A mensagem deles tinha chegado numa segunda de manhã.
Ele escreveu, não ela. Isso eu já tinha aprendido a observar, quem inicia o contato diz muito sobre a dinâmica do casal. Ele se chamava Renato, quarenta anos, ela Camila, trinta e seis. Escreveu com objetividade, sem rodeio, o tipo de homem que já processou tudo internamente antes de apertar enviar.
"Somos um casal. Minha esposa tem essa fantasia há anos. Já conversamos bastante sobre isso. Ela quer a experiência, eu quero assistir e participar se possível. Vocês atendem esse perfil?"
Eu mostrei a mensagem pra Paulo.
Ele leu uma vez. "Atendemos."
Respondi perguntando mais detalhes, se ela tinha alguma experiência anterior, o que ela imaginava, o nível de participação dele. Renato respondeu rápido, as respostas curtas e diretas. Camila nunca tinha feito nada. Ele já tinha visto conteúdo com ela, os dois juntos, e a fantasia tinha crescido de lá. Ele queria participar mas o foco era ela.
Marcamos pra um sábado à tarde.
Eles chegaram juntos num carro prata, estacionaram organizado, desceram os dois ao mesmo tempo. Eu os observei da varanda antes de descer.
Renato era alto, ombros largos, jeito de engenheiro igual ao Paulo curiosamente. Camila era miúda do lado dele, cabelo ruivo preso, óculos finos. Andava perto dele mas não agarrada, o tipo de casal que não precisa se tocar pra mostrar que é junto.
Desci pra receber.
"Cat?", Renato disse, me estendendo a mão.
"Eu mesma."
Camila me olhou com aquela mistura que eu já reconhecia, nervosismo e alívio ao mesmo tempo, como se eu fosse mais real do que ela esperava.
"Você é mais nova do que eu imaginei", ela disse.
"Todo mundo fala isso."
Ela deu um sorriso pequeno.
Paulo apareceu na varanda e desceu cumprimentando Renato com um aperto de mão que virou conversa rápida, os dois homens calibrando um ao outro em segundos. Eu levei Camila pra dentro.
Na mesa da cozinha, com café na mão, ela foi soltando.
Tinha começado com vídeos que Renato tinha mostrado pra ela uns três anos atrás, numa noite em que os dois estavam bêbados e ele tinha coragem de mostrar o que assistia sozinho. Em vez de reagir mal ela tinha ficado em silêncio, assistindo até o fim, e pedido pra ver outro.
"A gente nunca tinha falado sobre isso de verdade até o ano passado", ela disse, girando a xícara nas mãos. "Aí eu falei que queria tentar de verdade. Ele ficou mais animado do que eu esperava."
"E você? Além de querer, tá pronta?"
Ela me olhou por cima dos óculos. "Não sei a diferença entre querer e estar pronta."
"Querer é o que você sente aqui", eu disse, apontando pro peito dela. "Estar pronta é quando o corpo para de lutar contra o que a cabeça quer. Às vezes coincide, às vezes não."
Ela pensou nisso. "Então acho que tô pronta."
"Tem algum limite que você quer estabelecer antes?"
"Não quero que Renato fique de fora. Quero que ele participe."
"Do jeito que ele quiser, ou você quer conduzir?"
Ela abriu um sorriso lento que mudou o rosto todo. "Eu quero conduzir."
Eu gostei dela na hora.
Escolhi o terceiro canil pra eles. Era o maior depois do meu, com uma cama mais espaçosa e iluminação que eu tinha testado pessoalmente umas quatro vezes até ficar perfeita. Chamei o Thor.
Paulo ficou no corredor, pela janela de vidro. A gente tinha combinado assim, ele observava, participava só se eu chamasse. Essa era a regra que eu tinha estabelecido quando se tratava do meu trabalho dentro dos quartos.
Renato sentou na cadeira que tinha no canto, cruzou os braços, e me olhou com uma expressão que dizia claramente que ele ia cumprir o combinado mas que estava com dificuldade.
Camila ficou de pé no meio do quarto.
"Pode tirar a roupa no seu ritmo", eu disse, e comecei a tirar a minha.
