O Último Jogo II

2 O último Jogo II

AVISO DE CONTEÚDO
Este conto aborda temas sensíveis relacionados a abuso e violência sexual, assédio, manipulação psicológica e suas consequências emocionais.

Naquela noite, ele não dormiu.
Ficou sentado no chão do quarto, abraçando os joelhos.
Pensou em Recife, na mãe e no pai. No campo de terra onde começará a jogar. Pensou nas chuteiras velhas. Pensou na primeira vez em que alguém lhe dissera que poderia ser profissional.
E chorou.
Não, porque havia deixado de querer jogar.
Mas, pela primeira vez, teve medo de que seu sonho tivesse sido usado para prendê-lo.
Naquele momento, tomou uma decisão.
Na manhã seguinte, Gabriel levantou-se cedo.
Lavou o rosto, vestiu o uniforme, olhou-se no espelho.
Parecia o mesmo rapaz. Mas alguma coisa havia mudado.
Quando encontrou Ricardo na cozinha, não discutiu.Não perguntou nada, apenas disse:
— Vamos para o treino.
Ricardo sorriu.
— Assim que eu gosto.
Gabriel pegou a mochila. E saiu.
Gabriel treinou como nunca.
O treinador percebeu: — Está tudo bem?
— Está.
— Tem certeza?
Gabriel respirou fundo. — Estou.
Recebeu a bola na entrada da área.
Driblou dois, passou pelo terceiro.
Chutou, gol.
O treinador gritou: — Isso!
Gabriel pegou a bola dentro da rede.
Olhou para ela durante alguns segundos.
Ali estava a única coisa que ainda era completamente dele: O futebol.
E decidiu que Ricardo poderia tentar controlar sua vida, poderia ameaçá-lo, poderia  usar seu medo.
Mas não teria aquilo, não teria seu talento.
Não teria seu futuro.
O treinador o chamou: — Você pode ficar.
Gabriel demorou alguns segundos para entender.
— Como?
— Quero você no meu grupo.
— Como profissional?
— Por enquanto, em avaliação. Mas quero você aqui.
Gabriel sentiu os olhos marejarem.
* Obrigado.
O treinador estendeu a mão. — Não agradeça ainda. Quero ver se consegue umfazer isso todos os dias.
Gabriel sorriu. — Consigo.
Do lado de fora, Ricardo o esperava.
— Parabéns.
Gabriel entrou no carro. — Consegui.
— Eu sabia.
Ricardo ligou o motor. — Agora começa sua verdadeira carreira.
Gabriel olhou pela janela. Lisboa passava diante de seus olhos. Pela primeira vez desde que chegara, sentiu algo diferente.
Não era medo, era esperança.
Mas havia outra coisa também, uma determinação silenciosa.
Ele não sabia ainda como enfrentaria Ricardo, não sabia quando nem como. Só sabia que precisava esperar.
E, enquanto esperava, aprenderia tudo o que pudesse. Sobre futebol, sobre contratos e principalmente sobre Ricardo e as pessoas que trabalhavam com ele.
Precisava urgentemente sair daquela situação sem perder o sonho pelo qual havia lutado a vida inteira.
Gabriel fechou os olhos. Dentro de sua cabeça, uma frase se repetia:
“Ele acha que me trouxe até aqui.”
Abriu os olhos.
“Um dia vai descobrir que fui eu quem chegou.”
Pararam em um restaurante para jantar e comemorar.
Gabriel passou o jantar todo quase calado, respondendo às perguntas de Ricardo em
monossílabas.
Ao chegar em casa, Gabriel se dirigiu ao corredor para entrar em seu quarto, mas foi interrompido por Ricardo, que o pegou pelo braço.
* Entra aqui no meu quarto, quero falar com você.
* Eu não quero, quero ficar sozinho.
Nesse momento, ele se aproxima de Gabriel e o empurra para dentro do quarto.
Você tem que entender a sua situação nisto tudo, as suas conquistas dependem de mim.
Se eu ligar para o clube e disser que você não é confiável, acabou. Ninguém mais vai querer conhecê-lo.”
Ricardo trancou a porta do quarto e ficou olhando para Gabriel, que se encolhia contra a parede com medo, e ordenou:
- Tira a roupa.
— O quê? — respondeu Gabriel.
Sentiu a mão de Ricardo no seu pescoço, levando-o outra vez contra  a parede.
  — Eu mandei você tirar a roupa.
Disse  com a boca agora colada no ouvido de Gabriel.
Ricardo sentou-se na cama e começou a observar Gabriel. Ele não tinha muito o que fazer, então, com muita vergonha, começou a se despir. Tirou toda a roupa e deixou no canto.
- Ajoelha e vem engatinhando para mim.
E assim Gabriel o fez; não eram pedidos, eram ordens, e ele entendeu que deveria acatar todas.
- Você está achando que tem algum palhaço aqui para você fazer gracinha? Você se meteu com o cara errado. Agora eu vou ser teu macho e você, minha putinha. — Abre a boca.
Ricardo colocou os dedos na sua boca e fez ele abrir.
Desceu a calça e botou para fora seu pau, deixando Gabriel assustado. Aproximou-se dele e fez engolir tudo. Gabriel se encostou na parede, ainda de joelhos, e Ricardo fodeu sua boca com vontade. Seu pau não cabia na boca de Gabriel  e estava machucando seu maxilar.
Gabriel retrucou: — Não cabe, é muito grande.?Ricardo, irritado, respondeu: — Você está maluco de me responder?
Deu mais um tapa no rosto de Gabriel, encostando sua cabeça na parede, e meteu outra vez o pau na sua boca, só que agora segurando seu rosto. Ele forçou até seu pau entrar todo na sua garganta e seus pentelhos tocarem seu nariz.  Gabriel estava ficando sem ar e ele seguia fudendo sua garganta como se fosse uma buceta, até que começou a engasgar muito e lacrimejar. Quanto mais ele chorava e engasgava, mais ele ria e metia com vontade. Até que tirou o pau da boca dele e continuou a se masturbar, chegando ao orgasmo, despejando toda sua porra na cara de Gabriel.
Sem falar nada, Ricardo foi até a porta e abriu; Gabriel juntou suas roupas e saiu em direção ao seu banheiro.
Desta vez Gabriel não chorou, a raiva segurou suas lágrimas. No seu coração, brotou  uma semente do ódio. Jurou vingança.
Naquela madrugada, enquanto Ricardo dormia, Gabriel levantou-se.
Foi até a sala. Abriu o notebook que Ricardo deixava sobre a mesa, não sabia a senha,tentou uma, nada.  Tentou outra, nada, fechou.
Quando estava voltando para o quarto, viu uma pasta sobre a mesa. Seu nome estava escrito nela.
GABRIEL ALMEIDA — DOCUMENTAÇÃO
Ele olhou para o corredor, nenhum ruído, abriu, havia cópias do passaporte, documentos do clube, contratos, conversas impressas e fotografia de outros jogadores.
Gabriel ficou imóvel.
Pegou o celular e fotografou algumas páginas. Não sabia exatamente o que estava procurando.
Mas agora tinha certeza de uma coisa:
Ricardo guardava tudo.
E quem guarda tudo também deixa rastros.
CONTINUA...


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Ficha do conto

Foto Perfil fmike
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Nome do conto:
O Último Jogo II

Codigo do conto:
273843

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
03/10/2026

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