O plano estava traçado com a precisão de quem já não buscava apenas a dúvida, mas o choque da confirmação. No Brás, em meio ao formigueiro de gente, encontrei o que precisava: uma luminária comum aos olhos de qualquer um, mas que carregava em seu cerne um olho eletrônico pronto para registrar o invisível. Em casa, a instalação passou batida; para ela, era apenas um novo detalhe na decoração do quarto. O xeque-mate veio na conversa de portão. Seu Antônio, com aquela calma de quem domina o território, aceitou o serviço na área de serviço. "Minha mulher vai estar lá caso precise de algum suporte", eu disse, sentindo um frio na barriga que misturava pavor e um prazer proibido. O sorriso dele foi a confirmação silenciosa de que o lobo conhecia bem o caminho do pasto. A segunda-feira foi um deserto de ansiedade. Ao voltar, a casa exalava uma normalidade perturbadora. O revestimento estava perfeito, e ela, sentada no sofá diante da TV, limitou-se a um "urrum" quando perguntei sobre o dia. Era a máscara da rotina escondendo o vulcão. Trancado no banheiro, com o cartão de memória espetado no celular, a verdade saltou da tela em alta definição. Às dez da manhã, o quarto deixou de ser um santuário para se tornar um palco. Vi minha mulher entrar puxando-o pelas mãos com uma urgência que nunca vi antes. O beijo foi voraz, um encontro de línguas que ignorava qualquer moralidade. Quando ele a jogou na cama, a estrutura da luminária estremeceu com o impacto dos corpos. Eu assistia, paralisado, enquanto ela se ajoelhava diante dele. A imagem daquela "rola de respeito", como eu mesmo defini mentalmente, preenchia a tela enquanto ela o servia com um apetite selvagem. Depois, a cena mudou de ângulo: ela de quatro, entregue, enquanto ele a possuía com estocadas brutas que a faziam gemer um nome que não era o meu. Ela o cavalgou, tomou as rédeas da situação, alternando entre o prazer de ser possuída e o controle da cena. O clímax foi um soco no estômago. Em pé, num último ato de entrega, ela o masturbava e o chupava com uma dedicação de quem ama o que faz, até que o jato branco e espesso cobriu o rosto dela. Aquela mulher ali, naquela tela, era uma estranha deliciosa e safada que eu acabara de descobrir. Eles saíram do quarto, e a imagem ficou ali, estática, registrando apenas os lençóis revirados e o cheiro da traição que agora, de alguma forma, alimentava o fogo que eu não conseguia apagar.
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