Nós nos conhecemos por um aplicativo de relacionamento. Trocamos apenas algumas palavras naquela noite, pois já era tarde, e decidimos continuar a conversa na manhã seguinte. O papo fluiu de forma irresistível e logo combinamos de sair. Olhando para trás, parece cena de filme: o sábado começou nublado e, ao anoitecer, uma chuva fina começou a cair. Sem grandes expectativas, pensando que seria apenas mais um encontro que provavelmente não daria em nada, não me produzi muito. Escolhi uma calça jeans, uma blusinha curta, leve e fluida, e um tênis. Deixei que apenas o batom vermelho e o meu perfume favorito fizessem a mágica. Chamei um Uber e fui ao encontro dele. Chegando ao local, ainda fiz uma parada rápida para comprar um chiclete. Quando o vi, ele caminhou em minha direção. Estava simples, com uma camiseta básica preta, calça jeans escura e um tênis. Tinha um semblante leve, mas seus olhos denunciavam uma ansiedade contida. Caminhei até ele e, assim que me aproximei, fui envolvida por um perfume marcante, delicioso, que me desarmou. Tentei cumprimentá-lo com um beijo no rosto, mas ele tinha intenções completamente diferentes. Sem hesitar, ele me segurou com firmeza e me beijou de forma ardente, com uma sede e uma vontade que eu não esperava. Não foi um beijo longo, mas foi tempo suficiente para o meu corpo entender o recado. Naquele breve instante, meu cérebro enviou um sinal direto para a minha intimidade, que respondeu imediatamente. Eu soube, ali mesmo, que aquele homem não seria apenas mais um. Fomos para a praça de alimentação e travamos aquele diálogo clássico de quem está começando a se conhecer, testando a compatibilidade, mas a energia entre nós gritava muito mais alto que as palavras. Decidimos ir ao cinema. Na fila, o clima tornou-se insustentável. Olhei para ele e, ficando na ponta dos pés como uma menina frágil, não resisti. Ele não perdeu tempo e me agarrou novamente, selando nossos lábios em um beijo forte e ardente. Os braços dele envolveram minha cintura, puxando-me com força para o encontro do seu corpo. Dessa vez, senti claramente o volume do seu desejo pressionando contra mim. O mundo parou. Havia apenas eu, ele e aquela química explosiva, ignorando completamente os murmúrios e a fila que crescia atrás de nós. Sorrimos um para o outro, cúmplices daquela audácia, e finalmente entramos na sala. Não me perguntem qual foi o filme. Aquelas duas horas foram dedicadas a engolir aquela língua e a explorar o terreno. Minhas mãos passavam, de forma vergonhosa, sobre as pernas dele, descendo cada vez mais, em uma provocação que me deixava em brasa. Eu não queria estar sentada ali, fingindo interesse pela tela; o que eu desejava, com uma fome incontrolável, era sentir aquele monstro novamente, mas desta vez com a liberdade das minhas mãos. Eu precisava confirmar, com o toque, toda a promessa que aquele volume na calça dele tinha me feito lá na fila. Parávamos apenas para respirar e nos reconectar, aproveitando cada segundo daquela química que parecia não ter fim. Ao final da sessão, a despedida trouxe um lamento genuíno; ele não queria que a noite terminasse ali, e eu, sem rodeios, confessei que meu final de semana estava totalmente livre. No momento em que confirmei que estaria disponível, o brilho de malícia em seu olhar foi impossível de esconder. Ele me entregou sua blusa, uma atitude que me fez sentir protegida e, ao mesmo tempo, dona daquela atenção exclusiva. Quando ele ligou a moto e subimos, a atmosfera mudou. A pista estava molhada e a chuva batia forte contra o peito dele, um peito musculoso que eu sentia firme sob minhas mãos enquanto o abraçava. A sensação do vento, da chuva e da proximidade do corpo dele enquanto pilotava em direção à casa dele fez meu coração disparar, anunciando que aquela noite estava apenas começando. Entrei na casa ainda sentindo a timidez do primeiro encontro, mas ele não me deixou espaço para hesitações. Sem qualquer cerimônia, ele começou a retirar minha blusa enquanto seus lábios traçavam um caminho suave pelo meu pescoço. O toque de suas mãos era firme, porém cuidadoso, descendo até o zíper da minha calça. À medida que as peças, agora completamente encharcadas pela chuva, eram removidas, o ar frio da casa tocou minha pele, fazendo meu corpo reagir instantaneamente. Comecei a me arrepiar dos pés à cabeça. Era uma sensação estranha e maravilhosa: eu não sabia dizer se aquele tremor era pelo frio da tempestade lá fora ou pela descarga de adrenalina de saber, com absoluta certeza, o que estava prestes a acontecer. O tremor que percorria meu corpo, indeciso entre o frio da chuva e a febre do desejo, parecia aumentar a cada centímetro de pele que ele descobria. Seus olhos não saíam dos meus, como se ele estivesse mapeando cada reação, cada respiração acelerada, cada milímetro de entrega que eu lhe oferecia. Ali, parados no meio da sala, enquanto a água escorria de nós e formava pequenas poças no chão, eu percebi que não havia mais volta. A garota tímida que tinha entrado pela porta havia ficado lá fora, junto com a chuva. O que restava era uma mulher pronta para ser desbravada. Ele aproximou o rosto do meu, o perfume marcante misturando-se ao aroma da pele molhada, e sussurrou algo que eu não entendi direito, mas que fez meu interior pulsar como nunca antes. Ele me envolveu em um abraço firme e começou a me conduzir, com passos lentos e decididos, em direção ao que seria o nosso refúgio. A noite estava apenas começando, e o que viria a seguir seria a resposta para todas as perguntas que aquele beijo na praça tinha deixado no ar.
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