O bom de a gente ter curiosidade e ser observador é que nós vamos descobrindo, ou constatando coisas que, muitas vezes, a gente ouve, ver, e não dá muita importância.
Nesses dias vivendo junto com meu pai e convivendo com o Joaquim, eu percebi a veracidade de alguns ditados populares, e também a verdade sob alguns hábitos que repetimos sem nem mesmo nos darmos conta.
Primeiro: o preconceito muitas vezes nos dá uma visão errada sobre fatos e pessoas. Antes de termos a visão do fato, já temos uma visão pré-concebida.
Segundo: pessoas simples se tornam invisíveis. Muitas vezes a gente anda na rua, passa todos os dias por um vendedor ambulante, por um frentista, por um gari e nem notamos que ali tem uma pessoa, um ser que, por detrás daquela imagem tão simples e banalizada, pode ser muito interessante.
Terceiro e mais importante para a narrativa a seguir, é o ditado muito popular que diz: “Filho de peixe, peixinho é”. Vocês entenderão o que quero dizer mais à frente, quando eu narrar o que aconteceu comigo, depois de ter sido fodido ferozmente pelo negão motorista e de ter decidido a virar uma putinha de beira de estrada, dando o cu por dinheiro, só para ajudar meu amigo Joaquim a ir embora daquele lugar e realizar seu sonho de ser garoto de programa para gays, na capital.
Eu olhei para o dinheiro que o negão tinha me dado e que estava em cima da mesinha ao lado da minha cama. Guardei o dinheiro na minha latinha secreta, onde tinha todo o dinheiro que eu ganhava de meu pai. Já tinha quase quinhentos reais ali guardado.
Já tinha mandado uma mensagem para o Joaquim e estava aguardando a resposta dele, para termos uma conversa antes de iniciar o plano dele de me vender para os caminhoneiros.
— Desculpa Sandrinho, eu demorei a te responder porque não estava em casa. E aí, você pensou com carinho sobre o nosso plano de ganhar dinheiro com o teu rabão gostoso? – Ele falou numa mensagem de voz, com um tom meio apreensivo.
— Vamos acertar alguns detalhes. Primeiro não é nosso plano, é um plano seu. Quem tá querendo ganhar dinheiro me prostituindo é você. Segundo eu não tenho nenhuma vocação nem vontade para isso, vou fazer para te ajudar. Eu não sou romântico, mas não curto esse tipo de negócio. Quero foder com quem eu quiser e na hora que eu quiser. Por último eu quero saber de quanto você precisa para ir pra capital realizar o teu sonho de ser garoto de programa. – Eu respondi, também numa mensagem de voz.
— Pô Sandrinho! Você falando assim eu fico até com um peso na consciência. Não quero te fazer mal, só acho que se tu sentes prazer em dar o cuzinho. Por que não ganhar dinheiro com isso?
Eu não preciso de muita grana não, cara. Eu só quero levar um dinheirinho para garantir uma pensão baratinha, por uns dois meses, só por garantia. Não sei se vou poder contar de verdade com aquele meu primo, sabe como são as pessoas, nem todas cumprem suas promessas.
A passagem é barata, eu vou de ônibus, até já tenho o dinheiro da passagem, guardado. Queria levar uns dois mil reais, só por garantia, mas acho difícil a gente conseguir isso em um mês, o tempo que você vai ficar por aqui. Mas se conseguir pelo menos mil reais eu vou embora. Eu tenho certeza que logo que eu chegar na capital eu vou ganhar muito dinheiro com meu pauzão. – Ele respondeu com entusiasmo na voz. Era emocionante ver como aquele rapaz tão jovem, tinha tanta confiança em seus planos.
— Beleza, vamos ver o que acontece. Pode marcar com o teu amigo traficante aí na tua casa. Ele vai ser meu primeiro cliente. Vê se negocia um bom dinheiro. Afinal de contas ele está na seca e quer muito comer um cuzinho jovem.
— Valeu Sandrinho! Você é um irmãozinho bacana. Vou arrancar o máximo que eu puder do malandro. Amanhã à tarde você vem com o cuzinho pronto pra levar rola. A grana vai ser boa. Metade para cada um.
