Os quatro guardas reais suavam feito porcos tentando içar o corpo do Alistair da cama. O velho era um colosso de banha e músculos murchos, e o peso morto de um infartado não é brincadeira. Enquanto eles grunhiam, puxando os lençóis de seda manchados de vinho e fluidos, eu continuava o meu espetáculo.
Eu me debatia no chão de pedra, soluçando, com a gola da camisola rasgada e os cabelos espalhados no rosto. Era uma performance digna de prêmio. Agarrava a bota de um dos guardas, implorando aos deuses para que trouxessem o meu "amado Rei" de volta. O Meistre velho e inútil tremia no canto, segurando a própria maleta de ervas como se ela fosse um escudo.
Mas por trás das lágrimas falsas e do teatro, meus olhos estavam cravados no James.
Ele continuava escorado na parede, o rosto pálido e o peito arfando. Mas a ficha estava caindo. Aquele ratinho assustado que espiava pelo buraco da fechadura estava finalmente entendendo que a porra do castelo inteiro era um palco, e eu era a diretora da peça.
Se ele quisesse sobreviver, teria que aprender a atuar.
O corpo do Alistair finalmente foi erguido. Um dos braços pálidos do velho pendeu pro lado, balançando frouxo. Foi uma cena grotesca. James olhou pro pai, aquele monstro que passou dezoito anos o humilhando, sendo carregado feito um saco de bosta pra fora do quarto. E então, alguma coisa dentro do garoto estalou.
A postura encolhida sumiu. Ele desencostou da parede. O garoto engoliu a seco, estufou o peito por baixo da camisa de linho e deu um passo à frente.
— Chega — a voz dele cortou o ambiente. Não era o sussurro trêmulo de antes. Tinha um grave novo ali. Um eco de autoridade que fez até os guardas pararem no meio do caminho.
Eu parei de chorar alto, reduzindo a um soluço baixo para não quebrar a cena, mas por dentro, meu sorriso ia de orelha a orelha. Vai, moleque. Coloca a porra da coroa.
— Vossa Majestade... — o Meistre gaguejou, curvando a cabeça.
— Levem o corpo do meu pai para as catacumbas — James ordenou, a voz fria, apontando o dedo com firmeza. — Meistre, prepare os ritos fúnebres. Quero o corpo limpo e pronto até o amanhecer. Sem falhas.
— S-sim, meu Rei. Imediatamente.
— E avisem a todos os membros do Conselho — James continuou, os olhos escuros brilhando de uma adrenalina nova e viciante. — Quero todos eles na Sala da Mesa Redonda assim que o sol raiar. Não quero ninguém dormindo esta noite além dos servos. Agora, saiam. Todos vocês. Saiam dos aposentos da Rainha e nos deixem em paz.
Os guardas não questionaram. Eles não viam um garoto de dezoito anos; viam o novo dono de suas vidas. Eles arrastaram o corpo do Alistair pra fora, seguidos pelo Meistre que tropeçava nas próprias vestes.
James acompanhou cada um deles com o olhar até o último guarda sair. A pesada porta de carvalho rangeu antes de bater com um estrondo oco contra o batente de pedra.
O silêncio despencou no quarto com uma força avassaladora.
No exato segundo em que o barulho da madeira estalou, o meu luto acabou. A máscara de viúva histérica derreteu do meu rosto num piscar de olhos. Levantei do chão frio, tirei os cabelos suados do rosto e limpei as lágrimas com as costas da mão, minha expressão voltando a ser uma tela em branco gélida e calculista.
James me observou fazer isso. Os olhos dele estavam arregalados. O choque de ver a minha sociopatia trabalhando em tempo real o acertou de novo, mas dessa vez, não o fez recuar. Ele não sentiu medo. Ele sentiu tesão. O volume na calça dele continuava lá, duro que nem pedra.
Fui caminhando devagar, descalça, até a porta. Segurei a pesada chave de ferro que estava na fechadura. Olhei pra trás, pro James, e girei a porra da chave.
