Pode beijar a noiva!
Mariana sorriu.
Gil se aproximou devagar, vivendo aquele instante sem pressa. As mãos dela tocaram seu rosto e, quando finalmente os lábios dos dois se encontraram, um trovão explodiu sobre a igreja.
CRAAASH!!!!!!!!!!!!
O estrondo fez alguns convidados se sobressaltarem nas cadeiras. Uma senhora na primeira fila levou a mão ao peito. Um dos convidados deixou escapar um pequeno grito.
No mesmo instante, um raio cortou o céu do lado de fora, iluminando por uma fração de segundo os vitrais e lançando sobre os noivos uma luz branca e quase sobrenatural.
Mas Mariana e Gil continuaram se beijando. Por alguns segundos, ninguém falou.
Algumas risadas se espalharam entre os convidados, aliviando o susto.
O padre sorriu e esperou o burburinho diminuir.
— Acho que até o céu resolveu participar da cerimônia.
Mariana e Gil se separaram lentamente, ainda sorrindo um para o outro.
Então o padre ergueu a voz:
— Agora vocês são uma só carne, um casal unido em espírito e propósito.
Gil apertou a mão de Mariana e ela olhou para ele com os olhos brilhando.
Lá fora, outro trovão ressoou, dessa vez mais distante.
Depois da cerimônia, Gil e Mariana seguiram para o apartamento que haviam comprado juntos.
Aquela não tinha sido uma decisão tomada por impulso, muito menos o resultado de uma paixão repentina. Eles estavam juntos havia cinco anos. Tempo suficiente para conhecerem as qualidades, os defeitos, as manias e também as contradições um do outro.
Olhando para eles lado a lado, o contraste era evidente. Gil, com sua cara de pacato, era alto e magro. Os óculos de armação discreta lhe davam um ar intelectual, perfeitamente em sintonia com o seu jeito meio largado e levemente desleixado de se vestir e se mover.
Mariana, por outro lado, transbordava energia: magra, com cabelos ondulados caindo até os ombros e um rosto fino de traços marcantes, ela carregava um ar constante de quem estava pronta para a ação. Tinha aquele jeito ativo, acentuado por um olhar vivo e olhos verdes que pareciam captar cada detalhe ao redor.
O namoro havia sido, de certa forma, um período de construção.
Desde cedo, os dois decidiram que não queriam esconder nada. Conversaram sobre desejos, limites, ciúmes, fantasias e sobre aquilo que esperavam de um relacionamento.
Foi assim que chegaram à decisão de manter uma relação aberta, mas com regras bastante claras.
Nenhum dos dois poderia simplesmente aparecer em casa acompanhado de alguém.
Se Gil se interessasse por outra mulher, primeiro teria de conversar com Mariana. Ela conheceria a pessoa, avaliaria a situação e, se estivesse de acordo, o relacionamento poderia acontecer. Mas nunca seria algo exclusivamente entre Gil e aquela mulher.
Mariana faria parte da dinâmica.
Com Mariana não seria diferente.
Bissexual, ela poderia se interessar por um homem ou por uma mulher, mas teria de conversar primeiro com Gil. Nada aconteceria pelas costas do outro. O consentimento dos dois era indispensável.
Era justamente essa transparência que, para eles, tornava aquele relacionamento possível.
Não havia espaço para surpresas, pelo menos era o que acreditavam.
Mariana havia contado a Gil sobre seu passado. Não omitira relacionamentos, experiências, desejos ou situações das quais talvez não se orgulhasse tanto. Gil também falara de sua vida antes dela. Aos poucos, foram colocando as cartas sobre a mesa, uma a uma.
Ou quase todas.
Porque Gil, apesar de ter sido sincero sobre praticamente tudo, guardara para si um pequeno detalhe.
Pequeno, pelo menos na maneira como ele próprio insistia em classificá-lo.
Naquela noite, enquanto atravessavam a porta do apartamento pela primeira vez como marido e mulher, Mariana ainda não fazia ideia de que existia uma carta escondida no baralho. Mas Gil já imaginava que, cedo ou tarde, ela teria de ser virada.
