No meu quarto, apenas o abajur revela, com sua luz tímida e amarelada, o pouco que consegue da minha intimidade. —Seios redondos e médios, aréolas durinhas e doloridas de prazer. Mas abaixo, meu abdômen já contrai com o toque dos meus dedos longos e ágeis— As luzes baixas, o âmago já formigando com aquela urgência doce e insistente que só outra fêmea consegue despertar em mim. Como mulher que se considera heterossexual para o mundo, as deusas sáficas me escravizam, sem a menor piedade, no meu particular, de um jeito que nunca será revelado lá fora. Com desejos profundos no feminino, eu me entrego ao meu autoamor como se nada mais importasse. Meu quarto é escuro, mas a imagem das duas em minha mente é clara, quase podendo ser tocadas. Meus dedos deslizam pela pele arrepiada, carente, descendo até minha intimidade macia e rosada, já melada, pulsando. Eu contorno o clitóris devagar, melando-o, sentindo o prazer subir como uma ameaça lenta e inevitável.
A primeira imagem que surge, clara e poderosa, é dela — Juliana. Um desejo que transcende qualquer rótulo social, um fogo que queima quieto e constante, sem regras e sem limites. Ju e eu tivemos algo que ninguém jamais imaginará. Irmã de minha cunhada, acabamos nos envolvendo depois de uma amizade improvável e sem aviso. Oito anos mais velha do que eu, foi minha loira que me fez lésbica em segredo. Ju e eu éramos evangélicas e discretas, além de outras coincidências e afinidades que compartilhávamos. Casada, se divorciou anos depois, indo embora da cidade, enquanto eu continuei aqui, não mais tão “hétero”.
—Mas ainda me lembro da Ju, que sempre vem me visitar em memórias quentes, molhadas e proibidas—
No entanto, essa história carrega um detalhe pitoresco, audacioso e desaforado: Camila!
Dez anos mais nova que eu, a filha de Juliana, finalmente, se fez mulher. E eis que me surgiu um delicioso e intrincado problema: Eu não conseguia mais parar de pensar naquela anjinha de dezoito aninhos.
Sempre carinhosa, a jovem vivia em meus abraços, afagos, me chamando de "tia Rê". Penteando meus cabelos e brincando com minhas madeixas vermelhas, dizia sempre: —Ainda vou pintar o cabelo assim, tia! Como você é linda, quero ser como você!— Carinhos e mais afagos! Os arrepios insistentes em minha nuca eram frisson de todo o cuidado e atenção que aquela mocinha tinha para comigo. Me sentia mais confortável tentando não enxergar malícias em seus atos, suas mãos tão lindas e alvas. (Melhor ficar apenas com os dedos da mamãe dela, eu concluía). De noite, Juliana tinha o toque tão ágil dentro de mim quanto semelhantes aos da Mila em meus cabelos. "Adoro o jeito que você aperta meus dedos, amiga", Ju sempre repetia depois que eu gozava. Com entusiasmo, passava horas me contando sobre aventuras com meninas, na juventude.
Numa certa noite, enquanto a Ju me masturbava em sua casa vazia, o relicário em seu colo suado e brilhante se abriu. "Plick!" O dourado trabalhado deu lugar ao rosto de Mila, um sorriso lindo, me fitando como se investigasse cada pedacinho da minha mente impura (seu sorriso, sua boquinha). E aquele rosto desenhado resplandecia muito mais que o próprio pingente valioso. Juliana já me conhecia por completo. Sabia onde morava cada cantinho do meu prazer. Mas foi o semblante de Mila, naquele pingente aberto, balançando hipnotizante enquanto sua mãe me penetrava, que me fez arrancar um esguicho que nenhuma de nós esperava. "AAAIIINNNNN!!!" — Deixei escapar um grito molhado, melando a mão de minha hábil e fervorosa amiga.
—Nossa, amiga! Consegui te fazer um squirt!
Minha amante se assustou empolgada, perguntando sobre o fenômeno raro. E, entusiasmada, tentou repetir, infrutiferamente, nas semanas seguintes.
Ju já me dava um certo prazer que homem nenhum nunca me proporcionou, contudo aquela sensação nova me apresentou uma dimensão de êxtase e carinho que nunca imaginei ser possível alcançar. Eu evitei, por muito tempo, pensar em Camila, mesmo quando sua mãe me explorava, portando sua foto no pingente fechado —e aquilo parecia extremamente difícil pra mim— Mas eu sabia que, toda vez que Ju me fazia gozar, o rostinho que um dia me fez esguichar estava ali dentro, a poucos centímetros, esperando para olhar dentro dos meus olhos.
