FIM.
Essa foi um pouco da vida do meu primeiro amor. Seu nome era Rebeca, ela não resistiu e nos deixou muito cedo. Com apenas 19 anos. Após o início do tratamento tudo foi muito rápido e nenhum tratamento conseguiria mudar o que aconteceu.
Aqui eu tentei me colocar sob sua perspectiva e transformar em histórias parte do que ela deixou anotado em seu diário. Eu sou a LETÍCIA e tentei, mesmo sem ter muita intimidade com a escrita, escrevendo em um celular, cometendo vários deslizes gramaticais, tentei homenageá-la contando suas percepções de mundo e seus encontros amorosos. Hoje, ainda sinto meu peito doer. Me sinto frustrada por ter a deixado triste por tanto tempo. Eu só aceitei que eu a amava depois de perdê-la.
Depois que ela se internou ela não saiu de lá. O vovô (vou me referir ao familiares dela como se fossem da minha família) e o meu padrasto cogitaram levá-la aos Estados Unidos para tentar algo inovador e chegaram a tentar vender tudo que eles tinham para conseguir tratá-la lá, mas os médicos desaconselharam porque não havia mais tratamento para grau em que a doença chegou. Ainda descobrimos que ela tinha bulemia. Por isso ela tão magra.
O pouco que a vi era como se ela não fosse ela. Ali era apenas uma espécie de casulo que ainda guardava a forma original do ser que o habitava. Era como se eu a tivesse perdido a oportunidade compreendê-la naquele dia em que dormimos juntas.
...
Depois da dor de nossa perda. Meu padrasto se trancou em si mesmo e tudo para ele era trabalhar. Era como se ele buscasse estar ausente e não pensar em mais nada. O único momento que eu percebia o quanto ele ainda sofria era quando meus irmão corriam e o abraçavam ao chegar em casa. Ali o homem desabava em lágrimas.
O Gilvan, eu realmente não sei como ele reagiu com a morte dela. E com o passar do tempo ele se tornou quase que um membro da família. Como ele já estudava adm, meu padrasto é o vovô passaram a integrá-lo na gestão dos negócios da família. Eles queriam alguém de confiança que um dia pudesse gerenciar os mercados que estavam se consolidados como uma rede na cidade.
O cara era realmente bom no que fazia. Ele informatilizou todas as unidades e as interligou. Tudo isso no início de 2000. Com ele lá, meu padrasto e o vovô começaram a se desvincular da gestão. E passaram a viajar mais.
Depois de vivenciar o sofrimento dela eu não aguentei e mudei de curso me formando em adm. também.
Antes mesmo de tudo isso acontecer eu havia terminado meu namoro. Foi depois de ter descoberto que eu estava tomando um par de chifres. O pior não foi ter sido chifrada e sim da forma como foi.
Na maioria das congregações existe uma rivalidade e uma disputa interna para ser integrante da banda da igreja. Meu namorado sempre cantou no grupo e nos últimos tempos ficava mais lá do que comigo. Mesmo achando chato, eu nunca disputei sua atenção porque era algo importante para ele e tinha outras pessoas querendo a vaga de vocalista e aquilo poderia se tornar uma profissão. Sempre havia ensaios e depois de ir em alguns e achá-los chatos nunca mais fiquei. Contudo, semanas antes de descobrirmos a doença da Rebeca, uma obreira se aproximou de mim no final do culto e estranhamente segurou em minha mão e falou:
— Eu sugiro que você venha ouvir seu namorado amanhã à tarde. Ele canta muito bem!
Eu dei um sorriso amarelado e apenas concordei com a cabeça.
No seu tom de voz havia algo implícito e eu não consegui entender. Aquilo ficou martelando minha mente a noite toda.
Depois de roer todas minhas unhas que eu havia feito no dia anterior, fui à igreja . Tudo estava trancado e não parecia ter nenhum ensaio. Decidi ir embora. Eu já estava descendo a rua quando a obreira me avistou:
— Letícia! Leticia! Graças a De... opa! Ainda bem que te encontrei. Você veio ver ensaio?
— Ensaio? Lá não tem nenhum ensaio.
Ao me ouvir falar isso com um tom de indignação ela sorriu e me puxou pela mão.
— Não fala nada! Apenas me segue!
Dava para ouviu meu coração bater nessa hora. Eu mal falava com aquela mulher, mas ela transmitia segurança que não tinha como não atender seu pedido.
Fomos até a igreja. Ela tinha um molho gigante de chaves.
— Letícia, não faz barulho! Tira esse salto barulhento.
Pelo visto ela já havia feito isso anteriormente.