— Irmãozinho é o caralho, Joaquim. Esqueceu que você já arrombou meu cuzinho? Irmão não faz isso não. E prepara tudo direitinho para não dar sujeira com o teu pai nem com o meu. Eu gosto do meu velho e não quero que ele se decepcione comigo. – Eu respondi, entre sério e risonho.
— Arrombei esse teu cuzinho gostoso e ainda vou arrombar novamente. Eu gosto de você, moleque. Pode deixar que vai dar tudo certo. Tu vais ver. – Ele respondeu confiante e desligou o telefone.
A manhã estava começando com um sol bonito lá fora, eu saí do meu quarto, tomei meu banho, tomei um bom café da manhã e fui em direção à oficina, falar com meu pai. Ele estava sozinho, trabalhando embaixo de um caminhão.
— Bom dia pai! Tá tudo bem com você? – Eu perguntei.
— Bom dia filho. Hoje tá uma correria, eu vou ficar o dia todo sozinho. O Bira tirou um dia de folga, tinha médico e precisava se ausentar. Não vou poder te dar muita atenção não. Você vai ter de se virar sozinho por aí. – Ele me respondeu com sua voz tranquila. Era um homem muito educado o meu pai. Nem parecia que a gente convivia há tão pouco tempo. Eu me sentia amparado ao lado dele, me sentia seguro. Ele era o contrário da minha mãe, que vivia sempre em delírio, atrás de um homem que a salvasse da vida difícil que ela dizia levar. Vivia numa eterna ilusão de um amor perfeito. Coisa que não existe, pelo menos não da maneira que ela idealizava.
— Eu posso te ajudar com alguma coisa? – Eu perguntei, tentando parecer útil.
— Pode não, filho. Se você não atrapalhar já será uma boa ajuda. Pode ficar à vontade. Se quiser pode até ir passear lá na vila. Pega um dinheirinho aí na gaveta e vai tomar um sorvete. – Ele me falou sorrindo e eu me afastei para não atrapalhar o serviço dele.
Eu fiquei por ali sem ter o que fazer. Depois de algum tempo, já próximo do meio-dia, eu peguei cinquenta reais na gavetinha da oficina e resolvi ir até à vila comer um sanduiche e espairecer um pouco. Confesso que estava ansioso com o que poderia acontecer no dia seguinte, quando eu teria o primeiro cliente lá na casa do Joaquim.
Eu me arrumei bem bonitinho, com uma bermuda e uma camiseta regata, bem perfumado, gel no cabelo e fui em direção à Vila. Comi um sanduiche no local onde sempre comia, tomei um sorvete e depois resolvi dar um pulo na casa do Joaquim e falar com ele pessoalmente. Talvez eu ficasse mais tranquilo falando com ele olho no olho. Ele tinha um modo de falar cheio de confiança, o que deixava mais tranquilo quem o ouvia.
A casa dele ficava num local bem legal, perto da pracinha. Era uma casinha pequena, mas muito bonitinha, bem cuidada. Assim como também era a que eu morava com meu pai, atrás da oficina. Já passava das duas horas da tarde, o portão estava aberto e eu fui entrando e chamando pelo nome do Joaquim.
— Entra aí. Estou aqui na cozinha. – Eu ouvi uma voz vindo dos fundos da casa, empurrei a porta e fui entrando.
— Oi Joaquim, você tá aí? – Eu falei da sala. Olhando todo o ambiente, onde no dia seguinte eu estaria dando o cu para um malandro, em troca de dinheiro.
— Chega aqui na cozinha. Estou aqui. O Joaquim não está em casa não. – Nessa hora eu reconheci a voz do Bira, pai do Joaquim, e fui até à cozinha, onde o encontrei em pé, com uma toalha enrolada na cintura, lavando louça.
— Oi Bira, boa tarde! Achei que o Joaquim estava em casa. Eu queria falar com ele. – Ele se virou e me olhou com uma expressão diferente no rosto. Pela primeira vez eu pude olhar com mais atenção para aquele homem que vivia na casa do meu pai a maior parte do tempo, mas que eu nunca tinha observado atentamente. Lembra do que eu falei lá no inicio do texto, sobre pessoas invisíveis. É isso.
