Eu tinha completado dezoito anos há uns três meses e Charles tinha trinta. Naquela noite, passei por ele na praça do bairro, um subúrbio do Rio de Janeiro. Na empolgação usamos drogas e decidi levar ele para minha casa, porque, pela hora, meus pais estavam dormindo e não iam ouvir nada que rolasse na garagem.
Penetrando ele de frente, sentindo meu pau sendo apertado pelo cu quente de Charles, eu sussurrava besteiras, declarava meu desejo e acariciava seu corpo. Ele me segurou e pediu para meter mais rápido e com mais força e assim fiz. Perto de gozar, dei um beijo nele, sugando sua boca e no meio dos nossos gemidos, ele gozou e eu despejei dentro dele todo meu tesão, com contrações do corpo e respiração ofegante! Ainda com o pau dentro e empolgado pela primeira vez, ouvi um barulho: era meu pai, parado ao nosso lado.
- Não basta ser um drogado e vagabundo, agora é viado? E traz homem para dentro de casa? Viado e drogado, seu viciado filho da puta! - berrou ele e me agrediu com violência. Charles vestiu a roupa e saiu correndo. Meu pai continuou: - E ainda está fodendo com homem casado, o Charles é casado, chefe de família! É viado, drogado e quer destruir outro lar, não basta o nosso? - terminou de falar e me deu um tapa forte no rosto, que fiquei zonzo.
- Eu não sou viciado, pai, eu só uso, mas não sou viciado! Eu não sabia que ele era casado! - falei chorando e tentando me defender dos socos dele. Corri para dentro de casa. Minha mãe estava na sala, apavorada. Meu pai entrou em seguida e me puxou pelo cabelo, me arrastando até a calçada.
- Aqui você não entra mais, já é maior de idade, chega! - gritou e me jogou no meio da rua. Trancou a porta e as luzes se apagaram. Ouviu o choro da minha mãe. Ainda sob efeito das drogas, fui para a pracinha.
Virei a noite no banco, sentado, cochilava e acordava, viajava e lembrava, as dores pelo corpo não deixavam eu esquecer. De manhã, esperei ele sair para o trabalho e fui lá. Minhas coisas estavam arrumadas. Peguei a mochila e saí. Passei na loja que Charles trabalhava e ele me evitou. Ele não tinha me falado que era casado, fiquei decepcionado, achei que gostava de mim como eu gostava dele. Fiquei dois dias na rua, perto de casa. Fui para casa da minha avó e fiquei lá alguns meses até meu pai ir lá e me expulsar. O mesmo aconteceu na casa da minha tia. Fui para casa de um amigo e o pai dele me arrumou um trabalho de descarregar caminhão. Com pouco estudo, foi o que deu.
Passei a beber mais, estava solto, era eu e eu. Arrumei um lugar para morar perto de um bar que vendia drogas e aí… sem limites, fui me afundando. Depois de um tempo, não me chamaram mais para o trabalho, eu não rendia, e fui parar nas ruas. Um dia, depois de estar bem alucinado, me vi na Central do Brasil. Minhas roupas e pertences já tinham sido roubados, eu estava só com a roupa do corpo. Ia me virando como podia, de noite pegava as quentinhas que pessoas generosas doavam, pedia dinheiro e me oferecia para trabalhar, mas quem ia dar trabalho para um cara sem endereço?
Eu comecei a usar drogas por onda mesmo e depois me descobri gay. Sentia atração por caras e parei de ficar com mulheres, mas não tinha coragem de assumir para mim mesmo. Fugi disso, mas não consegui fugir das drogas e bebidas. Eu usava porque gostava e passei a usar mais para não enfrentar a mim mesmo. Conheci Charles e me apaixonei por ele e ia rolando um clima até acontecer o que aconteceu.
Na rua, eu não roubava e nem prejudicava os outros. Respeitava os territórios e as regras da rua. Procurava ir para abrigos mas não tinha vaga. Fiz algumas amizades e a gente ia dando um jeito: catava lata, pedia dinheiro, ia para UPA fingindo passar mal para poder comer alguma coisa e beber água. Banho? Só nos centros da prefeitura, quando dava, ou nas ações voluntárias. No começo, ainda com boa aparência, ganhava cantadas quando ia pedir alguma coisa.
- Amigo, tem um dinheiro para me ajudar?
- Sério? Até que você é bem gato! Tá pedindo dinheiro porque quer. Pode ganhar mais do que um troco.
- Eu não arranjo trabalho…
- Deixa eu ver esse pau? Pago cinco reais para dar uma segurada nessa rola.
Isso aconteceu várias vezes. Eu deixava segurar e quando estava de banho tomado, deixava mamar por vinte reais. Alguns amigos gostavam, mas eu me sentia humilhado e usado. E usava mais bebida para aguentar, mais para poder ganhar mais cinco reais, era um círculo. Claro que nos dias que estava menos mal, eu comprava alguma coisa para comer. Adoro biscoito recheado de chocolate!
No começo, minha aparência ajudou mas com o tempo, já ficava mais difícil. Ainda tinha caras que queriam sexo, mas eu não topava, era no máximo uma mamada. Um dia, eu tinha tomado banho e estava com roupas limpas que peguei no abrigo. Era meu aniversário. Fui para a Lapa ver se conseguia um dinheiro. Cheguei perto de uma balada gay e fiquei na minha. Um cara passou e fez sinal. Paramos em uma rua mais vazia.
- Quer dinheiro ou droga?