E aconteceu uma segunda vez: quando Ju começou a me penetrar com seus dedos longos, o relicário já estava aberto! E eu esguichei um jorro quente e transparente em poucos minutos de masturbação. Forte, intenso, molhando seus seios pesados, seu pescoço esguio, respingando na foto da minha ninfazinha. Juliana ficava louca, tentando entender o que me levava a esse nível de prazer. Eu sabia muito bem, mas confessar poderia ser fatal. E quanto mais eu percebia que não podia pensar em Mila, mais tesão eu sentia.
E então, em uma tarde de quinta-feira, Ju me puxou para o quarto de Camila. E naquele lugar aconchegante, um prazer indescritível me dominou por completo. Aquele espaço, que carregava o cheirinho doce de minha princesa, me abraçou até a alma. Mas foi quando Juliana me jogou em cima daqueles lençóis com aroma de menina-mulher que eu esguichei, melando o rosto de Ju e tudo à sua volta. Intrigada, minha amiga tentava achar pontos dentro e fora de mim que “ativavam” esse prazer. Até que um dia…
Sendo dedilhada por Juliana, eu olhava fixamente para seu relicário, observando os movimentos insistente do braço de minha amiga-amante, na expectativa de que, por milagre, aquele coração dourado se abrisse. E então… “Plick!”. Parecia que as deusas sáficas ouviram meu pedido. Aproveitei a bênção e esguichei com um prazer que parecia novo a cada vez —AAAAAIIIINNNN!!— E então, com meu olhar fixo em seu pescoço duro, Juliana percebeu o óbvio. Com a mão direita ainda dentro de mim, minha loira tocou a joia com a esquerda, fechando-a em um click, pensativa. Ela paralisou à minha frente, tentando processar o absurdo. No momento não tive certeza de sua conclusão, mas logo os testes se iniciaram:
Na semana seguinte, Ju deixou o relicário fechado enquanto me enchia de prazer. E eu gozei mas não consegui esguichar. Juliana tinha dedos mágicos, mas não o suficiente pra me arrancar um squirt sozinhos. Com a demora do meu orgasmo, ela abriu o pingente de forma dissimulada, enquanto ajeitava os cabelos. E, então, veio a confirmação. Nem eu mesma entendia meu corpo e minha mente. Era só a imagem da minha anjinha aparecer que eu perdia o controle: Outro esguicho forte e arrebatador, escorrendo por entre os seios de veias azuladas de Ju. Um medo gostoso começou a rodear minha cabeça enquanto seu silêncio me permitia navegar por uma longínqua e maluca possibilidade.
Aos poucos, Juliana foi abrindo o caminho e, ao contrário do que eu temia, começava a ofertar elementos para que eu sempre tivesse um esguicho poderoso e arrebatador. Sem conversar sobre, acabei experimentando, dissimuladamente, da “presença” de Camila. Às vezes Juliana aparecia com o perfume da filha, às vezes com o relicário aberto, ou me levando de volta para o quarto doce da filhota. Com o tempo, ficou claro: Juliana só queria me proporcionar um squirt intenso —Eu sei que ela me amava!
Até que um dia, no meu aniversário de vinte e nove, Ju me levou para o quarto de Mila e fez o inimaginável. Depois de um squirt surreal, fitando o rostinho meigo de sua filha entre seus seios, vi minha gostosa se levantando. Juliana caminhou misteriosamente até o guarda roupas e puxou uma gaveta. Seu bumbum balançando despretensiosamente no shortinho de algodão me distraía enquanto ela demorou segundos que pareciam séculos. Quando se virou, vi em suas mãos: uma calcinha de Camila! Ju, então, voltou até mim, dizendo: "Preciso enxugar você, miga". E começou a passar a calcinha de Mila por entre minhas coxas, subindo devagar até minha buceta. Saltou-a e enxugou minha barriguinha molhada, meu umbigo embebido de meu gozo. Subiu com aquela peça pequena e rosa até meu rosto e, pasmem: Me fez cheirá-la! E isso fez com com que minha cabeça girasse em um êxtase transcendente e interdimensional. E quando eu tentei respirar fundo, inalando o cheirinho natural daquela deusa juvenil, Ju desceu, chegando rapidamente aos meus pelos lisos. Conforme meus lábios vermelhos iam se abrindo ao redor dos seus dedos, a calcinha teve destino certo até meu clitóris inchado e pulsante. Passou a malha por cima do capuz, com o fundo delicado daquela calcinha de menina, e encontrou meu sininho vermelho e prestes a explodir. AAAAAAaaaIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!! Senti o orgasmo voltar tão intenso que arqueei o quadril em direção ao seu rosto: —AAANNNNNN... JUUUUUu... Tô gozaannnnnnUUUUUUUUU!— Com pouca consciência, percebi que ia desmaiar, e tentei tirar suas mãos de dentro de mim, porém, sem força, desabei, sem conseguir parar de gozar e esguichar. — P-paarraaa, amigaaaaaaaaaa! acho que v-vou desmaaaiar!— Foi quando ela me soltou, deixando escapar um sorriso maligno nos lábios.
