A noite de sábado desceu sobre a Fazenda Santa Isabel como um manto de veludo negro. O casarão, iluminado por centenas de velas e lampiões de querosene, brilhava como uma joia rara no meio do sertão. O som de violas e flautas enchia o ar, misturando-se ao cheiro de café torrado, carne assada e perfume caro que pairava sobre os convidados.
Eu desci as escadas principais no braço de Matias, sentindo-me a própria rainha daquele reinado de faz de conta. Vestia um vestido de seda azul-celeste, com decote em V profundo que exibia a plenitude do meu colo branco, e uma saia tão ampla que parecia flutuar a cada passo que eu dava. Por baixo de todo aquele tecido fino, porém, minha pele ainda ardia com a lembrança de Balthazar, e o segredo que eu carregava era mais pesado que todas as joias que eu usava.
— Eulália, minha cara, que esplendor! — cumprimentaram-me as senhoras da sociedade, sorrindo com seus dentes postiços e olhos invejosos. Elas não sabiam que a "dama recatada" que elas cumprimentavam havia sido arada, montada e possuída por metade dos homens que agora circulavam entre elas, vestidos de librés impecáveis.
Caminhei pelo salão principal com a taça de champanhe na mão, sorrindo, respondendo aos gracejos, mas meus olhos eram dois faróis varrendo a escuridão dos uniformes. Ali, no meio da festa, eu tinha o meu catálogo particular aberto.
Vi Bento, imponente, servindo bandejas de cristal com frutas. Ele ergueu os olhos por um segundo e me fitou com aquele brilho de quem já me conhece por inteiro. Depois, Sebastião, na entrada da cozinha, cruzando os braços fortes, parecendo um guardião do fogo. E Zacarias, elegante como sempre, controlando a entrada com postura de nobre.
Mas o meu apetite é insaciável, e eu queria o que ainda não tinha provado.
Meu olhar parou em um grupo de escravos novos que Matias comprara recentemente para a ocasião, homens altos e de faces ainda desconhecidas por mim. Um deles, em especial, chamou minha atenção. Chamava-se Adão. Era um mulato forte, de pele cor de jambo, cabelos encaracolados e um corpo que parecia esculpido em mármore quente. Ele carregava barris de vinho com uma facilidade que me fez apertar as coxas por baixo da saia. Havia também Ezequiel, um negro da Costa, de altura descomunal e lábios grossos e sensuais, que olhava para as mulheres brancas com uma mistura de desejo e ousadia.
Estes... estes serão os próximos, pensei, marcando-os em minha mente como quem marca gado para o corte. Adão pela sua doçura selvagem, Ezequiel pela sua frieza de gigante.
Mas naquela noite, eu não queria esperar. O calor do salão estava me sufocando, e a necessidade de sentir um pau duro na minha mão tornou-se uma urgência física.
Aproximei-me de Maria, que passava com uma bandeja. — Preciso de ar — sussurrei. — Diga onde está o quarto de hóspedes do canto norte, aquele que está desativado, sem móveis? — No fim do corredor dos fundos, Sinhá. A porta é a verde. — Chame o Adão. Diga que a Sinhá precisa que ele verifique uma janela quebrada lá. Agora.
Dei uma desculpa qualquer a Matias — que ia retocar o pó de arroz — e desviei do salão principal, entrando pelos corredores escuros e silenciosos que levavam à parte antiga da casa. O som da festa ficava cada vez mais distante, transformando-se em um murmúrio abafado.
Abri a porta do quarto verde. Estava escuro, com apenas um raio de luar entrando pela fresta da janela, iluminando o assoalho de madeira gasta. O lugar cheirava a poeira e tempo parado. Perfeito para o meu pecado.
Mal tinha fechado a porta e girado a chave, ouvi passos leves no corredor. Uma batida discreta. — Entre — ordenei em voz baixa.
Adão entrou e fechou a porta rapidamente. Ele estava sem jaqueta, com a camisa de algodão colada ao corpo suado. Os olhos dele brilharam na penumbra ao me ver ali, tão perto, tão sua.
— A Sinhá chamou? — sussurrou ele, aproximando-se. — A janela não está quebrada, Adão — fui até ele, colando meu corpo ao seu, sentindo o calor que dele emanava. — O que está quebrada é a minha paciência. Eu vi você olhando para mim lá fora... acha que não percebo quando um touro novo me deseja?
Ele não esperou por mais permissas. A timidez dele desapareceu, substituída por uma fome voraz. Adão me agarrou pela cintura e me empurrou contra a parede fria do quarto. Suas mãos, grandes e ágeis, levantaram minha saia de seda num movimento rápido, expondo minhas coxas brancas e a anágua fina de renda.
— Que pele macia... — murmurou ele, enterrando o rosto no meu pescoço, mordendo e chupando como um faminto. — Parece algodão.
Sua mão deslizou para dentro da minha renda e eu já estava molhada, esperando por ele. Adão soltou um grunhido ao sentir minha umidade. — A Sinhá está quente... está derretendo na minha mão.
Ele afrouxou o próprio cinto e ouvi o barulho de tecido se mexendo. Senti a cabeça dele, dura e quente, procurando minha entrada. — Segure-se na parede, Sinhá — ordenou-me num sussurro rouco. — Vou entrar devagar para não machucar, mas não sei se vou conseguir parar.
— Não pare! — implorei, virando-me de costas para ele, apoiando as mãos na parede e rebolando a bunda para trás. — Me encha, Adão! Mostre do que esse mulato bonito é capaz!
Ele entrou de uma só vez, fazendo-me arquear as costas e morder o lábio para não gritar. Adão tinha um fogo diferente, uma mistura da força do negro com a malícia do mameluco. Ele me possuía ali, no escuro, contra a parede velha, enquanto do outro lado da casa a elite mineira dançava e ria, completamente alheia ao fato de que a senhora da casa estava sendo montada como uma égua no cio.
— Isso... sim! Mais forte! — gemia baixinho, sentindo ele me bater por trás com uma velocidade alucinante. Ele me apertava com tanta força que deixaria marcas roxas, marcas de propriedade. Eu sentia ele crescendo dentro de mim, pulsando, enchendo cada canto vazio do meu ser.
— Vou gozar, Sinhá! Vou derramar tudo dentro da senhora! — gritou ele sufocado. — Entra tudo! Me enche de você! — respondi, chegando ao céu novamente.
Sentimos o prazer explodir ao mesmo tempo, nossos corpos se fundindo na escuridão, suando, tremendo, dois animais satisfeitos. Ele ficou ali dentro por uns instantes, ainda latejando, enquanto eu recuperava o fôlego, ajeitando meu cabelo desfeito e meu vestido amassado.
Quando abri a porta para ele sair, ele olhou para mim com reverência. — A senhora é um demônio, Sinhá... o melhor demônio do mundo.
Ri, dando um tapinha carinhoso no rosto dele. — Volte para o serviço, Adão. E saiba que você acabou de subir de posição. Agora você é da minha conta.
Esperei alguns minutos sozinha na penumbra, sentindo o sêmen dele escorrer quente pela minha perna, misturando-se ao de Balthazar de mais cedo. Sorri para a escuridão.
A festa estava apenas começando, e eu, Dona Eulália, já tinha feito minha primeira colheita da noite. Ezequiel... prepare-se, porque a Sinhá já está com olhos em você.
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