Janaina era a personificação do sol em um dia chuvoso. Seus cabelos cacheados caíam em cascata sobre os ombros, e sua pele morena brilhava sob a luz fraca da sala. Ela riscava desenhos em seu caderno, os lábios ligeiramente franzidos em concentração, e Hannah sentia um aperto no peito, um desejo que era ao mesmo tempo adoração e fome. Elas eram melhores amigas, partilhavam segredos, músicas e sonhos, mas havia um segredo que Hannah guardava só para si: o desejo de saber como seria beijar aqueles lábios, de tocar aquela pele, de descobrir o sabor de Janaina.
Naquela tarde, o desejo era uma fera roendo suas entranhas. Janaina, sentindo o peso do olhar de Hannah, virou-se e lhe deu um sorriso cúmplice, um piscar de olhos que dizia: "Estou morrendo de tédio também. Salve-me."
Foi tudo o que Hannah precisou. Ela pegou um pedaço de papel e escreveu: "Banheiro. Agora. Diga que tô passando mal." Dobrou e passou discretamente para Janaina. Janaina leu, seus olhos se arregalaram por um segundo, e então ela assentiu, um sorriso malicioso surgindo em seus cantos.
Janaina levantou a mão. "Professor Laércio, posso me retirar um momento? A Hannah não está se sentindo bem."
O professor mal olhou de seus livros. "Vá, vá. Mas voltem logo. A crise do século XVIII não vai esperar por problemas estomacais de adolescentes."
Elas saíram juntas, o coração de Hannah batendo um ritmo de fuga e antecipação. O corredor estava vazio, o silêncio era um convite. Não foram ao banheiro feminino principal, mais movimentado. Foram até o fundo, para o banheiro dos professores, que raramente era usado naquela hora. Hannah trancou a porta atrás delas.
O ambiente era diferente. Mais limpo, mais silencioso. O cheiro de desinfetante era quase doce. Hannah se virou para Janaina, e o ar entre elas ficou denso, eletrizado. Não havia mais desculpas, não havia mais aula monótona. Havia apenas elas.
"Então... você está passando mal?", perguntou Janaina, a voz um sussurro provocante.
"A pior doença de todas", respondeu Hannah, aproximando-se. "A doença do desejo."
Ela não esperou por uma resposta. Colocou as mãos no rosto de Janaina e a beijou. O primeiro beijo foi hesitante, um toque de lábios que testava o terreno. Mas então, Janaina respondeu. Suas mãos subiram pelas costas de Hannah, puxando-a para perto. O beijo se aprofundou, tornou-se mais faminto, mais urgente. Hannah sentiu o mundo girar, o sabor de Janaina – um misto de bala de hortelã e algo inconfundivelmente dela – era uma droga.
As mãos de Hannah começaram a explorar. Deslizaram pelos ombros de Janaina, descendo por seus braços, até encontrar a barra da saia. Ela a puxou para cima, seus dedos roçando a pele macia e quente das coxas. Janaina gemeu no seu ouvido, um som que fez Hannah molhar a calcinha instantaneamente.
Hannah ajoelhou-se, seus olhos fixos no emblema de Janaina em sua calcinha de renda. Era um território desconhecido, sagrado e assustador. Ela nunca tinha feito isso antes. Nunca tinha sentido o gosto de uma mulher. Mas o instinto era mais forte que o medo. Com dedos trêmulos, ela puxou a calcinha para baixo.
O perfume que a atingiu foi incrível. Não era como nada que ela havia imaginado. Era um cheiro denso, salgado, com uma doçura subterrânea que a fez sentir tontura. Era o cheiro da vida, do desejo puro. Ela viu os lábios de Janaina, já úmidos e inchados, um convite rosado.
Ela hesitou por apenas um segundo antes de se inclinar e passar a língua sobre aquele tecido. O sabor explodiu em sua boca. Era salgado, um pouco ácido, e incrivelmente íntimo. Era o sabor de Janaina. E Hannah se viciou na hora.
Com uma fome que ela não sabia que possuía, ela mergulhou. Sua língua explorou cada dobra, cada textura. Ela encontrou o clitóris de Janaina, um botão sensível que fez Janaina gemer alto e se agarrar aos seus cabelos. Hannah sugou, lambeu, aprendeu o ritmo que fazia o corpo de Janaina se contorcer.
Ela usou os dedos também, sentindo o calor úmido, a elasticidade daquele lugar. Com um dedo, depois dois, ela encontrou o ponto dentro de Janaina que a fez gritar. "Hannah... meu Deus... não para", Janaina sussurrou, as pernas tremendo.
Hannah não tinha intenção de parar. Ela estava em um transe, completamente absorvida pela tarefa de dar prazer. O mundo fora do banheiro não existia. Não havia Professor Laércio, não havia aula, não havia amanhã. Havia apenas o gosto de Janaina em sua língua, os gemidos em seus ouvidos, o prazer de possuir aquela mulher daquela forma.
O tempo se perdeu. Podiam ter sido dez minutos ou uma hora. Quando Janaina finalmente chegou ao clímax, foi com um grito abafado que ecoou no azulejo do banheiro. Seu corpo se arqueou, suas cochas apertaram a cabeça de Hannah, e uma onda de calor e sabor inundou a boca de Hannah. Ela bebeu tudo, sedenta, sentindo o poder de ter levado sua amiga àquele estado.
Quando Janaina finalmente se acalmou, Hannah se levantou, o rosto brilhando com os sucos de sua amiga. Janaina a puxou para um beijo, provando a si mesma no rosto de Hannah. "Sua vez", sussurrou ela.
Mas Hannah apenas sorriu, sacudindo a cabeça. "Agora não. Agora foi sobre você. Eu só queria... provar."
Elas se arrumaram, o silêncio confortável entre elas. Quando finalmente saíram do banheiro, o sinal tocou. A aula havia acabado. Elas voltaram para a sala de aula vazia para pegar suas coisas.
Professor Laércio estava arrumando seus papéis. Ele olhou para elas, um pouco desconfiado. "Melhor agora?", perguntou, secamente.
"Sim, professor", disse Janaina, com uma inocência tão perfeita que Hannah quase riu. "Foi só uma coisa de menina. Você sabe como é."
Enquanto caminhavam para fora da escola, o sol da tarde as aqueceu. Hannah sentiu o gosto de Janaina ainda em seus lábios, um lembrete constante do que havia acontecido. Ela olhou para sua melhor amiga e soube que nada mais seria o mesmo. Ela tinha experimentado o fruto proibido e agora estava irremediavelmente viciada. E ela sabia, com uma certeza que a assustava e a excitava, que aquela havia sido apenas a primeira de muitas aulas que elas teriam juntas.
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