A SAGA DO REFÚGIO Conto 4: Os Clientes

Levamos duas semanas pra divulgar.

Paulo criou o anúncio num fórum fechado que ele já conhecia, um daqueles lugares da internet que não aparecem em busca nenhuma, onde as pessoas falam abertamente sobre o que querem sem medo. O texto era discreto, sem foto, sem endereço. Só uma descrição do espaço e um contato.

"Espaço privado na região serrana. Ambiente seguro e acolhedor para realização de fantasias com animais. Consultoria disponível para iniciantes. Agendamento por mensagem."

Eu li três vezes antes de ele postar.

"Consultoria", eu repeti. "Você sabe o que isso significa na prática, né."

"Sei." Ele me olhou. "E você também sabe."

Sabia. Significava que ia ter gente que nunca tinha feito nada, que ia chegar aqui travada de medo e vergonha, e eu ia ter que mostrar. Na prática. Do jeito que eu sei fazer.

A ideia me deixou molhada na hora.

A primeira mensagem chegou três dias depois.

Era uma mulher. Ela escreveu com cuidado, cada frase medida, como alguém que reescreveu o texto umas dez vezes antes de mandar. Perguntava se a consultoria era de verdade ou só nome bonito.

Eu respondi pessoalmente.

Disse que era de verdade. Que ela ia ser acompanhada em tudo, que podia parar quando quisesse, que o ambiente era completamente privado. Perguntei o nome dela.

Ela disse que preferia não falar o nome real ainda.

"Tudo bem", eu escrevi. "Me chama de Cat. Quando você quiser vir, é só avisar."

Ela marcou pra uma sexta à tarde.

Bruna chegou de carro, sozinha, com um casaco que era quente demais pro clima da serra nessa época do ano. Detalhe de quem tava se escondendo mesmo sem precisar, aquele reflexo de querer ocupar menos espaço.

Eu fui receber na porteira.

Ela era mais nova do que eu imaginei. Cabelo escuro, olhos claros, rosto bonito com uma expressão de quem tava se arrependendo de ter vindo mas não ia dar meia volta.

"Bruna?", eu perguntei.

Ela piscou. "Você falou meu nome."

"Você disse que preferia não falar. Eu respeitei. Mas você tem rosto de Bruna."

Ela deu uma risada pequena, nervosa, e o ombro dela desceu um centímetro. Só um.

"Entra", eu disse. "Vem tomar um café primeiro."

Paulo ficou de longe. A gente tinha combinado assim. Ele ia estar por perto mas discreto. O espaço da primeira conversa era meu.

Sentamos na varanda com café, e eu deixei ela falar no ritmo dela. Ela foi devagar, começando pelas beiradas, contando que sempre teve curiosidade com animais desde nova, que via conteúdo online há anos, que tinha um cachorro em casa mas nunca tinha tido coragem.

"Seu cachorro?", eu perguntei.

Ela ficou vermelha. "Nunca fiz nada. Juro. Só fico pensando."

"Não tô julgando. Tô perguntando pra saber o que você já conhece."

Ela respirou. "Conheço da teoria. Na prática é zero."

"Então a gente começa do começo." Eu coloquei a xícara na mesa. "Você quer só ver primeiro, ou quer participar?"

Ela me olhou. "Posso só ver?"

"Pode. Você manda aqui."

Levei ela pro segundo canil. Tinha escolhido o golden retriever pra essa visita, um macho de três anos chamado Mel que Paulo tinha comprado especificamente pro espaço, temperamento dócil, já acostumado com o ambiente.

Eu acendi a luz baixa, deixei o quarto com uma claridade quente. Bruna ficou parada perto da porta, abraçando o próprio corpo.

"Pode ficar aí", eu disse. "Só olha."

Tirei a roupa sem cerimônia, como eu faço, sem drama. Bruna me olhou com uma expressão que misturava surpresa e algo mais, os olhos percorrendo meu corpo.

Chamei o Mel pela portinhola. Ele entrou abanando o rabo, veio direto pra mim, o focinho no meu pescoço, nas minhas orelhas.

"Ele já me conhece", eu expliquei pra ela, acariciando o pelo dele. "Faz diferença. O animal precisa de confiança antes de qualquer coisa."

Sentei no chão. O Mel veio junto, deitou do meu lado, e eu fui passando a mão nele enquanto falava com ela, explicando cada coisa. Como aproximar, como criar confiança, como ler o comportamento do animal.

Bruna foi escorregando pela parede devagar até ficar sentada no chão também, o casaco ainda no corpo, os olhos fixos em mim e no Mel.

Quando o Mel começou a me lamber, ela prendeu a respiração.

A língua dele no meu pescoço, descendo. Eu inclinei a cabeça pra trás e deixei, um gemido baixo saindo sem eu forçar.

"É assim", eu disse pra ela, voz normal apesar do que eu tava sentindo. "Você não faz nada. Você deixa."

O Mel desceu. Chegou entre as minhas pernas e eu me recleinei no chão, abrindo. Ele lambeu, e eu não segurei o gemido dessa vez. Deixei sair.

Bruna estava com a mão na boca.

"Tá bem?", eu perguntei, levantando a cabeça.

Ela assentiu, os olhos brilhando. "É muito mais...", ela começou, e não terminou.

"Intenso?", eu disse.

