O consultório da Dra. Helena ficava em um prédio discreto, com janelas amplas que emolduravam o céu cinzento da serra. O ambiente era carregado de um silêncio terapêutico, quebrado apenas pelo tique-taque suave de um relógio de parede e pelo som da chuva fina batendo no vidro. Helena era uma mulher de quarenta e poucos anos, com um olhar clínico que parecia atravessar as camadas de polidez que eu usava para esconder minha verdadeira natureza.
O Divã e a Herança Invisível
A Dra. Helena indicou a poltrona. Ela não usava jaleco; vestia um conjunto de lã fina que combinava com o clima de Gramado, e o perfume dela era algo sóbrio, amadeirado.
— Ficou um silêncio pesado quando a Sofia saiu — Helena observou, cruzando as pernas e ajeitando o bloco de notas. — Ela parece ser uma mulher muito dedicada a você. Mas você parece... tenso. Como se estivesse carregando um segredo que nem o melhor dos casamentos suportaria.
Eu me acomodei, sentindo o couro da poltrona. Meu pau já dava sinais de vida só de lembrar do sussurro de Sofia no estacionamento: "Vai lá, meu corninho, conta tudo para ela...".
— O segredo não é o que eu escondo dela, Doutora — comecei, a voz firme, mas carregada. — É o que nós dois escondemos do mundo. E tudo começou há muito tempo. Trinta anos, para ser exato.
A Fresta do Destino
Fechei os olhos e a penumbra do consultório me transportou de volta para o corredor daquela casa antiga. O cheiro de uísque e o aroma forte de tabaco que meu pai fumava voltaram com tudo.
— Eu tinha sete anos. Era uma noite de sexta, e o casal de amigos dos meus pais estava lá. Eu deveria estar dormindo, mas o barulho das risadas mudou de tom. Ficou... rítmico. Eu fui até a porta da biblioteca.
Minha respiração começou a pesar.
— Eu vi meu pai. Ele estava com a Dona Ester. Ele a segurava pelos cabelos, forçando a cabeça dela contra a estante de livros enquanto ela o servia com um desespero que eu nunca tinha visto em um adulto. O rosto do meu pai era de puro domínio. Eu vi os flashes da pele dela, o brilho do suor nas costas dela sob a luz do abajur. Eu era uma criança, mas eu senti um calor que não sabia explicar.
O Reverso da Moeda
Senti meu pau endurecer de vez, esticando o tecido da calça. A Dra. Helena percebeu o movimento, seus olhos desceram por um milésimo de segundo para o meu colo antes de voltarem, imperturbáveis, para os meus olhos.
— Eu recuei pelo corredor, tonto — continuei, as palavras saindo mais rápidas agora. — Mas o quarto de hóspedes estava com a luz acesa. E lá estava minha mãe. O marido da Ester estava atrás dela, segurando seus quadris com uma brutalidade que meu pai nunca demonstrava em público. Minha mãe... ela não parecia a "dona de casa" que eu conhecia. Ela arqueava as costas, buscando o toque daquele homem rústico. O cheiro de sexo e do perfume floral dela tomava conta do ar.
O Diagnóstico do Olhar
Abri os olhos. O volume na minha calça era agora uma presença física impossível de ignorar no ambiente silencioso do consultório.
— Eu vi os dois lados da mesma moeda, Helena. O predador e a submissa. E eu percebi que a minha casa, a minha família perfeita, era mantida por aquele suor, por aquela troca de fluidos entre estranhos que eram amigos.
Helena inclinou-se um pouco para a frente. A expressão dela era profissional, mas havia uma tensão nova na forma como ela segurava a caneta.
— E hoje, João? Quando você olha para a Sofia, a esposa "amável" que te trouxe até aqui... é essa cena que você procura repetir? Você se sente como o seu pai, ou como o menino que descobriu que o prazer mora no segredo de ser... — ela hesitou por um segundo, buscando a palavra — ...substituído ou compartilhado?
Eu dei um sorriso amargo, sentindo o latejar constante no meu baixo ventre.
— Eu me sinto o herdeiro, Doutora. O herdeiro de um cheiro que nunca saiu do meu nariz. E a Sofia... ela sabe exatamente como alimentar esse menino que ainda está naquele corredor.