Gil e Mariana voltaram para o apartamento. O tempo era curto. Dentro de pouco tempo, já estariam na estrada rumo a Serra Nevada, a região de Andaluzia e a turística Granada. Com paisagens de Alta Montanha com a proximidade Única do Mar Mediterrâneo. Tinham feito reserva no Hotel Real de Laroles Nevada, indicação de um amigo de Gil, que garantira que o lugar era perfeito para uma viagem a dois.
Ao chegarem, encontraram as malas exatamente onde as haviam deixado, prontas para a viagem. Gil caminhou até a sala e sentou-se no sofá, conferindo novamente a reserva do Hotel pelo telemóvel.
— Está tudo certo? — ela perguntou.
— Tudo certo.
Mariana olhou para o relógio e depois para o marido.
— Então ainda temos um tempinho.
Gil sorriu.
— Para quê?
Ela se aproximou devagar e sentou-se no colo de Gil, de frente para ele, trazendo o corpo para bem perto do dele. Com um brilho especial nos olhos, olhou-o diretamente e passou os braços ao redor do seu pescoço.
— Para uma foda bem gostosa. Afinal, agora somos oficialmente casados.
— Achei que você nunca precisasse de uma desculpa para isso.
— Não preciso. Mas agora tenho uma ótima.
O beijo começou intenso e demorado, as mãos de um começaram a percorrer o corpo do outro .
Gil começou segurando na cintura de Mariana, mas logo suas mãos subiram para os seios, acariciando-os por cima da roupa.
— Cinco anos... — Mariana murmurou contra os lábios dele, a respiração ligeiramente acelerada.
Mariana encostou a testa na dele por um instante, sentindo a respiração de Gil ainda acelerada contra o seu rosto. Então, afastou-se apenas o suficiente para encará-lo.
Com um olhar profundamente sensual e um sorriso de canto provocativo, sem pressa, ela levou as mãos para trás das costas, alcançando o fecho do vestido. Com um movimento lento e calculado, começou a puxar o fecho para baixo, arqueando suavemente a coluna e mantendo o olhar encarando Gil de forma intensa e magnética. A cada centímetro que o fecho descia, o tecido ia se abrindo, revelando a pele macia dos ombros e das costas, enquanto ela sustentava aquele contato visual carregado de desejo, sem desviar os olhos por um segundo sequer.
Tirou totalmente a parte de cima do vestido, ficando apenas de sutiã. Deslizou-o devagar pelos ombros, movimentando o corpo sobre o colo dele em uma leve e ritmada rebolada, esfregando a bucetinha no pau dele, por cima da roupa.
Gil segurou firmemente a cintura dela, o olhar escurecendo de desejo e o ar escapando de seus pulmões em um suspiro denso ao ver o movimento.
Mariana deu um risinho provocante, ainda com os olhos fixos nos dele, ela alcançou o fecho do sutiã e tirou completamente a peça intima , girou o sutiã no dedo indicador e o atirou para longe, revelando seus peitinhos redondos.
— Você... está querendo fazer a gente se atrasar de vez — ele sussurrou, a voz ainda mais grave, apertando as mãos em seus mamilos.
— Parece... que foi ontem — ela disse enquanto puxava a cabeça de Gil em direção aos seus seios.
— E parece... — ele suspirou, deixando escapar um leve gemido enquanto a sua boca começa a mordiscar os biquinhos dos seios — ...que foi há uma vida inteira também.
— A gente mudou bastante... — ela murmurou com a voz mais grave, a intensidade entre os dois aumentando a cada toque.
— Mudou — ela arqueou suavemente o corpo, soltando um suspiro entrecortado —, mas ainda estamos aqui...
Ele a abraçou com força, depositou uma trilha de beijos quentes entre os seios e foi descendo até alcançar a barriga de Mariana. Ali, ele demorou-se, selando a pele macia com beijos intensos e famintos, sentindo a respiração dela acelerar e o corpo estremecer a cada toque de seus lábios.
Puxando o ar devagar, com o rosto ainda colado à barriga dela, ele sussurrou com a voz grave e pausada:
— E agora... casados.
Os dois arfantes, olhos fechados, aproveitando o calor e a proximidade do momento.
— Finalmente.