Clack.
Aquele som metálico era o limite. Da porta pra fora, ele era o Rei. Da porta pra dentro... as regras eram minhas.
— Acabou o show — eu sussurrei, a voz arrastada, sentindo a garganta seca pelo falso choro.
Caminhei até a mesinha de prata perto da janela. O suor frio do Alistair ainda deixava minha pele pegajosa, mas eu não me importava. Peguei a jarra de cristal e servi duas taças até a boca com o vinho tinto de Dorne. Forte, doce e com gosto de sangue.
Me aproximei de James. Ele estava tenso, as mãos cravadas na borda da mesa. Entreguei a taça de ouro pra ele. Nossos dedos se encostaram, e a mão do moleque estava fervendo.
— Você foi bem — eu disse, dando um gole longo no vinho. O líquido queimou minha garganta. — O tom de voz foi perfeito. Os velhos do conselho vão precisar ouvir essa mesma voz de leão amanhã de manhã.
James não bebeu de imediato. Ele apenas segurou a taça e ficou me encarando. O quarto ainda fedia a morte, a suor e a sexo.
— E agora? — ele perguntou. A voz dele ainda carregava a firmeza de quem tinha acabado de dar ordens a homens armados, mas o olhar era puro desejo doentio.
Dei um sorrisinho cínico, olhando para mim mesma. A camisola de seda preta estava manchada, colada no meu corpo de um jeito imundo. O atrito do Alistair em cima de mim tinha deixado marcas, e a encenação no chão a sujou de poeira.
— Agora... — murmurei, passando a ponta do dedo pela borda da minha taça. — Agora a Rainha Mãe precisa de um banho. Eu tô imunda. O suor e o cheiro daquele velho nojento estão impregnados na minha pele. Isso me dá asco.
Dei um passo na direção dele. Parei perto o suficiente pra ele sentir o calor do meu corpo emanando.
— Você me permite trocar de roupa, meu Rei? — perguntei, mudando o tom. Usei a voz macia, aveludada, quase submissa. Era um teste. Eu queria ver se ele ia gaguejar, se ia desviar o olho para a lareira e pedir desculpas. Eu queria ver o quanto daquele moleque medroso eu tinha conseguido matar em meia hora.
James prendeu a respiração. A maçã do rosto dele subiu e desceu. Ele olhou pro meu colo, onde a seda rasgada deixava metade dos meus seios à mostra, e depois olhou bem no fundo dos meus olhos.
Ele levantou a taça de vinho e virou de uma vez, engolindo o líquido escuro como se precisasse de combustível. Quando ele baixou a taça, os olhos dele estavam pegando fogo.
— Eu adoraria ver você de novo — ele respondeu.
A voz não falhou. Nenhuma vírgula fora do lugar. Nenhuma vergonha escorrendo pela cara dele. Ele não era mais o garotinho que espiava pelo buraco da parede escondido nas sombras. Ele era o homem que exigia o camarote VIP e olhava na cara da atriz.
Um calor esquisito subiu pelo meu estômago. Eu senti um orgulho distorcido do caralho. O meu projeto de monstro estava dando os primeiros passos.
— Você tá aprendendo — murmurei, abrindo um sorriso predatório. Coloquei minha taça na mesa, fazendo um barulho metálico estalar no quarto.
Cruzei os braços e segurei as alças da camisola rasgada. Não tive pressa. Eu queria que cada milímetro de pele exposta rasgasse a sanidade que ainda sobrava na cabeça dele. Puxei a seda pra cima, deslizando o tecido pelo meu quadril, pela minha cintura e pelos meus seios, até jogar a peça inteira no chão, bem no lugar onde o cadáver do pai dele estava deitado dez minutos atrás.
Fiquei ali, completamente nua. A luz alaranjada da lareira desenhava as curvas do meu corpo e pintava a minha pele pálida de dourado.