O Bira estava diferente, ou o meu olhar o viu de maneira diferente. Estava com a barba feita, cabelos molhados e penteados cuidadosamente para trás, peito largo e peludo, exposto. E eu, que achava que ele era da idade do meu pai, me espantei em ver, na minha frente, um homem jovem, na casa dos quarenta e poucos anos, forte e viril. Ele continuou me olhando e falou pausadamente:
— Joaquim tá na rua, moleque. Vocês agora deram pra andar juntinhos, né? Cheios de segredinhos. Cuidado moleque! Joaquim é meu filho, mas é um cabeça de vento, tá sempre sonhando com coisas impossíveis. Cuidado para ele não te contaminar com ilusões. – Eu ouvi aquilo e continuei olhando para ele, como se visse outra pessoa.
— Não tem nada de segredo não, Bira. A gente tem quase a mesma idade, eu não tenho parentes, só meu pai. É natural que eu queira conversar com alguém que se assemelhe a mim. – Eu falei, tentando despistar qualquer suspeita que ele tivesse. Meus olhos continuaram a observar aquele homem à minha frente, como se fosse a primeira vez que o visse. Ele percebeu meus olhares e deu uma arrumada de leve no volume da rola por debaixo da toalha. Todo homem parece fazer isso ao ser observado. Parece dizerem: olha como eu sou macho. É isso que você quer?
— Eu conheço meu filho, moleque. Ele pode ter quase a sua idade, mas aquela cabecinha dele está a quilômetros de distância daqui. Ele vive em outro mundo. – Ele falou isso, me olhou nos olhos e mexeu novamente no volume, que parecia ter crescido. Ele estava ficando excitado e eu fiquei surpreso, em ver que aquele homem que sempre esteve ao meu lado, estava se excitando e me deixando excitado também. Meu cuzinho estava quente diante daquele macho maduro.
— Fica tranquilo, Bira. Eu sei me cuidar. – Respondi, olhando diretamente para sua virilha, imaginando o que se escondia ali embaixo daquela toalha.
— Eu sei que você sabe de muita coisa, moleque. Essa sua carinha de anjo só engana quem não te observa direito. Você tá gostando do que tá vendo? – Ele me perguntou de repente, me tirando do transe em que eu estava.
— Não entendi. – Eu respondi inocentemente.
— Entendeu sim, moleque. Você não para de olhar para meu corpo, meu pau, tá quase babando olhando para mim.
— Desculpa, Bira... É que você tá diferente. Parece outra pessoa. – Eu falei gaguejando.
— É claro que estou diferente. Eu estou limpo, barbeado, penteado, sem roupa. Você só me vê de macacão encardido, sujo de graxa, barbudo, boné na cabeça.
— Pois é! Eu achei que você era da mesma idade que meu pai. – Eu falei, ainda olhando o volumão dele, que agora já levantava a toalha, tão excitado que estava.
— Tá maluco moleque? Eu tenho quase a metade da idade do seu pai. Eu tenho idade de ser um tio seu. Pode me chamar de tio, se quiser. Assim você passa a ter um parente. Mesmo que seja de mentirinha. Mas responde o que eu perguntei. Tá gostando do que vê? – Ele insistiu.
— Vendo o quê? - Eu banquei o inocente novamente e, nessa hora, ele arrancou a toalha fora e eu pude ver o volume que se escondia. Lembra do que falei: “filho de peixe, peixinho é”? Tava explicado o tamanho descomunal do pau do Joaquim. O pai também era um jumento. Tinha o pau um pouco menor que o do filho, mas também era assustador o tamanho. Foi inevitável não arregalar os olhos diante daquela imagem.
— Isso aqui Sandrinho! Meu pauzão que você não para de olhar. Dá uma pegadinha nele, dá! Eu sei que você tá querendo. Pega no pau do seu novo tio. – Ele falou balançando o pauzão e se aproximando de mim.
Eu não tive, nem tempo e nem vontade de desobedecer a ordem recebida. Estiquei minha mão e acariciei aquele pauzão maravilhoso. Ele suspirou fundo e puxou minha cabeça em direção ao seu caralho.
— Mama meu caralho, moleque! Mama o pauzão do tio. – Ele me ordenou firmemente.
— É grande demais, acho que não consigo. – Eu falei mansinho, quase como um inocente virgem.