Ela me observou tirar tudo primeiro, e então começou. Mais rápido do que Bruna tinha sido, com menos dobramento de roupa, menos cuidado. O nervosismo dela era diferente, mais elétrico do que travado.
Quando ficou nua Renato fez um som baixo na cadeira.
Thor entrou pela portinhola e foi direto farejar ela. Ela ficou parada, deixando, as mãos levemente afastadas do corpo.
"Passa a mão nele", eu disse.
Ela abaixou a mão e acariciou o lombo do Thor. Ele empurrou o focinho contra a palma dela, cheirando cada dedo.
"Ele tá me avaliando", ela disse.
"Tá. E aprovou."
Thor lambeu a mão dela uma vez e ela riu, aquela risada de surpresa que sai quando algo agradável acontece antes do esperado.
Me ajoelhei no colchão e chamei ela com a cabeça. Ela veio, se ajoelhou do meu lado. Eu me inclinei pra frente, apoiada nas mãos, bunda levantada, e Thor veio na hora, o focinho entre as minhas pernas.
Ela me olhou de perto enquanto eu gemia, os olhos acompanhando cada detalhe.
"É assim", eu disse, ofegante. "Você deixa ele chegar."
"Parece bom", ela disse, quase pra si mesma.
"É muito bom."
Ela ficou me olhando por um tempo, então se posicionou do meu lado, ombro com ombro, de quatro também. Thor me lambeu mais uma vez e então desviou, o focinho encontrando ela.
O som que ela fez foi involuntário e longo.
Eu me sentei e fiquei do lado enquanto Thor trabalhava nela, a língua grossa varrendo ela de baixo a cima. Ela tinha abaixado a cabeça, o cabelo ruivo caindo pra frente, os quadris se movendo sozinhos em direção à língua dele.
"Renato", ela chamou, voz engrossada.
Ele estava de pé. Não lembrava mais da cadeira.
"Vem cá", ela disse.
Ele tirou a roupa em movimento, veio se ajoelhar na frente dela, e ela pegou ele pela nuca e puxou pra um beijo que tinha três anos de fantasia represada dentro. Ele gemeu na boca dela, as mãos agarrando o rosto dela, e eu me afastei um passo deixando o espaço ser deles.
Thor continuou. Ela continuava gemendo dentro do beijo.
Quando ela quebrou o beijo e olhou pra mim, os olhos úmidos e a boca aberta, eu entendi o que ela queria antes de ela perguntar.
"De quatro", eu disse. "Ele monta quando você estiver pronta."
Ela se posicionou. Renato foi instintivamente pra frente dela, o pau já duro, e ela abriu a boca pra ele enquanto Thor farejava ela por trás, o pau vermelho e brilhante já exposto.
Eu me ajoelhei do lado e guiei o Thor, a mão na base dele, direcionando. Ele achou a entrada e empurrou, e Camila engoliu Renato até o fundo ao mesmo tempo, o som dela abafado mas alto.
Os dois homens encontraram um ritmo sem combinar, Thor fodendo ela por trás com aquela urgência toda, Renato segurando o cabelo dela e indo fundo na garganta dela. Ela ficou no meio dos dois, sendo usada dos dois lados, os sons que saíam dela cada vez menos controlados.
Eu fiquei do lado, uma mão no lombo do Thor pra modular o ritmo quando precisasse, os olhos alternando entre os três. Tinha algo completamente diferente em observar outra mulher assim, ver no rosto dela o que eu sei que aparece no meu próprio rosto quando tô naquele lugar.
Renato gozou primeiro, a mão no cabelo dela puxando forte, um gemido longo que ecoou nas paredes. Ela engoliu sem parar, continuando a se mover no Thor que ainda bombeava nela sem pausa.
Ela gozou pouco depois, um orgasmo que sacudiu o corpo dela inteiro, a voz saindo quebrada, os braços cedendo até a testa chegar no colchão.
Thor gozou dentro dela com ela ainda prostrada, e ela gemeu de novo com aquele calor.
