O Espetáculo da Viúva e a Coroa de Carne


A água fria pingava da minha pele nua e batia no chão de pedra com um som oco. Era o único barulho naquele quarto gigantesco, além do estalo de uma tora de carvalho que ainda agonizava na lareira. Na cama, a poucos metros de mim, o todo-poderoso Rei Alistair esfriava mais rápido do que um porco no açougue, com aquela cara roxa, a boca escancarada e os olhos esbugalhados virados pro teto.
Eu passei a toalha de linho pelos meus braços, devagar. Não tirei os olhos do canto escuro do quarto, onde a tapeçaria de veludo carmesim cobria a parede leste.
Eu sabia que ele estava lá. Sentia o cheiro do medo e do tesão do moleque exalando pela madeira. A respiração dele devia estar presa na garganta, os olhos arregalados, colados naquela frestinha miserável que eu mesma tinha "esquecido" de mandar consertar anos atrás. James achava que era invisível. Achava que o segredo dele era só dele. Mas eu era a dona daquele castelo, caralho. Eu sabia até de qual lado as aranhas fiavam suas teias.
Joguei a toalha molhada em cima da bacia de prata. Fiquei ali, completamente nua, a luz amarelada do fogo lambendo minhas coxas, meus seios, a curva da minha cintura. Eu não tinha o corpo de uma menina virgem, tinha o corpo de uma mulher que já tinha engolido muito veneno e sobrevivido a todos eles. Uma mulher no auge do seu poder.
Levantei a mão direita, devagar, e olhei direto para a fresta na parede. Com o dedo indicador, fiz um sinal. Um movimento curto, silencioso e imperativo.
Vem cá.
Por uns dez segundos intermináveis, não aconteceu porra nenhuma. O silêncio era tão denso que eu quase conseguia ouvir o coração do desgraçadinho batendo a mil por hora lá atrás. Ele devia estar em pânico. Ser pego espionando o rei e a rainha fodendo já seria motivo pra ele levar uma surra de cinto até sangrar. Ser pego espionando a mãe instantes depois do pai morrer infartado em cima dela? Era pra foder a mente de qualquer um.
A tapeçaria se mexeu. Um barulho de madeira velha rangendo rasgou o silêncio do quarto. O painel se abriu e uma bota pisou no chão do meu quarto.
James saiu das sombras. Ele tinha dezoito anos, mas naquele momento, parecia um bicho acossado. O cabelo escuro tava bagunçado, colado na testa de suor. O rosto dele tava pálido que nem cera, mas os olhos... puta que pariu, os olhos dele queimavam. Escuros, dilatados, famintos. A respiração dele tava tão pesada que o peito subia e descia rápido por baixo da camisa de linho fina. E não dava pra esconder a ereção absurda marcando a calça dele. O moleque tava duro que nem pedra, aterrorizado e completamente entregue ao tesão.
Ele deu dois passos pra dentro do quarto e parou, travado. O olhar dele bateu primeiro na cama. No corpo colossal e morto do pai. James engoliu em seco, a maçã do rosto tremendo. A figura de Alistair sempre foi o pesadelo do garoto, o homem que o humilhava nas aulas de espada, que o chamava de fraco na frente do conselho. Ver aquele monstro ali, humilhado pela própria biologia, morto com a pica murcha no meio de lençóis sujos de suor, quebrou alguma coisa na cabeça do James.
E então, o olhar dele veio pra mim.
Eu não fiz nenhum esforço pra me cobrir. Eu queria que ele visse. Queria que ele sentisse o peso da mulher que tinha sobrevivido à besta. Fiquei parada, o queixo erguido, os braços relaxados ao lado do corpo. A água ainda escorria pelo meu pescoço, descendo pelo vale dos meus seios e traçando um caminho até o meu umbigo.
Os olhos dele desceram pelo meu corpo como mãos invisíveis. Ele não conseguia desviar. Ele tremia, literalmente. O choque de ver a mãe dele daquele jeito, crua, suada, vitoriosa e nua, no mesmo quarto onde o pai cheirava a defunto fresco, era pesado demais.
— Mãe... — a voz dele saiu como um sussurro rachado. Um fio de voz patético.
— Shh — eu cortei, a voz macia, mas firme como uma navalha. Dei um passo na direção dele. Os olhos dele arregalaram ainda mais. Ele tentou dar um passo pra trás, mas as pernas não obedeceram. O instinto dele dizia pra correr, mas o pau dele mandava ele ficar.
Fui andando descalça pelo chão de pedra até parar a menos de um metro de distância dele. Eu podia sentir o calor do corpo dele. O cheiro de garoto novo, misturado com a excitação doentia daquele momento. Olhei bem no fundo dos olhos dele.
— Há quanto tempo você tá aí, James? — perguntei, a voz quase um ronronar.
