A oportunidade veio num sábado à tarde. A gente já tava no quarto no maior fogo, e antes de me deitar com a Karine, fiz questão de deixar a porta do puxadinho que dava pra cozinha só encostada, com a janela sanfonada com uma brecha perfeita.
No meio da putaria, o tesão comendo solto, olhei de rabo de olho pro alto e vi o vulto parado ali de novo. Puta que pariu, tinha alguém ali de verdade.
Pra não dar na cara e confirmar quem era, mandei um migué na hora. Falei bem alto pra Karine:
— Amor, péra aí, vou ali na mesa pegar um óleo pra passar em você.
A Karine ficou sem entender nada, com aquela cara de "óleo pra quê essa hora?", mas soltou um "tá bom, vai lá".
Levantei da cama rápido, desviei da direção da janela pra pessoa achar que eu tava indo pro outro lado e dei aquela espiada na surdina pela fresta da porta.
Passei mal na hora: era a Sandra. Minha sogra tava ali colada no balcão, num silêncio absoluto, estática, secando a gente se acabar na cama. Me deu um gelo na espinha misturado com um tesão absurdo.
Voltei pra cama meio pálido. A Karine olhou pra mim desconfiada e perguntou:
— Ué, cadê o óleo? O que foi?
— Nada não, achei que tinha escutado alguém chamando no portão, mas não era nada — mandei no migué, já caindo por cima dela de novo, mas com a mente fritando sabendo que a mãe dela tava assistindo cada segundo da gente.
Durante o resto daquele final de semana, a minha cabeça virou um inferno. A parada ficava martelando sem parar: "Conto ou não conto pra Karine?". Fiquei num mato sem cachorro. Se falasse, podia dar um barraco gigantesco e estragar a família; se ficasse quieto, guardava aquele segredo bizarro sozinho com a minha sogra. E pior: qual seria a reação da Karine se soubesse que a própria mãe tava manjando a gente transar?
Passaram-se alguns dias e eu simplesmente não conseguia mais me concentrar em nada. Aquela imagem da Sandra parada na fresta vinha na minha mente toda hora. A pressão foi tanta que eu não aguentei e resolvi abrir o jogo com a Karine.
Chamei ela no canto, meio ressabiado, e soltei a bomba. Mandei a real sobre o que tinha visto na fresta da janela.
A reação foi imediata: a Karine virou no bicho. Ficou brava pra caralho, de rosto vermelho, inconformada e indignada com aquele absurdo. Ela mal conseguia acreditar que a própria mãe tava fazendo uma palhaçada daquelas. Pela cara dela, ia sair do quarto caindo matando em cima da Sandra na hora.
Vendo que o tempo ia fechar de vez e que a casa ia virar um inferno, dei um passo pra trás pra conter o estrago. Agarrei no braço dela, tentei acalmar os ânimos e mandei:
— Calma, amor, não vai criar um clima desgraçado com a sua mãe por causa disso. Deixa quieto, não fala nada com ela. A partir de hoje a gente fecha a janela bem fechada, puxa a cortina inteira e pronto, acabou o problema.
A Karine engoliu a seco, ainda possessa de raiva, mas acabou concordando pra não esquentar a cabeça na casa. Só que, no fundo, o estrago na minha cabeça já tava feito — e agora a dinâmica naquela casa nunca mais seria a mesma.
Passando algum tempo, a Karine me veio com um papo que me pegou completamente de surpresa. Ela contou que vinha tentando dar um empurrãozinho na Sandra, incentivando a mãe a sair de casa, fazer umas amigas ou até ir em umas festas para espairecer. Só que a Sandra, sempre caseira e tímida, disse que ainda não se sentia confiante para isso.
Nessa conversa franca entre as duas, a Sandra acabou confessando para a filha, meio sem jeito, que estava sentindo uma falta danada de ter um homem na vida dela.
Aquilo mexeu demais com a Karine. Ela ficou com uma pena gigante da mãe, vendo a solidão e a carência em que a Sandra vivia.
Foi aí que a chave virou na cabeça da Karine. Ela finalmente ligou os pontos e entendeu o motivo daquele episódio na janela: assistir a gente escondida no quarto era a única forma, mesmo que torta, que a mãe tinha encontrado para tentar se satisfazer e sentir um pouco de calor humano de novo.