— Rê, o brilho nos seus olhos!
— Ahn?
— Toda vez que Camila aparece, você não consegue disfarçar, mulher!— Não tive nem energia para me sentir envergonhada. E minha cabeça girava enquanto Juliana continuava: — A sua sorte é que, em vez de ciúmes, fiquei excitada.— Completou, enquanto tentava enxugar os próprios seios com a calcinha enxarcada:
— M-me desculpe, Ju...
— Cuidado, miga, você não consegue disfarçar o quanto sente tesão na Mila. E isso pode entregar a gente!
Ela sorriu enquanto penteava meus cabelos com os próprios dedos, ajeitando o pouco que sobrou do meu corpo esgotado naquela cama. (E aquilo me lembrou muito o carinho de Mila).
Os dias iam passando e Juliana me fazia gozar de jeitos incrivelmente pitorescos, criativos e até bizarros: às vezes usava a calcinha da filha, às vezes passava o gloss da menina no meu clítoris e, até mesmo, enquanto Mila se encontrava acordada no quarto ao lado. (Sim, eu sei que sou louca por elas).
E foi, então, nesta época, que Juliana se divorciou. E aquilo mexeu muito com minha amiga. Ela ficou ousada, insana, inconsequente.
E em um sábado quente, Ela me convidou pra ir em sua casa enquanto preparava o almoço.
— Vem pra cá, miga. A Mila está aqui.
Meu coração acelerou e imaginei mil coisas. A voz de Juliana estava diferente. Cheguei em trinta minutos e Mila me recebeu no portão, com aquele abraço tão aconchegante quanto excitante.
— Entra, tia. A mamãe está na cozinha, vem! — E enquanto caminhava na minha frente, a menina chacoalhava seu enorme bumbum durinho, a centímetros de mim. Seu cheirinho de morango impregnado em minhas mãos, meu rosto, apóso delicioso abraço.
Camila se sentou e começou a ler um livro, enquanto Juliana me puxava para o interior da cozinha.
— Entra aqui, miga.
Contornei o balcão e me sentei em uma banqueta confortável enquanto ela cozinhava à beira do fogão. E enquanto Mila se concentrava do outro lado, sentada à mesa de jantar, Juliana se aproximou de mim e fez o que nunca havia feito antes: Me segurou no rosto, fez um carinho em meus cabelos e beijou meus lábios, tudo ali pertinho da filha. Petrifiquei, tentando me situar. Foi então que Juliana se abaixou entre minhas pernas, respirando um ar quente e úmido. O mundo girou e tentei olhar para Camila, que continuava inerte. O arroz borbulhava no fogão. O tecido da minha saia foi erguido com delicadeza. Seus dedos, já molhados da minha excitação, entraram em mim com a precisão de quem conhece cada dobrinha, cada ponto sensível. Eu segurei a beirada do balcão, tentando não tremer, enquanto do outro lado, a voz suave de Camila virava as páginas do livro. Juliana me olhava de baixo, o sorriso safado e cúmplice, e sussurrava baixinho:
— Imagina se ela virasse agora… e te visse assim, toda aberta, gozando nos meus dedos por causa dela.
Meus olhos se cerraram. O cheiro do arroz, o som das páginas, a presença da menina tão perto… tudo se misturou. Juliana acelerou, o polegar no meu grelo, os dedos curvados dentro de mim, e eu senti o orgasmo subir como uma onda quente e inevitável. Quando esguichei, foi em silêncio, o corpo inteiro tremendo, a boca aberta num gemido engolido, enquanto a água quente e doce escorria pelas minhas coxas e molhava a mão da minha amante.
Do outro lado do balcão, Camila virava mais uma página, completamente alheia ao fato de que eu acabara de gozar por ela.
— Quem sabe algum dia— Ju soltou. Mas na semana seguinte foram embora.
Eu, no meu quarto agora, sozinha, com os dedos ainda dentro de mim, imagino o que poderia ter sido. O prazer sobe de novo, mais forte, mais molhado. Meu corpo se arqueia, um gemido longo e feminino escapa, e eu gozo forte — esguichando, tremendo, imaginando o relicário aberto, o cheiro dos lençóis de Camila, a calcinha dela no meu grelo, e os olhos de Juliana me dizendo, sem palavras, que ela sabia de tudo sobre mim mesma.
O silêncio volta ao quarto.
Meu corpo ainda formiga.
E o desejo, insistente, continua.

Ótimo conto parabéns