Mariana deslizou as mãos pelo corpo de Gil, até chegar na virilha. Por cima do tecido, seus dedos encontraram o pau do Gil, bastou apalpá-lo por alguns instantes para ver que estava muito duro.
Sem interromper os carinhos, ela usou uma das mãos para procurar o fecho da calça. Não foi tão simples quanto esperava. Seus dedos escorregaram algumas vezes, até que, depois de algumas tentativas, conseguiu abrir o suficiente para por o pau dele para fora.
Mariana ergueu um pouco o próprio corpo, buscando espaço para tirar o resto do vestido e a calcinha. Tentou colocar a picha do Gil na buceta, mas não entrou de primeira. Ela ajustou a posição, até encontrar o ângulo certo. Dessa vez, a picha deslizou para dentro sem dificuldade dentro da buceta molhadinha.
Com a pequena missão concluída, Mariana começou a cavalgar com vontade no pau do Gil. Sem conseguir evitar, soltou um gritinho, mais alto do que pretendia. Arregalou os olhos por um instante e, consciente de que precisava ser mais silenciosa, pois os apartamentos eram próximos um do outro e sem isolamento acústico.
Gil soltou o ar que parecia estar prendendo havia alguns segundos. Um gemido baixinho, quase um resmungo de alívio, escapou-lhe dos lábios.
Mariana adorava cavalgar na picha. A cada movimento ela se sentia mais à vontade, deixando os ombros relaxarem. Gil acariciava seus seios que estavam balançando sem parar, enquanto o som ritmado dos corpos se chocando se espalhava pelo apartamento..
Mariana ajustou a postura, inclinou-se ligeiramente para aumentar o ritmo do movimento, até que ambos gozaram.
— Foi bonito, não foi? — disse Mariana, ofegante — Todo mundo que a gente gosta estava lá.
— Sim , foi um sucesso!
Mariana riu.
— O que eu não consigo esquecer é o raio.
— Aquilo foi incrível!
— Incrível? Eu quase pulei para trás!
— Mas admite que ficou cinematográfico.
Mariana balançou a cabeça, divertindo-se.
— Justamente na hora do beijo. Trovão, raio... parecia que alguém lá em cima estava querendo dar um feito especial na cerimônia.
Gil sorriu.
— E você percebeu uma coisa?
— O quê?
— O beijo.
Mariana ficou alguns segundos em silêncio.
— Eu percebi.
— Foi diferente, não foi?
Ela sorriu, um pouco sem graça.
— Foi. Não sei explicar. Na hora em que aquele raio caiu, senti alguma coisa estranha.
— Eu também.
Os dois se entreolharam por alguns segundos.
Mariana então encostou a cabeça no ombro dele.
— Bom... pelo menos uma coisa eu tenho certeza. A gente sempre foi muito aberto um com o outro.
— Sempre.
— Não escondemos nada. Você sabe tudo sobre mim e eu sei tudo sobre você. Até as coisas mais vergonhosas.
— Infelizmente, algumas delas eu preferia esquecer.
— Tarde demais.
Ela começou a enumerar nos dedos.
— Você me contou daquela vez em que tentou impressionar uma garota fazendo uma manobra de bicicleta e acabou caindo dentro de uma lixeira.
Gil fez uma careta.
— Aquilo foi um acidente.
— Também me contou que comeu a mãe de um amigo.
— Ela era uma coroa enxuta!
— E não podemos esquecer o dia em que você foi no puteiro, broxou e teve que pagar mesmo assim
Gil suspirou.
— Eu estava começando a esquecer essa história.
Mariana riu.
— Pois é. Você me contou tudinho sobre você!
Gil sorriu, mas o sorriso desapareceu aos poucos. Baixou os olhos e ficou mexendo distraidamente nos dedos.
Mariana percebeu imediatamente.
— Espera aí...
Gil levantou os olhos.
— O quê?
— Tem alguma coisa que você não me contou? Não consigo imaginar o que poderia ter escondido de mim.
— Não é que...
Ele hesitou.
— Mais ou menos.
Mariana se afastou um pouco, olhando para ele com surpresa.
— Gil, eu achei que você tivesse me contado tudo.
— E eu achei que tivesse.
— Como assim, "achou"?