— Consegue sim. Você consegue isso e muito mais. O pau do Joaquim é bem maior do que o meu e você mamou gostoso. Então para de charme e cai de boca no meu pauzão. Hoje você vai satisfazer o Tio aqui. Tem tempos que eu estou de olho em você.
— Como você sabe disso? – Eu quis saber.
— Vocês jovens se acham espertos demais. Naquele dia em que você saiu com o caminhoneiro, dizendo que ia pra vila, eu vi o caminhão dele entrando na clareira, eu sei que ele estourou o seu cuzinho. Depois, quando você chegou em casa com o Joaquim, e fecharam a porta da frente, eu vi sua carinha olhando pela janela e dei a volta na casa. Entrei pela porta dos fundos e fiquei olhando o cavalo do meu filho arrebentando tuas pregas, enquanto você chorava e pedia pra parar. Também vi você dando o cu para o negão lá embaixo das árvores. Hoje você vai ser meu. Mama o caralhão do tio, vai putinho!
Diante de tantas revelações, e também com o cuzinho piscando diante daquele pauzão duro, eu obedeci. Me curvei e mamei gostoso, engolindo aquele pauzão o quanto eu podia. Lambia as bolonas cheias de leite e ele gemia e fodia minha garganta.
Pouco tempo depois, ele me jogou curvado na mesa da cozinha e meteu a língua grossa e quente em meu cuzinho. Metia fundo e lambia, como se estivesse me fodendo. Eu gemia e me contorcia de prazer. Jamais imaginei uma situação assim com aquele homem que sempre esteve ao meu lado.
— Tá gostoso Tio. Tá gostoso! – Eu gemi manhoso.
— Vai ficar ainda mais gostoso, moleque. Eu vou te foder como um macho fode outro. Me chama de Tio, isso me excita mais ainda.
— Me fode Tio, mas vai devagar. Seu pau é muito grande. – Eu gemi novamente, falando manhoso como uma putinha no cio. Ele foi até o banheiro ao lado e voltou com um vidrinho de óleo de amêndoas, já lubrificando o pauzão e passando em meu buraquinho.
Eu já estava pelado, curvado sobre a mesa de madeira pesada, quando senti aquela jamanta me abrindo, arregaçando minhas pregas e me causando arrepios pelo corpo todo.
— Isso meu putinho. Empina o rabo que eu vou meter todo. Não vai ser só a metade como meu filho meteu, não. – Ele segurou minha cintura e afundou o pauzão até o talo. Eu me senti aberto, invadido, estourado, e gemi mais uma vez.
A partir daquele momento eu fui estocado com força, como se estivesse levando rola de um cavalo de raça. Que macho gostoso. Aquele homem me fodeu como nunca ninguém fodeu na minha vida.
Ele me colocou de frango assado na mesa e castigou meu cuzinho até encher meu rabo de leite. Depois me jogou no sofá e me fodeu novamente. Dessa vez gozando juntinho comigo. Me deixando arrebentado e feliz, como nunca tinha sido, até então.
Eu cheguei em casa no início da noite. Relaxado, feliz da vida. Passei uma pomadinha em meu cuzinho e fui descansar, pois tinha um compromisso no outro dia. Ia começar minha vida de puta, junto com o Joaquim.
A foda com o traficante foi tranquila. O cara estava com muita fome de cu, mas tinha um pau pequeno, não me machucou muito, embora tenha me fodido bastante. Ainda negociou com o Joaquim para que o capanga dele me fodesse também e, assim, o pagamento foi maior.
A partir daquele dia eu pude ver como a vida na estrada era solitária. Muitos caminhoneiros me foderam, e me relataram sua solidão, enquanto arregaçavam meu cuzinho.
Quinze dias depois a gente já tinha arrecadado dois mil reais. O dinheiro era animador, mas eu não estava feliz. Tinha uns caras que me davam muito prazer, mas tinha uns que me davam nojo ou pena, e isso não era legal.
Chamei o Joaquim novamente e tivemos uma conversa, onde eu deixei claro que não estava bem com a situação, que não tinha nascido para aquela vida.
— Só mais uma semana, Sandrinho. Só mais uma semana e a gente para. Eu vou embora e tu segue a tua vida.