James soltou um gemido mudo e reprimido. Ele apertou a taça vazia na mão com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. O moleque parecia estar vendo um fantasma e uma deusa ao mesmo tempo. Ele não conseguia desviar o olho do meu corpo.
— Seu pai... — comecei a falar, a voz baixa e hipnótica, caminhando lentamente pela beirada do tapete. — O rei gordo e poderoso. Você sabe por que ele me fodia daquele jeito brutal? Por que ele era tão obcecado em me humilhar e me manter na cama dele?
James balançou a cabeça devagar, engolindo a seco. A mente dele tava presa entre as minhas pernas e os meus seios.
— Ele não fazia isso por tesão. Ou por amor. Amor é uma palavra inventada por camponeses pra justificar a pobreza deles — eu ri amarga, parando a meio metro de distância dele. — Alistair fazia aquilo porque ele era inferior, James. Ele tinha a força do Leão, tinha a espada, mas ele não tinha o sangue. O meu sangue.
Aproximei minha mão do peito dele, arrastando as unhas curtas pelo tecido da camisa preta. O corpo de James estremeceu feito uma vara verde.
— Você sabe o que é uma Linhagem Pura, James? De verdade? Não essa merda política que os meistres te ensinam nos livros. Sabe o que o nosso sangue significa?
A respiração dele estava errática. O garoto não tava conseguindo lidar com a proximidade da própria mãe completamente nua e destilando aquele veneno filosófico na cabeça dele.
— Não... — ele sussurrou, a voz rouca, quase implorando. — Me conta. Me explica, por favor...
A isca estava mordida. Ele queria uma desculpa. Ele queria que eu desse a ele uma razão divina pra justificar o fato de que a única coisa que ele queria foder no mundo inteiro era a mulher que deu à luz a ele. E eu ia dar a absolvição que ele precisava pra pecar em paz.
Dei mais um passo, encurralando ele contra a mesa de prata. Senti o calor da perna dele contra a minha coxa nua.
— O mundo inteiro é sujo, James. Misturado. Os lordes daquela mesa lá fora... eles acasalam feito cachorros de rua com qualquer nobrezinha de província por uns sacos de ouro. O sangue deles é aguado. Fraco — eu sussurrei direto na orelha dele. Senti ele prender a respiração, o pau dele roçando no tecido grosso da calça, duríssimo. — Mas o nosso não.
Deslizei minha mão do peito dele até a nuca, embrenhando meus dedos nos cabelos grossos dele, obrigando-o a me encarar.
— Nosso sangue é denso. Antigo. Nós descendemos daqueles que domaram dragões quando os ancestrais do Conselho ainda estavam comendo lama nas cavernas. Deuses não descem do céu pra se deitar com mortais, James. Eles se deitam com as próprias irmãs, com as próprias filhas, com as próprias mães. Porque o divino só pode se misturar com o divino.
A pupila dele estava dilatada, engolindo quase toda a íris. A cabeça do garoto estava explodindo. Ele estava sendo sugado por um buraco negro de vaidade e luxúria.
— Manter o sangue puro não é política, moleque. É um dever sagrado. Alistair sabia que eu era superior a ele. E ele me castigava por isso na cama. Ele queria arrancar a divindade de mim na força bruta... mas ele só conseguiu produzir você. O único filho vivo. E você carrega a minha herança correndo quente nessas suas veias.
Desci a outra mão lentamente pelo peito dele, traçando o caminho da espinha até parar perigosamente perto da cintura da calça dele. O corpo de James deu um pulo para frente, quase colando a pélvis dele na minha pele crua.
— Você não tem que se envergonhar por gostar do que vê — eu sussurrei contra os lábios dele, tão perto que sentia o bafo de vinho. — Você acha que se excitar comigo é um pecado porque aprendeu a religião dos homens fracos. Mas pra nós? Aqueles que estão acima de todos eles? O desejo pelo próprio sangue é a prova de que a linhagem está viva.
