O bom da vida é sentir-se vivo e se surpreender com o inesperado ou inusitado, donde vem a sensação de "estar vivo".
Dia desses fui a uma loja de luminárias a procurar uma lâmpada e eis que... encontro um farol!!! Entrei na loja e vem ao meu encontro um atendente que foi pra mim uma explosão de luz, me atingiu tão fulminante que fez explodir minha libido e tive de disfarçar a ereção inevitável.
Um Jovem rapaz de abundante e bem cuidada cabeleira negra toda cacheada em pequenos anéis que o deixavam muito destacado dos demais funcionários que ali circulavam, apesar do uniforme de trabalho. Com cerca de 1,70m, uns presumiveis 65 kg, tipo magro, rosto sério compenetrado de linhas delicadas, dentes brancos bem cuidados, que só pude notar quando provocado numa brincadeira dum colega sorriu, olhos negros fulminantes de um magnetismo irresistível; eu sou um homem maduro, coroa me dizem alguns, e tenho profunda atração e desejo por homens jovens de até 30 anos, alguns dos quais me levam ao delírio, como era o caso de Leonardo, ou Leo simplesmente, que me atendia com educação, bom apuro e conhecimento técnico; além da lâmpada ele também me ajudou a encontrar uma luminária adequada para meu jardim que há tempos eu procurava.
Pedi ajuda e todo atencioso no atendimento, levou as compras me ajudou a acomodá-las no meu carro; aproveitei a proximidade no estacionamento, longe dos ouvidos e da vista dos colegas, e com elogios ao seu conhecimento técnico solicitei seu contato para o caso de eu precisar de ajuda técnica.
De posse de seu contato criei algumas falsas dúvidas e trocamos várias mensagens. Sempre atencioso me falou que se precisasse de algo mais era só chamar. Numa tarde bem próximo do final do expediente dele mandei mensagem de que estava com uma emergência e precisava de seus préstimos; ele se desculpou pois já estava de saída aí dei meu golpe do tudo ou nada.
-Por favor, preciso da sua ajuda, desculpe por importunar nesse horário, podemos conversar noutro lugar, eu lhe pago um drink, suco ou cafezinho, falei insistindo.
-Se é assim vou aproveitar o happy hour, disse para minha surpresa, a imaginar seu eventual sorriso de dentes brancos.
Marquei de apanhá-lo no ponto de ônibus perto da loja e de lá fomos até um barzinho numa avenida próxima. Pedimos uma bebida, falamos amenidades sobre o tempo e o trabalho e então veio a pergunta convencional do técnico:
-Eae, qual é a emergência, em que posso te ajudar.
Olhei firme e profundamente nos seus olhos negros, pousei minha mão sobre a dele que estava sobre a mesa e disse sem pestanejar:
-Léo, a minha emergência é Você, eu precisava te ver.
Sem retirar sua mão da minha, seu semblante era de estupefação e seu olhar era penetrante nos meus; meu coração disparou e eu quase não conseguia controlar a respiração; pousei a outra mão sobre a sua e iniciei carícias em seus dedos; Leo permanecia imóvel, sem reação; sorveu mais um gole do seu drink e voltou a me olhar, mas já de um modo diferente. Resolvi retomar a palavra:
-Desde que te vi na loja, Leo, senti por você uma atração irresistível, inexplicável para aquele momento; você não me saiu do pensamento um átimo de segundo sequer desde então; hoje resolvi te abordar pessoalmente e dizer do turbilhão de desejos e sentimentos que você provoca em mim; eu preciso de Você; eu te quero, te quero como Homem!!!
Léo retirou sua mão das minhas, se recostou na cadeira e deu um profundo suspiro, passou as maos no rosto; voltou seu olhar pra mim, desta vez não fulminante mas terno, sua expressão facial era outra, e falou pausada e com leveza na voz:
-Tony, você me pegou de surpresa e foi tão sincero e objetivo que estou me sentindo sem chão mano.
Trouxe seu corpo pra frente, voltou a se aproximar de mim, pousou sua mão sobre a minha com carinho e com seus olhos negros a brilhar, emocionado, quase a verter lágrimas, desabafou:
-Eu não sou gay! Sempre olhei para os homens, em especial mais maduros, assim como Você, sem saber compreender o que sentia, o que se passava comigo; nunca tive coragem de me abrir com ninguém, é a primeira vez que falo disso, e justo com um "estranho", desculpe o termo; já namorei meninas, varias, mas sempre travava quando a relação chegava nas intimidades físicas; agora você abriu uma porteira, creio que devo encarar de frente essa minha questão da sexualidade, mas estou muito confuso. Por favor, me dê um tempo para processar tudo isso, é muito complicado pra mim; não sei porque mas você me inspira confiança; vamos tornar mais frequentes nossas conversas, discutir essas questões que me atormentam, talvez você me ajude a me assumir pra mim mesmo, mas sempre no sigilo absoluto. Pra isso vamos trocar meu contato para o pessoal vou lhe passar um canal no zap só nosso, para falarmos livremente sem receio.
Concordei de pronto e disse com sinceridade que eu também me sentia aliviado por sermos francos e sinceros um com outro; que eu não me importava em esperar e que devíamos dar tempo ao tempo e deixar nossa relação fluir naturalmente.
Pedi a conta e me dirigi ao banheiro para aliviar o xixi; não percebi mas fui seguido por ele até o sanitário que não comportava mais que duas pessoas; ao me virar depois de lavar as mãos dou de cara com ele rente a mim quase a roçar meu corpo, dava pra sentir seu hálito, não exitei; peguei seu rosto lindo com as duas mãos, juntei meus lábios ao seus que foram carinhosamente receptivos e trocamos ali nosso primeiro e ardente beijo; seus lábios finos e macios acolheram os meus e nossas línguas se digladiaram e provamos a saliva com gosto de café; Leo levou suas mãos até minha nuca, prendeu minha cabeça, a puxou firme e retribuiu o beijo com paixão quase a perdermos o folego; nossos corações ?? pulsavam com batidas no mesmo ritmo e nossa respiração ofegante denunciava nossos sentimentos, nosso desejo; notei sua excitação quando ele me puxou pela cintura de encontro ao seu corpo quando nossos volumes se tocaram; permanecemos assim enlaçados bocas e corpos colados por segundos que significaram um século!
Léo se afastou de repente, como se tivesse cometido um grave deslize; seu olhar voltou a ser fulminante, mas nossa conexão já estava estabelecida; nossos corpos se desejavam e o que havíamos acabado de fazer não podia ser apagado, esquecido, era real.
Saímos dali a caminhar normalmente em silencio, entramos no carro e o levei para sua casa. Ele pediu que o deixasse um quarteirão antes, num ponto de ônibus, pois não era usual chegar em casa de carona; não queria "deixar rastros", indícios de nada "anormal" como o que acabara de ocorrer.
Fui embora com minha lâmpada e um farol a iluminar minha mente, meus pensamentos, meus devaneios.
Na manhã seguinte... isso fica para o próximo conto.