Ele gaguejou. Os olhos dele caíam pra minha boca, pros meus seios, e voltavam pro meu rosto em desespero.
— Eu... eu não...
— Não mente pra mim. Nunca mais mente pra mim, moleque — eu dei mais um passo, invadindo o espaço pessoal dele. Meu seio nu quase encostou no peito dele. Ele prendeu a respiração. — O que você viu?
A proximidade tava derretendo a sanidade dele. Ele olhou pro pai morto de relance e voltou pra mim, derrotado.
— Tudo... — ele sussurrou, a voz trêmula. — Eu vi tudo, mãe. Desde a hora que a senhora tirou o vestido... até ele... até ele cair.
Soltei um sorrisinho de canto, frio e satisfeito.
— O grande Rei Alistair, o Leão do Norte, engasgando com o próprio veneno em cima de mim. — Eu murmurei, passando a ponta da unha de leve pelo peitoral dele, por cima da camisa. James estremeceu inteiro, soltando um gemido abafado que ele tentou segurar apertando os dentes. — E você assistiu a cada segundo. Você viu ele me apertar, viu ele rosnar, viu o que eu fazia com ele pra mantê-lo dócil...
— Eu não queria... eu... — ele tentou se justificar, as mãos suando, cerradas em punhos ao lado do corpo pra não cometer a loucura de me tocar.
— Mentira de novo — cortei, inclinando o rosto pra mais perto do ouvido dele. Minha voz desceu um tom, roçando na pele dele. — Você ama assistir. Você é um merdinha curioso que se alimenta das sobras do que os outros vivem. Mas hoje não. Hoje você tava no camarote VIP.
Eu me afastei um pouquinho, só pra poder olhar na cara dele de novo. Levantei a mão e segurei o queixo do James, apertando de leve. Os olhos dele estavam vidrados.
— Me diz uma coisa, meu filho... — a palavra 'filho' saiu carregada de veneno e ironia. — De tudo o que você viu nessa parede imunda... do que você mais gostou?
A pergunta acertou ele em cheio. O rosto do James ficou escarlate. Era o tabu sendo esfregado na cara dele, sem vaselina, sem desculpa. Eu queria ouvir da boca dele. Queria que ele verbalizasse a própria perversão com o corpo do pai ali do lado.
— Fala pra mim — eu insisti, apertando um pouco mais o queixo dele. — Você gostou de ver o seu pai morrer? Ou gostou de ver a sua mãe rebolando em cima dele?
Uma lágrima de tensão escorreu do olho do garoto, mas não era de tristeza. Era o cérebro dele dando curto-circuito.
— De você... — ele soltou, num sopro desesperado, a voz rouca, cheia de uma luxúria sombria e envergonhada. — Eu gostei de ver a senhora no controle. De ver como ele era patético perto da senhora. Eu... eu queria ser ele.
Dei uma risada baixa, rouca, o som ecoando no quarto sombrio. Soltei o rosto dele e passei a mão pelo meu cabelo úmido, jogando pra trás.
— Você nunca vai ser ele, James. Graças aos deuses, o sangue burro dele não dominou você — eu disse, virando de costas e começando a caminhar pelo quarto.
Senti o olhar dele colado na minha bunda a cada passo que eu dava. O moleque tava enfeitiçado. Andei até o enorme guarda-roupa de madeira de lei no canto do quarto. Abri as portas duplas, sabendo que a luz do fogo desenhava a minha silhueta perfeitamente pra ele.
Não peguei uma toalha. Não ia acabar com o espetáculo tão cedo. Eu ia vestir a minha nova armadura na frente dele, peça por peça. E ele ia assistir, sabendo que aquilo tudo era pro mundo lá fora, mas que a verdade crua dele pertencia a mim.
Puxei uma camisola de seda preta, fina que nem teia de aranha, e deixei escorregar pelo meu corpo. O tecido frio grudou nos meus mamilos arrepiados e desenhou cada curva dos meus quadris. Olhei pro James por cima do ombro. Ele tava paralisado, respirando pela boca, as mãos trêmulas enfiadas nos bolsos da calça pra esconder o óbvio.
— Seu pai era um tirano de merda — comecei a falar, o tom de voz mudando, ficando mais frio, mais político, enquanto pegava um corpete escuro. — Ele governava com o pau e com a espada. E por causa disso, os conselheiros o odiavam em segredo. Eles acham que, com ele morto, o reino vai cair no colo deles. Eles acham que você é um moleque fraco que só serve pra esquentar o trono.
Caminhei de volta até ele, segurando o corpete de veludo preto. Parei na frente do James e estendi a peça pra ele.
— Vira as minhas costas. Amarra pra mim.
James engoliu em seco de novo. As mãos dele saíram dos bolsos. Ele pegou o corpete como se fosse pegar fogo. Dei as costas pra ele e puxei o cabelo pro lado, expondo a nuca e as costas nuas através do corte profundo da camisola de seda.
