O VIÚVO DO QUIOSQUE

Minha esposa sempre teve facilidade para fazer amizade com qualquer pessoa. Bastava sentar perto dela por cinco minutos que a conversa começava. Foi assim que conhecemos Antônio, um senhor de 68 anos que frequentava diariamente um quiosque na praia. Ele ofereceu duas cadeiras na mesa ao lado, começamos a conversar e acabamos passando boa parte da tarde juntos. Naquela hora, eu não imaginava que, antes de o fim de semana terminar, aquele senhor deixaria de ser apenas mais um conhecido de férias."
Sabe quando a gente faz um plano pra tudo dar certo, mas o destino resolve te jogar um balde de água gelada e, de quebra, te oferecer uma toalha seca? Aquele sábado começava como qualquer outro fim de semana de verão na nossa rotina. Eu e a Carolina, depois de dezessete anos de casados, já tínhamos esse ritual afinado: escapar de Florianópolis, pegar uma casa simples no litoral norte e fazer nada além de sentir o cheiro do mar e ouvir o barulho das ondas. A gente gosta do movimento, mas sem agitação. O tipo de lugar que tem um quiosque de esquina com uns peixes fritos passáveis e uma caipirinha que resolve metade dos problemas do mundo.
A gente chegou lá perto do meio-dia, deixou as malas no quartinho e foi direto pra areia. Carolina já estava de biquíni, aquele body branco que realçava a pele morena dela e os seios que o tempo, felizmente, não teve a audácia de derrubar. Ela caminhava na minha frente, balançando o cabelo castanho comprido, e eu pensava como, depois de tanto tempo, ainda conseguia me surpreender com a vontade que ela me dava.
— Tô morrendo de fome, Guto — ela disse, virando pra mim com o sol batendo no rosto. — Vamos almoçar naquele quiosque ali? O cheiro de peixe veio me buscar.
Concordei de cabeça. A fome não era só minha. A gente subiu a passarela de madeira e se deparou com uma confusão barulhenta. O lugar estava lotado. Garçons correndo, crianças gritando, um som de reggae que mais parecia um aviso de que o álcool já tinha começado a fazer efeito em alguns. Foi aí que o homem, sentado sozinho numa mesa de quatro com duas cadeiras vazias, nos olhou.
— Se quiserem, as cadeiras são livres — falou ele, com uma voz calma e um sorriso amável. — Só não garantem o serviço.
Carolina não pensou duas vezes.
— Ah, obrigada! A gente vai ficar muitíssimo agradecido — respondeu ela, já puxando uma cadeira pra si.
Eu sentei do outro lado, e aí começou tudo. O homem se apresentou Antônio. Moreno claro, cabelos completamente grisalhos cortado bem baixo, uma barba curta e branca que lhe dava um ar de intelectual aposentado. Ele nem parecia com 68 que ele disse ter. O corpo era comum, sem a musculatura de quem vive na academia, mas com uma postura de quem nunca foi deseducado. A gente pediu as cervejas e os pratos do dia, e a conversa fluiu naturalmente.
Antônio contou que era da região, que tinha tido um comercio de roupas no centro por mais de trinta anos e que agora, aposentado, só cuidava de não aborrecer a vizinhança. Ele era viúvo, disse ele, há quatro anos. "Quase quarenta anos de casamento", completou, olhando pro mar como se visse o fantasma da mulher perdida nas ondas. Mas não era um olhar de tristeza profunda, mas sim de uma saudade que já tinha se tornado parte dele, como a barba ou a cor dos cabelos.
Carolina, como sempre, ficou fascinada com as histórias dele. Ela se inclinava pra frente, os olhos brilhando enquanto Antônio narrava uma perrengue com um fornecedor ou uma viagem improvisada pro interior em tempos de estrada de terra. Eu ficava quieto, tomando minha cerveja e observando. Eu admirava essa facilidade que ela tinha. Pra mim, fazer amizade era um processo demorado, cheio de etapas e filtros. Pra ela, era como respirar.
Em determinado momento, uma garçom passou e cumprimentou Antônio pelo nome.
— Tudo bem, seu Antônio? A de sempre?
— Isso mesmo, Dani. Pode mandar — respondeu ele, com a naturalidade de quem é dono da casa.
Carolina sorriu pra mim, como se quisesse dizer "viu só?". Eu entendi o recado. Aquele cara era um personagem daquele lugar. Uma instituição.
