— Ela é tão dedicada, Marcos — Carla repetia. — Tão temente.
Eu via a temente. Via também o jeito como ela cruzava as pernas quando sentava no sofá de saia, como inclinava o corpo para pegar algo na mesa da cozinha, deixando a blusa cair e mostrando o começo dos seios. Via os olhos dela demorarem em mim quando Carla virava as costas. Mas via também a Bíblia que ela trazia sempre debaixo do braço, o versículo que postava no status, a oração antes das refeições.
No começo, achei que era coisa da minha cabeça. Tesão de homem besta. Carla confiava nela, contava seus segredos, chorava em seu ombro. Priscila ouvia, aconselhava, citava Provérbios.
Até que começaram as visitas sem aviso.
Carla trabalhava à tarde. Priscila sabia. Aparecia com desculpas: trazer uma receita, pedir um livro emprestado, usar o wi-fi porque o dela tinha caído. Eu abria a porta e lá estava ela: vestido leve, cabelo solto, cheirando a sabonete de infância.
— Oi, Marcos. Carla não está?
— Não, só volta às seis.
— Ah, que pena. Posso esperar?
Eu deixava. Ela sentava no sofá, puxava conversa. Falava da solidão, do marido ausente, da dificuldade de manter a fé com o diabo rondando. Eu ouvia, concordava, servia café. Até que um dia ela sentou mais perto.
— Marcos, posso te pedir um conselho?
— Claro.
— É que... tem um homem na igreja. Viúvo. Vive me olhando. Me sinto tentada.
— Tenta evitar.
— Evito. Mas a carne é fraca.
Ela disse isso me olhando nos olhos. A mão dela pousou no meu joelho.
— Você entende, não entende? Carne fraca.
Afastei o joelho. Ela sorriu, pediu desculpas, levantou. Foi embora pouco depois.
Na semana seguinte, Carla viajou para visitar a mãe no interior. Passaria o fim de semana fora. Priscila soube. Mandou mensagem:
Posso ir aí hoje? Preciso conversar. Sozinha.
Respondi que sim.
Ela chegou de noite. Vestido preto, decote, salto. Dessa vez não tinha Bíblia. Sentamos no sofá, ela pediu vinho. Bebemos. Ela falou do marido, da falta de sexo, do corpo que pedia.
— Você não imagina, Marcos. Fico dias sem toque. Dias.
Aproximou-se. A mão dela subiu pela minha coxa.
— Priscila...
— Shh. Não precisa fazer nada. Só deixa.
Ajoelhou no chão. Entre minhas pernas. As mãos dela abriram meu shorts. Eu estava duro há minutos. Ela olhou, passou a língua nos lábios.
— Tão lindo — murmurou.
E então abaixou a cabeça.
A boca dela era quente, molhada, gulosa. Ela chupava como se estivesse sedenta, levando fundo na garganta, babando, voltando, lambendo a cabeça, as bolas. Uma mão segurava a base, a outra acariciava minha barriga. Eu gemia baixo, a cabeça jogada pra trás.
Ela parou, olhou pra cima.
— Sempre quis isso. Desde que te vi. Orar ajoelhada me dava tesão, sabia? Ficava de joelhos na igreja, pensando em você. Agora sei pra que servia a posição.
Voltou a chupar. Mais rápido. Mais fundo. A língua dela lambia como se estivesse pedindo. Eu segurei a nuca dela, guiei o ritmo. Ela aceitou tudo, os olhos marejados, o batom borrado.
— Vou gozar — avisei.
Ela não parou. Apertou a boca, sugou forte. Gozei na garganta dela, jorros quentes. Ela engoliu tudo, sem perder uma gota. Quando terminei, ela lambeu a cabeça, limpou, e só então se levantou.
— Quero mais — disse. — Quero você inteiro.
Ela tirou o vestido. Não usava calcinha. Deitou no tapete da sala, abriu as pernas, mostrou a boceta molhada, os pelos aparados.
— Vem. Fode sem camisinha. Quero sentir.
Eu desci sobre ela. Enfiei de uma vez. Ela gemeu alto, agarrou minhas costas, apertou as pernas em volta da minha cintura.
— Assim. Assim. Tô há tempos sem pau. Tão bom.
Fodemos no chão da sala. Ela pedia mais, pedia tapa, pedia pra morder os peitos. Eu obedeci. Mamei os bicos duros, enfiei dois dedos nela enquanto metia, senti o cu apertar.
— Goza dentro — pediu. — Quero leite. Faz tempo.
Gozei. Ela tremeu, gozou junto, os gritos sufocados na minha boca.
Ficamos assim, suados, no tapete. Depois, ela levantou, foi ao banheiro, voltou vestida como se nada tivesse acontecido.
— Até amanhã — disse. E saiu.
O caso continuou. Carla voltou, a rotina seguiu. Priscila continuava indo à igreja, postando versículos, orando com Carla. Mas nas tardes em que Carla trabalhava, ela estava aqui.
Um dia, ela chegou com o celular na mão.
— Carla acabou de mandar mensagem — disse, enquanto abria meu shorts. — Quer saber se estou bem.
Ajoelhou. Enfiou o pau na boca enquanto digitava com uma mão.
— Vou responder — murmurou, o pau ainda na boca.
Ela mandou um áudio: "Tô bem, amiga. Orando aqui em casa."
E continuou chupando.
Naquela tarde, ela sugeriu algo novo.
— Liga pra ela.
— O quê?
— Liga. Põe no viva-voz. Quero ouvir a voz dela enquanto você me come.
— Isso é loucura.
— É tesão. Liga.
Liguei. Carla atendeu: "Oi, amor. Tudo bem?"
— Tudo. Só saudade.
Enquanto falava, Priscila montou em mim. Enfiei nela, ela mordeu o lábio pra não gemer. Comecei a meter devagar, ela cavalgando, o telefone no criado-mudo.
— Tô com a Priscila? — Carla perguntou.
— Não, tô sozinho — menti, vendo Priscila sorrir, os peitos balançando.
— Ah, que bom. Pensei que ela fosse aí hoje.
— Não, não veio.
Priscila acelerou o ritmo. Eu segurei a cintura dela, metendo fundo. Ela colocou a mão na boca, os olhos revirando.
— Amor, que barulho é esse?
— TV — respondi. — Filme.
— Ah. Te amo. Depois falo.
— Te amo.
Desliguei. Joguei o telefone de lado, virei Priscila de quatro e comi com raiva, com tesão, com nojo de mim mesmo. Ela ria, pedia mais, gozava.
— Tão bom — gemeu. — Tão errado. Tão bom.
Depois, deitamos exaustos.
— Você é doente — falei.
— Sou. Mas você também. E adora.
Ela tinha razão.
Os meses passaram. Carla nunca descobriu. Priscila continua indo à igreja, orando, louvando. Nas tardes de quarta, quando Carla vai ao grupo de oração, Priscila vem aqui. Ajoelha. Reza com a boca no meu pau. Diz que é a comunhão dela.
Dessa vez, enquanto a chupava, o celular tocou. Ela atendeu, ainda com o pau na boca.
— Alô, Carla? — a voz dela abafada. — Tô orando, amiga. Em espírito.
E chupou mais fundo.
Eu gozei na boca dela enquanto ela dizia "amém".

Gostosa!!!
sidnelsondf