Exausta fisicamente e com a mente fervilhando, ela caminhou até a cama e se deixou cair de costas. O impacto contra o colchão arrancou-lhe um suspiro pesado. Ela encarou o teto por alguns minutos, sentindo o silêncio do quarto ser preenchido pelos batimentos ainda acelerados de seu coração. O cansaço era uma névoa espessa, mas o sono parecia um horizonte distante.
Girando a cabeça para o lado, os olhos de Marianne pousaram sobre a mesa de cabeceira próxima. Lá estava ele: seu laptop, o portal para o mundo exterior e sua principal ferramenta de fuga da realidade.
Ela se impulsionou para cima, sentando-se na beirada do colchão. Desfez-se rapidamente das roupas pesadas do dia de trabalho, trocando-as por algo leve e confortável para passar a noite — uma blusa branca curta e uma lingerie confortável. Caminhou até a mesa, pegou o aparelho e voltou para a cama.
Marianne mudou de posição no colchão de cobertura avermelhada. Ela se deitou de bruços, dobrando os joelhos e deixando os pés relaxados no ar, enquanto apoiava o queixo delicadamente sobre as mãos. Com um toque rápido no botão de energia, a tela do laptop ganhou vida.
A luz azulada e brilhante do monitor rompeu a escuridão do quarto, iluminando perfeitamente o seu rosto focado e pensativo. Enquanto o sistema operacional carregava, os pensamentos de Marianne voltaram involuntariamente para as palavras duras de sua mãe na cozinha. Uma pontada de frustração misturada com uma cruel autoconsciência a atingiu.
Ela abriu o navegador, encarando a interface do serviço de streaming de vídeo, e pensou consigo mesma:
"Eu acho que a mãe está certa... Eu estou indo assistir a um show por horas, dormir como uma merda e ficar como uma zumbi no trabalho novamente."
Era um ciclo vicioso e ela sabia disso. A procrastinação tardia era a sua forma de punir o próprio corpo e adiar o amanhecer, uma tentativa desesperada de fazer a noite render o máximo de tempo livre possível, mesmo que o preço a ser pago no dia seguinte fosse a exaustão completa atrás do balcão da cafeteria.
Seus dedos hesitaram sobre o trackpad. A barra de pesquisa piscava, esperando que ela digitasse o nome de alguma série boba para desligar o cérebro. No entanto, por mais que tentasse focar na tela à sua frente, a imagem da mulher misteriosa do beco e as palavras "tirar suas roupas" e "algo picante" continuavam flutuando em sua mente como um desafio silencioso, sussurrando que talvez houvesse uma maneira de quebrar aquele ciclo de uma vez por todas.