A raiva que a Karine tinha sentido antes virou uma tristeza profunda. Ela desabafou comigo no quarto, quase chorando, dizendo o quanto se sentia mal e triste por ver a mãe naquela situação e não ter como ajudar.
No final de semana seguinte, cheguei na casa da Karine e, quando entrei no quarto dos fundos, olhei direto pra janela sanfonada. Fiquei em choque: a cortina não tava lá. A janela tava limpa, sem pano nenhum pra tampar a visão de quem estivesse na cozinha.
Antes da gente começar a sacanagem do sábado à tarde, apontei pra janela e perguntei meio ressabiado:
— Pô, amor, e a cortina?
A Karine olhou, deu uma risadinha sem vergonha e respondeu na maior naturalidade:
— Tirei e coloquei pra lavar...
— Mas e a sua mãe? — questionei com o coração já pulando no peito, imaginando a cena.
A Karine me puxou pela cintura, me deu um beijo no pescoço e soltou com um sorriso meio maldoso:
— Ah, deixa pra lá... é só hoje. Talvez ela nem venha mais olhar. Mas se olhar, Vitor... ela já olhou tanto que não é mais novidade. Pelo menos assim ela se satisfaz um pouco, coitada.
Aquelas palavras da Karine caíram como gasolina na minha cabeça. A própria filha tava dando brecha, meio que liberando o show pra mãe carente assistir.
Naquele mesmo final de semana, a Sandra resolveu tentar dar esse primeiro passo pra ver se mudava de vida, mas a autoestima dela tava tão no chão que ela mal se arrumou. Colocou uma roupinha qualquer, bem simples, e saiu de casa meio desanimada, só pra dizer que tentou.
Enquanto a mãe tava fora, a Karine me chamou até a janela da cozinha, caindo na gargalhada. Ela encostou lá no balcão, olhou na direção do quarto e soltou:
— Olha aqui, Vitor! Não dá pra ver é porra nenhuma! A iluminação daqui é horrível, fica tudo escuro. A pessoa tem que se esticar toda pra conseguir enxergar alguma coisa na cama!
Cheguei perto, olhei do mesmo ângulo que ela e vi que era verdade: da pia a visão era fraca demais, quase um breu. A Karine balançou a cabeça, rindo mas com aquele fundo de dó, e disse:
— Coitada da mãe, sério... Além de sair toda desanimada, com a autoestima lá embaixo, quando ficava aqui tentando ver a gente nem devia enxergar nada direito! Passava trabalho pra ver só uns vultos no escuro.
A Sandra voltou pra casa rapidinho, sem cara de muitos amigos e visivelmente chateada. A Karine foi logo perguntar o que tinha rolado, e a mãe só resmungou que o passeio tava uma bosta, que não tava legal e que por isso resolveu voltar logo.
Naquela mesma noite, já deitados no quarto antes de dormir, a Karine se encostou em mim e começou a cochichar. Contou que, mais cedo, antes de eu chegar, as duas tinham tido uma conversa bem intimista sobre sexo. A Sandra acabou desabafando que a coisa tava tão feia e a seca tava tão grande que ela não tava conseguindo sentir prazer nem sozinha, se masturbando.
Dava pra ver o quanto a Karine ficou tocada com o drama da mãe. No fim das contas, com aquela dó toda, ela me confessou que tava disposta a deixar a visão do nosso sexo mais clara pra mãe conseguir assistir direito da cozinha.
Ela olhou pra mim na cama e perguntou o que eu achava da ideia.
Eu mandei a real, meio migué, dizendo que não achava que essa era a melhor das ideias pra ajudar a mãe dela, mas fiquei curioso pra caralho e mandei:
— Mas... o que exatamente você tinha em mente fazer?
A Karine deu um suspiro, ajeitou o travesseiro e falou que na real não tinha pensado em nada específico ainda, que era só uma ideia doida que passou pela cabeça dela por pena. E a conversa morreu ali por aquela noite.
CONTINUA…

Conto muito bem escrito e envolvente. Tenho o mesmo estilo de escrita que eu. Te convido para ler o meu primeiro conto que postei.