"Real", ela disse. "É muito mais real."

O Mel continuou e eu deixei, gozando no chão enquanto Bruna assistia a poucos metros, os joelhos apertados juntos debaixo do casaco. Quando eu gozei ela fechou os olhos como se a onda tivesse passado por ela também.

Depois de um tempo ela disse, baixinho:

"Eu posso tentar?"

Eu me sentei. "Pode. Tira o casaco."

Ela tirou o casaco. Depois a blusa. Parou no sutiã, olhando pra mim.

"Vai no seu ritmo", eu disse.

Ela tirou o resto devagar, dobrando cada peça, aquele cuidado ansioso de quem precisa de algo pra fazer com as mãos. Quando ficou nua era bonita do jeito que a maioria das mulheres é bonita quando para de se esconder, cheia de curvas que o casaco tinha engolido.

Me joelhei do lado dela. "Deita aqui."

Ela se deitou no colchão, rígida como tábua.

"Respira", eu disse.

Ela respirou.

"O Mel vai farejar você. Deixa. Não faz nada."

O Mel veio curioso, cheirando os pés dela, as pernas, subindo devagar. Ela estava com os punhos cerrados. Quando o focinho dele chegou entre as coxas dela ela fez um som, um "oh" pequeno e involuntário, e as mãos abriram.

Eu coloquei a mão no ombro dela. "Abre as pernas."

Ela abriu.

A língua do Mel a acertou pela primeira vez e ela saiu do chão, o lombo arqueando, um grito que ela sufocou com o punho na boca.

"Não segura", eu disse. "Aqui você pode fazer qualquer barulho."

Ela tirou o punho da boca e o próximo som que saiu foi longo e aberto, uma coisa que ela devia ter guardado por anos, que o apartamento dela nunca ia ter deixado escapar.

Eu fiquei do lado enquanto o Mel trabalhava nela, uma mão no ombro dela às vezes, às vezes só olhando, deixando o espaço ser dela.

Ela gozou com os olhos abertos, olhando pro teto, as lágrimas escorregando pro lado sem ela perceber. Não era tristeza. Eu já sei reconhecer a diferença.

Quando terminou ela ficou quieta por um longo tempo. O Mel foi deitar num canto satisfeito. Eu não disse nada.

"Eu precisava de tanto tempo pra fazer isso", ela disse no fim.

"Todo mundo precisa de tanto tempo."

Ela se virou pra mim. "Você faz isso sempre assim? Com tanta calma?"

"Faço. Aqui não tem julgamento nenhum. É o único lugar assim que eu conheço."

Ela ficou mais um tempo. Tomou banho no banheiro do canil, se vestiu devagar, me abraçou na saída com uma força que me pegou de surpresa.

"Posso voltar?", ela sussurrou.

"Quando quiser."

Paulo estava na varanda quando eu saí. Me viu chegar, leu meu rosto.

"Foi bem", ele disse. Não era pergunta.

"Foi bem."

Ele me puxou pelo colarinho da camiseta, me trouxe pra ele, e me beijou fundo. Eu senti o dia inteiro se dissolver naquele beijo, o nervosismo de receber alguém pela primeira vez, a satisfação de ter feito direito.

"Fiquei te observando", ele disse quando soltou.

"Eu sei."

"Pela janela do corredor. Você foi perfeita."

Alguma coisa quente subiu no meu peito. "Ela foi corajosa."

"Você foi perfeita", ele repetiu, como se os dois fossem verdade ao mesmo tempo.

Ele me virou, me encostou no corrimão da varanda, e colocou a mão dentro da minha calça por trás sem tirar nada. Entrou em mim com os dedos ali mesmo, de pé, na varanda, o sol baixando sobre a mata.

"Paulo, se alguém—"

"Não tem ninguém", ele disse. "Nunca vai ter ninguém aqui que a gente não queira."

Gozei no corrimão pela segunda vez desde que a chácara era nossa, as pernas tremendo, os dentes no lábio. Ele segurou meu quadril com a outra mão pra eu não escorregar.

Depois ficamos os dois olhando o sol terminar de descer.

"Segunda cliente já mandou mensagem", ele disse.

"Quando?"

"Hoje de manhã. É um casal."

Eu olhei pra ele. Ele olhava pro horizonte com aquele sorriso de canto de boca.

"A gente vai precisar de mais cachorros", eu disse.

"Já tô providenciando."

Entrei na casa, chamei o Thor e o Rex que vieram correndo, e fui fazer janta com os dois me seguindo pela cozinha, os rabos batendo nas minhas pernas, o cheiro de mato entrando pela janela aberta.

Aquela chácara era minha. Aquela vida era minha.

E ainda mal tinha começado.

_______

E aí, meus gatinhos, o que acharam dessa selvageria toda? Ficaram duros ou molhadinhos só de imaginar? Eu sei que sim, porque tô ficando excitada de novo só de escrever isso tudo. Deixa um comentário, me conta o que te deixou mais louco, o que você quer ver nas próximas histórias. Tenho um monte de safadezas pra dividir com vocês. Beijos molhados da sua Cat preferida. Até a próxima!
                                


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Ficha do conto

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Nome do conto:
A SAGA DO REFÚGIO Conto 4: Os Clientes

Codigo do conto:
268579

Categoria:
Zoofilia

Data da Publicação:
28/07/2026

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