Eu aguentei mais uma semana, mas o movimento foi fraco, só conseguimos mais quinhentos reais. Em vinte e cinco dias de putaria tínhamos arrecadado dois mil e quinhentos reais. Joaquim decidiu que tudo bem, que se eu não estava mais querendo, ele iria embora com mil duzentos e cinquenta reais no bolso. Ele dizia que logo estaria ganhando muito dinheiro na capital. Era um otimista, o meu querido amigo Joaquim.
Era uma sexta-feira quando o Joaquim esperou o pai sair para a oficina, arrumou uma mochila com poucas coisas e decidiu que iria embora no final da tarde. Já tinha conseguido uma carona até a cidade vizinha, onde pegaria um ônibus rumo à capital.
— Tá tudo pronto para a mudança? – Eu perguntei sorrindo e entrando na casa dele. Ele estava sentado no sofá e me sorriu, mas no fundo dos olhos tinha alguma coisa triste aparecendo.
— Tá tudo pronto sim, moleque. Daqui a pouco eu vou largar essa vida para trás. – Ele respondeu, ainda com uma luz cinzenta no olhar.
— Se você não quiser ir tá tudo bem, Joaquim. Você pode voltar atrás e ficar aqui. – Eu falei, sentindo que ele estava inseguro quanto à decisão tomada.
— Eu vou sim Sandrinho. Eu quis isso a vida inteira. Não vou fraquejar agora. Eu só fico pensando se meu pai vai ficar bem, a gente só tem um ao outro na vida, mas eu vou sim. Eu vou ganhar a vida. Vou ficar rico, quem sabe um dia eu volto. – Ele disse com aquele brilho confiante de volta a seus olhos. Eu o abracei, queria que ele soubesse que eu acreditava no sonho dele.
— Vai sim meu amigo. Vai sim. Eu falei, me sentindo apertado no abraço que ele me deu.
— Você é um moleque muito legal. Foi muito bom conhecer você. Eu não sou gay, aliás nem sei o que sou. Mas se eu tivesse certeza de que sou gay, você seria o moleque certo para ser meu namorado. Além de muito legal, tem a bunda mais linda e gostosa que eu já vi e aguenta meu pauzão sem reclamar.
— Reclamei e até chorei, mas confesso que foi muito gostoso. – Falei tentando não me emocionar com aquela nossa despedida. Meti a mão no meu bolso e entreguei um envelope para ele, que me olhou surpreso.
— O que é isso, moleque?
— Abre e olha, bestão. – Eu falei rindo. Ele abriu o envelope e me olhou surpreso, como se não acreditasse.
— O que significa isso, moleque? – Ele me perguntou.
— Eu não vou precisar desse dinheiro, Joaquim. Vai ser mais útil para você. Eu fiz tudo o que fiz, só para te ajudar. Eu sou um cara que quero tranquilidade na vida. Fui criado por uma mulher que nunca teve estabilidade emocional, nunca se achou na vida. Eu quero algo diferente para mim. Vou ficar por aqui e ver o que acontece. Vou estudar e tentar ajudar meu pai, já que a gente demorou tanto para se reencontrar.
— Você não existe, moleque. Eu te prometo que um dia eu vou te devolver esse dinheiro em dobro. Vem cá seu putinho lindo. Vem cá com seu macho. – Ele disse isso sorrindo e me puxou para um abraço. Eu te amo moleque! E não é pelo dinheiro não, é pelo coração grande que você tem. Maior que essa bunda gostosa. Feliz do macho que um dia tenha você por inteiro. Vem cá.
Joaquim me abraçou e me deu um beijo na boca, coisa que depois ele me falou nunca ter feito com um homem. Me empurrou contra a parede da sala e me fodeu com fome, loucura, mas com muito amor nos gestos. Não era amor banal do dia a dia, era um sentimento de amor maior, amor sem barreiras de interesse.
Ele foi embora e durante muito tempo eu não tive nenhuma notícia dele. No início ele me mandava mensagens, mas depois foi silenciando e parou os contatos.
Pouco tempo depois do Joaquim ir embora minha mãe entrou em contato comigo e com meu pai, dizendo que ia se mudar de cidade, que tinha conhecido o amor da vida dela. Mais uma ilusão, mais uma fantasia. Foi a última vez que eu falei com minha mãe.