Depois que o almoço chegou e a gente comeu, a conversa continuou. Antônio tinha um jeito de contar histórias que me lembrava meu avô. Detalhes pequenos, um humor seco e uma sabedoria que só a vida, e não os livros, ensina.
— Seu Antônio, o senhor não parece ter 68 anos, não — disse Carolina, em algum momento. — O segredo é qual? Água de coco?
Ele riu, uma risada baixa e gostosa.
— Minha filha, o segredo é não discutir com o calendário. Ele sempre ganha. O resto é tentar não ser um chato no meio do caminho.
A gente riu. A cumplicidade entre os dois crescia a cada minuto. Eu percebia na forma como ela o ouvia, como ela ria das piadas dele, como ela o encorajava a contar mais. Não era uma coisa calculada, era genuína.
— E o senhor vem sempre aqui sozinho? — perguntei, tentando entrar mais na conversa.
— Quase sempre. Mas solidão na beira da praia é diferente. É uma solidão com paisagem, com som, com gente passando. A gente nunca está realmente sozinho aqui. Acabo conhecendo um casal, converso com o garçom, ajudo uma turma a tirar foto... a vida acontece.
— E nunca pensou em... sabe lá, arrumar uma companhia? — arriscou Carolina, com a curiosidade que lhe era característica. — Depois de ficar viúvo.
Antônio coçou a barba, pensativo. Ele não se incomodou com a pergunta direta. Pelo contrário, pareceu até apreciar a franqueza.
— Já pensei, já pensei. Mas não tô com essa pressa de achar alguém. Acho que quando a gente procura demais, acaba achando qualquer coisa. Prefiro deixar acontecer. Se acontecer, bom. Se não, também não vou morrer por isso. Já tive uma vida boa, muito boa. O resto é bônus.
A resposta dele pareceu acender uma luz nos olhos de Carolina. Havia ali uma maturidade, uma tranquilidade que a atraía.
Fui pagar a conta no balcão. Quando voltei, os dois estavam rindo de algo. Achei que tinha sido uma piada que eu perdi.
— A gente estava falando que o próximo passo era te convidar pra morar aqui, seu Antônio — disse ela, quando me sentei. — Pra ser o nosso guia oficial de férias.
Eu ri da brincadeira, mas percebi que havia uma ponta de verdade na fala dela.
— Pois se precisarem de um guia, podem me chamar — disse ele, sorrindo. — Conheço cada pedra deste lugar.
Foi então que Carolina fez o movimento. Antônio já ia se levantar, talvez para ir embora.
— Seu Antônio, a gente tá alugando uma casa aqui perto... nada de mais, um lugar simples. Se o senhor não tiver nada melhor pra fazer hoje à noite, a gente topava de continuar essa conversa com uma caipirinha gelada. Por nossa conta.
Ele ficou um surpreso. Olhou pra mim, como se pedindo uma confirmação.
— Claro, cara! Fica à vontade. A gente tá de folga. Seria um prazer — disse eu, apoiando a ideia.
Antônio sorriu, um sorriso genuíno, de quem gostou da surpresa.
— Pois então. Agradeço o convite. Que horas?
— A gente passa por aqui por volta das sete, oito horas? — sugeriu Carolina. — A gente volta daqui e já volta.
— Combinado. Vou estar por aqui.
A gente se despediu. Enquanto a gente caminhava de volta pra casa, o silêncio entre nós era diferente. Tinha uma expectativa.
— Ele é um homem muito interessante, Guto — disse ela, finalmente, quebrando o silêncio. — Não é só o que ele conta, é como ele conta. É uma calma... não sei explicar.
Eu ri.
— Tu passou a tarde inteira entrevistando o pobre homem, Care. Acho que agora tu sabe a vida inteira dele.
Ela também riu, mas depois o riso dela sumiu e ela parou de andar. Me olhou nos olhos, com uma seriedade que eu não esperava.
— Sabe... eu senti uma coisa por ele. Uma atração.
Eu parei também, surpreso. Fiquei olhando pra ela, tentando processar o que ela tinha dito. Depois de tantos anos de casados, a gente se conhece. Eu sabia quando ela estava brincando e quando estava falando sério. Ali, ela estava falando sério.
— Tipo... atração atração?
Ela anuiu com a cabeça, um pouco sem jeito, mas honesta.
