Vitória nasceu nos quartos vazios da casa, quando todos saíam. Começou pequeno, experimentando os batons de Bruna, sentindo a textura cremosa nos lábios. Depois vieram as roupas. Primeiro uma blusa, depois um vestido, até que ele se sentiu completo. As roupas de Bruna não cabiam perfeitamente em seu corpo mais magro, mas nelas ele se sentia finalmente em casa.
As calcinhas foram o último passo. Ele as roubava do cesto de roupas sujas, sentindo o tecido ainda úmido contra sua pele, imaginando que estivesse tocando no lugar mais íntimo de sua irmã. Era seu segredo, seu mundo particular onde Vitória podia existir sem julgamentos.
Ele se produzia só para si mesmo, nos espelhos do banheiro, criando uma mulher que ele sabia que nunca poderia ser em público. Vitória era tudo que Vinicius não conseguia ser: livre, feminina, desejada.
Naquela tarde de sábado, a casa estava vazia. Seus pais haviam saído e Bruna estava com o namorado, Marcelo. Era a chance perfeita. Vinicius se trancou no quarto da irmã, escolheu o vestido vermelho justo que Bruna usara na festa de aniversário de sua prima. Maquiou-se com cuidado, delineando os olhos que ele sabia serem profundos e misteriosos. Quando olhou no espelho, Vitória o encarava de volta, sorrindo com confiança.
Ele não ouviu a porta da frente abrir. Não percebeu os passos no corredor. Só percebeu quando a porta do quarto se abriu e Marcelo ficou parado no umbral, olhando para ele.
"Oi", disse Marcelo, confuso. "Bruna não está?"
Vinicius congelou. O coração bateu forte em seu peito, um tambor de pânico. Marcelo não o reconheceu. Nos olhos dele, não havia Vinicius, o irmão mais novo de sua namorada. Havia uma mulher desconhecida, misteriosa, usando as roupas de Bruna.
"E-ela não está aqui", gaguejou Vinicius, tentando manter a voz suave. "Ela... saiu."
Marcelo sorriu, um sorriso lento que fez o estômago de Vinicius dar um nó. "E quem é você?"
"Sou... amiga dela", mentiu ele, sentindo o rosto queimar.
"Amiga, hein?", disse Marcelo, entrando no quarto e fechando a porta atrás de si. "Uma amiga muito bonita."
Vinicius sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Parte dele queria correr, se esconder, mas outra parte, a parte que era Vitória, ficava fascinada pelo olhar de desejo nos olhos de Marcelo.
"Você parece familiar", disse Marcelo, aproximando-se. "Tenho certeza que te vi em algum lugar."
Ele levantou a mão, tocou o rosto de Vinicius. O toque foi elétrico. Vinicius nunca tinha sido tocado assim, com desejo. Como mulher.
"Seus olhos...", disse Marcelo, os dedos traçando a linha do maxilar de Vinicius. "São tão..."
E então ele percebeu. O reconhecimento chegou de repente, nos olhos de Marcelo. A confusão deu lugar a surpresa, depois a algo mais escuro, mais intenso.
"Vinicius?", sussurrou ele.
O pânico tomou conta de Vinicius. Ele tentou se afastar, mas Marcelo o segurou pelo braço.
"Não", disse ele, a voz firme. "Não é Vinicius. É Vitória."
Vinicius olhou para ele, confuso. "O que você está dizendo?"
"Você quer ser mulher, não é?", disse Marcelo, sua voz baixa e intensa. "Você se veste como mulher, se maquia como mulher. Então vou te tratar como mulher."
Antes que Vinicius pudesse reagir, Marcelo o beijou. Foi um beijo diferente de qualquer um que ele havia imaginado. Foi um beijo de posse, de domínio. A língua de Marcelo invadiu sua boca, explorando, reivindicando.
Vinicius lutou no início, tentando se afastar, mas seu corpo traiu sua mente. Ele sentiu um calor se espalhar por suas veias, um desejo que ele nunca tinha permitido sentir. Quando Marcelo o empurrou contra a cama, ele não resistiu.
"Você quer isso, não é?", sussurrou Marcelo, suas mãos percorrendo o corpo de Vinicius. "Você quer que um homem de verdade te mostre como é ser mulher."
Vinicius não conseguiu responder. Ele apenas gemeu quando Marcelo levantou o vestido, suas mãos frias em sua pele quente.
"Calcinhas da Bruna?", disse Marcelo, um sorriso de escárnio no rosto. "Que vadia."
Ele as arrancou, o rasgo do tecido soando como uma promessa no quarto silencioso. Vinicius estava nu sob o vestido, completamente vulnerável.
"Por favor...", começou Vinicius, mas não soube o que pedir. Por favor para? Ou por favor continue?
Marcelo não deu tempo para decidir. Ele desabotoou as calças, e Vinicius viu o pau dele, duro e pronto. O medo e o desejo lutaram dentro dele.
"Isso vai doer", disse Marcelo, posicionando-se entre suas pernas. "Mas você vai gostar. Todas as vadias gostam."
Não houve preparação, não houve gentileza. Marcelo entrou em uma investida única, profunda. Vinicius gritou, uma mistura de dor e choque. Era como ser rasgado em dois, como ser invadido de uma forma que ele nunca imaginou possível.
"Calma, Vitória", sussurrou Marcelo, começando a se mover. "Relaxe e deixe o homem trabalhar."
Cada movimento era uma nova onda de dor, mas debaixo dela, algo começou a florescer. Uma sensação estranha de plenitude, de estar sendo preenchido de uma forma que ele sempre secretamente desejou. Ele não era mais Vinicius, o garoto que se escondia no quarto da irmã. Era Vitória, sendo possuída por um homem.
Marcelo o pegou com força, suas mãos marcando sua pele, seus golpes profundos e sem piedade. Vinicius sentia-se simultaneamente humilhado e exaltado. Cada dor era uma afirmação de sua feminilidade, cada golpe uma prova de que ele podia ser desejado como mulher.
"Você é melhor que a Bruna", gemeu Marcelo em seu ouvido. "Mais apertada. Mais quente."
As palavras encheram Vinicius de um orgulho vergonhoso. Ele estava sendo comparado a uma mulher de verdade, e estava ganhando.
Ele sentiu o corpo de Marcelo se cansar, os golpes ficando mais rápidos, mais desesperados. Com um rugido, Marcelo veio dentro dele, a onda quente enchendo-o, completando-o.
Vinicius não esperava sentir prazer, mas quando Marcelo o tocou, seu pau duro sob o vestido, ele explodiu. O orgasmo o varreu, uma força tão poderosa que o deixou tremendo e sem fôlego.
Eles ficaram assim por um momento, Marcelo ainda dentro dele, seus corpos suados e colados. Quando finalmente se retirou, Vinicius sentiu um vazio estranho, uma perda que contradizia o alívio.
Marcelo se vestiu em silêncio, sem olhar para ele. "Isso fica entre nós", disse ele, antes de sair do quarto.
Vinicius ficou sozinho, o vestido rasgado, o corpo dolorido. Ele se levantou, olhou no espelho. A mulher que o encarava não era mais uma fantasia, uma criação sua. Era Vitória, marcada, possuída, e finalmente real.
Ele tocou o rosto no espelho, sentindo o sabor de Marcelo em seus lábios. Pela primeira vez em sua vida, ele se sentia completo. Pela primeira vez, ele se sentia mulher.
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