, quebrado apenas pelo som distante de grilos e, de vez em quando, o vruuuum de um caminhão passando na rodovia lá atrás. — Tá muito escuro — sussurrei, sentindo a adrenalina subir. — Melhor assim — Lucas respondeu, tirando o cinto de segurança. Ele não esperou. Ele se inclinou sobre o console central e me beijou. O beijo tinha gosto de viagem, de café de posto e de desejo acumulado. — Vem pro banco de trás — ele murmurou contra a minha boca. A manobra foi desajeitada e divertida. Pular os bancos da frente para trás num carro sedan não é fácil, mas a gente riu enquanto eu prendia o pé no câmbio e ele batia o cotovelo na porta. Caímos no banco de trás, embolados. O espaço era apertado, mas isso só nos obrigou a ficar mais colados. — Tira a roupa? — perguntei, levando a mão à barra da minha camiseta. — Não tudo — ele segurou minha mão. — Deixa a gente meio vestido. É mais excitante. Como se a gente tivesse fugindo. Ele levantou minha camiseta até o pescoço, expondo meus seios. Eu não estava de sutiã (outra liberdade das férias que eu mantive na viagem). Os faróis de um carro que passou na rodovia iluminaram o interior do nosso carro por um segundo, fazendo meus peitos brilharem. Lucas viu e gemeu. Ele abriu o zíper da minha calça jeans e enfiou a mão. Eu estava usando uma calcinha de algodão simples, confortável para viajar. Ele não a tirou. Ele apenas a afastou para o lado, sentindo o calor úmido que já me esperava ali. — Você sempre tá pronta pra mim, né, Clara? — ele disse, acariciando meu clitóris com o polegar, enquanto a outra mão apertava meu seio. — Sempre. Só de você olhar pra mim. Ele desceu o zíper da calça dele. O som do metal descendo foi alto no silêncio do carro. Ele tirou o pau para fora, libertando-o da cueca. Estava duro, grosso, pulsando no ar abafado do veículo. — Senta em mim — ele pediu. — Eu quero ver os carros passando lá fora enquanto você cavalga em mim. Eu me ajeitei. Foi difícil por causa do teto baixo. Tive que ficar com os joelhos no banco, a cabeça abaixada, curvada sobre ele. Era uma posicao diferente, instintiva. Eu segurei o pau dele e guiei para a minha entrada. Quando desci, o aperto foi delicioso. O jeans dele roçava nas minhas coxas nuas, o tecido áspero contrastando com a pele sensível. O banco de couro sintético rangia sob nós. — Ahhh... Lucas... — gemi quando ele entrou tudo. Comecei a me mexer. O espaço limitado não me deixava quicar muito alto, então eu tinha que rebolar e esfregar. Eu moía meu quadril contra o dele. De repente, um caminhão passou na estrada. As luzes fortes varreram o carro, iluminando tudo por dois segundos. Eu paralisei por instinto, me sentindo exposta, como se o motorista do caminhão pudesse ver cada detalhe do que estávamos fazendo. Lucas percebeu meu medo e adorou. — Eles não conseguem ver nada... mas a gente vê tudo — ele sussurrou, segurando minha cintura e empurrando para cima, forçando uma estocada funda bem na hora que outro carro passou. Aquele jogo de luz e sombra, o som dos motores rasgando o silêncio lá fora e o nosso gemido abafado lá dentro criaram uma atmosfera de filme. — Me fode, Lucas... me fode antes da gente voltar a ser estudante... — eu pedi, beijando o pescoço dele, sentindo o cheiro do perfume que eu tinha dado a ele. Ele obedeceu. Ele inverteu a posição. Num movimento rápido, ele me deitou no banco de trás e ficou por cima, com uma perna minha apoiada no encosto do banco e a outra dobrada. Era desconfortável, era apertado, minha cabeça batia na porta, mas era perfeito. Ele começou a estocar com força. O carro balançava. Eu juro que o carro balançava nas suspensões. — Se a polícia parar... — ele ofegou, rindo e gemendo ao mesmo tempo, enquanto me penetrava fundo. — O que a gente fala? — A gente fala que é uma emergência médica... eu tô morrendo de tesão... Ele riu e me beijou para calar minha boca. A língua dele varreu a minha enquanto o quadril dele trabalhava incansavelmente. O atrito do jeans, o calor, a falta de ar... tudo contribuiu para um clímax rápido e explosivo. Eu senti o orgasmo chegar quando ele começou a esfregar o polegar no meu clitóris enquanto estocava. — Eu vou... eu vou... — Vai, Clara! Goza na estrada! Eu gozei, apertando os olhos, vendo flashs de luzes vermelhas e brancas dos carros passando lá fora através das minhas pálpebras fechadas. Meu corpo se arqueou no banco de trás, limitado pelo espaço, mas infinito na sensação. Lucas veio logo depois. Ele enterrou o rosto no meu peito, abafando o grito na minha camiseta embolada, e deu quatro estocadas curtas e violentas, despejando tudo dentro de mim, tremendo, colapsando em cima do meu corpo suado. Ficamos ali, no escuro do acostamento, o carro embaçado pelo vapor da nossa respiração e do nosso calor. O silêncio voltou, mas agora era o silêncio da satisfação absoluta. Lucas levantou a cabeça, me deu um beijo na ponta do nariz e sorriu. — Acho que agora a gente pode voltar. — É... agora dá pra encarar a realidade. Nos arrumamos ali mesmo, rindo da dificuldade de vestir calças jeans num espaço tão pequeno. Eu passei a mão no cabelo bagunçado, ele ajeitou a camiseta. Pulamos de volta para os bancos da frente. Lucas ligou o motor. Os faróis do nosso carro acenderam, iluminando a terra e os eucaliptos. Ele manobrou e voltamos para o asfalto. Enquanto ele acelerava, entrando na rodovia, eu deitei a cabeça no ombro dele e fechei os olhos. A faculdade estava lá, esperando. As provas, a Fernanda, o estresse, a rotina. Mas nada disso importava agora. Porque eu tinha o gosto dele na boca, o cheiro dele na pele e a certeza de que, não importava quão dura fosse a estrada, a gente sempre saberia onde parar para se reabastecer.
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