Bruna travequinha



Os anos se passaram com a suavidade enganosa da maré, lavando as areias mais ásperas do escândalo e transformando o proibido em rotina. Para o mundo exterior, a casa da família Silva era um modelo de modernidade e amor. Leandra Silva e Bruno Silva, um casal jovem e bonito, pais de uma menina louríssima de olhos claros chamada Sofia, que era a alegria da avó — sua ex-esposa, que, após um período de turbulência, acabara por aceitar a "nova configuração familiar" com uma resignação um tanto confusa, mas amorosa.

Bruno. Era assim que constava na certidão de casamento, no registro da pequena Sofia, no mundo. Um nome masculino, sólido, tradicional. Uma fachada perfeita para a verdade que apenas aquelas paredes conheciam. Porque dentro daquela casa, Bruno não existia. Existia apenas Bruna.

A garota linda, maravilhosa e gostosa que todos pensavam ser mulher, era, na intimidade daquele lar, uma força da natureza, uma divindade doméstica que governava com amor feroz e possessivo. O casamento legal com Leandra fora uma jogada de mestre — a identidade masculina de Bruno garantia direitos, aceitação social, normalidade. Mas a alma, o corpo, o eu que habitava aquela casa era inteiramente feminino, e inteiramente dela.

A rotina diária era comum. Jantar em família. Bruna, de avental, servindo uma lasanha que cheirava divino. Leandra ajudando a pequena Sofia com a lição de casa. Você, o vovô Luiz, que "morava na casinha dos fundos" — uma construção aconchegante e independente que, na verdade, era sua gaiola dourada, seu quartel-general de devoção — visitando para ler uma história para a neta.

Mas quando a noite caía e Sofia era colocada para dormir, a casa se transformava. As portas se fechavam. As máscaras caíam.

Esta noite era uma noite de Bruna.

Você estava deitado na cama grande do quarto principal — o quarto delas — esperando. A ansiedade era um bicho familiar no seu peito. Você usava apenas um roupão de seda que ela tinha comprado para você. Era macio contra a sua pele, um contraste com a aspereza do seu desejo.

A porta se abriu. Ela entrou, silenciosa como um felino. Já havia tirado a maquiagem do dia. Seus cabelos loiros, mais longos agora, caíam soltos sobre os ombros. Ela usava um chemise de seda preta, curto, que mal cobria a curva perfeita de suas nádegas. A seda era fina o suficiente para delinear os seios pequenos e firmes, e o volume inconfundível e pesado que repousava entre suas coxas.

Ela não disse uma palavra. Seus olhos, no penumbra, tinham aquele brilho de posse que ainda fazia seu estômago embrulhar de excitação. Ela veio até a cama e parou ao seu lado. Sua mão, com unhas impecavelmente feitas, tocou o nó do seu roupão.

“Minha puta está ansiosa hoje”, ela sussurrou, sua voz uma carícia áspera.

Ela desfez o nó e abriu o roupão. Seu corpo, mais velho agora, exposto para ela, reagiu instantaneamente à sua presença. Ela sorriu, um sorriso de predadora satisfeita.

“Vira”, ela ordenou, suave mas implacável.

Você obedeceu, rolando de bruços. A seda do roupão era fria contra sua pele quente. Você ouviu o som familiar do lubrificante sendo aberto. Suas expectativas se contorceram. Ela não o preparava mais com a língua como antes. A intimidade tinha camadas. Algumas noites eram de dominação rápida e suja. Outras, como esta, prometiam posse lenta e completa.

Seus dedos, hábeis e conhecedores, trabalharam você sem cerimônia, abrindo-o para o que viria. A preparação foi rápida, eficiente. Ela sabia exatamente o que seu corpo precisava.

Então, você sentiu. A pressão quente e sólida da cabeça do seu membro contra a sua entrada. Ela estava lubrificada, pronta. Ela se posicionou sobre você, sua chemise de seda roçando suas costas.

“Todo seu, seu corno”, ela murmurou, e então se afundou em você num único movimento profundo e fluido.

Um gemido abafado escapou dos seus lábios. A sensação de preenchimento total, de ser aberto e possuído por aquela parte dela, era tão avassaladora quanto no primeiro dia. Ela permaneceu imóvel por um longo momento, deixando você sentir cada centímetro, cada pulso dentro de você.

“É aqui que você pertence”, ela sussurrou, curvando-se para frente, seus lábios tocando sua orelha. “Na cama da sua filha, levando pau da mulher dela. Seu velho depravado.”

As palavras eram um chicote doce. Ela começou a se mover, um ritmo lento, profundo, hipnótico. Cada embate era calculado para atingir o ponto mais profundo da sua alma. Suas mãos seguravam seus quadris, suas unhas cravando-se na sua carne, marcando-o como seu.

De repente, a porta do quarto se abriu. Leandra entrou. Ela estava de pijama, seu rosto iluminado pela luz do corredor. Ela não parecia surpresa. Seus olhos percorreram a cena: você, de bruços, sendo possuído por Bruna, que montava você com uma graça e uma força obscenas.

Um sorriso cansado e amoroso apareceu no rosto de Leandra. “Não cansa, amor?”, ela perguntou a Bruna, sua voz carregada de uma ternura íntima.

Bruna nem parou seu ritmo. Ela olhou por cima do ombro para a namorada, sua esposa. “Cansar dele? Nunca.” Seu olhar então voltou-se para você, cheio de fogo. “Ele foi feito para isso.”

Leandra veio até a beira da cama. Ela se inclinou e beijou Bruna, um beijo longo e lascivo, enquanto Bruna continuava a foder você. A visão, a traição final e completa, fez você explodir silenciosamente contra os lençóis, seu orgasmo um espasmo roubado de pura submissão.

Bruna sentiu suas contrações e sorriu, triunfante. Ela acelerou, seus quadris batendo contra você com uma força final, até gemer e desabar sobre suas costas, seu próprio orgasmo preenchendo você mais uma vez.

Leandra deitou ao lado de vocês na cama grande, acariciando o cabelo de Bruna. “Vem cá, meu marido”, ela sussurrou, puxando Bruna para um abraço.

Bruna rolou para o lado, saindo de você com um suspio, e se aninhou nos braços de Leandra. As duas se beijaram, um beijo de amor verdadeiro, profundo, o beijo de um casal que construiu uma vida e uma família juntas.

Você ficou deitado, vazio e marcado, observando-as. A esposa e o marido. A mãe da sua neta e o amor da sua vida. A dona do seu corpo e da sua alma.

Bruna olhou para você por cima do ombro de Leandra. Seus olhos, agora suaves e cheios de um amor complexo e infinito, encontraram os seus.

“Vem cá, meu homem”, ela disse, estendendo o braço.

Você se moveu, dolorido e grato, e se encaixou contra as costas dela, seu corpo se curvando ao redor do dela, completando o triângulo perfeito e profano. O homem tradicional, a esposa e o marido. Uma família.

Do lado de fora, a lua brilhava sobre um bairro tranquilo. Dentro daquela casa, sob os lençóis embaraçados, o mundo real não tinha vez. Lá, Bruna reinava. E você, o Sr. Luiz, era, e sempre seria, inteiramente dela.


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Ficha do conto

Foto Perfil mamazita-
mamazita-

Nome do conto:
Bruna travequinha

Codigo do conto:
269925

Categoria:
Travesti

Data da Publicação:
15/08/2026

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2

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