- Dinheiro, cara, hoje é meu aniversário. Quero comer uma coisa legal.
- Seu aniversário? Parabéns! Quer ganhar cinquenta? - ele falou e mostrou a nota. Já imaginei o que seria. Balancei a cabeça e fui atrás dele. O homem tinha uns quarenta anos, bonito, sarado, cabelo bem cortado e roupas boas. Entrou no hotel e eu entrei atrás. Ele mandou eu tirar a roupa e ficar de cueca.
- Me amarro em Zé Droguinha, vocês topam tudo, né? Vira, deixa eu ver sua bunda. - ele falou botando o pau para fora. Mostrei a bunda. - Nossa, que bunda gostosa você tem! Para um cara de rua, é muito gostoso! Branquinha, durinha. Você tomou banho? Toma aqui. - falou.
Cheguei mais perto dele e mostrei o pau. Coloquei a cabeça para fora da pele, para ele ver que tava limpo. Queria logo ganhar uma mamada e meter nele e sair dali. Estava me sentindo péssimo, mas… os cinquenta reais seriam meu presente.
- Qual é cara, quero ver seu cu, abre a bunda, não curto pau, ainda mais grande assim! - ele falou meio grosseiramente. Respirei fundo e cheguei mais perto. Virei de costas e abri a bunda. Ele elogiou meu cu, disse que era virgem, bonito e que, assim, pagaria setenta reais. Falou e começou a colocar o preservativo no pau. Foi aí que eu vi que ele queria ser ativo e eu não tinha essa vontade. Tentei me esquivar.
- Vai abrir mão da grana, cara? Vou meter no seu rabo, arrancar umas pregas e pronto! Socada com força, você vai gostar! Seus amigos curtem tudo! Bora, passa o lubrificante! - ele estava drogado e ficando agitado. Pela minha experiência de rua e dos amigos, eu sabia que ele ia me machucar além do sexo.
- Eu vou embora, não quero, não. - falei rápido e saí rápido sem pegar o dinheiro. Não sou ladrão. Na recepção o cara falou que eu não podia sair sozinho. Eu corri apavorado com medo do cara, do recepcionista e de chamarem a polícia, mesmo sem ter feito nada. Voltei para meu canto, perto da Central e chorei muito.
Nessa época eu conheci o Beto. Geralmente eu passo o dia meio dormindo, porque temos que ficar acordado de noite nos protegendo da violência (tanto da polícia quanto de playboys), ou pedindo dinheiro e catando lata. Eu estava incomodado e fui andar pelo centro. Vi ele e pedi dinheiro. O Beto foi super educado e me deu cinco reais. Depois encontrei ele de novo e conversamos um pouco. Ele me levou a uma lanchonete e me pagou um lanche. Eu percebia que ele também era bom com outras pessoas que pediam. Ele escutava, dava um sorriso e tratava bem. Sem querer, fui me apaixonando por ele e passei a ficar no local que a gente se esbarrava. E foi assim que a gente se aproximou. Um dia, eu falei para ele onde eu ficava, no intuito de que ele se aproximasse, sei lá e achava que ele não percebia. Até o dia que ele passou lá de madrugada, com o amigo dele.
Eu fiquei tão feliz que não sabia o que fazer. Vocês sabem o que aconteceu depois que o carro parou e ele desceu, o Sèven já escreveu nos relatos anteriores.
Minha vontade era abraçar e beijar ele, mas como beijar se eu estava sem comer, sem beber água? Devia estar com um hálito horrível! O resto vocês já sabem. Naquela noite mesmo eu pude beijar ele e senti uma coisa maravilhosa!
Depois que o amigo dele saiu, passamos o dia juntos. Eu estava limpo e de roupa nova (que o amigo tinha deixado). Fomos almoçar e dar um passeio. Contei toda a minha história. Ele disse que eu não ficaria mais na rua e na mesma hora propôs de irmos à casa do meu pai. Não foi fácil.
Beto acreditou em mim. Arrumou um lugar para eu ficar e me fez voltar para o colégio. Não usei mais drogas. Como eu tinha falado para meu pai, eu não era viciado, nunca usei aquela que deixa como um zumbi! Usava bebidas e outros tipos.
Só faltava um rumo para minha vida. Com o tempo, arrumei um trabalho e meu pai foi abrindo a guarda. Conversamos e mostrei a ele que estava limpo, sem drogas nem álcool, mas tinha o Beto na minha vida. Ele aceitou em parte, disse que eu poderia voltar para casa desde que continuasse estudando e trabalhando, mas não queria saber da minha “viadagem”, como ele colocou. Sei que esse retorno para casa teve muita ajuda da minha mãe!
Sou grato ao amigo do Beto, que não posso dizer o nome (por que será?) pois, os nomes citados são reais, faço questão! Nunca vou esquecer as roupas, os itens de higiene e principalmente a comida e água que me deu e sua preocupação comigo. O biscoito era justamente o meu preferido!
Não vou romantizar a situação. Naquela situação, tanto eu quanto Beto corremos risco em nos relacionar com pessoas desconhecidas. Na rua tem gente boa, mas, assim como em prédios de luxo, tem gente aproveitadora, tem gente sem caráter.
Aproveito cada minuto ao lado dele e cada vez que gozamos é como se fosse a primeira, ele adora quando eu gozo na boca dele ou dentro. E é o meu maior prazer!
Estou terminando o ensino médio e minha vida está começando. E Beto faz parte dela e vai fazer sempre!
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