— Você quer para aqui ou quer ir para a luz e ver o ensaio? – ela sempre vinha com essas tiradas sarcásticas.
Eu sentia satisfação em seu tom, ela estava sentindo prazer com aquela situação.
— Eu quero ver e ouvir. – respondi decidida.
Então fomos em direção à sala dos obreiros.
Da porta já comecamos a ouvir gemidos e ranger de móveis. A luz da janela clareada quase tudo.
A obreira me encaminhou para um canto da parede que era totalmente ofuscado pelo sol. Produzido um sombra que ninguém conseguia ver sem estar bem próximo. Ao me abaixar eu vi. Ali estava materializado tudo o que eu tinha medo. Eu estava sendo traída.
Cobri meu olhos e os esfreguei com força. Eu estava sendo traída dentro de uma igreja.
A indignação começou a tomar conta de mim e quando pensei em tomar satisfação. A obreira me segurou.
— Espera mais um pouco, não fala nada! Espera eles se levantarem. – Eles estavam deitados em um banco de madeira de rangia insuportavelmente.
Quando o dois se levantaram e começam a cochichar um para o outro eu consegui ver quem estava com meu namorado, o pastor da igreja.
Eu não acreditei. A obreira cobriu minha boca.
— Fica quieta!
Eu não acreditei. A ideia de ser traída já é horrível, mas você pegar a pessoa que você planejava se casar se pegando com outro homem fez meu mundo cair.
Eu mal conseguia acreditar no que eu via quando ele abaixou as calças do pastor e começou a chupá-lo. Aquele viado chupava melhor que muitas mulheres. Ele enfiava tudo na garganta e voltava lambendo o pau do pastor que era um cara gordinho e baixinho.
Naquela hora eu já havia até esquecido que ele era meu namorado e ficamos ali assistindo.
A vaca da obreira estava vidrada e parecia gostar do que via.
Eu sempre achei estranho um cara não tentar passar a mão e ficar de pau duro quando está com a namorada. Eu não aceito a ideia de dividir nada, mas se é era para ser traída eu esperava uma garota melhor do que eu, mais bonita ou mais simpática, mas quando vi meu namorado chupando uma rola atolada até a garganta eu me senti um lixo.
— Olha lá! — a obreira falou.
O maldito pastor deu umas duas cuspidas no pau e socou sem dó.
— Ele já nem sem dor quando põe! – ela falou sorrindo.
A maldita da obreira estava com a mão úmida de suor. Ela estava exitada.
O moleque já não tinha pregas no cu. As socadas eram tão fortes que estralavam.
Eu não tinha onde enfiar minha cara. Eu estava ainda mais frustrada porque era meu namorado que estava ali dando a bunda. Eu nunca o perdoaria por me trair. Mas seria mais fácil aceitar que o cara era um galinha e me traiu com uma vizinha, sei lá! Mas era ele quem fazia o papel de mulherzinha nesse caso.
Eu não acreditava. Era como se aquilo fosse uma espécie de alucinação. Meu namorado mamando o pastor de minha igreja.
Para fechar meu inferno astral o maldito engoliu toda porra do velho enquanto batia uma. Depois disso eu sai o mais rápido possível arrastando a pervertida da obreira pela mão.
— Letícia! Você está bem?
Eu não tinha coragem de olhar para ela.
— Letícia, me perdoe, mas não tinha como eu guardar tudo e deixar você ser enganada por tanto tempo.
— Obrigada! Você quase me cegou com tanta luz! Eu tenho que ir embora agora. Isso tudo foi real?
Ela apenas sorriu, me abraçou e foi embora.
Quando cheguei em casa apenas me tranquei em meu quanto e chorei até anoitecer. Minha mãe ficou batendo na porta porque eu não saia. Ela me perguntava o que havia acontecido. Eu só queria desaparecer, ir para um lugar onde ninguém me conhecesse.
— Letícia! Seu namorado chegou.
O que eu faria? Eu não tinha estômago para olhar para cara dele. O cara era um verdadeiro machista e homofóbico que vivia dizendo o papel de cada um na sociedade e de repente descubro que ele curte uma broderagem e mama um pinto como ninguém...Eu precisava ser direta e não dar margem a desculpas.
— Mãe, não deixa ele vir aqui, por favor!
Ela me olhou assustada, mas entendeu que havia acontecia algo.
— Eu estou aqui! Se você quiser conversar!
— Mãe, apenas não deixa ele entrar! Diz a ele que eu assisti o ensaio dele mais cedo que ele vai saber do que eu estou falando. E não deixa ele entrar nunca mais aqui!
Acredito que ela entendeu. Sua face ficou carrancuda e com o corpo tenso ela foi fazer o que pedi.
matusalembebe