Eu fiquei morando com meu pai definitivamente e, um tempo depois, eu achei uma mensagem perdida na caixa de spam do meu email. Era a mensagem de um hospital de um estado distante, me avisando da morte dela. Nunca soube como ela morreu, nem quem providenciou o seu enterro.
Após a partida do Joaquim, o Bira, seu pai, virou meu macho quase que fixo. Me fodia sempre que tinha oportunidade, sempre que meu pai não estava por perto. Tinha um fogo imenso naquele caralhão e me fazia lembrar muito do Joaquim. Realmente “filho de peixe, peixinho é”. Olha o ditado popular aí novamente.
Mas a vida tem sempre uma surpresa para a gente, e num triste dia ele teve um ataque cardíaco fulminante e morreu sozinho em casa, na semana que completaria quarenta e oito anos. Nós, eu e meu pai, cuidamos de tudo, já que ele não tinha parentes próximos.
Eu estudei contabilidade na cidade vizinha, fiz um curso técnico e resolvi ampliar o negócio do meu pai. Descobri que aquele terreno, onde ele tinha a oficina, era muito grande e era tudo dele.
Com muito trabalho eu fiz uma parada para caminhoneiros, com quartos e banheiros, além de áreas de lazer, onde eles podiam descansar e consertarem seus carros ao mesmo tempo. Tinha também lanches e lojinhas para eles comprarem bugigangas.
Nem preciso dizer que, alguns deles, também desfrutavam de uma bundinha gostosa e faminta, do filho do velho mecânico.
Um belo dia, depois de alguns anos, eu estava debruçado no balcão de uma das lojinhas, quando um carrão parou na frente e um homem desceu, acompanhado de uma mulher imensa. Os dois muito bem vestidos, de óculos escuros, roupas caras.
— Boa tarde moleque! Isso aqui mudou muito, hein!!! Só tua cara que ainda continua a mesma. Cara de moleque safado e gostosinho.
— Joaquim! O que você faz por aqui rapaz? Achei que nunca mais fosse ter notícias suas. – Eu falei, pulando em cima dele e dando um abraço apertado, como se ainda fôssemos os mesmos moleques de antes.
— Eu vim resolver a burocracia com a venda da casinha de meu pai, mas eu queria mesmo era te ver. Essa aqui é minha mulher e sócia. – Ele me disse, apresentando a figura grande e elegante, ao seu lado. Figura essa que, ao tirar os óculos e falar algumas palavras, eu percebi que se tratava de uma travesti. Linda, feminina e elegante.
Nós conversamos muito. Matamos a saudade. Ele me contou que tinha morado fora do país, fazendo programas na Europa. Que tinha ganhado muito dinheiro, que agora fazia uns rolos com importação, exportação, e agenciava alguns garotos e travestis.
Trocando em miúdos, ele era um contrabandista e cafetão de luxo. Mas tinha conseguido o que queria. Tudo graças ao seu caralhão e ao seu sonho de mudar de vida.
Quando ele estava saindo me entregou uma caixinha de presente e disse para eu abrir só quando ele fosse embora. Eu fiquei curioso e, assim que o carro dele sumiu no horizonte, eu abri a caixinha ricamente embrulhada.
Dentro da caixinha tinha um relógio caríssimo e um envelope, onde, ao abrir, eu encontrei um maço de notas de euros e dólares. Junto um cartãozinho, onde estava escrito:
Eu disse que um dia te devolveria em dobro. Sou um homem que cumpro as minhas promessas, mesmo que demore muito tempo. Te amo moleque! Você mudou a minha vida.
Nunca mais nos falamos, mas nunca o esqueci e tenho certeza de que ele nunca me esqueceu.
*** FIM***
*****
Esse é o final da história quente e intensa de Sandrinho.
Espero que tenham gostado!
Não deixe de votar e comentar, essa é a recompensa que todo escritor espera receber de seus leitores.
Abraços a todos!
Conto Registrado no Escritório De Artes e protegido pela Lei 9.610 de Fevereiro de 1998. Proibida a reprodução sem autorização do autor.
Valorize o autor autêntico, diga não ao plágio e aos contos clonados de outros sites.