Senti os dedos trêmulos dele roçarem na minha pele quente. Puta merda, o garoto parecia que tava mexendo com uma bomba. Ele passou as fitas pelos ilhós, puxando devagar. O toque dele era desajeitado, carregado de um desejo doentio reprimido. Eu fechei os olhos e aproveitei o arrepio que subiu pela minha espinha. Não era amor, não era carinho. Era poder puro e destilado. Cada vez que ele puxava a fita, eu sentia que ele tava amarrando a própria alma na minha mão.
— Eles vão tentar te manipular, James — eu sussurrei enquanto ele apertava o nó nas minhas costas. — Vão tentar dizer que a sua mãe tem que ir rezar num convento de viúvas pro resto da vida. Vão tentar empurrar alguma vadia de outra casa nobre pra sua cama pra te controlar.
Eu virei de frente pra ele num solavanco. Estávamos perto de novo. O peito dele subia e descia violentamente.
— Mas a sua cama, e o seu trono, pertencem a esse castelo. E esse castelo sou eu. Você entendeu?
Ele assentiu rápido, feito um cachorrinho adestrado.
— Sim, senhora... — ele sussurrou, enfeitiçado pela minha autoridade, os olhos descendo mais uma vez pro decote que o corpete apertava, empurrando meus seios pra cima.
Eu levantei a mão e alisei o rosto dele, o polegar roçando no lábio inferior do moleque. O olhar dele derreteu de vez. O tesão e a submissão eram quase palpáveis.
— Seu pai tá morto. A proteção dele acabou. O que sobrou fomos nós dois. A nossa linhagem. O nosso sangue puro. E pra manter isso intacto, você vai fazer tudo o que eu mandar. Você vai ser o Rei lá fora. Mas aqui dentro, James... — eu me curvei pra frente, os lábios roçando na orelha dele. — Aqui dentro, nos escuros desse lugar, eu sou o seu deus.
Ele soltou um gemido sôfrego, fechando os olhos.
— Eu faço o que você quiser... — ele murmurou, completamente rendido. O tabuleiro tava montado. Xeque-mate no primeiro movimento.
Eu me afastei bruscamente, quebrando o feitiço físico com a precisão de um carrasco. O clima pesado de sedução evaporou do meu rosto, e a máscara de Rainha Viúva caiu no lugar instantaneamente. A frieza tomou conta dos meus olhos.
Peguei um roupão pesado de lã preta e vesti por cima da seda, cobrindo o corpo, cobrindo o show. Eu já tinha conseguido o que eu queria. A semente tava plantada.
Olhei pro corpo de Alistair na cama. A cor roxa já tava virando um tom acinzentado cadavérico. Voltei os olhos pro James. Ele ainda tava ali, ofegante, duro e confuso.
— Acabou a brincadeira — eu disse, a voz estalando como um chicote no quarto escuro. — Limpa essa baba da boca. Engole esse medo e ajeita essa porra dessa calça pra ninguém perceber o que você tava fazendo na porra do escuro.
James piscou rápido, voltando à realidade brutal. Ele ajeitou a roupa, ajeitou a postura, engolindo em seco.
— Agora — eu apontei o dedo pra pesada porta de carvalho que dava pro corredor principal. — Vai até aquela porta. Abre. E começa a gritar como se o mundo tivesse acabando. Chama a guarda. Chama os médicos que não vão adiantar de bosta nenhuma. Grita que seu pai passou mal dormindo. Chora se conseguir, moleque.
Ele me encarou, apavorado com a minha frieza. A mudança brusca entre a deusa do sexo que tava seduzindo ele há cinco segundos e o monstro calculista que tava dando ordens agora deixava o garoto tonto.
— Tá esperando o quê, Vossa Majestade? — eu rosnei baixo. — Acha que a coroa vai pular na sua cabeça sozinha? Começa a trabalhar.
James assentiu, trêmulo. Ele deu as costas e caminhou até a porta. Vi a mão dele hesitar na maçaneta de ferro. Ele respirou fundo três vezes. Vi o peito inflar. Ele abriu a porta com violência, batendo a madeira na pedra, e o primeiro grito de desespero do novo Rei rasgou o silêncio da madrugada no castelo, ecoando pelos corredores escuros como o uivo de um cão pedindo socorro.
Eu virei as costas pra cama, apoiei as mãos na penteadeira, olhei pro meu próprio reflexo no espelho de bronze e abri um sorriso que ninguém além de mim mesma veria.
O show tinha começado. E eu tinha o camarote, a bilheteria e a porra do diretor na minha cama.

Continuação de O Fim da Besta e o Começo do Jogo


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Ficha do conto

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neymarodrigues

Nome do conto:
O Espetáculo da Viúva e a Coroa de Carne

Codigo do conto:
262051

Categoria:
Incesto

Data da Publicação:
14/05/2026

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