O contraste entre a sobriedade do consultório da Dra. Helena e a atmosfera elétrica do nosso escritório na Serra era absoluto. Enquanto eu ainda sentia o latejar na calça pelas confissões da terapia, Sofia já estava em campo. Ela havia deixado de lado o papel de "esposa amável" que interpretara na recepção da clínica e assumira o controle da empresa — e de Alice.
A Aula da Professora
A sala de reuniões tinha paredes de vidro, mas as persianas estavam pesadamente fechadas. Eu entrei na minha sala privativa e liguei o monitor que transmitia o circuito interno de segurança. O som era nítido. Sofia estava sentada na ponta da mesa de carvalho, com uma postura impecável, enquanto Alice estava em pé, segurando uma pilha de relatórios com as mãos trêmulas.
— Deixe isso de lado, Alice — a voz de Sofia era calma, mas tinha o peso do metal. — Hoje não vamos falar de números. Vamos falar de herança. De como uma mulher aprende a carregar o cheiro do seu mestre.
O Aroma da Linhagem
Sofia levantou-se e caminhou lentamente até a secretária. Alice parecia uma presa hipnotizada.
— O João... o seu "Boss"... ele tem uma história que você não alcança. Ele cresceu vendo o que é o domínio real. E eu estou aqui para garantir que você esteja à altura do que ele espera de uma mulher nesta empresa.
Sofia pegou o queixo de Alice e o ergueu.
— Ontem à noite, em nossa casa, ele me marcou. Ele despejou o que é dele dentro de mim e depois reivindicou cada gota com a boca. — Sofia fechou os olhos por um segundo, e eu vi Alice engolir em seco. — Eu ainda carrego o rastro dele em mim. Aproxime-se.
Sob o meu olhar atento pelo monitor, Sofia puxou a cabeça de Alice para perto do seu próprio pescoço, quase tocando a pele.
— Sinta, Alice. Esse é o cheiro da submissão de uma esposa que sabe que pertence a um homem poderoso. É o aroma do suor misturado à marca dele. Você nunca vai ser uma secretária eficiente se não aprender a desejar esse cheiro mais do que o seu próprio perfume.
A Doutrinação
Alice estava respirando rápido, o peito subindo e descendo sob a blusa branca de uniforme. Sofia então começou a relatar, com detalhes sórdidos, a história do professor e do mecânico (do Cap. 5), descrevendo como aquelas experiências a moldaram para ser a mulher que o "Boss" merece.
— Eu fui usada por homens rústicos para aprender a ser a joia do João hoje — Sofia sussurrou no ouvido de Alice, enquanto a mão dela deslizava pela cintura da garota. — E você? Você acha que sua virgindade comportamental serve para alguma coisa aqui? Você vai aprender a cheirar como eu, a se portar como eu... para que quando ele olhar para você, ele veja apenas mais um território para a assinatura dele.
Pelo monitor, eu vi Sofia se afastar e apontar para o chão, aos pés da mesa de reuniões.
— Ajoelhe-se, Alice. Fique aí, sentindo o perfume que eu deixei na cadeira, e reflita sobre o quanto você é pequena perto do que nós construímos. Quando o João entrar por aquela porta, eu quero que você saiba exatamente qual é o seu lugar.
Eu desliguei o monitor. Meu pau estava tão duro que chegava a doer. Eu me levantei, ajeitei o paletó e caminhei até a porta da sala de reuniões. Sofia sabia que eu estava assistindo. Ela sabia que cada palavra era um gatilho para o meu desejo de posse.
O consultório da Dra. Helena parecia mais apertado naquela segunda sessão. O cheiro de papel antigo e o perfume amadeirado dela agora se misturavam à eletricidade que eu trazia da empresa. Eu me sentei, sentindo o latejar na calça apenas por lembrar da carinha de pavor e fascínio da Alice sob as ordens da Sofia.
Helena cruzou as pernas, a caneta pairando sobre o bloco.
— Você mencionou a agressividade do seu pai na última vez, João. Mas sinto que há uma camada de prazer naquela memória que você ainda não explorou. O que realmente acontecia naquelas noites?