Aos 21 anos, quase 22, eu já vivia completamente dividido. Era setembro de 1990.
Durante o dia, na empresa, tentava ser Jefferson: discreto, “normal”. Mas meus colegas viviam contando conquistas, falando de mulheres, reforçando o padrão de macho pegador. Eu fingia rir junto, mas por dentro me sentia uma farsa. Chorava escondido, odiando ser como era. Na verdade, eu nunca fui homem de verdade.
E quanto mais eu reprimia, mais a Xaiane queria sair.
Alcino trabalhava na equipe externa da empresa. Alto, braços fortes, um olhar descaradamente safado que minha irmã achava feio, mas que pra mim era pura tentação. E havia o volume marcante na calça — impossível de ignorar. Desde a primeira vez que o vi na fábrica, não consegui parar de fantasiar com ele.
Eu queria Alcino pra mim. Queria ser a fêmea que minha irmã se recusava a ser pra ele.
Naquela tarde de sábado, a casa estava vazia. Era a oportunidade perfeita.
Entrei no quarto da minha irmã e escolhi a calça jeans de lycra preta que tanto me enlouquecia — aquela que grudava como segunda pele, apertava minhas coxas grossas e levantava minha bunda de forma indecente. Por baixo, vesti um conjunto de renda preta: sutiã e tanga fio-dental que já me deixava molhado só de sentir o tecido roçando. Completei com uma regata de alcinha e a sandália de salto alto.
Quando me olhei no espelho, Xaiane estava ali. Perfeita. Feminina. Safada.
Coloquei “Hungry Eyes” para tocar e comecei a dançar pela sala. Primeiro devagar, sentindo a lycra apertar cada curva. Depois mais solta, rebolando com vontade, completamente entregue.
Estava perdida na música quando ouvi batidas fortes na porta.
Meu coração quase parou.
Desliguei a música correndo, tirei o salto, escondi as roupas e tentei voltar a ser Jefferson. Quando abri a porta, congelei.
Era Alcino.
Ele tinha ido procurar minha irmã. Pareceu decepcionado ao saber que ela havia saído com outro.
Ficamos em silêncio. Então ele me olhou de um jeito diferente.
— Escuta, Jeff… quando cheguei, a música estava alta. Bati no portão, ninguém respondeu. Entrei e bati na porta. Como você não atendeu, olhei pela fresta da cortina.
Meu sangue gelou.
— Eu vi você dançando.
As lágrimas vieram imediatamente. Alcino se aproximou, enxugou meu rosto e falou com uma calma que me desmontou:
— Está tudo bem. Eu não vou contar pra ninguém.
Ele fez uma pausa, me encarando intensamente.
— Mas preciso ser sincero… eu fiquei muito excitado vendo você daquele jeito.
Meu corpo inteiro tremeu.
— Vista de novo pra mim. Só uma vez. Depois eu prometo que vou embora.
Hesitei. O medo era enorme. Mas o desejo por ele era maior.
Voltei pro quarto. Quando saí, Xaiane estava completa: calça de lycra marcando cada curva, sutiã e fio dental de renda, regata de alcinha, salto alto.
Alcino me viu e ficou em silêncio por alguns segundos. Depois se aproximou, pegou minha mão e me fez girar devagar.
— Como você ficou gostosa… — murmurou rouco.
Ele me virou de costas, encostou o corpo forte contra o meu e me envolveu pela cintura. Senti o pau dele duro roçando na minha bunda através da lycra. Minhas pernas quase cederam.
— Como eu posso te chamar quando você está assim? — perguntou no meu ouvido.
— Xaiane.
Ele repetiu o nome devagar, como se saboreasse:
— Xaiane…
E me beijou.
Foi intenso, molhado, urgente. Alcino me pegou no colo e me levou pro quarto. Me despiu devagar, admirando cada detalhe. Tirou a lycra, me deixando só de fio dental. Me coloquei de quatro na cama e ele me comeu com força, mas sem pressa. Cada estocada era profunda, possessiva. Eu gemia alto, rebolando, completamente entregue.
Ele não gozou dentro. Puxou o pau e gozou generosamente no meu rosto e boca — quente, grosso, marcante. O gosto dele na minha língua me fez sentir a mulher mais feliz e mais puta daquela noite.
Depois, ofegantes, ele me abraçou e falou sério:
— Isso fica entre nós. Na empresa ninguém pode saber. Mas Xaiane… agora é minha.
Eu concordei, ainda tremendo.
Pela primeira vez, alguém havia visto Xaiane… e me quis de verdade, por inteiro e não só mais um buraco para descarga de esperma.