Ele estava ofegante. O conflito moral do garoto derreteu, esmagado pela pressão insuportável de estar frente a frente comigo no escuro daquele quarto. As mãos trêmulas de James subiram do lado do corpo. Lentamente. Ele queria me tocar, mas o terror reverencial ainda o segurava no último fio de sanidade.
Ele levou as duas mãos até a minha cintura fina. A pele dele estava quente. O toque era desajeitado, o toque de um virgem aterrorizado, mas carregado de uma fome que estava engarrafada há anos. O polegar dele roçou a minha pele nua e ele soltou um arfar rasgado, os olhos fechando por um segundo, saboreando a transgressão.
— Isso... — ele gaguejou, abrindo os olhos escuros, cravados no meu rosto. — Isso quer dizer que...
— Isso quer dizer, meu jovem Rei... — cortei ele, segurando o rosto dele com as duas mãos, apertando as bochechas, exigindo submissão total na porra do olhar. — Que qualquer mulher que o conselho tentar enfiar na sua cama não vai passar de uma vagabunda pra gerar herdeiros bastardos de alma. A sua mente, a sua coroa e o seu tesão pertencem à sua Linhagem Pura. Pertencem a mim.
Ele assentiu rápido. Desesperado. Completamente submerso. A lavagem cerebral estava concluída. O garoto não era mais uma vítima do acaso; ele agora era meu cúmplice, armado com a arrogância de achar que nós dois éramos deuses fodendo no inferno.
— Sim... — ele murmurou, a voz rouca, movendo as mãos devagar pela minha cintura nua, subindo para a curva da minha costela, maravilhado. — Só a você. Eu juro. Só a você, mãe...
Eu dei um sorriso lento, afiado e profundo. Deixei que os dedos quentes dele apertassem a minha carne por mais um segundo, selando o pacto doentio que tínhamos acabado de fechar. O veneno estava na corrente sanguínea dele, e não havia cura.
Então, devagar, eu me desvencilhei do toque. Deslizei um passo para trás, deixando as mãos de James caírem vazias no ar. Ele piscou, atordoado pela perda do contato, como um viciado que acaba de ter a droga tirada da boca.
— Bom garoto — sussurrei, virando o rosto de lado. — Mas promessas bonitas não tiram o cheiro daquele velho nojento da minha pele. Eu vou pro banho.
Virei as costas pra ele. Não peguei nenhum roupão, não fiz questão de me cobrir. Caminhei nua pelo tapete felpudo em direção ao anexo do quarto, onde a grande banheira redonda de cobre já estava cheia. As aias tinham preparado a água morna e os óleos essenciais horas antes, quando o mundo ainda era outro.
Entrei na água devagar. O líquido perfumado de jasmim e sândalo engoliu minhas pernas, meus quadris, subindo pelo meu abdômen até eu me sentar e recostar a cabeça na borda metálica, abrindo os braços sobre o cobre frio. Fechei os olhos, soltando um suspiro longo.
Não precisei olhar pra saber o que ia acontecer. Eu apenas ouvi.
Touc. Touc. Touc.
O som das botas pesadas dele batendo devagar no chão de pedra.
Quando abri os olhos, ele estava lá. James não tinha falado nada. Ele não tinha dado boa noite, não tinha recuado, não tinha corrido pro próprio quarto para rezar ou se esconder da própria luxúria.
Como um cachorro enfeitiçado que simplesmente não consegue abandonar a dona, ele me seguiu.
James parou bem na beirada da banheira. A respiração dele era pesada, as mãos soltas ao lado do corpo. Ele ficou de pé ali, olhando pra mim através da água morna, com os olhos sombrios queimando de obsessão. Ele parecia um fanático ajoelhado no altar da própria deusa, esperando a próxima ordem. A coroa de ouro agora era dele por direito, mas a alma, a vontade e o tesão daquele garoto... estavam todos ali, afogados na minha banheira.
Continuação de O Espetáculo da Viúva e a Coroa de Carne