— Sim. Não é só pela idade dele, ou essa história de homem mais velho... é o jeito dele. A paz que ele tem. A forma como ele te olha enquanto fala. É... maduro, de verdade. Não é esse moleque que acha que ser maduro é ter barba e ouvir rock dos anos 80.
Eu fiquei calado por um instante. A minha primeira reação, talvez, fosse de ciúme. Mas não foi. Foi de curiosidade. Uma curiosidade enorme. A ideia de ver a minha esposa com outro homem, especialmente um homem como aquele, com aquela história, com aquela calma, me intrigava de uma forma que eu nunca tinha sentido.
— E tu... tu queria conhecer ele mais... intimamente? — perguntei, escolhendo as palavras com cuidado.
Ela respirou fundo e respondeu.
— Sim. Se tu... se tu estiver bem com isso, Guto. Se não te incomodar. Não é pra te trair ou nada disso. É... eu não sei. É um impulso. Uma vontade de experimentar. De sentir o que é ser desejada por um homem como ele.
Eu encarei ela por mais um tempo. A imagem dela naquela manhã de biquíni, a forma como ela conversava com Antônio, a sinceridade do pedido dela agora. Eu senti meu coração bater um pouco mais rápido. E não era de raiva.
— Estou — disse eu, com a voz mais calma do que eu esperava. — Estou bem. Aliás... acho que até me excita um pouco a ideia.
O sorriso que ela me deu naquele momento valeu mais que qualquer presente. Era de alívio, de alegria, e de uma cumplicidade que eu sabia que poucos casais têm. A gente se abraçou ali no meio da rua, com o cheiro do mar envolvendo a gente.
— A gente vai com calma, então? — perguntou ela, em meu ouvido. — Vamos ver como a noite roda. Sem pressão.
— Combinado.
A gente continuou o caminho de volta pra casa, de mãos dadas. O resto da tarde foi de uma expectativa silenciosa. A gente tomou um banho rápido, deitou um pouco, mas a mente da gente estava longe. Pelo menos a minha estava. Eu ficava imaginando como seria a noite. O que Antônio pensaria. Até onde a gente iria.
Quando a noite começou a cair, a gente se arrumou. Carolina usou um vestido de algodão leve, justo nos lugares certos, e deixou o cabelo solto. Eu coloquei uma bermuda e uma camisa regata. A gente parecia um casal normal, indo pro seu jantar de fim de semana.
Quando a gente chegou ao quiosque, ele já estava lá. Na mesma mesa. Com um suco de laranja na mão. Ele nos viu e ergueu o copo em um saudação.
— Cheguei a pensar que vocês não viriam — disse ele, com um sorriso.
— A gente teve que fazer uma pequena soneca pós-almoço — brincou Carolina, sentando-se ao lado dele. — Já não somos tão novos.
Ele riu.
— A juventude é um estado de espírito, não uma idade. É o que eu sempre digo.
A gente pediu algumas porções de petiscos e mais cerveja. A conversa fluiu de novo. Mas agora havia uma tensão diferente no ar. Uma eletricidade. Eu percebia que Carolina estava mais ousada. Ela encostava o braço no dele quando ria. Ele, por sua vez, não recuava. Pelo contrário, eu via nos olhos dele que ele estava notando o interesse dela.
Ela se inclinou e cochichou no ouvido dele. Eu não ouvi o que disse, mas vi a reação dele. Ele olhou pra ela, surpreso, depois pra mim. Eu dei de ombros, com um sorriso.
Ela se recostou na cadeira, com um sorriso maroto.
— A gente está alugando uma casa aqui bem perto — disse ela, em voz alta. — Bem mais silenciosa que aqui. E a caipirinha é por nossa conta. O que acha de a gente continuar a conversa lá?
Antônio olhou de mim pra ela, hesitante por um segundo. Mas depois ele sorriu.
— Acho que é uma oferta que eu não posso recusar.
Caminhamos os três pela areia fria. A lua já estava no céu, cheia e brilhante. O som das ondas era a única trilha sonora. A casa que a gente tinha alugado era simples, mas aconchegante. Uma varanda com uma rede e uma sala com um sofá confortável.
— Sintam-se em casa — disse eu. — Vou preparar as caipirinhas.
Enquanto eu preparava as bebidas na cozinha, eles ficaram na sala. Ouço o som das vozes deles, mas não conseguia distinguir o que diziam. Quando voltei com as três coquetéis, eles estavam sentados no sofá, conversando baixo. Carolina estava mais perto dele que antes.