— É que tem algo diferente.
— Como assim, diferente?
— Não é sobre ex-namorada, se é isso que você está pensando.
— Gil, você já me contou até que broxou com uma puta! — Ela riu mas logo ficou séria novamente — O que poderia ser tão difícil de contar?
Gil permaneceu em silêncio por alguns segundos.
— É que tem uma coisa só ... assim, né ... que eu não te contei ... totalmente ...
Mariana arqueou uma sobrancelha.
— Ah, é? Então me conta agora.
Gil respirou fundo.
— É algo... digamos... que eu vou precisar te contar aos poucos. Mas não é sobre ex-namorada, não tem nada a ver com sexo ou coisas desse tipo.
Mariana ficou olhando para ele.
— Então é sobre o que Gil?
— É algo que eu tenho diferente! Uma condição especial!
Ela estudou o rosto dele, tentando descobrir se aquilo era alguma brincadeira.
— Mas o que exatamente Gil? Pode me contar, agora sua tua esposa, preciso que confie em mim!
Gil sorriu de leve.
— Preciso me sentir a vontade para contar. Prometo que durante a nossa Lua de Mel eu te conto tudo.
— Tá bom Gil, vou te dar esse espaço. Estou sentindo que é algo muito delicado para você.
— Muito obrigado, por isso eu te amo!
— Mas Gil...
Mariana estreitou os olhos.
— Confia em mim.
Gil apenas sorriu.
A conversa acabou sendo interrompida pelo relógio. Ainda havia algumas coisas para organizar antes da viagem, e o tempo, que durante a cerimônia parecera passar devagar, agora corria depressa.
Mariana levantou-se do sofá.
— Precisamos sair agora.
Gil olhou pela janela. A chuva que começara durante a cerimônia ainda continuava, embora tivesse diminuído para uma chuva fina. De vez em quando, porém, o céu era cortado por clarões, seguidos de trovões que faziam os vidros vibrarem levemente.
— Acho que a tempestade resolveu acompanhar a nossa lua de mel.
— Não fala assim.
— Por quê?
— Porque depois daquele raio durante o beijo, qualquer coisa relacionada a essa chuva está começando a me deixar desconfiada.
Gil riu.
— Você está ficando supersticiosa?
— Não. Só estou prestando atenção aos sinais.
Ele pegou uma das malas.
— Então vamos embora antes que apareça outro.
Pouco depois, se vestiram e deixaram o apartamento. No corredor do prédio, o silêncio da noite contrastava com os sons abafados da chuva. Ao entrarem no elevador, Mariana olhou para Gil.
— Ainda estou pensando no que você falou.
— Eu te prometi contar tudo e vou mesmo ... durante a viagem te contarei tudo!
No estacionamento, a chuva fina continuava caindo. Gil colocou as malas no porta-malas enquanto Mariana entrou no carro e aguardou. Antes de fechar a mala, ele ergueu os olhos para o céu.
Um clarão iluminou as nuvens, pouco depois, veio o trovão.
Gil ficou parado por um instante.
Mariana baixou o vidro.
— Gil?
Ele olhou para ela.
— Nada.
Fechou o porta-malas e entrou no carro.
O motor foi ligado e, alguns minutos depois, deixaram a cidade. À medida que avançavam, as luzes urbanas foram ficando para trás. Os prédios deram lugar a casas mais espaçadas, depois a terrenos vazios e, finalmente, à vegetação.
— Estava pensando nas parcelas do financiamento... — comentou Mariana, quebrando o silêncio do trajeto enquanto olhava pela janela. — Com o meu salário e o seu, do jeito que estão, a gente vai ter que apertar um pouco os cintos, mas dá para pagar.
Gil soltou um suspiro leve, mantendo os olhos na estrada molhada.
— Dá sim. O apartamento é modesto, claro, mas é o que temos condição de bancar no momento. Pelo menos é nosso.
— É verdade — concordou ela, virando-se para ele. — Só que eu não aguento mais aquele trabalho, Gil. Sério.
— Nem me fale. Eu também estou no meu limite lá na empresa. A gente precisa mesmo tirar do papel aquela ideia de abrir nosso próprio negócio. Se for para trabalhar tanto, que seja por algo que seja nosso.
