Levando a Camila pra minha casa

O feriado de 1º de maio caiu como uma luva. Depois de meses de caos no 1204, de batismos de professoras e de encarar a esposa do Reitor, o asfalto da capital estava me sufocando. Eu precisava de ar puro, comida de mãe e, principalmente, de ver o choque de realidade que seria levar a Cami para a minha cidadezinha no interior.
"Cami, faz as malas," eu disse, enquanto ela tentava tirar uma mancha de batom da Daniella de uma fronha. "A gente vai pra minha casa. Interior. Interiorzão."
"O quê? Ver a 'Bia Santinha' na versão original?" Cami riu, os olhos azuis brilhando. "Eu topo. Mas a gente vai como o quê? O casal do ano?"
Eu parei e olhei para ela. Cami, com seu cabelo azul, piercings e aquela aura de quem acabou de sair de uma suruba (o que geralmente era verdade). Depois, olhei para a foto da minha família sobre a cômoda: meu pai de braços cruzados e minha mãe com o terço na mão.
"Nem pensar," eu disse. "Pra eles, você é a minha 'melhor amiga da faculdade'. A menina estudiosa que me ajuda em Letras. Se eles sonham que a gente fode com pau de borracha, meu pai enfarta e minha mãe me interna num convento."
"Melhores amigas," ela repetiu, saboreando a mentira. "Eu adoro um disfarce."
A viagem de ônibus durou seis horas. À medida que o relevo mudava e as montanhas de Minas apareciam, eu sentia a Beatriz universitária, a "Dona", a puta gorda, se escondendo sob uma camada de "filha obediente".
Quando descemos na rodoviária pequena, meu pai estava lá. Ele me deu um abraço apertado e olhou desconfiado para o cabelo azul da Cami.
"Essa é a Camila, pai. A amiga que eu te falei."
"Prazer, senhor," Cami disse, com uma voz tão doce e educada que quase me fez rir. Ela estava de jeans largo e camiseta fechada. A "loba" estava vestida de cordeiro.
O jantar foi o teste de fogo. Frango com quiabo, polenta e o interrogatório da minha mãe.
"E as notas, Beatriz? E os namorados? Uma moça bonita como você já deve ter algum pretendente..."
Eu engoli seco, sentindo a perna da Cami roçar na minha por baixo da mesa. "Foco total nos estudos, mãe. A faculdade é muito puxada."
Cami me olhou com uma cumplicidade diabólica. "É verdade, Dona Maria (o nome da minha mãe também era Maria, o que era uma ironia fodida). A Bia é a mais dedicada. Às vezes a gente passa a noite inteira... trabalhando."
Eu quase engasguei com o quiabo.
Finalmente, fomos para o meu quarto de infância. O quarto onde eu passava horas lendo romances proibidos e descobrindo meu corpo antes de virar a lenda que sou hoje. Era pequeno, com paredes rosa desbotado e uma cama de solteiro que parecia um berço perto da king-size do Reitor.
"Puta merda," Cami sussurrou, fechando a porta com cuidado. "Isso aqui cheira a naftalina e repressão."
"Shhh! As paredes são finas, Cami! Meus pais dormem no quarto ao lado."
Nós nos deitamos na cama estreita. Apesar de ter um colchão no chão que minha mãe colocou para Cami, Nossos corpos colados, pele com pele, no calor úmido do interior. O silêncio da cidade era absoluto, quebrado apenas pelo som dos grilos lá fora e pela respiração pesada do meu pai roncando no corredor.
O perigo era um afrodisíaco potente. Estar na casa dos meus pais, sob o teto da moralidade, com a mulher que eu amava e que eu tinha fodido de todas as formas possíveis, era excitante demais.
"Bia," Cami sussurrou no meu ouvido, sua língua traçando o contorno da minha orelha. "Eu quero você. Agora."
"Aqui não, Cami... eles vão ouvir..."
"Então a gente tem que ser... silenciosa," ela disse, a mão dela escorrendo para dentro da minha calcinha.
Foi o sexo mais agoniante e delicioso da minha vida.
Eu me virei, ficando de quatro na cama de solteiro que rangia a cada milímetro de movimento. Cami se posicionou atrás de mim. Não tinha "Negão", não tinha "Monstro Bege". Estávamos sem armas, apenas a carne.
Ela começou a me lamber. Devagar. O rosto dela entre as minhas nádegas gordas, a língua dela encontrando meu clitóris com uma precisão que me fazia querer gritar. Eu tive que morder o travesseiro de penas da minha infância para abafar o som.
Nhoc.
Eu enterrei os dentes no tecido, sentindo o corpo todo tremer. Cada estocada da língua dela era um choque elétrico. Eu ouvi os passos da minha mãe no corredor indo ao banheiro.
Ploft. Ploft.
Eu congelei. Cami parou, a língua ainda quente contra a minha pele. Ficamos ali, estátuas de pecado, enquanto a luz do corredor passava por baixo da porta do quarto.
Minha mãe parou na porta. "Beatriz? Tá tudo bem? Ouvi um barulho na cama..."
Meu coração parou. Eu apertei o travesseiro com tanta força que achei que ia rasgar.
"Tô bem, mãe!" eu disse, a voz abafada pelo travesseiro, tentando soar sonolenta. "A cama que tá velha, eu me virei."
"Tá bom, fiquem com Deus."
Os passos se afastaram.
Assim que a porta do quarto deles fechou, Cami deu uma risadinha abafada no meu pescoço.
"Essa foi por pouco, santinha," ela sussurrou.
Ela me virou de frente. E dessa vez, fui eu. Eu a beijei com uma fome acumulada de todo o jantar de mentiras. Eu desci pelo corpo magro dela, minhas mãos gordas mapeando cada costela. Eu a chupei com a alma, sentindo o gozo dela chegar.
Cami arqueou as costas, a boca aberta num grito mudo, as mãos cravadas no meu black power. Ela gozou em silêncio absoluto, apenas o tremor do corpo dela denunciando a explosão.
Eu subi e deitei ao lado dela. Estávamos suadas, ofegantes, escondidas sob o lençol que minha avó bordou.
"Melhores amigas," Cami sussurrou, limpando o suor da testa.
"As melhores," eu concordei, beijando-a.
Dormimos abraçadas na cama estreita, no coração do interior mineiro. O feriado estava apenas começando, e eu já sabia que a "Bia de Letras" tinha levado o caos para a casa dos pais, e o segredo era o tempero que faltava.

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Ficha do conto

Foto Perfil biazevedo
biazevedo

Nome do conto:
Levando a Camila pra minha casa

Codigo do conto:
252540

Categoria:
Lésbicas

Data da Publicação:
19/01/2026

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