— Aí estão elas — disse eu, entregando os copos. — Espero que gostem. O segredo é bastante limão.
Eles agradeceram. A gente se sentou. A conversa, como eu esperava, logo se virou pra assuntos mais pessoais. Falaram de vida, de casamento, de solidão.
— Às vezes a gente acha que está sozinho só porque não tem alguém do lado na cama de manhã — disse Antônio, em certo momento. — Mas a solidão morra dentro. A gente pode estar em meio a uma multidão e se sentir completamente sozinho.
Carolina olhou pra ele, com uma compaixão genuína no olhar.
— A gente nunca está sozinho de verdade — disse ela. — Sempre tem uma memória, um sonho, um desejo. Acho que a gente só se sente sozinho quando esquece disso.
Eles se olharam por um momento. Um silêncio denso se formou entre eles. Eu podia sentir a química. Era quase palpável.
E foi então que Carolina fez o movimento. Ela se virou pra ele e, sem dizer nada, o beijou.
Não foi um beijo tímido. Foi um beijo de desejo. Um beijo que dizia tudo o que ela não tinha dito com palavras. Ele, surpreso no início, retribuiu. Com uma calma, uma experiência que só a idade proporciona.
Eu fiquei ali, parado, segurando o meu copo de caipirinha, observando. Meu coração martelava no peito. Era a cena mais excitante e estranha que eu já tinha presenciado. Minha mulher, a mulher que eu amava, beijando outro homem na nossa sala de estar, e eu sentindo... ciúmes? Não. Era mais complexo. Era excitação. Era curiosidade. Era uma forma estranha de amor.
Eles se beijaram por um longo tempo. As mãos dela subiram pelo pescoço dele, se entrelaçando nos cabelos grisalhos. A mão dele se posou nas costas dela, puxando ela mais perto. Eu podia ver a forma como os corpos deles se ajustavam um ao outro.
Quando eles se separaram, estavam ambos ofegantes. Ela me olhou, como se pedindo permissão. Ou talvez, pedindo para eu me juntar a eles.
Eu sorri. Me levantei. Fui até eles. Eu não sei o que eu esperava fazer. Mas o meu corpo agiu por instinto. Eu beijei Carolina. Senti o gosto dele em seus lábios. Era estranho, mas não desagradável.
A noite se perdeu em uma sequência de momentos surreais. Nossas roupas foram desaparecendo, uma por uma. Pele contra pele. Os corpos se entrelaçando. As mãos se explorando. As vozes se misturando em sussurros e gemidos.
Vi a mão de Carolina deslizar pelo peito de Antônio, descendo até a calça dele. Vi o desejo nos olhos dela quando ela sentiu a ereção dele. E vi a surpresa nos olhos dele.
— Sua mulher é... impressionante — sussurrou ele pra mim, em algum momento, enquanto a boca dela explorava seu pescoço.
Eu apenas concordei com a cabeça, sem palavras.
Vi Carolina ajoelhar-se entre as pernas dele. Vi ela tirar o pênis dele da calça. Era grande, mais grosso que o meu, e completamente branco, com os pelos grisalhos. Ela o olhou com uma fome que eu reconhecia bem. Era a fome que ela sempre me demonstrou, mas que ali, naquele momento, estava toda voltada pra ele.
Ela o levou na boca. Com uma delicadeza e uma paixão que me arrepiaram. Ele se recostou no sofá, com os olhos fechados, um gemido baixo escapando de seus lábios. Eu fiquei ali, observando, sentindo meu próprio pênis pulsar de desejo. Era uma cena voyeurística, mas eu também era parte dela. Eu era o marido, o cúmplice, o espectador excitado.
Em algum momento, ela me olhou e me chamou com um gesto. Fui até ela. Ela pegou na minha mão e me colocou ao lado de Antônio no sofá. Ela alternava entre nós, com a boca, com as mãos. Era um delírio. Um turbilhão de sensações. O cheiro do sexo se misturava com o cheiro do mar que vinha da janela aberta.
Ela se levantou e, segurando nossas mãos, nos levou para o chão, sobre um tapete macio. Ela se posicionou entre nós, de quatro, olhando pra mim enquanto Antônio entrava nela por trás.
— Me beija — pediu ela, e eu a obeideci.
