Carlos gostou dele. Era educado, ajudava a carregar peso, chamava-o de "seu Carlos" com respeito. Nos primeiros dias, Rafael jantava com eles, ouvia as histórias do casal, ria das piadas sem graça do marido. À noite, recolhia-se aos fundos e sumia.
O que Carlos não via começava assim que ele virava as costas.
Rafael percebeu Marta no segundo dia. O jeito como ela passava o pano na mesa, curvando-se mais do que o necessário. O vestido leve que usava em casa, sem sutiã por baixo, os bicos dos seios marcando o tecido quando a casa esfriava. Ela o olhava de volta. Um olhar demorado, que descia e subia.
Na primeira semana, ela levou café no quarto dos fundos. Bateram na porta, ele abriu sem camisa. Ela entrou, pousou a xícara, e não saiu.
— Marta... — ele começou.
— Não fala — ela disse. E ajoelhou.
Foi rápido. Ela abriu o shorts dele, puxou pra baixo junto com a cueca. O pau de Rafael já estava duro, esperando. Ela segurou com as duas mãos, olhou, passou a língua nos lábios. Depois enfiou na boca inteiro, de uma vez.
Rafael gemeu baixinho, apoiou-se na parede. Marta trabalhava a cabeça, chupando com fome, babando, engolindo. Ela levava até o fundo da garganta, voltava, lambia as bolas, voltava ao pau. Uma mão apertava a base, a outra segurava as bolas. Fazia tudo em silêncio, apenas os sons molhados da boca no pau.
— Porra, Marta — ele sussurrou.
Ela olhou pra cima, os olhos verdes brilhando, a boca cheia. E continuou. Só parou quando ouviram o portão da frente. Carlos tinha voltado mais cedo pra buscar uma ferramenta.
Marta levantou, limpou a boca com as costas da mão, ajeitou o vestido. Saiu do quarto como se nada tivesse acontecido. Rafael fechou a porta, sentou na cama, o coração batendo forte. O pau ainda latejava, sujo de saliva.
Naquela noite, Carlos comentou na janta:
— A Marta hoje tá diferente. Mais corada.
Rafael sorriu, comeu a comida, conversou como se não tivesse tido o pau na boca da mulher horas antes.
O esquema se repetiu. Carlos saía pra trabalhar seis e meia da manhã. Marta levantava com ele, fazia café, dava tchau na porta. Assim que a caminhonete do marido dobrou a esquina, ela atravessava o quintal. Batia na porta dos fundos. Rafael abria.
Alguns dias era só ajoelhar e chupar. Rápido, contra a porta, ele gozando na boca dela, ela engolindo tudo, limpando com a língua. Outros dias, ela tirava a roupa, deitava na cama estreita, abria as pernas.
— Vem — pedia.
Ele vinha. Comia ela com raiva, com pressa, com gosto de segredo. Ela gemia abafando o som no travesseiro, as unhas cravando nas costas dele. Ele fodiam de todos os jeitos: ela de quatro, ele por trás, os peitos balançando; ela por cima, cavalgando, os olhos fechados de prazer; ele por baixo, vendo o corpo dela suar, os seios fartos pulando.
— Mais fundo — ela pedia. — Bate. Me bate.
Ele dava tapa na bunda, via a pele ficar vermelha. Ela pedia mais. Ele apertava o pescoço dela de leve, fodendo com força, sentindo o cu dela contra a barriga. Gozavam juntos, ofegantes, o cheiro de sexo impregnando o quarto pequeno.
Depois, ela tomava banho rápido, vestia a roupa, voltava pra casa. Às vezes ainda dava tempo de passar pano na sala antes do almoço. Quando Carlos chegava pra almoçar, a comida estava na mesa, a casa limpa, a mulher sorridente. Ele nunca desconfiou.
— O Rafael é um bom rapaz — disse Carlos um dia, durante o almoço. — Ajudou ontem a descarregar umas telhas.
— É sim — concordou Marta, servindo mais arroz pro marido. — Muito educado.
Rafael, no quarto dos fundos, ouviu o elogio pela janela aberta. Sorriu. Lembrava da boca de Marta horas antes, quente, molhada, gulosa. Lembrava do gemido dela quando ele a prendeu contra a parede do banheiro, metendo com força enquanto ela mordia o braço pra não gritar.
Naquele sábado, Carlos resolveu fazer um churrasco. Convidou Rafael pra comer com eles. Acenderam a churrasqueira, beberam cerveja. Marta servia a carne, rebolando sem querer (ou querendo) perto de Rafael. Carlos não via. Rafael via tudo.
Quando Carlos foi buscar mais carvão no depósito dos fundos, Marta passou por Rafael. Inclinou-se pra pegar um prato e sussurrou:
— Daqui a pouco ele vai dormir a sesta. Vem.
Rafael não respondeu. Só sorriu.
Carlos voltou, comeu, bebeu mais umas cervejas. Depois do almoço, como sempre, deitou no sofá da sala e roncou em quinze minutos. A televisão ligada no futebol.
Marta olhou pra Rafael. Ele levantou, seguiu ela pro quarto dos fundos.
Dessa vez foi diferente. Ela deitou de bruços na cama, puxou o vestido até a cintura. Não usava calcinha.
— Me come assim. Devagar. Quero sentir cada pedaço.
Ele ajoelhou na cama, passou a mão na bunda dela, abriu as nádegas. Cuspiu no cu dela, esfregou com o dedo. Ela gemeu, empinou mais. Ele colocou a ponta do pau, foi entrando devagar. Ela apertou os lençóis, mordeu o travesseiro.
— Isso — gemeu. — Assim. Tá tão fundo.
Ele metia devagar, sentindo cada centímetro do cu dela apertando o pau. Depois acelerou, batendo com força na bunda, vendo a carne tremer. Ela gemia abafado, a boca no travesseiro.
— Goza dentro — ela pediu. — Quero sentir.
Ele gozou, esvaziando-se fundo nela, os dedos apertando os quadris de Marta. Ficaram assim, imóveis, até a respiração voltar.
Ela levantou, foi ao banheiro minúsculo do quarto dos fundos, se limpou. Voltou, vestiu o vestido, ajeitou o cabelo.
— Até amanhã — disse.
E saiu.
Rafael deitou na cama, exausto. Ouviu a televisão na sala. Carlos ainda roncava. O jogo continuava. Nada tinha mudado. Nada mudaria.
No domingo, Carlos foi com Marta à missa. Rafael ficou em casa, deitado no quarto dos fundos. Pensou na noite anterior. Depois que Carlos dormiu, Marta voltou. Ficaram até tarde. Ela mamou ele de novo, sentou nele de novo, cavalgou até os dois gozarem juntos. Depois, voltou pra cama do marido.
Rafael ouviu o carro chegar da missa. Ouviu a voz de Carlos:
— Vamos almoçar fora, mulher? Tô com vontade de uma comida diferente.
Marta respondeu:
— Claro, amor. Vou só trocar de roupa.
Rafael sorriu no quarto escuro. Comida diferente. Ela já tinha tido a dela. E teria de novo. Assim que Carlos virasse as costas.
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