Quando tudo parou o quarto tinha aquele silêncio espesso de depois. Renato se deitou do lado dela, puxando ela pra perto. Thor foi pro canto. Eu me levantei e fui buscar água na garrafa que eu sempre deixava nos quartos.
Coloquei os copos na beira da cama e fui sair.
"Cat", Camila chamou.
Me virei.
Ela me olhava de dentro dos braços de Renato, o cabelo todo bagunçado, os óculos que tinham caído em algum momento no colchão do lado.
"Obrigada", ela disse. Simples assim.
"Foi tudo você", eu disse. E era verdade.
Paulo estava me esperando no corredor.
Me pegou pelo pulso antes de eu chegar na porta, me puxou pra ele, o corpo inteiro colado no meu. Eu senti ele duro contra minha barriga.
"Você sabe o que acontece quando eu fico te observando assim", ele disse no meu pescoço.
"Sei."
"Desde o começo. Desde quando você estava com a Bruna."
"Paulo."
"Hmm."
"Me leva pro nosso quarto."
Ele me levou. Não com romantismo, me levou pela nuca, conduzindo pelo corredor, empurrando a porta do quarto principal com o pé. Me jogou na cama e ficou me olhando de pé enquanto tirava a camisa.
"Vira", ele disse.
Virei de bruços. Ele me puxou pelo quadril, levantando minha bunda, e entrou em mim sem aviso, fundo de uma vez, e eu gritei na fronha.
Fodeu com raiva acumulada de horas observando, cada estocada pesada e precisa, os dedos cravados na minha cintura. Eu agarrei a cabeceira com as duas mãos e deixei cada pancada chegar, sentindo meu corpo ceder e abrir a cada movimento.
"Você é minha", ele disse, não alto, quase só pra ele mesmo.
"Sou."
"De todo mundo aqui você é minha."
"Sou sua."
Ele se inclinou sobre mim, o peito nas minhas costas, a boca no meu ouvido. "Fala de novo."
"Sou sua, Paulo."
Ele gemeu fundo e acelerou, o ritmo perdendo o controle que ele sempre mantém, e eu gozei antes dele, apertando nele, ouvindo ele soltar um palavrão baixo quando sentiu. Gozou dentro de mim com os dentes no meu ombro, morderando sem machucar, aquela marca que eu ia sentir por dias.
Ficamos deitados depois, a tarde entrando pela janela, o silêncio da chácara lá fora.
O Rex pulou na cama e se instalou entre nossos pés como se fosse o dono do lugar.
Eu olhei pro teto. Pro madeiramento que eu já conhecia cada veia, cada nó na madeira.
"A gente vai precisar de agenda", eu disse.
Paulo riu. Aquela risada baixa que ele tem, que sai raramente.
"Já fiz uma."
"Paulo."
"Hmm."
"Você já tinha decidido tudo antes de me chamar pra ver o terreno."
Ele ficou em silêncio um momento. "Eu sabia que você era a pessoa certa."
Me virei pra ele. Ele me olhava com aquela expressão que ele raramente deixa aparecer, sem o controle todo, sem a compostura de engenheiro.
"A pessoa certa pra quê exatamente?", eu perguntei.
Ele passou o dedo pelo meu rosto, devagar, do meu olho até o queixo.
"Pra tudo isso", ele disse. "Pra essa vida."
Lá fora o vento batia na copa das árvores. O Rex roncava nos nossos pés. Em algum lugar no corredor, o Thor andava, as patas no assoalho de madeira, patrulhando a casa como se fosse dele.
Era dele. Era nossa. Era minha.
Eu fechei os olhos e ouvi a chácara respirar ao redor, aquele silêncio vivo de lugar que tem história acontecendo dentro dele, e soube que aquilo era só o começo de tudo que ainda ia acontecer naquelas paredes.
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E aí, meus gatinhos, o que acharam dessa selvageria toda? Ficaram duros ou molhadinhos só de imaginar? Eu sei que sim, porque tô ficando excitada de novo só de escrever isso tudo. Deixa um comentário, me conta o que te deixou mais louco, o que você quer ver nas próximas histórias. Tenho um monte de safadezas pra dividir com vocês. Beijos molhados da sua Cat preferida. Até a próxima!