Eu a beijei enquanto ele a possuía. Sentia o corpo dela tremer a cada golpe dele. Sentia os gemidos dela engolidos pelo meu beijo. Era intensamente íntimo. E estranhamente poderoso. Eu estava compartilhando a minha mulher com outro homem, mas em vez de me sentir diminuído, eu me sentia... expandido. Como se aquele momento estivesse ampliando os limites do nosso amor, do nosso sexo, da nossa própria vida.
Eles mudaram de posição. Ele se deitou de costas e ela montou nele. Eu via o pênis dele desaparecendo dentro dela, via a expressão de puro prazer no rosto dela. Ela me chamou de novo. Ela me pediu pra me aproximar.
Eu entendi. Eu me posicionei atrás dela, enquanto ela se inclinava sobre o peito dele. Com as mãos um pouco trêmulas, eu a penetrei também.
Ela gemeu alto. Um som de dor e prazer misturados. Um som que eu nunca tinha ouvido antes. Eu e Antônio nos movemos juntos, um ritmo que encontramos naquela loucura, um ritmo que a levou ao clímax de uma forma que eu nunca a tinha visto antes.
O corpo dela se contorceu entre nós. As vozes dela se perderam em gritos de prazer. E quando ela finalmente relaxou, exausta, nós também alcançamos o nosso próprio clímax. Um após o outro. Um orgasmo compartilhado. Uma liberação coletiva.
A gente ficou ali no chão, os três, em silêncio. O único som era a nossa respiração ofegante e as ondas do mar lá fora. Eu senti a mão de Carolina encontrar a minha. Eu a apertei. Olhei pra Antônio. Ele me olhou de volta. Não havia nada a dizer. Tudo estava dito.
A gente dormiu no chão. Enroscado uns nos outros. Uma pilha de corpos suados e satisfeitos. Eu adormeci com o cheiro da minha mulher e o cheiro de outro homem em meus sentidos. E com a certeza de que aquele fim de semana nunca mais seria esquecido.
***
Acordei com o sol da manhã batendo no meu rosto. A primeira coisa que senti foi o vazio ao meu lado. Carolina não estava lá. Eu me sentei, um pouco tonto, olhando em volta. A sala estava uma bagunça. Roupas espalhadas, copos vazios. E a lembrança da noite anterior veio como uma onda, quente e inconfundível.
Eu ouvi vozes baixas vindas da cozinha. Me levantei, peguei a bermuda que estava jogada no chão e vesti. Caminhei até lá, sem fazer barulho.
Eles estavam lá. Carolina, usando a minha camiseta regata, grande demais para ela, e Antônio, com a calça do dia anterior. Ele estava encostado no balcão, com um copo de café na mão. Ela estava perto da cafeteira, de costas pra mim. Eles conversavam baixo, rindo de algo.
— ...e então eu disse pra ele, se o senhor não abaixar o preço, eu vou vender o negócio todo por um real — dizia ele, e ela riu.
Fiquei ali na porta, observando. Não era um cenário de ciúme. Era um cenário... doméstico. Confortável. Como se eles fizessem aquela toda manhã.
Ela me viu.
— Bom dia, dorminhoco — disse ela, com um sorriso que iluminou a cozinha. — Achamos que tu não ia mais acordar.
Antônio se virou e também sorriu.
— Bom dia, rapaz. Amanheceu, né?
Eu sorri de volta.
— Pelo jeito, vocês já estão administrando a casa sem mim.
Antônio deu uma gargalhada.
— É que sua esposa descobriu que eu sou um especialista em café feito na hora. E também que conheço a melhor padaria da região, a poucos quarteirões daqui. Fui buscar pão quentinho.
Carolina me entregou uma xícara de café.
— Ele até sabe que pão de queijo de verdade só se faz com polvilho azedo — disse ela, me olhando com um brilho nos olhos. Eu sabia aquele brilho. Era o brilho da atração. A noite não tinha apagado a chama. Pelo contrário, tinha jogado mais lenha nela.
— Claro. O homem tem quase setenta anos de experiência — brinquei. — Eu não tenho como competir.
A gente riu. A tensão da noite tinha se transformado em uma cumplicidade descontraída. A gente sentou na pequena mesa da cozinha, comendo o pão fresco e o pão de queijo que Antônio tinha trazido. A conversa fluiu, sem rodeios.
— Então... — começou Carolina, em algum momento, olhando de mim pra ele. — Sobre ontem...
Antônio olhou pra ela, esperando.
— Foi... inesperado — continuou ela. — Mas foi bom. Muito bom.