O asfalto começou a meandrar e a inclinação ficou mais acentuada. Haviam chegado à estrada que sobe a serra. A chuva, que antes era fina, agora se transformava em uma névoa densa que reduzia a visibilidade entre as curvas fechadas.
Gil ajeitou os óculos no rosto e segurou o volante com mais firmeza, inclinando o corpo ligeiramente para a frente.
— Chegamos na subida da serra — disse ele, reduzindo a velocidade. — Com essa névoa e a estrada molhada, o negócio é dobrar a atenção.
— É verdade — concordou Mariana, deixando os pensamentos sobre o futuro e o apartamento de lado para focar na escuridão ao redor. — Agora é prestar bastante atenção na estrada. Qualquer desatenção aqui é perigosa.
Os dois se mantiveram em silêncio por alguns instantes, acompanhando apenas o som dos limpadores de para-brisa e o brilho dos faróis cortando o nevoeiro da serra.
A estrada para a serra era estreita e sinuosa. De ambos os lados, árvores e arbustos formavam uma espécie de corredor escuro. Em alguns trechos, a vegetação praticamente avançava sobre o acostamento. Havia poucos postes, e a iluminação irregular fazia com que os faróis do carro fossem a principal fonte de luz.
Mariana observava a estrada em silêncio.
— Essa estrada é sempre assim?
— Mais ou menos.
— "Mais ou menos" não me tranquiliza.
Gil sorriu.
— Você queria uma estrada reta e iluminada até ao Hotel?
— Eu queria uma estrada que não parecesse cenário de filme de terror.
O carro entrou em uma curva fechada. Gil reduziu a velocidade. A chuva fina refletia nos faróis, formando uma cortina brilhante diante do para-brisa. Depois da curva, a estrada desaparecia novamente entre árvores.
O carro avançava lentamente pela estrada sinuosa. A garoa continuava fina, mas os relâmpagos eram frequentes, iluminando por instantes a vegetação fechada que cercava os dois lados da estrada.
Mariana observava a escuridão pela janela.
— Pelo menos o hotel parece bonito pelas fotos.
— Parece mesmo.
— Como você soube desse hotel?
— Um amigo me indicou.
Mariana virou o rosto para ele.
— Quem?
Gil respondeu quase no automático, os olhos fixos na estrada.
— O Marlon, sabe, aquele meu amigo ruivo!
Por alguns segundos, Mariana permaneceu em silêncio. O nome pareceu ficar suspenso dentro do carro.
Então ela perguntou:
— Sim... eu lembro do Marlon, cabelos ruivos. Mas não foi ele que morreu?
Gil demorou um pouco para responder. Continuava concentrado nas curvas da estrada.
— Foi.
Mariana franziu a testa.
— Como ele te indicou o hotel?
Gil finalmente percebeu a estranheza da própria resposta.
— Bom... logicamente ele foi a esse hotel antes de morrer.
— Ah...
Mariana ficou pensativa.
— Mas ele já morreu faz dois anos.
— Nossa... o tempo passa, né?
Mariana permaneceu em silêncio por mais alguns instantes. Havia alguma coisa naquela conversa que não se encaixava, embora ela ainda não conseguisse dizer exatamente o quê.
— Como ele morreu?
Gil respirou fundo antes de responder.
— Ele estava jogando bola. Teve um mal súbito e morreu.
— Ah... esse não é aquele teu amigo que queria ser jogador de futebol quando era jovem, mas descobriu um problema no coração e teve que desistir?
— Sim. Inclusive, os médicos recomendavam que ele não jogasse bola. Mas ele desobedecia. Continuava jogando escondido... até que teve esse mal súbito.
Mariana fez uma expressão de pesar.
— Ele adorava jogar bola, não é?
— Adorava. Futebol era a paixão dele. Quando era jovem, queria ser jogador profissional. Sonhava em chegar à Seleção Brasileira.
— Ah, tá...
Mariana voltou a olhar para a estrada.
Continua ...
*********************************
***************************
Gostou do conto?
Por Tuga069
Se você gostou, comente por favor, se não gostou, diga, queremos melhorar, ficaremos gratos.