Ele concordou com a cabeça, com a sinceridade que lhe era característica.
— Pra mim também. Fazia anos que eu não me sentia... assim. Vivo. É a palavra. Vocês me fizeram sentir vivo de novo.
Eu fiquei quieto, deixando eles falarem. Observava a interação deles. A forma como o olhar de Carolina se demorava nele. A forma como ele a ouvia, com uma atenção que parecia beirar a adoração.
Carolina se virou pra mim.
— E tu, meu amor? Tá tudo bem?
Eu sorri. Eu estava mais do que bem. Estava curioso. Excitado com as possibilidades daquele dia.
— Tudo ótimo. Tô até achando que cedo demais pra essa festa acabar. O que acha, seu Antônio? Ainda tem um sol lá fora nos esperando.
Ele olhou pra Carolina, como se pedindo permissão, ou confirmando um entendimento.
— Acho que este velho ainda consegue aguentar mais um pouco — disse ele, com um sorriso maroto. — Principalmente com uma companhia dessas.
A decisão foi tomada. Sem palavras diretas, mas com um consentimento mútuo e claro. A gente terminou o café e voltou pra sala. A bagunça da noite anterior ainda estava lá, um testemunho do que a gente tinha vivido.
Carolina se aproximou de mim e me deu um beijo lento. Depois, ela se virou e foi até Antônio. Ela tirou a camiseta do meu corpo que ela usava, ficando completamente nua sob a luz da manhã que entrava pela janela. O corpo dela era lindo. Os seios firmes, a pele macia, a pequena marca de biquíni que ela ainda tinha na cintura.
Ela se ajoelhou na frente dele e o beijou. Dessa vez, o beijo era diferente. Era mais calmo. mais experiente. Era o beijo de quem já se conhece, mas ainda quer se descobrir.
Eles se deitaram no tapete. Eu fiquei observando por um momento. Era uma cena bonita. O corpo maduro dele contra o corpo curvilíneo dela. A experiência dele encontrando a vitalidade dela.
Ela me chamou com um gesto. Fui até eles e me deitei do lado deles. A mão dela encontrou a minha. A outra mão encontrou o rosto dele. A gente se beijou. Os três. Um beijo confuso, de línguas e lábios se encontrando. Era caótico e perfeito.
A manhã se transformou em uma exploração lenta e prazerosa. Sem a urgência da noite anterior. A gente tinha tempo. A gente se conhecia. Eu descobri o gosto da pele de Antônio, a textura da barba dele, o som da respiração dele quando a boca da Carolina o levava ao clímax.
Em um momento, enquanto ela estava deitada de costas, com ele entre as pernas, eu fiquei olhando. Ele a penetrava com uma calma que era ao mesmo tempo excitante e reverente. Ele a olhava nos olhos, como se lesse a alma dela.
Ela então me chamou. Ela me puxou para cima, posicionando meu corpo sobre o dela, de frente pra ela. Eu a entrei enquanto ele continuava de baixo. Ouvimos juntos um gemido mais longo e profundo de Carolina. Foi algo intenso, compartilhado entre os três. Nós nos movemos juntos, em um ritmo lento e profundo, como se estivéssemos nadando em um mar de prazer. As mãos de Carolina percorriam nossas costas, unindo-nos ainda mais.
Antônio, com uma experiência que só a idade pode dar, começou a explorar outras formas de prazer. A mão dele, que antes estava na cintura dela, começou a descer, encontrando o ânus dela. Ele começou a massageá-lo, com uma delicadeza que a fez tremer. Ela gemeu mais alto.
— Sim... — sussurrou ela. — Sim, por favor.
Ele entendeu. Com a ajuda de um pouco de saliva, ele começou a introduzir um dedo nela. Ela arqueou as costas, uma mistura de prazer e uma leve dor. Ele foi devagar, com uma paciência que era uma lição.
Eu continuei meu movimento dentro dela, sentindo a contração dos músculos dela a cada toque dele. Era uma sensação nova. Mais apertada. Mais intensa.
Depois que ele a relaxou um pouco, ele se retirou dela. Eu pareci um momento, esperando. Ele se posicionou atrás dela, lentamente. Olhou pra mim como se pedindo permissão final. Eu sorri, um aceno de cabeça.
Ele começou a entrar nela pelo ânus, devagar, com muito cuidado. A expressão de Carolina era de pura concentração e prazer. Ela segurava minha mão com força.
Quando ele finalmente estava completamente dentro dela, a gente começou a se mover de novo. Um trio perfeito. Eu na vagina, ele no ânus. Ela entre nós. Era como se a gente estivesse preenchendo cada centímetro dela. O prazer era quase insuportável. Os gemidos dela eram a trilha sonora da nossa loucura.
— Eu... eu... — ela tentou falar, mas as palavras não saíam. Apenas sons incoerentes de prazer.
O ritmo aumentou. A gente se perdeu em um turbilhão de sensações. Até que, com um grito que acordou os pássaros lá fora, ela atingiu o clímax. O corpo dela se contorceu, se contraiu, se liberou. E ao mesmo tempo, eu senti o próprio clímax me tomar. E senti, também, as contrações do corpo dele, enquanto ele também gozava.
A gente ficou ali, unidos, por um longo tempo. Exaustos. Satisfeitos. A única coisa que a gente conseguia fazer era respirar.
Quando finalmente nos separamos, a gente ficou deitado no tapete, olhando o teto. A luz da manhã já estava mais forte. O dia tinha começado lá fora, mas cá dentro, o tempo parecia ter parado.
— Meu Deus... — sussurrou Carolina, finalmente. — Isso... isso foi...
Ela não completou a frase. Não precisava.
A gente se levantou, lentamente, como se estivesse recuperando o controle dos próprios corpos. Antônio foi até o banheiro e Carolina e eu ficamos na sala, abraçados.
— Tu tá bem, meu amor? — perguntei ela, em meu ouvido.
Ela anuiu com a cabeça, encostando a testa na minha.
— Mais do que bem. Isso foi... incrível. Intenso. Mas incrível.
A gente se beijou. Um beijo calmo. Um beijo de reconhecimento.
Quando Antônio voltou, ele já estava vestido. Ele parecia um pouco envergonhado, mas também satisfeito.
— Bem, pessoal... — disse ele, com um tom de quem ia se despedir. — Acho que é hora de eu ir. Preciso passar no quiosque antes de voltar pra casa.
Carolina se soltou de mim e foi até ele. Ela o abraçou.
— Obrigada, Antônio — disse ela, com a voz cheia de emoção. — Por tudo.
Ele retribuiu o abraço.
— Obrigado eu, minha filha. Vocês me deram um presente que eu não vou esquecer nunca.
Ele se virou pra mim e estendeu a mão. Eu a apertei.
— Foi um prazer, Gustavo. Vocês são um casal... especial. Muito especial.
— O prazer foi todo nosso, cara.
A gente se vestiu. A gente o acompanhou até a porta.
— E aí? — perguntou Carolina, com um brilho nos olhos. — A gente vai te ver por aí? No quiosque, talvez?
Ele sorriu.
— Se eu não estiver lá no próximo fim de semana, podem chamar a polícia. Alguma coisa aconteceu comigo.
A gente riu. A despedida foi leve, sem peso. Como se a gente soubesse que não era um adeus, mas um até logo.
Depois que ele foi embora, eu e Carolina ficamos na varanda, olhando o mar. O sol já estava alto. O dia estava lindo. A gente ficou em silêncio por um longo tempo.
— Tu imaginava que aquele senhor da mesa ao lado ia acabar passando a noite aqui? — perguntou ela, finalmente.
Eu ri.
— Eu só sei que, na próxima vez que formos almoçar naquele quiosque, vou escolher a mesa com mais cadeiras.
Carolina começou a rir também. Ela se virou pra mim e me abraçou com força.
— Eu te amo, Guto. Muito.
— Eu também te amo, Care.
A gente ficou ali, abraçado. Sentindo o cheiro do mar, o calor do sol, e a memória de uma noite que tinha mudado alguma coisa entre nós. Não tinha nos afastado. Pelo contrário. Tinha nos aproximado de uma forma que a gente nunca imaginou ser possível. Era como se a gente tivesse descoberto uma nova camada do nosso amor, uma nova dimensão da nossa intimidade.
A vida é cheia de surpresas. A gente faz planos, a gente cria rotinas, a gente acha que sabe como as coisas funcionam.
Foto 1 do Conto erotico: O VIÚVO DO QUIOSQUE

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Ficha do conto

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Nome do conto:
O VIÚVO DO QUIOSQUE

Codigo do conto:
275956

Categoria:
Fetiches

Data da Publicação:
30/10/2026

Quant.de Votos:
2

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